29
Mar 19

Baclavas e faláfel, isso sim

Já são nossos

 

      «Baklavas e falafel: os sabores do Líbano estão no ar» (Teresa Dias Mendes, TSF, 28.03.2019, 19h18). Acontece, senhora jornalista, que os nossos dicionários registam esses nomes aportuguesados, que, obviamente, devemos preferir: baclava e faláfel.

      «— Vou comer um destes. — Iris apontava para um dos baclavas triangulares. Ruby colocou o bolinho num prato, pegando-lhe como se ele estivesse muito quente, para dar a ideia de que estaria a tentar tocar-lhe o mínimo possível com os dedos e pousou-o ao lado do copo de chá de Iris. Em seguida, estendeu as pernas, suspirando de satisfação, enquanto olhava para o pátio em redor» (Iris e Ruby, Rosie Thomas. Tradução de Maria da Fé Peres. S. Pedro do Estoril: Chá das Cinco, 2015, p. 41). «O faláfel é uma ótima escolha para um snack a meio da manhã. É prático, fácil de fazer e pode congelá-lo para usar quando necessitar» (Crianças Saudáveis, Famílias Felizes, Luísa Fortes da Cunha e Raquel Fortes. Alfragide: Lua de Papel, 2017, p. 162). É verdade que as definições nos dicionários podiam ser mais informativas. Por exemplo, no caso do baclava, nem sequer se diz que é uma das mais conhecidas sobremesas turcas.

 

[Texto 11 060]

Helder Guégués às 08:47 | comentar | favorito
16
Mar 19

Aportuguesamento: «cáxer»

Coragem e discernimento

 

      Estive alojado no Belmonte Sinai Hotel, um **** muitos furos abaixo de outros, mas enfim, agora não me vou armar em crítico de hotéis. O que achei curioso foi a palavra-passe da rede sem fios incluir o vocábulo «cacher». Vêem, não escolheram «kosher», mas «cacher», e não terá sido por acaso. Não é ainda a forma que a palavra devia ter na nossa língua, mas estão muito mais próximo disso. Afinal, em hebraico é «cacher» (כשר); kosher é iídiche. Se os nossos lexicógrafos quiserem defender a nossa língua, difundam o mais adequado, na pronúncia, ao original e, na forma, ao português: cáxer. (Claro que, para respeitar a nossa língua, o nome do hotel não podia ser aquele, mas qualquer coisa como Hotel Belmonte-Sinai, mas isso já era pedir demasiado.)

 

[Texto 10 969]

Helder Guégués às 16:36 | comentar | favorito
24
Fev 19

Léxico: «Óscar»

Só se for no Brasil

 

      Talvez no Brasil se tenham de contentar (será mesmo assim?) com Oscar/Oscars, mas cá, pelo menos quem tem os pés assentes na terra e preza a língua escreve Óscar/Óscares: «Do ponto de vista do cinema, o melhor dos Óscares são alguns prodigiosos exercícios de montagem, geralmente retrospectivos do ano. Tudo o mais é espectáculo, e por vezes temos excelentes monólogos cómicos de Billy Crystal ou outros» (Fora do Mundo: Textos da Blogosfera, Pedro Mexia. Lisboa: Cotovia, 2004, p. 229). É certo que depois há — não há sempre em todas as áreas? — os que querem dar-se ares, e optam pelo inglês.

 

[Texto 10 870]

Helder Guégués às 13:58 | comentar | favorito
20
Fev 19

Endónimos e exónimos

Para reflexão

 

      É útil conhecer os endónimos, mas devemos usar a nossa ortografia e preferir os aportuguesamentos já consagrados, evitando, ao mesmo tempo, exónimos alheios. Assim, por exemplo, há um livro do inglês Geoff Dyer, com tradução de Maria João Freire de Andrade, que na edição portuguesa (Porto: Civilização, 2009) tem o título Jeff em Veneza, Morte em Varanasi. Será Vārānasī para qualquer indiano; para nós, é Benarés (ou Benares). A normalização dos nomes geográficos pode ser muito útil para as Nações Unidas, um governo, uma embaixada, uma publicação internacional — mas não, de certeza absoluta, para um romance traduzido para português.

 

[Texto 10 828]

Helder Guégués às 08:20 | comentar | favorito
30
Nov 18

Bacu

Muito bem

 

      «No Estádio Olímpico de Bacu, levou quatro minutos a marcar o primeiro e fez mais cinco nos restantes 86, construindo aquela que foi a maior goleada da época» («O Sporting de Keizer está a crescer depressa e bem», Marco Vaza, Público, 30.11.2018, p. 44).            

      É muito para espantar — e aplaudir, pois claro — que tenham decidido escrever assim este topónimo. Se estendessem a tudo o resto esta coerência, seria excelente.

 

            [Texto 10 383]

Helder Guégués às 19:35 | comentar | favorito
26
Nov 18

Léxico: «taser/taseres»

Já é mais nossa

 

      «Nos Estados Unidos, onde qualquer pessoas pode usar uma arma à cintura, a tecnologia tenta aliar-se à defesa pessoal. A fabricante de armas elétricas Axon modificou os seus taseres de forma a aliar-se a uma tecnologia já existente, por exemplo, em carros. [...] Os taseres usam uma descarga elétrica de alta tensão para imobilizar momentaneamente uma pessoa. Podem causar desde contrações musculares a choque completo, queda e perda de orientação por vários minutos» («Esta arma taser chama a polícia automaticamente quando disparada», Carolina Rico, TSF, 26.11.2018, 13h26).

      Ah, então já vai sendo aportuguesado. Muito bem — mas: sofre do mesmo mal do «basebol». Vamos lá: beisebol e teiser/teiseres. Quem não quiser, paciência, ande desarmado.

 

[Texto 10 360]

Helder Guégués às 17:23 | comentar | favorito