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Linguagista

Português descontraído

Afinal, até eles estranham

 

 

      Para mim, era mais uma, e não das menos significativas, diferenças entre o português daqui e o português de lá. Mas eis que o espanto do cantor, compositor e escritor brasileiro Caetano Veloso se vem juntar ao nosso espanto: «Dê um rolê: você não vai encontrar a contração da preposição “em” com o artigo indefinido em nenhum texto impresso no Brasil em tempos recentes. Mesmo na biografia de Alexandre Frota, em que o português é tratado com demasiada licença, repete-se, até nas transcrições de falas do biografado, a suposta fineza de grafar a preposição separada do artigo. Me lembro (e aqui vai uma homenagem irônica, tanto aos linguistas quanto aos defensores da gramática da norma culta) de ter exposto minha estranheza em relação ao abandono do “num” e do “numa” (e, consequentemente, é claro, do “nuns” e do “numas”) no blog “obraemprogresso” e ter recebido resposta sóbria de Heloisa Chaves, a mais atenta às questões da língua entre os comentadores, confessando que de fato sempre dizia “num” mas escrevia “em um”. Aprendera na escola. É muito mais jovem do que eu e isso me fez observar que talvez tenha havido um acordo, mesmo informal, desautorizando a mencionada contração na linguagem escrita. Quando eu estudei, a contração da preposição “em” com o artigo “um” (e suas variações de gênero e número) era ensinada como a que se dá entre a mesma preposição e o artigo definido: ninguém diz ou escreve “em a” ou “em o”. Por alguma razão, deixou-se de encorajar os estudantes a fazerem o mesmo com artigos indefinidos, ao menos por escrito, já que não costumo ouvir nada além de “nuns” e “numas” nas falas de todos os meus eventuais interlocutores. Imagino o Alexandre Frota contando que, “em uma noite”, botou pra “fuder”. Pode ser que, influenciados pela escrita, alguns já falem assim e eu, com o ouvido viciado, não ouça» («Sem num nem numa», O Globo, 19.01.2014).


  [Texto 3899]

12 comentários

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    Montexto 22.01.2014 21:03

    Não percebes nada, mais uma vez, e como é teu timbre.
    Percebes tanto disto como do uso do «se», como se viu em lugar próprio. Estuda mais ainda. Ou não estudes tanto.
    Não te vou repetir o que deixei dito no lugar próprio. Vai lá se quiseres.
    Mas não te amofines com estas coisas. Deixa lá. Não vale a pena. 
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    Venâncio 22.01.2014 21:14

    Esperava mais elegância no bateres em retirada.
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    Montexto 22.01.2014 21:30

    Mas qual elegância nem meia elegância queres tu que tenham contigo, meu idiota, quando um tipo se dá ao trabalho e tem a pachorra de escrever e exemplificar o que eu escrevi e exemplifiquei neste blogue aos 6 de Janeiro de 2013, «Palavra de 2012», aqui al lado nos mais comentados, e tu ainda tens o descaramento de dizer que eu «bato em retirada»?
    «Battre en retraite»!
    A ti serve-te, não?
    Só te fazem engulhos os castelhanismos do séc. XVII, hem?
    Vai descansar. E «come chocolate, V., come chocolate».
        
       
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    Venâncio 22.01.2014 22:00

    Mete dó essa tua visão fetichista do idioma. Mas para fetichista, fetichista e meio. Ora aí vai.


    para  fazer ao padre vigário-geral uma valente apologia, quando lá TENHA CHEGADO alguma calúnia (Vieira)

    assim morrem e se vão ao Inferno, sem haver quem TENHA CUIDADO de seus corpos (Vieira)

    pela falsidade e mentira de todas estas artes e seus ministros, não TENHA BASTADO nenhuma experiência nem haja de bastar jamais  Vieira)

    Não me diz V. Ex.ª quanto TENHA AJUDADO o Verão os medicamentos (Vieira)

    A guerra de Itália está duvidosa, posto que Sua Santidade TENHA TOMADO à sua conta a mediação da paz (Vieira)

    Não basta que Deus TENHA REVELADO os futuros, é necessário que revele também os olhos (Vieira)

    sempre será necessária, posto que o tradutor TENHA PASSADO as raias do Guadiana (Vieira)

    se receia que Sua Santidade TENHA INTENTADO inovar alguma cousa (Vieira)


    para que eu, como criado da mesma casa, a TENHA FESTEJADO quanto devo (Vieira) 
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    Montexto 22.01.2014 22:36

    Acabas por ser enternecedor, de tanta ingenuidade gramatical, V. Enternecedor. Não nos podemos zangar contigo.
    Leste porventura a «Sintaxe» de Epifânio, V? E tomaste nota? Ou não? Óu tb está arrumada na Idade da Pedra Lascada? Hem?
    Diz-nos cá primeiro. 
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    Venâncio 23.01.2014 01:35

    O Epiphanio, ó Montexto? Tenho-o aqui à mão, na sexta edição, comprada em Lisboa em Julho de 1975, na Livraria 111 (ainda se chamava assim a Lácio). Mas também tenho a Bíblia, ó Senhor Prior. E mais depressa ia consultar o gracioso Eclesiastes, se para ele me remeteras, do que compulsar um instantâneo linguístico em que gente delirante como tu vê lei definitiva, quando não passa de curiosidade, muito amável, decerto. Ná, tu já vives embalsamado, ó Montexto, e só esses perfumados ademanes te fazem ainda tolerável. 
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    Montexto 23.01.2014 09:15

    Epifânios e Bíblias não os consulto em instantâneos, meu moderninho; ofereço-os aos amigos em bom e velho papel.
    Tenho 1.ª ed., e agora aqui a de 1959.    
    Então, e diz-nos cá: que aprendeste com ele, meu? Ou não aprendeste nada?
       
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    Venâncio 23.01.2014 09:51

    «Instantâneos» linguísticos são cortes diacrónicos no fluir dum idioma. São fotografias. Tiram-se, valeram nesse instante, e passaram. Tu também és uma fotografia.  Um cromo sépia.
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    Montexto 23.01.2014 12:18

    Diz-nos cá mas é, sem fugires com o cu à seringa, como costumas, sem «bateres em retirada», como tu dizes, o que aprendeste com o pré-histórico Epiphanio, como tu escreves, por ex. §§ 278, 279, b), 2), etc., -- se é que não és indocível de todo.
    Diz-nos cá.    
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    Venâncio 23.01.2014 16:07

    E não saímos disto. Seria então errado (segundo Epiphanio & Montexto) dizer: «Espero que ele TENHA PAGO a conta ontem», ou: «Não creio que ela TENHA MENTIDO». E que teria de dizer-se: «Espero que ele PAGASSE a conta ontem», ou: «Não creio que ela MENTISSE»... Quê? Que oiço ali? Ah, são os ossos de Vieira a ranger. Estão a chamar-lhe galicista, ao pobre. 
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    Montexto 23.01.2014 16:59

    Portanto, não aprendeste nada.
    Mas é preciso distinguir. Aí há coisas para distinguir. Porque nem tudo é o que parece é. Tu devias saber distinguir.
    Olha, gostei de ler a entrevista do brasileiro Francisco Bosco na LER, 1.14. Um tipo inteligente para variar.
    E que lembrou ele?
    «Gosto especialmente de uma definição do espírito filosófico que encontrei certa vez num livro do crítico Arthur Danto: “O filósofo é quem mostra que duas coisas aparentemente diferentes são no fundo iguais; e que duas coisas aparentemente iguais são no fundo diferentes.”»
    O crítico Danto! Tu não és crítico, V?
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