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Linguagista

«Polvo/pulpo/pólipo/pó»

Do pó e da tradução

 

      «Carnívoros que capturam por vezes usando veneno, o método comum para os polvos caçarem é através de um bico duro com o qual rasgam a presa. Tal como a mitológica Hidra, estes animais podem também regenerar os seus oito membros e largar ainda uma tinta escura para confundir os predadores. Se olharmos para a raiz grega do nome do animal — okto-pous —, verificamos que a designação dos tentáculos, ou braços, indica na verdade que tem oito pés» («Genoma do polvo revelado na ponta dos seus oito tentáculos, ou dos “pés”», Catarina Rocha, Público, 12.08.2015, p. 26).

   O étimo do nosso «polvo» — também do grego, pelo latim — é menos preciso, pois significa «de muitos pés». Tradutores, atenção ao falso cognato, nem sempre inferível, pois o polvo do castelhano provém do latim pulvus e é o nosso «pó», ao passo que ao nosso «polvo» corresponde o castelhano pulpo, mais próximo — como o nosso pólipo — do étimo. Derivados de pulvus temos alguns, poucos, vocábulos, como pulveráceo, «coberto de pó»; pulverescente, «que parece coberta de pó (planta)», etc.

 

[Texto 6166]

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