«Ser suposto» — o horror

Olha se fosse de Ciências

 

 

       «E é assim que nos damos conta, nesse descampado linguístico, do absurdo de um “porquessinismo” que manda escrever “Egito” e egípcios, “exceto” e mentecapto, “caráter” e característica. Facultatividades? O contexto decide? Ah mas não era suposto que o AO acabasse com os alegados elitismos das pessoas que pretendem simplesmente transmitir toda a herança linguística greco-latina, dos docentes que encaram de peito firme a complexidade de todas as línguas porque se enquadram numa família etimológica?» («O sustentável peso da língua, casa comum», Teresa Rodrigues Cadete, professora da FLUL e presidente do PEN Clube Português, Público, 21.02.2014, p. 55).

    Não se percebe porque estão umas palavras entre aspas e outras não. (Talvez explicável também pelo «porquessinismo».) E também não se percebe a necessidade de usar uma expressão alienígena como «ser suposto». E a autora é professora na Faculdade de Letras. Não há dúvida que deitar abaixo o AO90 é patriótico, mas não mais, a meu ver, do que usar bem a nossa língua.

 

[Texto 4088]

Helder Guégués às 10:50 | comentar | favorito
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