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Linguagista

«Sem dizer água vai»

Sem avisar

 

      «Chega a umas termas, senta-se, volta-se para o vizinho da direita e, sem dizer água-vai, conta-lhe a vida» (Diário, Vols. I a IV, Miguel Torga. Alfragide: Publicações Dom Quixote, 2009, p. 63).

      Não sei para que se há-de escrever com hífen. E Miguel Torga (se não foi perpetrado pelo revisor) não foi o único a fazê-lo. Entre outros, Cristóvão de Aguiar, nas suas Charlas sobre a Língua Portuguesa, também usa o hífen. Em nenhum caso, nem para referir o medieval água vai nem (muito menos, diria) na expressão «sem dizer água vai» se tem de empregar o tracinho. A propósito, a esta última Botelho de Amaral escreveu-a assim: «Sem dizer: água vai!»

 

[Texto 5795]

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