19
Abr 18

Como escrevem (alguns) professores

E persigno-me

 

      Noutra aba está um professor, com cara de bebe-água (apanha, Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora), que escreve: «Com o passar do tempo creio que acabamos por cair em rotinas e perdemos, ou melhor, esquece-mo-nos que escrever, até pode ser divertido.» Pobres criancinhas! Revoltem-se, e terão aqui um denodado paladino.

 

[Texto 9081]

Helder Guégués às 23:08 | comentar | ver comentários (3) | favorito | partilhar
Etiquetas: ,
18
Mar 18

O Sinédrio

Tormentos cristãos

 

      A criancinha está aqui angustiada ao meu lado a tentar resumir um texto para EMRC. «Conta para a nota.» Alarme! No manual da disciplina, lê-se: «Por sua [de Herodes, o Grande] ordem, foram mortos membros da nobreza de Jerusalém, a maioria dos membros do Sinédrio e quase todos os membros do Conselho de Anciãos» (Conta Comigo!, Elisa Urbano et al. Lisboa: Fundação Secretariado Nacional da Educação Cristã, 2015, p. 55). Vamos lá ver, então Sinédrio não é exactamente o mesmo que Conselho de Anciãos? No Sinédrio, conselho supremo dos judeus, tinham assento os anciãos, os sumos sacerdotes e ex-sumos sacerdotes e os escribas, geralmente fariseus. Ou há novas investigações que puseram tudo isto em causa?

 

[Texto 8939]

Helder Guégués às 13:13 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
Etiquetas: ,
24
Fev 18

Como pensam alguns professores

Muito mal

 

      «Miguel Vieira é o muro, Luiz Phellype marca: Paços 1-0 Benfica (intervalo)», li agora mesmo no sítio da TSF. Vem mesmo a calhar: esta semana, certa professora de Português, em certa escola, corrigiu uma composição em que a aluna dera o nome de Ortênsio a uma personagem. Assim: «Ortênsio — Hortência?» Como é que um professor se atreve a corrigir o nome de uma personagem? Nem é necessário, porque não traz mais força ao argumento, mas aposto que Ortênsio até existe. Há certamente algum brasileiro com o nome, como há um Luiz Phellype, quando não dez ou cem. O ensino castrador e ignorante. Duplamente ignorante, porque a grafia correcta é Hortênsia. Duplamente castrador, porque transforma uma personagem masculina numa personagem feminina.

 

[Texto 8802]

Helder Guégués às 21:31 | comentar | ver comentários (2) | favorito | partilhar
Etiquetas: ,
09
Jan 18

Como falam os especialistas

É uma constante

 

      «“Ao fim de quatro anos de governação de Rui Moreira, continuam a haver pessoas na rua, continuam a haver pessoas que nesta situação de inverno e de frio estão em situação de fragilidade e de vulnerabilidade grave e sabemos que uma vaga de frio é um risco de potencial de situação fatal para a qual não há resposta”, declarou hoje Susana Constante Pereira, deputada municipal do Bloco de Esquerda (BE) no Porto» («BE critica Rui Moreira por não ter política para retirar sem-abrigos [sic] das ruas», Diário de Notícias em linha, 8.01.2018, 14h33).

   Continua a analfabetice, isso sim. É uma constante. E quem é Susana Constante Pereira? Pois nada mais, nada menos que diplomada na área da Educação, especializada no domínio da Educação não formal como formadora e facilitadora de processos de aprendizagem. Facilitou demasiado.

 

[Texto 8555]

Helder Guégués às 10:44 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
Etiquetas: ,
13
Out 17

«Um», pronome?

Uma lacuna?

 

      Numa vinheta do Garfield, diz o gato: «Uns aguentam mais do que outros.» O que é aquele «uns»? Determinante não é, certamente, e não encaixa em nenhuma das subclasses do pronome. E, no entanto, tem de ser pronome, porque substitui um nome... mas qual? Não se tratará de uma lacuna na classificação? O Dicionário Terminológico não nos dá resposta.

 

[Texto 8223]

Helder Guégués às 18:02 | comentar | ver comentários (4) | favorito | partilhar
Etiquetas: ,
28
Mai 17

No incrível mundo do ensino

Ah, as homófonas

 

      Uma professora do 1.º ciclo que não sabe distinguir soar de suar nem ruído de roído? Pode ser que o mundo não acabe, sobretudo se nunca houver avaliação de desempenho. E não será ela mais uma dessas criaturas que, em vez de procurar saber um pouco mais, perde horas e dias no Facebook?

 

[Texto 7878]

Helder Guégués às 12:41 | comentar | favorito | partilhar
Etiquetas: ,
24
Mai 17

Como se escreve nas dissertações

Em algumas, esperemos

 

      «A Inspeção-Geral da Educação e Ciência vai investigar o mestrado do líder da principal claque do Futebol Clube do Porto, Fernando Madureira, no qual obteve 17 valores, mas que até tem erros de português. […] Maria Alzira Aleixo, professora catedrática da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, classificou o texto de Fernando Madureira como “um insulto à Língua Portuguesa e ao desporto nacional”, escrito “num Português iletrado, analfabeto e ridículo”» («Mestrado do líder dos Super Dragões [sic] investigado pela Inspeção-Geral da Educação», C. B., TVI24, 19.05.2017, 00h58).

      E agora, para tudo ser, já não digo perfeito, mas normal, o Macaco merece ser catedrático — para ficar ao mesmo nível de quem lhe atribuiu 17 valores. E a dissertação versa sobre quê, pode saber-se? «A dissertação, que está disponível na página da Internet da instituição de ensino superior, tem 25 páginas (cinco parágrafos de conclusões) e incide sobre a dinamização da bancada sul do Estádio do Dragão.»

 

[Texto 7865]

Helder Guégués às 08:36 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
Etiquetas: ,
11
Fev 17

A Justiça vai à escola

Ver para crer

 

      «O novo director do Centro de Estudos Judiciários (CEJ) promete, em entrevista à Renascença, um esforço de todos na formação dos magistrados para que as sentenças e acórdãos sejam perceptíveis pelo cidadão. “Uma decisão que um juiz profira deve ser perceptível para o destinatário. Se não é compreendida, penso que há aí uma falha que deve ser superada”, afirma o juiz conselheiro João Miguel, que dirige agora [sic] escola onde os magistrados são formados. As sentenças “devem bastar-se por a elas [sic] próprias, para que os destinatários as entendam perfeitamente” e para “não serem necessárias outras explicações” adicionais, apela o director do CEJ, entidade que tem produzido alguns documentos com orientações nesse sentido, frisa» («Novo director da escola de juízes quer sentenças que os cidadãos entendam», Liliana Monteiro, Rádio Renascença, 10.02.2017, 21h22).

     Eu imagino a dificuldade que alguns magistrados, de poucas e más leituras, têm a redigir as sentenças. Vamos ver se a situação muda, mas dificilmente nos próximos tempos alguém vai dizer eppur si muove, pois a Justiça mostra-se conservadora em tudo.

 

[Texto 7475]

Helder Guégués às 00:47 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
Etiquetas: ,