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Linguagista

Assim se aplica o AO90

De mal a pior

 

      «Porque é que, em Portugal, políticos com elevadas responsabilidades culparam, declarada ou subrepticiamente, os Portugueses pela desastrosa evolução da pandemia no trimestre de dezembro de 2020 a fevereiro de 2021?» («Covid-19: porque é que...?», António Ferreira, Observador, 12.05.2021, 00h06).

      O texto do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 é omisso em relação a isto, mas é logo, como já nos habituaram, para a pior opção que os falantes propendem. E é o autor médico e professor da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, agora imagine-se o Sr. Adérito ali da frutaria. Nada recomenda a forma aglutinada, e um mínimo de reflexão sobre a língua permitiria a qualquer um chegar a esta conclusão.

 

[Texto 15 121]

Cabília e cabila

Assim é que é

 

      «O movimento para a autodeterminação da Kabylia e de Anavad (Governo Provisório da Kabylia no exílio – MAK) viu no passado 20 de abril a celebração dos 21 anos do início da Primavera Amazigh (berbere para os menos avisados), data em que em 1980 viu a contestação e a raiva sair à rua pela proibição, a partir de Argel, da realização de uma conferência sobre poesia kabyla ancestral em Tizi-Ouzou, a capital desta província argelina contestatária e situada no Nordeste da Argélia, com acesso ao Mediterrâneo e povoada por cerca de 12 milhões de habitantes, sendo que dois milhões vivem em França e dois milhões em Argel, a capital da Argélia» («Ferhat Mehenni. A abrilada kabyla», Raúl M. Braga Pires, Diário de Notícias, 17.05.2021, p. 22).

      Uma vez que o autor é politólogo e arabista, era de esperar que soubesse que em português se escreve Cabília e cabila. Por vezes, nada como ler jornais para ficarmos a saber ainda menos. E se opta (ou é obrigado) por escrever segundo as regras do AO90, não devia conhecê-las minimamente? Não é o que se vê.

 

[Texto 15 117]