19
Fev 19

O estúpido politicamente correcto

É rezar

 

      «Em França, as escolas públicas estão prestes a eliminar a designação de pai e mãe nos formulários, de forma a não discriminar as pessoas do mesmo sexo. Segundo o jornal “Libération”, os formulários devem passar a ter “parente 1” e “parente 2”, em vez de pai e mãe. O ministro francês da Educação, Jean-Michel Blanquer, disse que esta designação “não é absolutamente ideal, já que parece instalar uma hierarquia entre os dois pais”» («França discute a eliminação a designação pai e mãe nas escolas», Rádio Renascença, 18.02.2019, 19h35).

      Ah, seus estúpidos, com números ainda é pior, nesse caso, sim, há hierarquia. (Claro que, se les parents se traduz por «os pais», parent 1 será «pai 1» e parent 2, «pai 2».) Agora é rezar para que no Bloco de Esquerda não leiam estas merdas.

 

[Texto 10 822]

Helder Guégués às 08:18 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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31
Jan 19

Como escrevem alguns professores

Não devia ter lido

 

      Muito bem, hoje os meninos (e as meninas, diria qualquer bloquista menos conhecedor da língua) trouxeram uma ficha de trabalho de Matemática. Já sei que nunca é boa ideia aprofundar estas coisas, mas não resisti. «Explica como chegas-te à tua resposta. Podes usar palavras, cálculos ou esquemas.» Isso de usar cálculos ou esquemas devia aplicar-se, neste caso, apenas aos próprios professores. Não seria boa ideia o Ministério da Educação organizar cursos de alfabetização para professores?

 

[Texto 10 692]

Helder Guégués às 18:39 | comentar | favorito (1)
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13
Out 18

Como escrevem alguns professores

«Estarei ao vosso dispor»

 

      No verso da capa do caderno, uma folha colada pela professora de Língua Portuguesa: «Chamo-me *** sou licenciada em professores do Ensino Básico variante Português/Francês que conclui na Escola Superior de Educação de Beja.» Poupo-vos ao resto. Não nos enganaram no portal da escola: «Highly qualified and experienced staff.»

  

[Texto 10 098]

Helder Guégués às 18:00 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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21
Jun 18

Fragmentos da agenda

De manhã

 

      Carlos Queiroz a falar portunhol na Cadena SER e trovoada lá fora no primeiro dia de Verão, assim começa o dia. Às 9h30, reunião com o director da escola, que estará acolitado por vários assessores, na tentativa de o fazer compreender que tem de mandar afixar as pautas com as notas do 3.º período, pois a afixação pública, como a Universidade de Lisboa veio ontem reconhecer, é um mecanismo essencial para garantir a transparência dos processos de avaliação de competências e conhecimentos na escola, e que o Regulamento de Protecção de Dados Pessoais não é para aqui chamado. Continuo com o pulso direito aberto.

 

[Texto 9461]

Helder Guégués às 07:08 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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11
Jun 18

O RGPD e o ensino

O fim da transparência

 

      «A Universidade de Lisboa decidiu acabar com a afixação públicas das pautas de avaliação. A partir de agora, os alunos só terão acesso às suas notas. A mudança, revelada à Renascença por alunos da instituição, deve-se à entrada em vigor do novo Regulamento Geral de Proteção de Dados. A situação está a gerar polémica e muitas dúvidas. “Atenta um bocado contra a transparência da avaliação”, diz uma aluna. [...] Do ponto de vista legal, o advogado João Ferreira Pinto, especialista em proteção de dados pessoais, não vê para razão [sic] para que as notas deixem de ser afixadas publicamente. “O regulamento em vigor não proíbe propriamente o comportamento A ou o comportamento B, dá orientações e princípios. Um dos princípios é precisamente o princípio da transparência e da finalidade”, explica o advogado, acrescentando que “a questão relacionada em concreto com afixação pública de pautas de avaliação em estabelecimentos de ensino” tem uma “finalidade que é criar também uma equidade e uma transparência relativamente aos critérios de avaliação dos alunos”. “Não me parece que haja assim à partida a ofensa de qualquer um dos critérios que o próprio regulamento europeu de proteção de dados cria”, diz» («Polémica na Universidade de Lisboa. Cada aluno só tem acesso à sua nota», Rádio Renascença, 11.06.2018, 10h58).

