«Sob/sobre», mais uma vez

Revisto, mas pouco

 

      «Por cada dia que passava, surgiam mais xailes negros pelas ruas, homens de cenhos carregados de tragédias, e Lisboa, ainda sobre a pressão dos efeitos traumáticos da Grande Guerra, esvaída de fome, gania prantos e mortos breves, tão apressados que dir-se-ia que Deus apenas lhes dera vida para que a morte os levasse» (Mataram o Sidónio!, Francisco Moita Flores. Revisão de Ayala Monteiro. Alfragide: Leya, 2010, p. 12).

      Isto de confundir as preposições sob e sobre é muito triste, e ainda mais num livro que foi revisto. Acho, no entanto, que Francisco Moita Flores não é comigo que se vai zangar. Vejam: «Por cada dia que passava, surgiam mais xailes negros pelas ruas e homens de cenhos carregados. Lisboa ainda sobre a pressão do trauma da Guerra, esvaía-se de fome, pranteava os mortos breves, tão mais numerosos que parecia que Deus apenas dava vida para que a morte fizesse o seu trabalho.» Tive acaso acesso aos rascunhos do autor? Não: este segundo texto, datado de Março deste ano, é assinado por Fleming de Oliveira, «advogado, antigo magistrado do MP, antigo Deputado, antigo Presidente da Assembleia Municipal de Alcobaça, crítico literário e autor de várias publicações», que por estes dias lançou a obra No Tempo das Pessoas «Importantes» como Nós, editada pela Câmara Municipal de Alcobaça. Podemos encontrá-lo no seu blogue, aqui.

 

[Texto 8284]

Helder Guégués às 14:39 | comentar | favorito
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