Policiamento da linguagem

Para esquecer (totalmente)

 

      «Tudo isto vem a propósito, como se imagina, da admoestação de Ferro Rodrigues a André Ventura sobre a excessiva utilização da palavra “vergonha” e “vergonhoso” nas suas intervenções parlamentares. Fez mal, não porque Ventura se sinta muito incomodado pela “vergonha” do seu país, personicada nos seus colegas políticos e parlamentares, mas porque o policiamento da linguagem é um caminho perigoso e sem retorno. Deixem lá o homem falar para a sua clientela de indignados prossionais nas redes sociais e, se querem tirar-lhe o terreno à “vergonha”, denunciem antes as “vergonhas” que ele oculta e que o fazem ser o que é, até porque não vão faltar razões, se estiverem atentos e tiverem paciência para falarem com razão» («O policiamento da linguagem», José Pacheco Pereira, Público, 14.12.2019, p. 10).

      Sim, deixem-no lá falar. Eu nem sei como aquelas falsas indignações embrulhadas na sua arenga populista convencem quem quer que seja. Está destinado a ser, como o Livre, um mero epifenómeno.

 

[Texto 12 476]

Helder Guégués às 08:40 | favorito
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