      Pensei que isto só acontecia em escolas menos esclarecidas. Consultei a Deco sobre esta questão e a desalentadora resposta — com que não concordo, pois lera previamente o Regulamento Geral de Protecção de Dados — foi, resumindo, que as escolas privadas fazem o que entenderem, desde que o regulamento seja cumprido e os encarregados de educação sejam previamente avisados, e, quanto aos estabelecimentos de ensino públicos, já existia, desde 2016, uma deliberação (1495/2016) «no sentido de as escolas adoptarem as medidas de segurança técnicas necessárias e adequadas para garantir que apenas acedem às classificações de cada aluno o correspondente encarregado de educação (sejam as pautas físicas ou virtuais)». A questão é que, se se vai além do que o regulamento exige ou recomenda, não está a ser cumprido. É a opacidade completa. Agora sim, a corrupção tem todas as condições para alastrar de forma assustadora no ensino.

 

[Texto 9389] 

Helder Guégués às 11:42 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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06
Jun 18

Um livro, uma vergonha

Nabos há muitos

 

      Ontem veio parar-me às mãos O Príncipe Nabo, de Ilse Losa, das Edições Afrontamento. É, concretamente, a 16.ª edição (edição é como quem diz...), datada de Abril de 2017. É um livro recomendado para o 5.º ano de escolaridade, destinado a leitura orientada, e faz parte do Plano Nacional de Leitura. Muita recomendação — só não sei como a editora não se envergonha de ter aquilo à venda. Para começar, ora aplica o Acordo Ortográfico de 1990, ora não aplica. E o resto? Só na página 15: «à sucapa»; «princezinha»; «bem educada»; «hei-de». Isto nas mãos dos alunos, está-se mesmo a ver a confusão que vai causar. E os professores também ficam vacilantes e como que desautorizados. Os responsáveis do Plano Nacional de Leitura pelo menos lêem as obras que recomendam? A meu ver, não é apenas o princípe que é nabo aqui.

 

[Texto 9351]

Helder Guégués às 09:04 | comentar | favorito
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19
Abr 18

Como escrevem (alguns) professores

E persigno-me

 

      Noutra aba está um professor, com cara de bebe-água (apanha, Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora), que escreve: «Com o passar do tempo creio que acabamos por cair em rotinas e perdemos, ou melhor, esquece-mo-nos que escrever, até pode ser divertido.» Pobres criancinhas! Revoltem-se, e terão aqui um denodado paladino.

 

[Texto 9081]

Helder Guégués às 23:08 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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18
Mar 18

O Sinédrio

Tormentos cristãos

 

      A criancinha está aqui angustiada ao meu lado a tentar resumir um texto para EMRC. «Conta para a nota.» Alarme! No manual da disciplina, lê-se: «Por sua [de Herodes, o Grande] ordem, foram mortos membros da nobreza de Jerusalém, a maioria dos membros do Sinédrio e quase todos os membros do Conselho de Anciãos» (Conta Comigo!, Elisa Urbano et al. Lisboa: Fundação Secretariado Nacional da Educação Cristã, 2015, p. 55). Vamos lá ver, então Sinédrio não é exactamente o mesmo que Conselho de Anciãos? No Sinédrio, conselho supremo dos judeus, tinham assento os anciãos, os sumos sacerdotes e ex-sumos sacerdotes e os escribas, geralmente fariseus. Ou há novas investigações que puseram tudo isto em causa?

 

[Texto 8939]

Helder Guégués às 13:13 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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