04
Mai 19

O AOLP90 no dia-a-dia

Já não voam tanto

 

      «Eurocépticos, nalguns casos populistas e xenófobos, antissistema. Nas eleições europeias de há 5 anos, vimos aumentar algumas destas forças políticas… E agora, como será em 2019?» («Eleições numa Europa cada vez mais fragmentada», Rádio Renascença, 4.05.2019).

      Se nos jornais é a pouca-vergonha que sabemos, quanto mais nas rádios, onde se habituaram durante décadas ao verba volant. Agora, com o scripta manent, é o que se vê. Ainda há dias, na Rádio Renascença, como vimos, escreveram «espanho-luso», que, mesmo depois de uma mensagem que lhes enviei, esteve 24 horas visível. Nem se envergonham nem aprendem. Lá se avenham.

 

[Texto 11 308]

Helder Guégués às 22:22 | comentar | favorito
Etiquetas: ,
23
Abr 19

Topónimos no AO90

Péssimos exemplos

 

      «E concertos de Verão são coisa que não tem faltado a Luciana Abreu[,] que tem um problema comum a muito boa gente: não gosta de acentos. Vai daí, deu um espectáculo em Pêro Pinheiro, localidade que, sem o devido acento no ‘Pêro’, deixa de ter nome de fruta para passar a parecer-se mais com um galináceo» («Redes sociais são a montra dos pontapés na gramática», Vanessa Fidalgo, «Domingo»/Correio da Manhã, 9.09.2018, p. 20).

      Fruta, galináceo? Primeiro, temos de relembrar que Pêro e Pedro ocorriam indiferentemente, e ambos provinham do latim Petrus. O topónimo tem a mesma origem. Ora, e não é a primeira vez que o afirmo, como outros autores, já na vigência do Acordo Ortográfico de 1945 não fazia sentido manterem-se estes acentos diferenciais. Sim, é certo — mas eram de regra na ortografia oficial. Vamos agora para Luciana Abreu: em que rede social viu Vanessa Fidalgo essa falta de acento? No Facebook, com data de 2 de Julho de 2018, lê-se isto em duas entradas: «Last night in PERÔ PINHEIRO-SINTRA». Mais e mais decisivo: há claramente várias pessoas a escreverem para a página da artista no Facebook, talvez da equipa de comunicação, e ora seguem uma regra ortográfica, ora outra, pelo que, ou condenamos tudo em bloco, ou mais vale estarmos calados.

      Como os nomes das localidades também são alterados com o Acordo Ortográfico de 1990, passámos a ter Armação de Pera, Foz Coa, Azoia, Troia, Pero Pinheiro, etc. Também aqui os génios que negociaram o acordo careceram de uma visão mais alargada: não há praticamente nenhuma diferença entre topónimos e antropónimos, e tanto assim é que temos antropónimos que se tornaram topónimos, e vice-versa. Logo, se, para ressalva de direitos, se veio permitir que cada qual pode manter a grafia do seu nome, o que até foi alargado a quaisquer firmas comerciais, nomes de sociedades, marcas e títulos inscritos em registo público, o mesmo se devia ter previsto para os topónimos nacionais. Assim, o que acontece? Temos metade do País a escrever «Pêro Pinheiro» e a outra metade «Pero Pinheiro». A trapalhada é tão grande, que, era inevitável, se estende aos dicionários. Num texto de apoio da Infopédia — que segue o AO90 —, lê-se «Pêro Pinheiro (Sintra)», mas no corpo do texto é sempre «Pero Pinheiro» que se lê.

 

[Texto 11 235]

Helder Guégués às 08:33 | comentar | ver comentários (1) | favorito
Etiquetas: ,
19
Mar 19

«Chegar a vias de facto»

Por via do AO90

 

      «Durante o embate entre o Inter e o Milan, que terminou com a vitória nerazzurri por 3-2, as câmaras captaram um desentendimento entre Kessie e Lucas Bligia, que estiverem perto de chegar a vias de fato não fossem os restantes colegas impedirem o ambiente de aquecer ainda mais» («Kessie e Biglia em discussão acesa no banco do Milan», A Bola, 18.03.2019, 00h02).

      Não se dizia dantes que se escrevia bem no jornal A Bola? Dizia, pois, mas isso foi já no século passado. Agora, por via do Acordo Ortográfico de 1990, é o que se vê.

 

[Texto 10 986]

Helder Guégués às 09:48 | comentar | ver comentários (2) | favorito
Etiquetas: ,
17
Mar 19

AO90, o mau alfaiate

Este já pegou

 

  Que isto, este facto, não passe em claro: no rodapé da última página do Correio da Manhã da passada segunda-feira, dia 11, anunciava-se a colecção Grandes Intrigas da História, que sai com a revista Sábado. Ora, tal feito merece uma frase à altura: «Contra fatos, há dezenas de argumentos.» Está tudo fodido, e para sempre.

 

[Texto 10 973]

Helder Guégués às 08:00 | comentar | favorito
Etiquetas: ,
28
Fev 19

Mais «fatos» ortográficos

A língua vai nua

 

      Doravante, é possível apresentar queixas contra polícias no sítio do IGAI. Maravilha. Vejamos o que se diz ali: «Deve preencher (tendo em atenção os campos de preenchimento obrigatório assinalados com asterisco) o formulário da sua queixa/denúncia de forma completa e fundamentada indicando, sempre que possível, informação detalhada sobre os fatos e a entidade denunciada, o local onde ocorreram os fatos (morada e/ou outros pontos de referência), justificação do motivo de denúncia e outras questões relevantes.»

      Se não tivermos um curso de Corte e Costura, ou mesmo de Modelação, vai ser mais difícil. Não digo que a Administração Pública esteja cheia de semianalfabetos — mas os que, na Função Pública, escrevem são semianalfabetos, isso está fora de dúvida. Azar o nosso.

 

[Texto 10 892]

Helder Guégués às 14:58 | comentar | ver comentários (1) | favorito
Etiquetas: ,
02
Jan 19

Os «contatos» do OJE

Para começar bem o ano

 

      O Jornal Económico também tem — como muitas publicações que seguem as regras do Acordo Ortográfico de 1990 — «contatos». Não há uma alminha, da direcção à redacção, que dê conta deste erro tão lamentável. Ó OJE, é hoje que te emendas? Vá lá, começa bem o ano.

 

[Texto 10 525]

Helder Guégués às 15:48 | comentar | ver comentários (2) | favorito
Etiquetas: ,
21
Nov 18

Como se escreve na Madeira

Esta mancha já não sai

 

      Como é tratada a língua nos nossos arquipélagos? Tem dias. Hoje foi assim: «Há uma tendência crescente nas escolas primárias para levar as crianças para o mundo lá fora, faça chuva ou faça sol, para ter contato direto com o ambiente natural» («Uma abordagem à aprendizagem ao ar livre: Aprendizagens na floresta», Rosa Luísa Gaspar, professora, Jornal da Madeira, 21.11.2018, p. 7).

      Professora de?... Ah, não quero saber. O resto do texto não é, muito longe disso, um primor — na realidade, está abaixo de medíocre —, mas, num professor, ver aquele erro até dói.

 

[Texto 10 328]

Helder Guégués às 18:43 | comentar | ver comentários (1) | favorito
Etiquetas: ,