11
Nov 18

A mentira e o AOLP90

A brincar, a brincar

 

      «Eu fico sempre convencido com as pessoas perentórias. Pelo menos ficava, quando a palavra se escrevia “peremptória” e era mais perentória por isso. Hoje, as ganas, mesmo de uma mulher do Alto Minho, deixam-me mais cético (não tão cético como antigamente, quando se escrevia “céptico”, mas ainda assim cético). Vai daí, recorri ao meu método para me curar de um espanto: de que estamos a falar quando estamos a falar? Isto é, de que password falava a deputada Emília Cerqueira?» («O caso da password promíscua», Ferreira Fernandes, Diário de Notícias, 11.11.2018, 6h19).

      Isso é que era, o Diário de Notícias aparecer na edição de 1 de Janeiro de 2019 totalmente limpo do pesadelo do Acordo Ortográfico de 1990. Mas isso é mais notícia para o 1 de Abril...

 

[Texto 10 271]

Helder Guégués às 15:31 | comentar | favorito | partilhar
Etiquetas: ,
26
Set 18

O AOLP90, mais uma vez

Faziam falta os Dez Mil

 

      Quis o destino, e eu não me opus, que o texto n.º 10 000 deste blogue fosse sobre essa maldição chamada Acordo Ortográfico de 1990. Ainda ontem, pelo Messenger, um professor universitário (!), que nunca vi na minha vida, manifestou a sua estranheza por ter encontrado um livro que seguia o AO90 e fora revisto por mim. (Afinal, concluiu-se depois que não, embora não faltem por aí, evidentemente, mas isto tem tão pouca importância, que fica aqui entre parênteses.) Que queria este académico? Pois isso, manifestar a sua estranheza, acabando por dizer que achava que os revisores resistiam à aplicação das novas regras ortográficas. «Resistir», respondo-lhe, incrédulo com tanto alheamento da realidade. «Resistam os leitores: não comprem os livros com o AO90. Se não os comprarem, os editores não os publicam, tão simples quanto isto.» Insiste: «Tinha, porém, ideia de que resistiam. Ou resistiam por terem autores que escrevem em português e não acordês.» Não estará a confundir revisor com accionista? Francamente.

      O AO90, então. Todos os dias vejo disparates relacionados com a aplicação das suas regras, regras simplicíssimas, diga-se, e isto em pessoas cujo instrumento de trabalho é a escrita, professores, tradutores, revisores, jornalistas. Uma amostra encontrada hoje: «Criou – sempre acompanhado – a primeira secção de higiene mental num centro de assistência maternoinfantil, os centros psicopedagógicos do Colégio Moderno e de A Voz do Operário, o Centro Infantil Helen Keller (figura com quem conviveu), a Liga Portuguesa dos Deficientes Motores, a Associação Portuguesa de Surdos. Foi diretor do Centro de Saúde Mental Infantil de Lisboa» («João dos Santos, o bom doutor», Mariana Pereira, Diário de Notícias, 17.09.2018, 14h38). Ah, eu sei, lembro-me de aqui falarmos no caso, há dicionários que registam esta grafia avariada. Felizmente, consegui que fosse corrigido num dicionário e num vocabulário. E, todavia, persiste.

 

[Texto 10 000] 

Helder Guégués às 10:49 | comentar | ver comentários (5) | favorito | partilhar
Etiquetas: ,
25
Set 18

Os fatos do AO90

Sabem, sabem, e é o que se vê

 

      «A PGR [em comunicado enviado à Renascença] refere ainda que “em causa estão fatos suscetíveis de integrarem crimes de associação criminosa, denegação de justiça, prevaricação, falsificação de documentos, tráfico de influência, favorecimento pessoal praticado por funcionário, abuso de poder, recetação, detenção de arma proibida e tráfico de armas”» («Tancos. Detidos diretor da PJ Militar e comandante da GNR de Loulé», Rádio Renascença, 25.09.2018, 11h59).

      Gostava de ler aquele comunicado para ver de quem são os fatos talhados à medida da ignorância de tantos indocíveis diplomados.

 

[Texto 9990]

Helder Guégués às 13:23 | comentar | ver comentários (4) | favorito | partilhar
Etiquetas: ,
25
Jul 18

Os equívocos do AO90

Isto não é uma gralha

 

      «A isto chamam os anglossaxónicos “self-hatred”, o ódio de si próprio, de que fala gente da mesma tribo dos Tavares a propósito dos judeus que criticam a ocupação israelita da Palestina, ou dos homens que denunciam a dominação masculina, ou dos ocidentais que criticam o papel histórico do Ocidente, isto é, de tudo aquilo que o reacionarismo cultural diz hoje ser uma “moda” estrangeirada adotada por uma “intelligentsia ociosa” nacional» («O “homem branco autoflagelado”», Manuel Loff, Público, 21.07.2018, p. 53).

