23
Out 20

Definição: «placebo»

Mas o conceito mudou?

 

      «O voluntário em questão faria parte do grupo de controlo comparativo, ao qual estaria a ser administrada um placebo, no caso uma vacina contra a meningite» («Voluntário que morreu durante testes da Oxford/AstraZeneca não terá tomado vacina», André Rodrigues, Rádio Renascença, 21.10.2020, 21h26). Não é erro de tradução, a farmacêutica veio mesmo anunciar que «the person was part of a control group that had been given the vaccine for meningites». Sendo assim, isto não obriga a alterar a definição de placebo dos nossos dicionários? O dicionário da Porto Editora, por exemplo, define-o assim: «MEDICINA medicamento inerte ministrado com fins sugestivos ou psicológicos, que pode aliviar padecimentos unicamente pela fé que o doente tem nos seus poderes».

 

[Texto 14 205]

Helder Guégués às 08:15 | ver comentários (2) | favorito
22
Nov 18

Léxico: «arcipreste»

Não acreditem

 

      «John Sultana, de 47 anos, foi nomeado arcipreste (grau intermédio entre sacerdote e bispo) da cúria de Gozo, onde é tradição que sacerdotes que tenham sido nomeados recentemente sejam transportados pela cidade por uma carroça puxada por crianças, para serem aclamados pela população» («Padre em Malta transportado em Porsche puxado por 50 crianças», Motor 24, 21.11.2018).

      Um arcipreste é um «grau intermédio entre sacerdote e bispo»? É uma maneira de o dizer — uma maneira errada. «O arcediago», lê-se num número de 1939 do Boletim Cultural da Câmara Municipal do Porto, «é o primeiro entre os diáconos e o arcipreste é o primeiro entre os presbíteros — é o chefe destes para determinado número de serviços.» Não difere muito da definição do Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora: «sacerdote com determinada jurisdição sobre outros sacerdotes; vigário da vara».

 

[Texto 10 336]

Helder Guégués às 21:03 | ver comentários (2) | favorito
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26
Out 18

Uma adjectivação sem adjectivos

Tu quoque?

 

      «Mas a polémica decorre da adjetivação colorida que usa para caracterizar outros políticos portugueses, com os quais lidou institucionalmente. Refere-se à “inexperiência” de Passos Coelho, à “insegurança” de António José Seguro, chama “artista” a António Costa e acusa Portas de “infantilidade”. Admite que foi cor a mais na adjetivação?», perguntou Fernando Alves, da TSF, a Cavaco Silva («“Nunca pensei que o Bloco de Esquerda e o PCP se curvassem com tanta facilidade”», TSF, 26.10.2018, 9h54).

      Se até Fernando Alves cai neste erro tão básico, isto está muito pior do que se pudesse imaginar.

 

[Texto 10 200]

Helder Guégués às 12:47 | ver comentários (3) | favorito
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21
Out 18

ONG/IPSS

Ora pensemos

 

      «[Constance Adolphine Quéniaux] Deixou tudo à criadagem, quis ser sepultada como sua mãe, sem flores nem coroas, discretamente. O último quartel da sua existência foi dedicado a obras de caridade, sendo benemérita destacada do Orphelinat des Arts, uma ONG que tinha por missão cuidar da educação dos filhos dos artistas, que bem precisam. Constance também fora artista, bailarina da Ópera de Paris, onde se iniciou aos catorze anos, pela mão materna» («A origem do mundo», António Araújo, Diário de Notícias, 21.10.2018, 6h14).

      Um orfanato, agora como no século XIX, não será mais, querendo estabelecer uma analogia, da natureza de uma IPSS do que semelhante a uma ONG? É a minha dúvida.

 

[Texto 10 162]

Helder Guégués às 09:54 | favorito
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13
Set 18

Os novos migrantes

Depois falamos

 

      Migrante: «pessoa que migra, que muda de uma região ou de um país para outro, para aí se estabelecer, geralmente por motivos económicos ou sociais» (in Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora). Não tardará muito que se possa dizer que é geralmente por motivos climáticos. «As alterações climáticas podem forçar a deslocação de 120 milhões de pessoas em idade ativa e suas famílias, num total de 200 milhões, ao longo do século XXI, mas menos de 20% serão migrações internacionais» («“Migrantes climáticos” podem ser 200 milhões no século XXI», Rádio Renascença, 13.09.2018, 7h39).

 

[Texto 9911]

Helder Guégués às 14:44 | favorito
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04
Jul 18

O que é um choninhas

Os Brasileiros sabem?

 

      Quem é que aqui sabia que Camilo usou a palavra choninhas nas suas obras? Pois é verdade, foi na comédia em três actos O Assassino de Macário. Vem isto a propósito de me terem perguntado agora mesmo o que significa «choninhas». Respondi que me pareciam correctas as definições que encontramos nos nossos dicionários. Em todos? Que não, pois o Sacconi, por exemplo, ignora a palavra. Tenho o Houaiss a três metros de mim, mas não vou ver. Dicionários publicados em Portugal. Acho que a definição de Cândido de Figueiredo — choninha ou choninhas é a pessoa magra, enfezada, ou inútil (Heinz Kröll diz que vem de «Joaninha») — serve para os tempos actuais, nada mudou substancialmente. Em vez de «magra», «enfezada» e «inútil», proponham sinónimos, e tenderei a concordar. Mas não tem nada que ver com a inteligência?, insiste o perguntador. Não me parece.

 

[Texto 9555]

Helder Guégués às 16:45 | ver comentários (6) | favorito
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