30
Nov 18

Bacu

Muito bem

 

      «No Estádio Olímpico de Bacu, levou quatro minutos a marcar o primeiro e fez mais cinco nos restantes 86, construindo aquela que foi a maior goleada da época» («O Sporting de Keizer está a crescer depressa e bem», Marco Vaza, Público, 30.11.2018, p. 44).            

      É muito para espantar — e aplaudir, pois claro — que tenham decidido escrever assim este topónimo. Se estendessem a tudo o resto esta coerência, seria excelente.

 

            [Texto 10 383]

Helder Guégués às 19:35 | comentar | favorito | partilhar
26
Nov 18

Léxico: «taser/taseres»

Já é mais nossa

 

      «Nos Estados Unidos, onde qualquer pessoas pode usar uma arma à cintura, a tecnologia tenta aliar-se à defesa pessoal. A fabricante de armas elétricas Axon modificou os seus taseres de forma a aliar-se a uma tecnologia já existente, por exemplo, em carros. [...] Os taseres usam uma descarga elétrica de alta tensão para imobilizar momentaneamente uma pessoa. Podem causar desde contrações musculares a choque completo, queda e perda de orientação por vários minutos» («Esta arma taser chama a polícia automaticamente quando disparada», Carolina Rico, TSF, 26.11.2018, 13h26).

      Ah, então já vai sendo aportuguesado. Muito bem — mas: sofre do mesmo mal do «basebol». Vamos lá: beisebol e teiser/teiseres. Quem não quiser, paciência, ande desarmado.

 

[Texto 10 360]

Helder Guégués às 17:23 | comentar | favorito | partilhar

Estreito é

Mas de quê?

 

      «Este domingo, três navios militares da Ucrânia atravessaram a fronteira nacional da Rússia, entraram nas águas territoriais russas, e deslocaram-se no mar Negro em direção ao estreito de Kerch, segundo a assessoria do Serviço Federal de Segurança russo» («Ucrânia convoca gabinete de guerra depois de incidente com a Rússia», Rádio Renascença, 25.11.2018, 20h07). Kerch? Ora, já foram mais portugueses: «“A NATO condena a construção e abertura parcial pela Rússia da ponte no Estreito de Querche que liga a Rússia à Crimeia”, sublinha Piers Cazalet [vice-porta-voz da Aliança Atlântica] no documento» («NATO condena nova ponte que liga a Rússia à Crimeia», Rádio Renascença, 16.05.2018).

 

[Texto 10 359]

Helder Guégués às 11:24 | comentar | favorito | partilhar
14
Nov 18

Léxico: «terriê»

É raro

 

      «O terriê conseguiu escapulir-se, livrando-se, por um triz, das enormes mandíbulas» (Vertigem de Paixão, Elizabeth Hoyt. Tradução de Maria João Vieira. Alfragide: Quinta Essência, 2013, p. 167). Tem várias opções erradas, esta tradução, mas, curiosamente, neste ponto andou bem, tanto mais que poucas vezes se vê esta palavra aportuguesada. No entanto, o que tem de diferente de, por exemplo, «dossiê»? Nada.

 

[Texto 10 288]

Helder Guégués às 11:13 | comentar | favorito | partilhar
03
Out 18

Hossaino ibne Ali, Ibne Séude...

Nomes das Arábias

 

      «A rebelião do vélho xerife vale-lhe, em 1924, o banimento para Chipre, onde morreu pobre e execrado. Antes, em 1921, já a Inglaterra concluíra um tratado com Ibne Séude» (Árabes e Muçulmanos. Greis Sarracenas e o Islão Contemporâneo, quinto livro, Eduardo Dias. Lisboa: Livraria Clássica Editora, 1940, p. 237).

       Quem ler esta obra de Eduardo Dias pode ter quase a certeza de não voltar a encontrar em mais nenhum autor certas transliterações e aportuguesamentos. Ibne Séude, na verdade, até se encontra em mais autores, mas não o nome daquele xerife a que alude a primeira frase — Hossaino ibne Ali, pai de Faiçal, depois rei do Iraque, muito por capricho de Lawrence da Arábia, e de Abdalá, que os Ingleses fizeram princípe da Transjordânia. Rival era este Ibne Séude, que em todo o lado é conhecido como... Ibn Saud.

 

[Texto 10 044]

Helder Guégués às 20:00 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
21
Set 18

Para pior, antes «ateliê»

Está ganha

 

      «De acordo com a publicação da área do design e da arquitetura, Robert Venturi, que era considerado um ícone da arquitetura americana, deixa vivo o seu legado, através do ateliê Venturi Scott Brown Associates (VSBA)» («Morreu o arquiteto Robert Venturi, um pós-moderno», Rádio Renascença, 20.09.2018, 17h13).

      Como já escrevi há uns anos, quando se chegasse a admitir este aportuguesamento em relação aos gabinetes de arquitectura, a batalha estava ganha. Pode não ser o ideal, mas pior era atelier, e logo com o itálico nem sempre respeitado. Ainda me chegaram a recomendar, alguém de vistas curtas (felizmente já me esqueci do nome da pessoa), que não o aportuguesasse. Ontem, porém, num semáforo, ao meu lado estava uma carrinha com os dizeres «atelier de serralharia». Pois é...

 

[Texto 9957]

Helder Guégués às 08:31 | comentar | ver comentários (2) | favorito | partilhar
17
Jun 18

Antes «colãs», pois claro

Castigo

 

      Já aqui vimos o aportuguesamento colãs, tal como também vimos o sinónimo, e este legitimamente português, meias-calças, tanto em traduções como em obras de autores portugueses. Cada vez são mais comuns estas opções. Os mais cépticos são, por vezes, castigados mansamente: «No caso de escolherem outros vestidos ou saias mais curtas, mas que tapavam sempre os joelhos, as mulheres usavam collans, opacos ou quase, e, por cima, meias de algodão ou lã a cobrir os pés e os tornozelos» (Dentro do Segredo: Uma Viagem na Coreia do Norte, José Luís Peixoto. Lisboa: Quetzal, reimpressão de Janeiro de 2017, p. 88). (Ah, muito bem, «reimpressão de Janeiro de 2017», e não, como se vê quase sempre, «15.ª edição», «22.ª edição», lamentáveis imprecisões, quando não descaradas mentiras.)

 

[Texto 9426]

Helder Guégués às 10:58 | comentar | favorito | partilhar