13
Out 18

Como escrevem alguns professores

«Estarei ao vosso dispor»

 

      No verso da capa do caderno, uma folha colada pela professora de Língua Portuguesa: «Chamo-me *** sou licenciada em professores do Ensino Básico variante Português/Francês que conclui na Escola Superior de Educação de Beja.» Poupo-vos ao resto. Não nos enganaram no portal da escola: «Highly qualified and experienced staff.»

  

[Texto 10 098]

Helder Guégués às 18:00 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
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21
Jun 18

Fragmentos da agenda

De manhã

 

      Carlos Queiroz a falar portunhol na Cadena SER e trovoada lá fora no primeiro dia de Verão, assim começa o dia. Às 9h30, reunião com o director da escola, que estará acolitado por vários assessores, na tentativa de o fazer compreender que tem de mandar afixar as pautas com as notas do 3.º período, pois a afixação pública, como a Universidade de Lisboa veio ontem reconhecer, é um mecanismo essencial para garantir a transparência dos processos de avaliação de competências e conhecimentos na escola, e que o Regulamento de Protecção de Dados Pessoais não é para aqui chamado. Continuo com o pulso direito aberto.

 

[Texto 9461]

Helder Guégués às 07:08 | comentar | ver comentários (2) | favorito | partilhar
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11
Jun 18

O RGPD e o ensino

O fim da transparência

 

      «A Universidade de Lisboa decidiu acabar com a afixação públicas das pautas de avaliação. A partir de agora, os alunos só terão acesso às suas notas. A mudança, revelada à Renascença por alunos da instituição, deve-se à entrada em vigor do novo Regulamento Geral de Proteção de Dados. A situação está a gerar polémica e muitas dúvidas. “Atenta um bocado contra a transparência da avaliação”, diz uma aluna. [...] Do ponto de vista legal, o advogado João Ferreira Pinto, especialista em proteção de dados pessoais, não vê para razão [sic] para que as notas deixem de ser afixadas publicamente. “O regulamento em vigor não proíbe propriamente o comportamento A ou o comportamento B, dá orientações e princípios. Um dos princípios é precisamente o princípio da transparência e da finalidade”, explica o advogado, acrescentando que “a questão relacionada em concreto com afixação pública de pautas de avaliação em estabelecimentos de ensino” tem uma “finalidade que é criar também uma equidade e uma transparência relativamente aos critérios de avaliação dos alunos”. “Não me parece que haja assim à partida a ofensa de qualquer um dos critérios que o próprio regulamento europeu de proteção de dados cria”, diz» («Polémica na Universidade de Lisboa. Cada aluno só tem acesso à sua nota», Rádio Renascença, 11.06.2018, 10h58).

      Pensei que isto só acontecia em escolas menos esclarecidas. Consultei a Deco sobre esta questão e a desalentadora resposta — com que não concordo, pois lera previamente o Regulamento Geral de Protecção de Dados — foi, resumindo, que as escolas privadas fazem o que entenderem, desde que o regulamento seja cumprido e os encarregados de educação sejam previamente avisados, e, quanto aos estabelecimentos de ensino públicos, já existia, desde 2016, uma deliberação (1495/2016) «no sentido de as escolas adoptarem as medidas de segurança técnicas necessárias e adequadas para garantir que apenas acedem às classificações de cada aluno o correspondente encarregado de educação (sejam as pautas físicas ou virtuais)». A questão é que, se se vai além do que o regulamento exige ou recomenda, não está a ser cumprido. É a opacidade completa. Agora sim, a corrupção tem todas as condições para alastrar de forma assustadora no ensino.

 

[Texto 9389] 

Helder Guégués às 11:42 | comentar | ver comentários (3) | favorito | partilhar
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06
Jun 18

Um livro, uma vergonha

Nabos há muitos

 

      Ontem veio parar-me às mãos O Príncipe Nabo, de Ilse Losa, das Edições Afrontamento. É, concretamente, a 16.ª edição (edição é como quem diz...), datada de Abril de 2017. É um livro recomendado para o 5.º ano de escolaridade, destinado a leitura orientada, e faz parte do Plano Nacional de Leitura. Muita recomendação — só não sei como a editora não se envergonha de ter aquilo à venda. Para começar, ora aplica o Acordo Ortográfico de 1990, ora não aplica. E o resto? Só na página 15: «à sucapa»; «princezinha»; «bem educada»; «hei-de». Isto nas mãos dos alunos, está-se mesmo a ver a confusão que vai causar. E os professores também ficam vacilantes e como que desautorizados. Os responsáveis do Plano Nacional de Leitura pelo menos lêem as obras que recomendam? A meu ver, não é apenas o princípe que é nabo aqui.

