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Linguagista

«Sal agro-alimentar / sal marinho»

Ficamos sem perceber

 

      «O presidente da Associação Comercial de Aveiro, onde se integram os produtores de sal marinho da zona de Aveiro, destaca as diferenças entre o sal agroalimentar, “um sal que por si já não é benéfico”, que é “higienizado e que perde uma série de referências”, e o sal marinho, “puro”» («O sal é sempre prejudicial? Associação de Aveiro diz que não», Rádio Renascença, 2.05.2019, 15h49).

      Nunca tinha visto esta distinção — sal agro-alimentar/sal marinho. Uma questão semântica, decerto, pois o habitual é sal marinho/sal refinado. A ignorância sobre o sal é tão grande, que Jorge Silva, o presidente da Associação Comercial de Aveiro, diz que há pessoas que vão comprar sal marinho aos produtores de Aveiro para o usarem nas piscinas e usam sal refinado, comprado nos supermercados, para confeccionar os alimentos. Os dicionários também não ajudam muito, valha a verdade. O da Porto Editora, por exemplo, acolhe as locuções sal das cozinhas/comum/marinho. No processo industrial a que é submetido, o sal refinado é quase inteiramente destituído de microelementos ou oligoelementos, ficando o pior — o cloreto de sódio. Naquela miscelânea do dicionário, todas as subtilezas se perdem. Para terminar: também seria útil que se dicionarizasse a locução marinha de sal.

 

[Texto 11 296]

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