Que moeda essa, o índio

Acham tudo normal

 

      Num noticiário da manhã na Antena 3, ouvi que o Ministério do Património e da Cultura de Omã anunciara a descoberta de um navio português naufragado numa ilha remota de Omã em 1503, que fazia a Carreira da Índia e estava incluído na armada de Vasco da Gama. Entre os artefactos encontrados, estava uma raríssima — só se conhece outro exemplar — moeda, chamada índio, que D. Manuel I mandara cunhar especificamente para o comércio com a Índia. É verdade que os dicionários não tratam devidamente a acepção (no Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia das Ciências de Lisboa lê-se que é a «moeda antiga alusiva ao descobrimento do caminho marítimo para a Índia, cunhada nos finais do século XV»), mas não é por isso que aqui venho, mas sim porque a locutora disse duas ou três vezes «a índio». A pessoa que estava ao meu lado apressou-se a declarar que estava certíssimo, pois subentendia-se a palavra «moeda». Ah, pois, os subentendidos... Subentendem, entendem por baixo... Nunca ouvi nem li, por exemplo, «a escudo» ou «a euro» (e se algum dia ouvir fico com a última prova de que estão todos passados dos carretos).

 

[Texto 6681]

Helder Guégués às 22:40 | favorito