15
Jun 20

O AO90 no dia-a-dia

Ainda andamos nisto

 

      Alexandra Lopes, ainda andamos a brincar ao acordo ortográfico? Ainda tem dúvidas sobre uma porcaria tão simples? Olhe, os centros de explicações já reabriram. «O fato de ter pago aos lesados, com o apoio da família, já que está detido e não tem rendimentos, foi, aliás, um aspeto evocado pela defesa. “Depois de quatro anos de reclusão, está consciente e arrependido, e já conseguiu licença para fazer um mestrado em Psicologia”, notou a advogada. Valdemar já é formado em Engenharia Civil e terá tirado uma licenciatura em Ciências Sociais durante o tempo em que tem estado preso, na cadeia de Paços de Ferreira» («​Burlão das notas de 50 euros faz mestrado na cadeia», Alexandra Lopes, Jornal da Notícias, 11.06.2020, p. 16).

 

[Texto 13 542]

Helder Guégués às 08:30 | comentar | favorito
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29
Mai 20

A trapalhada do AO90

Uma questão de visão

 

      Agora sim, temos o País mais unido que nunca: «À saída, perante vários apoiantes com tarjas e bandeiras, Bruno mostrou-se feliz e afirmou que a decisão era a esperada. Mas queixou-se da forma como foi implicado no processo. “Uns posts no Facebook não podem ser suficientes para que eu passasse o que passei. Ninguém está livre disto”, disse. Salientou, contudo, que, na sua óptica, era exigível que ficasse provada a sua inocência – não apenas a falta de provas do seu envolvimento» («Bruno absolvido despede-se dos juízes: “Até nunca!”», Jornal de Notícias, 29.05.2020, p. 17). «A família e amigos de Beatriz em Elvas estavam ontem em choque. A família, conhecida na cidade, vive sobre a ótica que lhes pertence» («Choque em Elvas com a morte de “menina da terra”», Correio da Manhã, 29.05.2020, p. 5).

 

[Texto 13 463]

Helder Guégués às 10:15 | comentar | favorito
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17
Mai 20

O fato esfarrapado do AO90

Não se tratem, não

 

      «Nas contas de Dalila Rodrigues, “não será possível admitir mais do que dez pessoas em simultâneo na torre”. Condicionado ficará também o acesso a parte dos pisos do monumento. Só será “50% visitável”. Este fato levará, depois de dia 18, a uma redução para metade no preço do bilhete, que passará de seis para três euros» («Torre de Belém só com 10 visitantes de cada vez. Conheça as novas regras nos museus e monumentos», Maria João Costa, Rádio Renascença, 16.05.2020, 21h00).

      Não sei como é que, depois de tantos avisos, uma jornalista — com o curso de Comunicação Social e Cultural da Universidade Católica de Lisboa — escreve isto. Mais: como é que, quase 24 horas depois, não releu nem ninguém a avisou. Lamentável.

 

[Texto 13 361]

Helder Guégués às 18:30 | comentar | favorito
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06
Mai 20

O AO90 aplicado no dia-a-dia

Parem quietos

 

      «Covid-19 não pára negócio do sexo» (Hugo Rainho e Magali Pinto, Correio da Manhã, 30.04.2020, p. 14). Andam há muitos anos num debate diuturno sobre se leva ou não leva acento — e a prática acompanha as dúvidas, porque ora põem ora tiram o acento. Um dia vão assentar.

 

[Texto 13 285]

Helder Guégués às 09:45 | comentar | favorito
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09
Abr 20

O «Jornal de Angola» errou

Querem ver

 

      «Mais de uma tonelada de material de biossegurança (luvas, máscaras, fármacos, sabão, termómetros e higiénicos) foi entregue ontem às autoridades do município da Matala, na Huíla, por membros da comissão provincial multissetorial de prevenção contra a Covid-19. Em declarações à Angop, o coordenador da comissão multissetorial da Matala, Miguel Vicente, disse que a prioridade será para o centro de quarentena, o hospital municipal, os centros médicos e os postos de saúde das três comunas, nomeadamente Micosse, Capelongo e Mulondo» («Matala recebe material de biossegurança», Jornal de Angola, 7.04.2020, p. 5). Querem ver que o Jornal de Angola, que andou a dar lições a Portugal sobre o assunto, também se converteu ao Acordo Ortográfico de 1990? Ou é apenas descuido e desleixo?

 

[Texto 13 123]

Helder Guégués às 09:30 | comentar | favorito
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07
Abr 20

Arctic Outpost

Uma espécie de doença

 

      Agora também sou ouvinte diário da Arctic Outpost, com sede em Longyearbyen, Svalbard, a tal rádio que Nuno Markl revelou a Portugal. O radialista Cal Lockwood passa diariamente música, sobretudo jazz e blues, que não se ouve em mais nenhuma rádio. Irritante é que em alguns jornais portugueses escrevam Arctic sem o c. Aplicar a máquina decepadora do AO90 até a nomes próprios estrangeiros revela bem a total falta de discernimento que por aí grassa. Também é um vírus.

 

[Texto 13 106]

Helder Guégués às 09:45 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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«Cor-de-rosa» outra vez

A duplicar

 

      «Na viragem do século, o Kennedy que era, simultaneamente, um dos maiores galãs norte-americanos, com presença assegurada em todas as capas das revistas “cor de rosa”, morre a bordo de um pequeno avião que cai no estado do Massachusetts): ao lado de John Kennedy Júnior, filho do presidente assassinado, seguiam a mulher, Carolyn e a cunhada» («“Maldição” dos Kennedy [sic] chega ao número do azar: há dois desaparecidos», Rui Pedro Pereira, Jornal de Notícias, 5.04.2020, p. 43).

      Rui Pedro Pereira, o que falta para se convencer de que, seja qual for o acordo ortográfico, é «cor-de-rosa» que se escreve? Onde tem estado nestes anos todos? Em coma? E deixe lá as aspas em paz.

 

[Texto 13 103]

Helder Guégués às 09:00 | comentar | favorito
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02
Abr 20

E o AO90, como vai?

Falta a certidão de óbito

 

      «Crentes, agnósticos e ateus terão, pelo menos, a característica comum de gostarem de desfrutar um fim-de-semana prolongado na companhia de familiares e amigos. Não vai acontecer na Páscoa de 2020. O estado de emergência que vigora em Portugal será prolongado» («Só mais um bocadinho», João Cândido da Silva, coordenador do Expresso Online, Expresso Curto, 2.04.2020).

      «Fim-de-semana»? Mas o Expresso não seguia o Acordo Ortográfico de 1990? Bem, seguem-se «optimismo», «aspectos», «actividades», «direcção-geral», «perspectiva», mas também «diretor-geral», «infeção», «diretos», «ato» e um largo etc. de uma ortografia e da outra. Isto é uma farsa e uma inaudita forma de desrespeito aos leitores e à língua.

 

[Texto 13 079]

Helder Guégués às 14:15 | comentar | favorito
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