Que seja porteiro, então

Isso era dantes

 

      «Se no filme de Tavernier estávamos ante a determinação obscena de um canal de TV em busca de audiências, hoje temos ainda a concorrência de toda e qualquer pessoa. A ponto de a função de gate keeper (guarda-portão) que era a dos media clássicos parecer ter-se tornado inútil» («A morte em direto. Ponto de exclamação», Fernanda Câncio, Diário de Notícias, 12.08.2018, 6h18).

      É uma alusão (o que desculpa um pouco o inglês) à teoria de Kurt Lewin. «Kurt Lewin», lê-se no relatório de estágio para obtenção do grau de mestre em Jornalismo de Bruno Rafael Duarte Fernandes (Universidade da Beira Inteior, 2011), «foi o primeiro autor com preocupações sociais na área da comunicação de massas a indicar que a passagem de uma notícia por determinados canais de comunicação depende de “portões” (gates) que funcionam dentro desses mesmos canais de comunicação» (p. 5). Mas também esclarece, numa nota de rodapé à palavra gate, que o termo «tem sido traduzido para português também como “cancela” ou “barreira”». Ou seja, mais valia ter-se traduzido por «porteiro», por exemplo, porque «guarda-portão», além de pouco usado hoje em dia, não evoca, como o termo «porteiro», a ideia do poder que este tem, pelo menos na admissão a alguns locais, como nas discotecas.

 

[Texto 9769]

Helder Guégués às 07:43 | comentar | favorito | partilhar
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