20
Jul 19

«Coarctar | quartar», uma triste confusão

Demasiado mau

 

      «E [Francisco Assis] garante: “Não perco um minuto a pensar nisso e nunca fiz depender nada do exercício de qualquer função. Nada pode quartar a minha liberdade de intervenção pública”» («“Há uma espécie de ‘geringonça’ oculta, o PS, o PSD e o CDS”», São José Almeida, Público, 20.07.2019, p. 12).

      Parece demasiado mau para ser verdade — mas está escrito, não vão conseguir apagá-lo. Como é que uma jornalista cai em semelhante erro? De facto, quartar e coarctar pronunciam-se da mesma maneira, mas os significados não têm nenhuma relação. Francisco Assis disse coarctar, isto é, restringir, limitar, reduzir. Quanto a quartar, nem vale a pena dizer o que significa. Quando não conhecemos bem, quando temos dúvidas, São José Almeida, consultamos um dicionário — é para isso que eles existem. Por outro lado, que revisor deixava passar este erro? Logo, os textos não são revistos.

 

[Texto 11 816]

Helder Guégués às 10:13 | comentar | favorito
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05
Jul 19

Língua-mãe | língua materna

Pois, já vimos isto antes

 

      «Esta é a história de um idílio que vira do avesso aquilo que comummente se entende por língua materna. Mais concretamente, a história de um escritor que, no crepúsculo da vida, aos 80 anos, decidiu abandonar a língua inglesa, com a qual toda a vida escreveu e ainda escreve, para adotar como língua literária o castelhano. Complicado? John Maxwell Coetzee fez esta inversão, esta mudança de pele — esta quase impossibilidade» («O Nobel da Literatura que renegou a língua-mãe», Luciana Leiderfarb, Expresso Diário, 17.06.2019).

      Em que ficamos, Luciana Leiderfarb, é língua-mãe ou língua materna? Volte à casa 1 e leia três vezes o verbete «língua» num bom dicionário.

 

[Texto 11 685]

Helder Guégués às 10:02 | comentar | favorito
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06
Jun 19

Léxico: «cegada | segada»

As confusões do dia-a-dia

 

      «Em destaque, e em termos de gastronomia, vai estar o projeto Alfândega da Fé à Mesa, através do qual os visitantes poderão apreciar pratos típicos, como a caldeirada de cabrito e cordeiro grelhado na brasa, posta de vitela ou as sopas das cegadas nos restaurantes e tasquinhas presentes no recinto, bem como nos restaurantes locais aderentes à iniciativa» («Cereja é a rainha da festa em Alfândega da Fé», Olímpia Mairos, Rádio Renascença, 6.06.2019, 6h48).

      Há de tudo, cegos e videntes. E é Olímpia Mairos das melhores na RR. Mas há-de ser obstinada ou alheada como outros jornalistas, porque já lhe tenho apontado erros que não corrige. É sopa das segadas, isto é, das ceifas, comida pelos segadores no campo.

 

[Texto 11 493]

Helder Guégués às 11:04 | comentar | favorito
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26
Mai 19

Confusões: «à | há»

Para isto não há remédio

 

      É imprescindível termos bons dicionários, com indicações úteis e chamadas de atenção para as confusões mais habituais — mas, na aplicação, na escrita, o falante tem de se esforçar, em especial se o seu instrumento de trabalho for a língua. «Há frente, o Camry tem diversas regulações nos bancos, o que oferece a mais correta posição de condução» («Toyota Camry de volta ao mercado português com versão híbrida», José Carlos Silva, Rádio Renascença, 24.05.2019, 15h51). Como é que um redactor, repórter e editor, jornalista desde 1991, escreve assim? E por que raio não revê o que escreve? Passaram dois dias, como é que ninguém vê e corrige?

 

[Texto 11 421]

Helder Guégués às 10:58 | comentar | favorito
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20
Mai 19

Xeque | cheque | entenebrado

Para já, o pior do dia

 

      «É uma consequência da decisão de Donald Trump que decretou estado de emergência informática e proibiu as empresas dos Estados Unidos de estabelecerem contactos com companhias estrangeiras de telecomunicações que figurem na Lista de Segurança Nacional. Uma lista na qual a chinesa Huawei é um dos nomes mais famosos» («Cheque à Huawei. Google corta relações com a fabricante chinesa», Rui Tukayana, TSF, 20.05.2019, 10h04).

      Para já, é o pior título do dia, mas se houver novidade eu aviso. Como é que ainda há jornalistas que confundem cheque com xeque, não me dizem? Foi publicado há mais de uma hora, e ainda nenhuma alminha menos entenebrada reparou. (Porto Editora, entenebrado.)

 

[Texto 11 387]

Helder Guégués às 11:09 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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07
Mar 19

Cartuxos e cartuchos

Poucas leituras

 

      «São cotonetes, garrafas de água, restos de redes de pesca, bóias. Trinchas, escovas de cabelo, bonecas, escovas de dentes, lâmpadas, aplicadores de tampões. Cartuxos de caça, velas, coisas mais estranhas como dildos ou garrafas de soro — carga perdida de um contentor que tem aparecido desde a Galiza à costa Vicentina» («Este plástico que Ricardo tira do mar nunca mais voltará a ser lixo», Cristiana Faria Moreira, Público, 6.03.2019, p. 20).

      Cristiana Faria Moreira, mais estranho que dildos é aparecerem ali cartuxos. Poucas (ou más) leituras. É a segunda vez numa semana (!) que vejo o desconchavo na imprensa.

 

[Texto 10 939]

Helder Guégués às 11:49 | comentar | favorito
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