      Querem seguir as regras mal-alinhavadas do Acordo Ortográfico de 1990 — fogem do reaccionarismo, mas caem nos braços do errorismo. Qual era exactamente o problema da anterior ortografia, que já me esqueci?

 

[Texto 9684]

Helder Guégués às 07:57 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
Etiquetas: ,
04
Jul 18

«Diário de Notícias» em «contato»

Veio para ficar

 

      Tornei-me assinante do novíssimo Diário de Notícias, para avaliar melhor o jornal nesta sua nova encarnação. Para já, não estou a gostar nada. Precisei de ajuda porque as credenciais de acesso que me mandaram não estão a funcionar, e a resposta, assinada por alguém da «Direção de Serviço a Cliente», a quatro mensagens termina sempre da mesma forma semianalfabeta: «Para melhor o conseguirmos ajudar, agradecemos que nos indique um contato telefónico.» Por correio electrónico é que nem pensar, nada de modernices.

 

[Texto 9554]

Helder Guégués às 15:51 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
Etiquetas: ,
06
Jun 18

Os intérpretes do AO90

É o que temos

 

      «Entre os mais de 90 mil alunos que realizaram as provas de aferição de História e Geografia do 2.º ciclo, no ano passado, 45% não conseguiram localizar Portugal continental em relação ao continente europeu utilizando os pontos colaterais da rosa-dos-ventos. Ou seja: não conseguiram localizar o país como estando [sic] no Sudoeste da Europa» («45% dos alunos não situam Portugal no mapa da Europa», Pedro Sousa Tavares, Diário de Notícias, 5.06.2018, p. 4).

      São os intérpretes do Acordo Ortográfico de 1990 que temos. A forma correcta é rosa dos ventos, sem hífenes. E o uso de maiúscula ou minúscula nos pontos cardeais não está claríssimo na Base XIX, 1.º e), do Acordo Ortográfico de 1990?

 

[Texto 9357] 

Helder Guégués às 18:34 | comentar | favorito | partilhar
Etiquetas: ,
13
Fev 18

Um erro persistente

O fato roto da EMEL

 

      O ePARK, a aplicação da EMEL, já tem 240 000 utilizadores, diz-me esta empresa numa mensagem de correio electrónico. Que bom — para a empresa. Tem, gaba-se, introduzido melhorias: «A criação do ePARK Empresas ou a possibilidade de pagar apenas o tempo que de fato se consome, [sic] são disso bom exemplo.» Então uma empresa que ganha baldes de moedas por hora não tem dinheiro para pagar os serviços de um revisor?

 

[Texto 8734]

Helder Guégués às 11:29 | comentar | ver comentários (2) | favorito | partilhar
Etiquetas: ,
19
Jan 18

Leopardo-da-pérsia, lobo-ibérico...

Para dizer tudo

 

      «O leopardo-da-pérsia, o lobo-ibérico, a girafa-de-angola, a impala-de-face-negra, a serpente-rei-oriental e a lebre-ibérica foram as espécies escolhidas e retratadas [por Joel Sartore]: as primeiras cinco no Jardim Zoológico de Lisboa e a última no Campus Agrário de Vairão, do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (Cibio) da Universidade do Porto» («Já há animais de Portugal na maior arca fotográfica do mundo», Ana Maria Henriques, Público, 19.01.2018, p. 29).

      A ironia de tudo isto é que o Público é o mais cioso dos jornais a aplicar esta regra do Acordo Ortográfico de 1990. Terá Nuno Pacheco noção disto? Poderá ter, pois não é a primeira vez que o escrevo. Bem, não acho tão mal, que eu próprio não aderisse a esta forma de grafar os nomes comuns dos animais. Mas o Público... Há quem se oponha, e com excelentes argumentos, diga-se. Excelentes não, muito melhores do que os nossos, que seguimos a regra. Sim, especialmente nós, que não aplicamos o Acordo Ortográfico de 1990. É verdade que existe o provérbio que diz que um excesso de franqueza é uma indecência, como a nudez? Deve ter sido inventado pelos que, tendo a mesma fraqueza, não têm a mesma coragem.

 

[Texto 8600] 

Helder Guégués às 12:18 | comentar | favorito | partilhar
Etiquetas: ,
22
Nov 17

Arquitectura íntegra

Quem diria...

 

      O antigo Quarteirão da Real Vinícola de Matosinhos foi reabilitado para acolher acervos de arquitectos, conferências e exposições. É a Casa da Arquitectura – Centro Português de Arquitectura. Parece-me um edifício — e mais do que um edifício, um projecto — muito interessante. O mais espantoso e inesperado, acho eu, é que mantém o c de «arquitectura».

 

[Texto 8366]

 

 

368x207_406029.jpg

Imagem de http://pt.euronews.com

Helder Guégués às 00:39 | comentar | favorito | partilhar
Etiquetas: ,