22
Mai 18

Mestra-de-cerimónias

Algum problema?

 

      A Associação Acredita Portugal acabou de me enviar uma mensagem de correio electrónico em que anuncia «E a mestre de cerimónias da Gala é...», a que se segue um tambor a rufar. Então agora não se faz a concordância? Se a apresentadora é a radialista Ana Galvão, é uma mestra-de-cerimónias, com certeza. Já não me vou inscrever, como protesto solidário. Tem aqui início o movimento #EuTambém. Ou as mulheres querem ser médicos, poetas e mestres? Algumas querem, eu sei.

 

[Texto 9267]

Helder Guégués às 21:53 | comentar | favorito
18
Mai 18

Era uma vez... a concordância

Até a Boneca sabe

 

      Vamos lá praticar a última boa acção do dia. (Talvez não seja a última, ainda vou para Cascais e vou ter de ser, na estrada, pelo menos muito indulgente com os analfabetos que por aí andam.) «O País tem méis que nunca mais acaba e tem – se não nos falha o rigor – nove denominações de origem protegida (DOP) para o produto, mas há gente que passa a vida toda a consumir a mesma marca ou o mel da mesma região» («“Feito em” Trás-os-Montes», Edgardo Pacheco, «Sexta»/Correio da Manhã, 18-24.05.2018, p. 43). E a concordância, Edgardo Pacheco? Falhou o rigor. «A BONECA — Eu não sei se o que aconteceu comigo tem algum valor... mas tu não calculas a porção de coisas sérias que têm passado p’la minha cabeça por causa do que aconteceu comigo!... Coisas de nada e que nunca mais acabam!» (Obras Completas. Volume VII, Teatro, José de Almada Negreiros. Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1993, p. 35).

 

[Texto 9244]

Helder Guégués às 19:31 | comentar | favorito
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26
Nov 17

«Obrigado/obrigada»

Ainda neste patamar?

 

      «Donald Trump diz que foi contactado pela [revista] Time para, “provavelmente”, ser a “Pessoa do Ano” em 2017, mas que recusou. A revista nega. [...] Trump escreveu que recusou o convite porque “teria de concordar com uma entrevista e uma grande sessão de fotografias. Disse que provavelmente não seria bom e passei. Obrigada de qualquer forma”» («Trump diz que recusou ser “Pessoa do Ano”, Time nega», Rádio Renascença, 25.11.2017, 16h20).

      Vão sempre dizendo que sabem, mas depois é o que se vê. Se se tratasse de Melania Trump, punham-na provavelmente a dizer «obrigado».

 

[Texto 8396]

Helder Guégués às 10:08 | comentar | favorito
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04
Out 17

Concordâncias desvairadas

E era tão simples

 

      Tantas mulheres com «uns quilos a mais». Ah, mas espera, esta aqui pratica HIIT. Oh, diacho, isso é muito intenso. Estou em mais um laboratório de observação.

    Mas mudemos de assunto: «Os primeiros escravos negros haviam desembarcado em 1619 nos Estados Unidos. Na antiga revolução contra os Ingleses, contavam-se mais de 500 mil nas colónias rebeldes. Em 1776, cerca de 5 mil colocaram-se ao lado dos patriotas, como soldados, apesar de a maioria não usufruir do estatuto de cidadã» (Crítica da Razão Negra, Achile Mbembe. Tradução de Marta Lança. Lisboa: Antígona; 2.ª ed., 2017, p. 36).

      Então não é «pôr-se ao lado dos patriotas» que se diz, Marta Lança? E que coisa estranha é essa de escrever que os escravos negros não usufruíam do «estatuto de cidadã»... Bastava fazer a concordância, o que não há-de ser difícil a uma pessoa formada em Línguas e Literaturas Modernas. Em contrapartida, mas talvez graças ao revisor, L. Baptista Coelho, lá estão os «Ingleses». Muito bem. Quando os editores nos deixam, quando não estão lá formados em Línguas e Literaturas Modernas que no-lo impedem...

 

[Texto 8189]

Helder Guégués às 12:11 | comentar | ver comentários (1) | favorito
26
Jul 17

Adeus, gramática

E a concordância?

 

      Hoje comemora-se o Dia Metropolitano dos Avós no Europarque, em Santa Maria da Feira. Não sabia que havia dias metropolitanos... Bem, vamos aos jornais: «Em cima do parque de estacionamento subterrâneo, além da estátua equestre assente num passeio compacto de pedra, sem lugar a canteiro ou arbusto raquítico que seja, pousam agora além dos pombos – coitados, que esses não ocupam por muito tempo espaço –, táxis e tuk-tuks alinhados em filas, qual gatos à caça dos turistas que enchem esta Lisboa que já não é a de outrora» («Boa para ver de longe», Fernanda Cachão, Correio da Manhã, 25.07.2017, p. 2). E a concordância, Fernanda Cachão? Veja: «Sempre seguidos por bodyguards façanhudos, vestidos de preto, como se fossem a nossa sombra, foi divertido e grotesco vê-los correrem na praia, ofegantes, quais gatos-pingados, atrás de nós quando, descontraídos, resolvemos, em calções de banho, fazer um crosse na praia» (Quase Memórias: Da Descolonização de Cada Território em Particular, vol. 2, António de Almeida Santos. Lisboa: Casa das Letras, 2006, p. 36).

 

[Texto 8058]

Helder Guégués às 13:24 | comentar | favorito
21
Dez 16

Adeus, concordância

Já era

 

      Nunca foi tão fácil disseminar o bem e o mal, o bom e o mau. A Lusa enviou para as redacções de vários meios de comunicação uma notícia sobre o aumento do preço dos passes intermodais. E lá passa o erro em todas as redacções: «O preço dos passes intermodais dos transportes públicos de Lisboa vão aumentar entre 0,10 e 1,30 euros em 2017, na sequência de um despacho do Governo publicado hoje e que fixa um aumento máximo de 1,5%.» Onde estão o brio e o cuidado que se deve ter com o que se publica? Já é o novo normal; ninguém estranha nem protesta.

 

[Texto 7345]

Helder Guégués às 21:54 | comentar | ver comentários (3) | favorito
01
Mai 16

Escrever, reler, rever, publicar

Dois postos de trabalho

 

      Mesmo a propósito, pois é 1.º de Maio. Não acham que a Lusa e a TSF deviam contratar revisores? «Ide e divirtam-se... eu pago», é o título de uma notícia de hoje, sobre um empresário chinês que pagou as férias em Espanha para 2500 empregados seus.

 

[Texto 6780]

Helder Guégués às 22:57 | comentar | ver comentários (6) | favorito