Revisão e uma receita de puré de batata

E nota-se muito, diga-se

 

      «Cozinheiro francês, foi premiado com 31 estrelas Michelin, e era o chefe com mais galardões destes no mundo. Em 1990 foi considerado o cozinheiro do século pelo guia “Gault Millaut”. Era um perfeccionista, que impunha uma disciplina militar nas cozinhas que liderava e a sua receita mais famosa talvez seja a de puré de batata, feita com uma quantidade inacreditável de batata: 250 gramas para um quilo de batatas, fora o leite gordo» («In Memoriam. Joel Robuchon», José Cutileiro, Expresso, 12.08.2018).

      Como alentejano que é, quase de certeza José Cutileiro sabe cozinhar, mas, aqui, não com ingredientes, mas com palavras, foi completamente desastrado, e o revisor não ajudou nada, não por inépcia, mas por outra razão — não há revisor, não há revisão. (E o trema, pá?) Não: o chefe Joël Robuchon por cada quilograma de batata juntava 250 g de manteiga ­— fora o leite gordo, como lembra José Cutileiro. Muito bem, por outro lado, o uso dos termos «cozinheiro» e «chefe». Contudo, porque o leitor não merece só coisas boas, lá nos atirou com o «liderava». Três estrelas em cinco. Ah, sim, eu sei que puré é galicismo, mas tão arraigado, que já ninguém sabe como se dizia em português lídimo. Como era? Mudámos o género, de la purée passou a o puré.

 

[Texto 9770]

Helder Guégués às 07:47 | favorito
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