26
Nov 17

«Obrigado/obrigada»

Ainda neste patamar?

 

      «Donald Trump diz que foi contactado pela [revista] Time para, “provavelmente”, ser a “Pessoa do Ano” em 2017, mas que recusou. A revista nega. [...] Trump escreveu que recusou o convite porque “teria de concordar com uma entrevista e uma grande sessão de fotografias. Disse que provavelmente não seria bom e passei. Obrigada de qualquer forma”» («Trump diz que recusou ser “Pessoa do Ano”, Time nega», Rádio Renascença, 25.11.2017, 16h20).

      Vão sempre dizendo que sabem, mas depois é o que se vê. Se se tratasse de Melania Trump, punham-na provavelmente a dizer «obrigado».

 

[Texto 8396]

Helder Guégués às 10:08 | comentar | favorito
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04
Out 17

Concordâncias desvairadas

E era tão simples

 

      Tantas mulheres com «uns quilos a mais». Ah, mas espera, esta aqui pratica HIIT. Oh, diacho, isso é muito intenso. Estou em mais um laboratório de observação.

    Mas mudemos de assunto: «Os primeiros escravos negros haviam desembarcado em 1619 nos Estados Unidos. Na antiga revolução contra os Ingleses, contavam-se mais de 500 mil nas colónias rebeldes. Em 1776, cerca de 5 mil colocaram-se ao lado dos patriotas, como soldados, apesar de a maioria não usufruir do estatuto de cidadã» (Crítica da Razão Negra, Achile Mbembe. Tradução de Marta Lança. Lisboa: Antígona; 2.ª ed., 2017, p. 36).

      Então não é «pôr-se ao lado dos patriotas» que se diz, Marta Lança? E que coisa estranha é essa de escrever que os escravos negros não usufruíam do «estatuto de cidadã»... Bastava fazer a concordância, o que não há-de ser difícil a uma pessoa formada em Línguas e Literaturas Modernas. Em contrapartida, mas talvez graças ao revisor, L. Baptista Coelho, lá estão os «Ingleses». Muito bem. Quando os editores nos deixam, quando não estão lá formados em Línguas e Literaturas Modernas que no-lo impedem...

 

[Texto 8189]

Helder Guégués às 12:11 | comentar | ver comentários (1) | favorito
26
Jul 17

Adeus, gramática

E a concordância?

 

      Hoje comemora-se o Dia Metropolitano dos Avós no Europarque, em Santa Maria da Feira. Não sabia que havia dias metropolitanos... Bem, vamos aos jornais: «Em cima do parque de estacionamento subterrâneo, além da estátua equestre assente num passeio compacto de pedra, sem lugar a canteiro ou arbusto raquítico que seja, pousam agora além dos pombos – coitados, que esses não ocupam por muito tempo espaço –, táxis e tuk-tuks alinhados em filas, qual gatos à caça dos turistas que enchem esta Lisboa que já não é a de outrora» («Boa para ver de longe», Fernanda Cachão, Correio da Manhã, 25.07.2017, p. 2). E a concordância, Fernanda Cachão? Veja: «Sempre seguidos por bodyguards façanhudos, vestidos de preto, como se fossem a nossa sombra, foi divertido e grotesco vê-los correrem na praia, ofegantes, quais gatos-pingados, atrás de nós quando, descontraídos, resolvemos, em calções de banho, fazer um crosse na praia» (Quase Memórias: Da Descolonização de Cada Território em Particular, vol. 2, António de Almeida Santos. Lisboa: Casa das Letras, 2006, p. 36).

 

[Texto 8058]

Helder Guégués às 13:24 | comentar | favorito
21
Dez 16

Adeus, concordância

Já era

 

      Nunca foi tão fácil disseminar o bem e o mal, o bom e o mau. A Lusa enviou para as redacções de vários meios de comunicação uma notícia sobre o aumento do preço dos passes intermodais. E lá passa o erro em todas as redacções: «O preço dos passes intermodais dos transportes públicos de Lisboa vão aumentar entre 0,10 e 1,30 euros em 2017, na sequência de um despacho do Governo publicado hoje e que fixa um aumento máximo de 1,5%.» Onde estão o brio e o cuidado que se deve ter com o que se publica? Já é o novo normal; ninguém estranha nem protesta.

 

[Texto 7345]

Helder Guégués às 21:54 | comentar | ver comentários (3) | favorito
01
Mai 16

Escrever, reler, rever, publicar

Dois postos de trabalho

 

      Mesmo a propósito, pois é 1.º de Maio. Não acham que a Lusa e a TSF deviam contratar revisores? «Ide e divirtam-se... eu pago», é o título de uma notícia de hoje, sobre um empresário chinês que pagou as férias em Espanha para 2500 empregados seus.

 

[Texto 6780]

Helder Guégués às 22:57 | comentar | ver comentários (6) | favorito
13
Abr 16

«Os três mil milhões»

Não agradeça, mas concorde

 

   «Mark Zuckerberg quer toda a gente online. Ontem, em São Francisco, Califórnia, o fundador do Facebook revelou a intenção de ligar à Internet as três mil milhões de pessoas que em todo o mundo permanecem à margem» («Zuckerberg anuncia o fim dos call centers e um router voador maior do que um 737», Pedro Guerreiro, Público, 13.04.2016, p. 48).

      Pedro Guerreiro, não é «as três mil milhões de pessoas», mas sim «os três mil milhões de pessoas».

 

[Texto 6743]

Helder Guégués às 09:40 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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17
Mar 16

Concordância, já era

Largue as aspas

 

      «Bastidores da “guerra” de Rui Moreira com a TAP deu um livro» (Patrícia Carvalho, Público, 17.03.2016, p. 11). Tão preocupada a jornalista estava que não interpretássemos a questiúncula como um conflito armado entre grupos que envolvesse mortes e destruição, que não resistiu às amparadoras aspas. Tão perturbada, ‘tadinha, que até falhou a concordância: «os bastidores deu um livro». Tão correcto como «o bastidor deram um livro», não é? Agora curioso é que no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora as guerras são todas assim, com sangue e destruição. Contudo, em 2001, o Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia das Ciências de Lisboa registava, e bem, esta acepção, que todos nós já usámos alguma vez: «Desentendimento entre pessoas, em que pode haver agressão física ou verbal. Quando se divorciaram, iniciaram uma guerra sem tréguas.» Pense nisto, Patrícia Carvalho.

 

[Texto 6692]

Helder Guégués às 10:23 | comentar | favorito
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