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Linguagista

Sobre «controlar»

Má escolha

 

 

    Fez ontem exactos quarenta anos que Marcello Caetano recebeu, vi no Telejornal, o último «banho de multidão». Aconteceu no Estádio de Alvalade, num jogo Sporting-Benfica. Foram ouvir o historiador António Reis (1948-): «Dia 16 de Março, dá-se a célebre intentona das Caldas da Rainha, que é facilmente controlada pelas forças governamentais, mas isto cria uma ilusão junto do regime, cria a ilusão de que afinal de contas era relativamente fácil conter a situação.»

     Como é que um historiador, homem que decerto se viu mergulhado dias, semanas, meses a fio em textos do passado, cede a tal palavra, «controlada»? Mistério. Uma intentona não é «controlada» — é reprimida, é dominada, é cerceada, é refreada, é contida. É de mais. Bem podem muitos afirmar que «controlar» tem há muito carta de naturalização, mas é inegavelmente desnessário e inexpressivo.

 

[Texto 4315]

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