Sobre «formidável»

Isso é formidável, Fátima

 

 

      No Prós e Contras de ontem, sobre a memória, depois da intervenção de Inês Meneses, que falou das suas memórias afectivas, visuais, olfactivas, de palavras (de um bom vinho, o pai dizia sempre que era «formidável» e «valente»), Fátima Campos Ferreira, num daqueles comentários intempestivos que a caracterizam, afirmou que ninguém diz de um vinho que é formidável. A sério? É porque se esqueceu ou nunca soube que a palavra tem dois sentidos. Está na língua do dia-a-dia. Um almoço formidável, um vinho formidável, um bacalhau formidável, tudo pode ser formidável. Num velho número da Revista de Portugal, ainda se afirma que é adjectivo «usado como termo de calão fino, não no sentido próprio, mas a significar “admirável, belo, excelente, óptimo, etc.” Uma bela fita de cinema diz-se, em termos de calão fino, que é... formidável; uma rapariga bonita, formosa e elegante é... formidável; um serviço de chá de loiça chinesa excelente é... formidável; uma bailarina exímia, donairosa, elegante, é... formidável».

 

[Texto 4398] 

Helder Guégués às 10:41 | comentar | favorito
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