25
Jul 18

Os equívocos do AO90

Isto não é uma gralha

 

      «A isto chamam os anglossaxónicos “self-hatred”, o ódio de si próprio, de que fala gente da mesma tribo dos Tavares a propósito dos judeus que criticam a ocupação israelita da Palestina, ou dos homens que denunciam a dominação masculina, ou dos ocidentais que criticam o papel histórico do Ocidente, isto é, de tudo aquilo que o reacionarismo cultural diz hoje ser uma “moda” estrangeirada adotada por uma “intelligentsia ociosa” nacional» («O “homem branco autoflagelado”», Manuel Loff, Público, 21.07.2018, p. 53).

      Querem seguir as regras mal-alinhavadas do Acordo Ortográfico de 1990 — fogem do reaccionarismo, mas caem nos braços do errorismo. Qual era exactamente o problema da anterior ortografia, que já me esqueci?

 

[Texto 9684]

Helder Guégués às 07:57 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
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04
Jul 18

«Diário de Notícias» em «contato»

Veio para ficar

 

      Tornei-me assinante do novíssimo Diário de Notícias, para avaliar melhor o jornal nesta sua nova encarnação. Para já, não estou a gostar nada. Precisei de ajuda porque as credenciais de acesso que me mandaram não estão a funcionar, e a resposta, assinada por alguém da «Direção de Serviço a Cliente», a quatro mensagens termina sempre da mesma forma semianalfabeta: «Para melhor o conseguirmos ajudar, agradecemos que nos indique um contato telefónico.» Por correio electrónico é que nem pensar, nada de modernices.

 

[Texto 9554]

Helder Guégués às 15:51 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
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06
Jun 18

Os intérpretes do AO90

É o que temos

 

      «Entre os mais de 90 mil alunos que realizaram as provas de aferição de História e Geografia do 2.º ciclo, no ano passado, 45% não conseguiram localizar Portugal continental em relação ao continente europeu utilizando os pontos colaterais da rosa-dos-ventos. Ou seja: não conseguiram localizar o país como estando [sic] no Sudoeste da Europa» («45% dos alunos não situam Portugal no mapa da Europa», Pedro Sousa Tavares, Diário de Notícias, 5.06.2018, p. 4).

      São os intérpretes do Acordo Ortográfico de 1990 que temos. A forma correcta é rosa dos ventos, sem hífenes. E o uso de maiúscula ou minúscula nos pontos cardeais não está claríssimo na Base XIX, 1.º e), do Acordo Ortográfico de 1990?

 

[Texto 9357] 

Helder Guégués às 18:34 | comentar | favorito | partilhar
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13
Fev 18

Um erro persistente

O fato roto da EMEL

 

      O ePARK, a aplicação da EMEL, já tem 240 000 utilizadores, diz-me esta empresa numa mensagem de correio electrónico. Que bom — para a empresa. Tem, gaba-se, introduzido melhorias: «A criação do ePARK Empresas ou a possibilidade de pagar apenas o tempo que de fato se consome, [sic] são disso bom exemplo.» Então uma empresa que ganha baldes de moedas por hora não tem dinheiro para pagar os serviços de um revisor?

 

[Texto 8734]

Helder Guégués às 11:29 | comentar | ver comentários (2) | favorito | partilhar
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19
Jan 18

Leopardo-da-pérsia, lobo-ibérico...

Para dizer tudo

 

      «O leopardo-da-pérsia, o lobo-ibérico, a girafa-de-angola, a impala-de-face-negra, a serpente-rei-oriental e a lebre-ibérica foram as espécies escolhidas e retratadas [por Joel Sartore]: as primeiras cinco no Jardim Zoológico de Lisboa e a última no Campus Agrário de Vairão, do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (Cibio) da Universidade do Porto» («Já há animais de Portugal na maior arca fotográfica do mundo», Ana Maria Henriques, Público, 19.01.2018, p. 29).

      A ironia de tudo isto é que o Público é o mais cioso dos jornais a aplicar esta regra do Acordo Ortográfico de 1990. Terá Nuno Pacheco noção disto? Poderá ter, pois não é a primeira vez que o escrevo. Bem, não acho tão mal, que eu próprio não aderisse a esta forma de grafar os nomes comuns dos animais. Mas o Público... Há quem se oponha, e com excelentes argumentos, diga-se. Excelentes não, muito melhores do que os nossos, que seguimos a regra. Sim, especialmente nós, que não aplicamos o Acordo Ortográfico de 1990. É verdade que existe o provérbio que diz que um excesso de franqueza é uma indecência, como a nudez? Deve ter sido inventado pelos que, tendo a mesma fraqueza, não têm a mesma coragem.

 

[Texto 8600] 

Helder Guégués às 12:18 | comentar | favorito | partilhar
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22
Nov 17

Arquitectura íntegra

Quem diria...

 

      O antigo Quarteirão da Real Vinícola de Matosinhos foi reabilitado para acolher acervos de arquitectos, conferências e exposições. É a Casa da Arquitectura – Centro Português de Arquitectura. Parece-me um edifício — e mais do que um edifício, um projecto — muito interessante. O mais espantoso e inesperado, acho eu, é que mantém o c de «arquitectura».

 

[Texto 8366]

 

 

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Imagem de http://pt.euronews.com

Helder Guégués às 00:39 | comentar | favorito | partilhar
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18
Nov 17

Gentílicos com maiúscula inicial

Aleluia

 

      «Entre o ano 1000 a. C. e o ano 500 a. C., chegou à Península Ibérica um conjunto de povos do mar Mediterrâneo, atraídos pela riqueza em metais (ouro, prata e cobre). Nas regiões do litoral sul e sudeste, os Fenícios, os Gregos e os Cartagineses fundaram colónias e feitorias para realizarem trocas comerciais com as populações ibéricas» (HGP em Ação 5 — História e Geografia de Portugal, Eliseu Alves e Elisabete Jesus. Porto: Porto Editora, 2017, p. 65).

      Reparem que segue, naturalmente, o Acordo Ortográfico de 1990 — e o nome dos povos está grafado com maiúsculas. E também grafarão da mesma maneira o nome de outros povos? Sim, ou, pelo menos, encontrei mais exemplos, como este: «Assim, compreendemos melhor a grande e corajosa aventura dos Portugueses!» (p. 157).

 

[Texto 8353]

Helder Guégués às 19:38 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
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