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Linguagista

Como se escreve por aí

A Dora vai nua

 

      «As intervenções de Judite Fernanda a propósito do Jubileu da Rainha foram uma homenagem aos estagiários de jornalismo. Uma das peças mais significativas era integralmente constituída por fatos, aparentemente, retirados da Wikipedia ou do ‘Borda d’Água’. Mas o pior foi quando consultou a sua ‘cultura geral’ e afirmou que “Isabel II viveu a 1.ª Guerra Mundial” e que fez a gestão da posição “do Reino Unido contra a Alemanha nazi na 2.ª Guerra Mundial”. Quando a Rainha nasceu a 1.ª Guerra tinha acabado há 8 anos, quando chegou ao trono a 2.ª tinha acabado há 7. Sobre Judite começa a ser notório para o público aquilo que a classe jornalística já sabe: dali não se pode esperar muito mais...» («Pioneira também do wikijornalismo?», Dora, a espectadora, «Boa Onda»/Correio da Manhã, 10-16.06.2022, p. 11). E a história, já bíblica, do argueiro não se lhes aplica? Mas, que querem?, eles é que são bons.

 

[Texto 16 461]

AO90, o mal alastra

Sabotagem?

 

      «[Ulisses, de James Joyce] É um romance dificílimo em termos de descodificação, mas maravilhoso na sua música, na sua verve, no seu tom ‘jocosério’, e quase sempre entendível ao nível da frase, nada que se pareça com o beco sem saída de outro Joyce, “Finnegans Wake” (1939), escrito numa novilíngua proibitiva. [...] Leopold Bloom encontra gente em lojas, igrejas, bibliotecas, tabernas, bordéis, funerais, e com elas discute teologia, política, obstetrícia, o “Hamlet”, o antissemitismo (Bloom é filho de um judeu húngaro): “Dizem que a Irlanda tem a honra de ser o único país que nunca perseguiu os judeus. (...) E sabe porquê? (...) Porque nunca os deixou entrar”» («Benefício de inventário», Pedro Mexia, «Revista E»/Expresso, 13.05.2022, p. 57). Mas Pedro Mexia não afiança e promete que «escreve de acordo com a antiga ortografia»? Seja como for, «jocosério» não está de acordo com nenhuma ortografia.

 

[Texto 16 347]