30
Mar 20

As clássicas confusões II

Ia até parecer mal

 

      «Faço batota. E remeto para esta ideia do El Pais que coligiu 20 frases de figuras célebres (de Winston Churchill a Nelson Mandela, de Dolly Parton a Madonna) que nos levantaram a moral em (noutros) tempos difíceis» («O bicho que nos mordeu», Cristina Figueiredo, editora de Política da SIC, Expresso Curto, 20.03.2020). Até ia parecer mal que nestes tempos terríveis que atravessamos os jornalistas se preocupassem com estas minudências, não é?

 

[Texto 13 047]

Helder Guégués às 09:15 | comentar | favorito
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As clássicas confusões I

Não era agora que melhoravam

 

      «Autoridades acederam à identidade dos utilizadores das redes sociais sem necessidade de um mandato. Esta é uma realidade que os cidadãos da Índia podem vir a experienciar em breve» («Direitos», PC Guia, 2.03.2020, p. 14). Muitos bits e bytes, mas no que realmente importa, no que respeita à linguagem, é a mesma desgraça da imprensa em geral.

 

[Texto 13 045]

Helder Guégués às 08:45 | comentar | favorito
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02
Fev 20

Confusões: «arriar | arrear»

As confusões de sempre

 

      «Esta noite, quando os ponteiros acertarem nas 12, a bandeira será arreada nas instituições de Bruxelas e o Reino Unido deixará de ser membro da União Europeia» («“Mind the Gap.” Reino Unido desata laços de 47 anos de integração europeia», João Francisco Guerreiro, TSF, 31.01.2020, 8h30). Esta gente confunde burros com bandeiras. Aliás, o que é que eles não confundem? Nada. Arreada é para uma cavalgadura — uma bandeira só pode ser arriada, isto é, descida, tirada do mastro. E por falar em cavalgaduras... Não, esqueçam.

      É erro largamente disseminado: «Às 23h00 (0h00 em Bruxelas), as bandeiras do Reino Unido são arreadas de todos os edifícios das instituições europeias e o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, fala ao país» («Governo sob pressão», Cristina Figueiredo, editora de Política da SIC, Expresso Curto, 31.01.2020).

 

[Texto 12 749]

Helder Guégués às 08:00 | comentar | favorito
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28
Jan 20

Confusões: «xeque/cheque»

Volte à casa 1

 

      «Quando há cinco meses — antes das Legislativas —, alguém que conhece bem o CDS me disse que Francisco Rodrigues dos Santos ia ser o próximo presidente do partido, confesso que não acreditei. A viragem parecia-me demasiado radical, demasiado arriscada, demasiado desesperada. Mas, já se sabe: a desgraça de uns é quase sempre a felicidade de outros e a tragédia eleitoral do CDS — que era um desastre à beira de acontecer — era a peça que faltava ao Chicão para fazer cheque-mate» («Chicão, o bicho-papão», Anselmo Crespo, TSF, 26.01.2020, 16h55).

      Também nós não queríamos acreditar — mas é uma triste evidência que temos aqui mais um jornalista que não domina os arcanos da ortografia da língua, seu instrumento de trabalho. As homófonas xeque e cheque são muitas vezes confundidas, mas tal não devia acontecer com um jornalista. Também precisa de prestar mais atenção à pontuação.

 

[Texto 12 717]

Helder Guégués às 08:15 | comentar | favorito
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23
Jan 20

As confusões de sempre

Para que se veja que persistem

 

      «Angola quer fazer regressar Isabel dos Santos a casa “por todos os meios”. A Procuradoria-Geral de Angola tem uma investigação por branqueamento de capitais a correr sobre a empresária e admite emitir mandato de captura a Isabel dos Santos, que ainda não foi ouvida porque saiu de Angola no dia em que foi notificada. É o Procurador-Geral de Angola (PGA), Hélder Pitta Grós, que confirma ao Expresso e à SIC que o processo está numa fase decisiva» («Justiça angolana quer Isabel de volta ao país», Cristina Peres, Expresso Curto, 21.01.2020).

 

[Texto 12 690]

Helder Guégués às 08:00 | comentar | favorito
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16
Jan 20

Léxico: «sextilião»

É muito mais

 

     «Segundo os cientistas, a temperatura média dos oceanos aumentou no ano passado em cerca de 0,075 graus centígrados [sic] face à média de 1981-2010. Para atingir essa temperatura o oceano terá absorvido 228 sextiliões (228 seguido de 21 zeros) de joules de calor» («Oceanos atingem temperaturas mais altas na história da Humanidade», Rádio Renascença, 13.01.2020, 21h52).

      Isso é no Brasil, que usa a escala curta na nomenclatura de números grandes. Em Portugal, um sextilião é um milhão de quintiliões, ou seja, a unidade seguida de trinta e seis zeros. Sim, leram bem, trinta e seis zeros: 1 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000.

 

[Texto 12 644]

Helder Guégués às 08:45 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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10
Jan 20

Autodefesa e legítima defesa

As habituais confusões

 

   «O ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Javad Zarif, considerou os bombardeamentos “proporcionais” e em “autodefesa”, tendo as forças armadas daquele país anunciado que a sua unidade de força aérea terá lançado “um bem sucedido ataque à base de Al Asad, atingida por dezenas de mísseis em nome do mártir Soleimani”. Os primeiros mísseis caíram horas depois de o corpo do líder militar do Irão ter regressado à sua terra natal para ser enterrado» («O Irão atacou duas bases militares dos EUA no Iraque», Miguel Cadete, Expresso Curto, 8.01.2020).

      Alguém aí se sente capaz do acto de caridade de elucidar o senhor director-adjunto que autodefesa e legítima defesa são conceitos diferentes?

 

[Texto 12 606] 

Helder Guégués às 08:00 | comentar | favorito
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03
Dez 19

«Implantação | implementação»

As trapalhadas do costume

 

   «SIC engana-se e assinala Implantação da República a 1 de dezembro. Internet não perdoa» (Correio da Manhã, 1.12.2019, 16h10). Pois, e não temos já visto confundirem «implantação» com «implementação»? O caso mais recente foi este: «O 25 de Novembro, que há 44 anos evitou a implementação em Portugal de um regime iliberal, regressou» («A História é uma arma», Sara Belo Luís, Visão, 28.11.2019, p. 22). Se se preocupassem mesmo com a forma como escrevem, se fossem mesmo inteligentes, nenhum jornalista usava a palavra «implementação» nem o verbo «implementar», alienígenas e de significação dúbia.

 

[Texto 12 395]

Helder Guégués às 16:00 | comentar | favorito
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