19
Set 18

Só se fosse em inglês

Mais choferes e mais erros

 

      «Os taxistas manifestam-se em Lisboa, Porto e Faro contra a entrada em vigor, em novembro, da lei que regula as quatro plataformas eletrónicas de transporte que operam em Portugal – Uber, Taxify, Cabify e Chaffeur Privé» («#Somos Táxi. ANTRAL admite prolongar protesto e deixa apelo aos partidos», Rádio Renascença, 19.08.2018, 8h43).

      Graças a Deus, # Não Somos Táxi. Adiante. Eu não sabia que já tínhamos outro concorrente. Não admira, é novo — tão novo que os jornalistas ainda nem atinam com a grafia correcta. É Chauffeur Privé.

 

[Texto 9944]

Helder Guégués às 10:30 | comentar | favorito | partilhar
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25
Ago 18

«Ponto por ponto»

Não ponto, mas vírgula

 

      «A TVI mantém, ponto por ponto, tudo o que foi denunciado e afirmado na reportagem», afirmou ontem enfaticamente, nas Notícias 15H, a jornalista Paula Magalhães. Não sei de que lhe serve a experiência. Devia dizer, por exemplo, que a TVI mantinha, sem tirar nem pôr, tudo o que afirmara. Ou que não mudava uma vírgula. A locução ponto por ponto tem outro significado e aparece habitualmente integrada na frase «narrar ponto por ponto alguma coisa»: em pormenor, com toda a miudeza, com todas as circunstâncias.

 

[Texto 9827]

Helder Guégués às 08:47 | comentar | favorito | partilhar
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17
Ago 18

Como se fala na rádio

Muitas vezes, assim

 

      «“As verdades que não se gostam são consideradas notícias falsas e isso é perigoso para a vida da democracia”, é o que se pode ler no editorial do New York Times [«But insisting that truths you don’t like are “fake news” is dangerous to the lifeblood of democracy.»]» (noticiário das 14h00, repórter Mário Galego, Antena 1, 16.08.2018). Como é que um jornalista se exprime assim, como? Pois, não sei. Além do mais, é um péssimo exemplo para o falante menos preparado, e não estou a pensar só na senhora do «adulcente» ou no autor do «manti».

 

[Texto 9800]

Helder Guégués às 08:40 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
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15
Ago 18

Como se escreve na Avenida ***

 

No elevador

 

      Logo de manhã, um papel afixado nos elevadores contra o «adulcente» do 4.º A, que, depois de um ano «em silencio», leva agora toda a noite a fazer ruídos e falta ao respeito a outros condóminos. Não conheço a alimária que adolesce tão mal nem o autor do «comunicado», que também não parece estar a adultecer muito bem.

 

[Texto 9782]

Helder Guégués às 07:43 | comentar | favorito | partilhar
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14
Ago 18

Léxico: «debuxador»

Foge ao normal, e já não sabem

 

      «[Eduardo Rêgo] Cresceu no seio de uma família modesta. A mãe em casa, o pai com ofício de debuchador — trabalhava os desenhos que iam aos teares da indústria textil. “Quando acabei a quarta classe, aos 10 anos, fui trabalhar para a fiação de uma fábrica.” Quatro anos naquilo, mas uma sede de mundo que o frustrava» («“Esses fanáticos dos direitos dos animais não sabem nada de natureza”», Ricardo J. Rodrigues, Diário de Notícias, 13.08.2018, 6h29).

      Foge um pouco ao normal e, pronto, os jornalistas perdem logo o pé. Ricardo J. Rodrigues, é debuxador que se escreve, de debuxo, que significa «desenho».

 

[Texto 9779]

Helder Guégués às 08:22 | comentar | ver comentários (4) | favorito | partilhar
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As agruras de um revisor

Crime e castigo

 

      Sem a intermediação de um editor, ainda é mais penoso e perigoso: «Já corrigi o que me pareceu estar errado na sua revisão. Aguardo envio do manuscrito final. Corrigi a vermelho, e em alguns frases manti como no original.» Nestes casos, que cabeça devia bater na parede, a do autor ou a do revisor? E quantas vezes?

 

[Texto 9776]

Helder Guégués às 08:12 | comentar | ver comentários (2) | favorito | partilhar
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17
Jul 18

«Sob/sobre», mais uma vez

Indocíveis, para sempre

 

      «A mulher [Maria Butina] trabalhava sobre as ordens de um alto responsável russo que já trabalhou para o banco central de Moscovo e foi, recentemente, alvo de sanções por parte do Tesouro norte-americano, mas cujo nome não foi revelado» («Russa fanática por armas acusada de espionagem nos EUA», Rádio Renascença, 17.07.2018, 00h58).

      Com que então Maria Butina trabalhava «sobre» as ordens de um alto responsável russo... Algum porco como Harvey Weinstein. Entretanto, em Portugal: um jornalista da RR mete os pés pelas mãos e os colegas, que por acaso leram e por acaso sabem a diferença entre as preposições, deixam-no escrever disparates deste quilate. Não é bonito.

 

[Texto 9641]

Helder Guégués às 09:17 | comentar | favorito | partilhar
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05
Jul 18

Ortografia: «bogie»

Bem explicado, mal escrito

 

      «Entre os sete veículos destruídos, encontravam-se carruagens que operaram os comboios tranvias (antiga designação do serviço suburbano) da Linha de Cascais até à sua electrificação em 1926. Um outro, datado de 1890, foi uma das primeiras carruagens de boggies (rodados sobre os quais assenta a caixa do veículo) a circular na península Ibérica» («CP diz que veículos históricos que arderam em Vila Real de Santo António eram sucata», Carlos Cipriano, Público, 5.07.2018, p. 17).

      As definições/explicações, Carlos Cipriano, não estão nada mal, não senhor, mas escreve-se bogie, como pode comprovar até no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora.

 

[Texto 9565]

Helder Guégués às 17:43 | comentar | favorito | partilhar
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