 

[Texto 9351]

Helder Guégués às 09:04 | comentar | favorito | partilhar
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19
Abr 18

Como escrevem (alguns) professores

E persigno-me

 

      Noutra aba está um professor, com cara de bebe-água (apanha, Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora), que escreve: «Com o passar do tempo creio que acabamos por cair em rotinas e perdemos, ou melhor, esquece-mo-nos que escrever, até pode ser divertido.» Pobres criancinhas! Revoltem-se, e terão aqui um denodado paladino.

 

[Texto 9081]

Helder Guégués às 23:08 | comentar | ver comentários (3) | favorito | partilhar
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18
Mar 18

O Sinédrio

Tormentos cristãos

 

      A criancinha está aqui angustiada ao meu lado a tentar resumir um texto para EMRC. «Conta para a nota.» Alarme! No manual da disciplina, lê-se: «Por sua [de Herodes, o Grande] ordem, foram mortos membros da nobreza de Jerusalém, a maioria dos membros do Sinédrio e quase todos os membros do Conselho de Anciãos» (Conta Comigo!, Elisa Urbano et al. Lisboa: Fundação Secretariado Nacional da Educação Cristã, 2015, p. 55). Vamos lá ver, então Sinédrio não é exactamente o mesmo que Conselho de Anciãos? No Sinédrio, conselho supremo dos judeus, tinham assento os anciãos, os sumos sacerdotes e ex-sumos sacerdotes e os escribas, geralmente fariseus. Ou há novas investigações que puseram tudo isto em causa?

 

[Texto 8939]

Helder Guégués às 13:13 | comentar | ver comentários (2) | favorito | partilhar
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24
Fev 18

Como pensam alguns professores

Muito mal

 

      «Miguel Vieira é o muro, Luiz Phellype marca: Paços 1-0 Benfica (intervalo)», li agora mesmo no sítio da TSF. Vem mesmo a calhar: esta semana, certa professora de Português, em certa escola, corrigiu uma composição em que a aluna dera o nome de Ortênsio a uma personagem. Assim: «Ortênsio — Hortência?» Como é que um professor se atreve a corrigir o nome de uma personagem? Nem é necessário, porque não traz mais força ao argumento, mas aposto que Ortênsio até existe. Há certamente algum brasileiro com o nome, como há um Luiz Phellype, quando não dez ou cem. O ensino castrador e ignorante. Duplamente ignorante, porque a grafia correcta é Hortênsia. Duplamente castrador, porque transforma uma personagem masculina numa personagem feminina.

 

[Texto 8802]

Helder Guégués às 21:31 | comentar | ver comentários (2) | favorito | partilhar
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09
Jan 18

Como falam os especialistas

É uma constante

 

      «“Ao fim de quatro anos de governação de Rui Moreira, continuam a haver pessoas na rua, continuam a haver pessoas que nesta situação de inverno e de frio estão em situação de fragilidade e de vulnerabilidade grave e sabemos que uma vaga de frio é um risco de potencial de situação fatal para a qual não há resposta”, declarou hoje Susana Constante Pereira, deputada municipal do Bloco de Esquerda (BE) no Porto» («BE critica Rui Moreira por não ter política para retirar sem-abrigos [sic] das ruas», Diário de Notícias em linha, 8.01.2018, 14h33).

   Continua a analfabetice, isso sim. É uma constante. E quem é Susana Constante Pereira? Pois nada mais, nada menos que diplomada na área da Educação, especializada no domínio da Educação não formal como formadora e facilitadora de processos de aprendizagem. Facilitou demasiado.

 

[Texto 8555]

Helder Guégués às 10:44 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
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