16
Dez 20

São João-o-Divino

Tinha de ir para a errada

 

      «Um homem armado com duas pistolas abriu fogo nas escadarias da Catedral de São João o Divino em Nova Iorque, no domingo à noite, e só a rápida intervenção de três polícias que estavam no local conseguiu evitar o que poderia ter sido um banho de sangue. O atirador foi morto a tiro antes de conseguir acertar em alguém, desconhecendo-se, para já, os motivos por detrás do seu ato» («Atirador abatido após disparar em catedral», Ricardo Ramos, Correio da Manhã, 15.12.2020, p. 33).

      Há duas formas de escrever isto correctamente — o jornalista tinha logo de ir para uma terceira, errada. Podia ser São João, o Divino, ou São João-o-Divino (como dantes se escrevia com frequência). Tratando-se do nome de um edifício, porque é isso, eu optaria por esta última forma.

 

[Texto 14 493]

Helder Guégués às 09:15 | favorito
Etiquetas: ,

Como se escreve por aí

Com fluidez e descuido

 

      Outro erro que até em textos revistos encontro frequentemente: «Portugal já realizou mais de quatro milhões de testes à Covid-19. Existem vários e para todos os gostos, mas o mais comum, mais fiável e mais eficaz continua a ser o de zaragatoa nasofaríngea e que envolve retirar fluídos no espaço entre a parte superior da garganta e a parte posterior do nariz» («Porque existem testes de zaragatoa que doem mais que outros?», Diogo Camilo, Sábado, 18.11.2020, 18h09).

 

[Texto 14 490]

Helder Guégués às 08:30 | favorito
Etiquetas: ,
15
Dez 20

Sobre Omã

Cansaram-se

 

      «O Omã tem cerca de cinco milhões de habitantes, mas quase 40% são estrangeiros. No total já morreram no país perto de 1.500 pessoas. Este postal é escrito por uma portuguesa que resistiu à tentação de abandonar o país onde vive há oito anos com o seu marido e filhos» («“Para muitos a pandemia significou o fim da sua história em Omã”», Maria João Trindade, 15.12.2020, 6h33).

      Omã não aceita artigo, tal como, entre outros, Chipre, erro com que deparamos com demasiada frequência, até em obras revistas. Sim, a população passa actualmente um pouco os 5 milhões, mas a Infopédia parou a contagem (a «contabilidade», diriam muitos jornalistas) logo ali pouco depois dos 2,5 milhões.

 

[Texto 14 487]

Helder Guégués às 11:36 | ver comentários (1) | favorito
Etiquetas: ,
10
Dez 20

Como se escreve por aí

Ao lado

 

      «Paulo Santos [investigador do Cintesis (Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde)] refere que esta proposta levanta uma questão de justiça social. E questiona-a: vamos pagar o quê e para quem? Qual o sentido deste pagamento? Se a pessoa é responsável pela sua saúde, vamos ser todos a pagar a saúde da pessoa porquê e com que base? “Não tenho a certeza [de] que consigamos descrever um contexto nesta doença que justifique que haja um esforço colectivo além do pagamento da própria vacina. É como estarmos a pagar para as pessoas irem às aulas e elas depois vão porque se não forem não recebem o dinheiro.” E se o incentivo for o de se deixar de usar máscara? “Isso faz algum sentido? [A vacina e a máscara] são medidas complementares e não auto-exclusivas”, responde» («E se as pessoas fossem pagas para receber a vacina?», Teresa Sofia Serafim, Público, 26.11.2020, p. 34).

      Isso de «auto-exclusivo» deve ser o nome de algum stande de automóveis, não? Por um pouco, acertava: é auto-excludente.

 

[Texto 14 459]

Helder Guégués às 09:30 | favorito
Etiquetas: ,
09
Dez 20

Como se escreve por aí

Coisas que nunca mudam

 

      Nem daqui a trezentos anos deixarão de se ver estes erros: «Em declarações à TSF, Roque da Cunha sublinha que “numa situação em que nem sequer disponibilizaram vacinas da gripe” e quando os centros de saúde “estão sobre uma pressão imensa” e a precisar de acompanhar os doentes, “estamos a ser muito otimistas” ao afirmar que é possível vacinar “três, quatro ou nove milhões de pessoas”» («“Temo este desenrascanço nacional, não vai ser bom sinal para a vacinação”», Inês André Figueiredo com Gonçalo Teles, TSF, 6.12.2020, 23h07).

 

[Texto 14 446]

Helder Guégués às 08:15 | ver comentários (1) | favorito
Etiquetas: ,
01
Dez 20

Da pressa? Da ignorância

Vergonha

 

      «Eduardo Lourenço Faria nasceu em 23 de maio de 1923, em S. Pedro do Rio Seco, no concelho de Almeida, na Beira Baixa» («Morreu aos 97 anos o pensador e ensaísta Eduardo Lourenço», Rádio Renascença, 1.12.2020, 9h19).

      Publicaram o artigo às 9h19 — agora passa do meio-dia e ainda o erro ali está. Na Antena 1, o mesmo erro. Senhores jornalistas, o concelho de Almeida pertence à Beira Alta! Isto no tempo da Internet. Vergonha.

 

[Texto 14 405]

Helder Guégués às 12:00 | ver comentários (1) | favorito
Etiquetas: ,
23
Nov 20

Um exercício perigoso

Venha o Diabo

 

      O exercício habitual: substituir as expressões em destaque por pronomes. «Tu tens dito mentiras sem querer?» A professora confessou que ainda hoje, com vários anos de ensino, não sabe se é «tem-las», se «tens-las». Ou seja, balança entre o bárbaro e o arcaizante, acertar plenamente é que não.

 

[Texto 14 381]

Helder Guégués às 09:30 | favorito
Etiquetas: ,

Como se escreve por aí

Versão piorada

 

      Já tínhamos visto, vezes sem conta, «o Censos», agora, graças ao esforço de um jornalista, há uma versão piorada: «“Sou visceralmente contra dados étnico-raciais, a não ser que viesse alguém dizer que as pessoas por terem a pele mais clara ou mais escura eram − por isso mesmo e não outra razão qualquer − mais vulneráveis a uma determinada doença, o que não é o caso. Não percebo qual a utilidade da recolha destes dados”, diz à Renascença o académico, que integrou a comissão que discutiu a introdução deste tipo de dados no Census» («Recolher dados étnico-raciais ajuda a combater a Covid-19? Uns defendem que sim, outros são “visceralmente contra”», João Carlos Malta, Rádio Renascença, 20.11.2020, 13h30). É inacreditável que um jornalista escreva isto, mas é o que temos.

 

[Texto 14 379]

Helder Guégués às 09:00 | favorito
Etiquetas: ,