Plural de «fora-de-jogo»

Pensem nisso outra vez

 

      «Foram duas horas de debate com momentos em que o moderador teve de intervir para dizer aquelas coisas que costumamos ouvir nos programas em que adeptos discutem foras-de-jogo e outras decisões polémicas da arbitragem no campeonato de futebol» («Ninguém dormiu em Brooklyn com os gritos de Sanders e Clinton», Alexandre Martins, Público, 16.04.2016, p. 24).

      Quanto ao jornalista, não ponho as mãos no fogo, mas com certeza no Instituto de Linguística Teórica e Computacional (ILTEC) sabem que «fora» é advérbio, e, no entanto, indicam como plural de «fora-de-jogo» (para eles, «fora de jogo») «foras-de-jogo». É pena nada dizerem de «fora-da-lei». Fico sempre com muitas dúvidas sobre estas invariabilidades, e o melhor mesmo era não ter de pensar no assunto, mas de vez em quando não nos podemos furtar. Sabem que é advérbio, digo ali atrás. O Prof. Moreno, que já aqui tem sido citado, e nem sempre por mim, diz a este respeito: «Algo idêntico acontece com o homem fora-da-lei, os homens fora-da-lei; o fora-da-lei, os fora-da-lei. Aliás, tem um filme por aí, nas locadoras, que tem o vistoso título de “Os foras-da-lei” (eta, ferro! Conseguiram pôr o plural na preposição!).» «Fora» preposição em «fora-da-lei»?

 

[Texto 6902]

Helder Guégués às 22:27 | comentar | favorito
Etiquetas: ,