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Linguagista

Surdir e trasvaliar

Como ignorantemente diz o vulgo

 

      «A língua portuguesa está cheia
 de palavras certíssimas para designar quase todas as cambiantes do comportamento humano. Escritores como Vieira, Bernardes, Camilo, Eça e Aquilino levaram-na tão longe, que em português tudo se pode dizer, todas
 as infinitas flutuações das pessoas encontram uma ágil palavra para
 as designar. Agora que a nossa bela língua está a ser atacada por todos os lados, na sua ortografia, na sua complexidade vocabular, na sua riqueza expressiva, é sempre bom encontrar um refúgio nos falares antigos,
 ou naqueles que pouco a pouco estão a 
ser esquecidos por falta de uso. A semana passada falei de “tresvaliar”, palavra de Sá de Miranda, e esta semana Fernando Alves na TSF fez uma crónica sobre “surdir”, palavra usada por Camilo (sempre ele) e Eça, tudo palavras esquecidas» («Demasiado lampeiros para serem sérios», José Pacheco Pereira, Público, 20.06.2015, p. 52).

   Belas palavras, sim, mas sobre tresvaliar escreveu Francisco José Freire: «Tresvariar e tresvariado e não tresvaliar e tresvaliado, como ignorantemente diz o vulgo, porque vem de tresvario, a que também o povo chama com erro trespalio

 

[Texto 5990]