20
Jun 18

«Os milhares de pessoas»

Regresso ao básico

 

      «No “relvado” do Terreiro do Paço está sentado Ricardo Gomes, filho de pais portugueses que nasceu na Alemanha, a cerca de 50 quilómetros do local onde vivia Cédric, internacional português. Neste momento está de férias em Portugal e resolveu juntar-se às milhares de pessoas presentes no palco lisboeta» («Da tatuagem à promessa de uma viagem à final. As emoções na Arena Portugal», Inês André de Figueiredo, TSF, 20.06.2018, 13h42).

      De quando em quando, temos de regressar a estas coisas básicas, ou ainda se começa a pensar que o problema está todo nos dicionários. Inês, Inês, então «milhar» não é do género masculino? Então? Escreva «e resolveu juntar-se aos milhares de pessoas presentes no palco lisboeta». Isso costuma passar rapidamente, basta usar-se a cabeça.

 

[Texto 9458]

Helder Guégués às 13:54 | comentar | favorito | partilhar
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28
Mai 18

«Ênfase» é feminino

Nem doze anos

 

      «“Houve uma grande insistência na formação científica e técnica, mas o mesmo ênfase não foi colocado nas competências relacionais, e nomeadamente nestas competências éticas e morais”, acrescenta [António Lourenço, aluno do 6.º ano da Faculdade de Ciências Médicas de Lisboa]» («Estudantes de medicina: “Fala-se pouco disto durante o curso”», Ângela Roque, Rádio Renascença, 28.05.2018, 6h59).

      Já quase concluiu a formação médica pré-graduada e pouco sabe sobre eutanásia — e da língua portuguesa pouco melhor: ênfase, António Lourenço, é do género feminino.

 

[Texto 9290]

Helder Guégués às 08:17 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
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24
Mar 18

Um bebé é sempre um bebé

Ou é como o autor quiser?

 

      «Corria o ano de 1910 quando no dia 26 [de Agosto] ao final da tarde, nascia uma bebé pequena e frágil» (Madre Teresa de Calcutá – A Mãe dos Pobres, Cândida Santos Silva. Lisboa: Alêtheia Editores, 2017, p. 4). Na página seguinte, porém, já é um bebé: «Agnes tornou-se em poucos meses num bebé rechonchudo e de faces rosadas.» A revisora, Cinderela Bastos, é que não ajudou nada, e o livro tem escassas páginas.

 

[Texto 8964]

Helder Guégués às 18:11 | comentar | ver comentários (10) | favorito | partilhar
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18
Dez 17

Bispa de Londres

Temos de nos habituar

 

      No Jornal da Noite, da SIC Notícias, vi há momentos que Sarah Mullally foi nomeada, esta segunda-feira, bispa de Londres. Assim mesmo, dito e escrito, a primeira bispa de Londres, um dos cargos mais importantes na Igreja Anglicana.

 

[Texto 8484]

Helder Guégués às 20:30 | comentar | favorito | partilhar
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20
Ago 17

Género: «abatis»

Antes de morrer

 

      «Apesar de tudo com relativa facilidade, pois os obstáculos maiores eram as pontes destruídas, os abatises, as picadas cortadas com buracos que davam para engolir uma viatura» (Dembos: a floresta do medo; Angola, 1969 a 1971, Carlos Augusto Rodrigues Ganhão. Lisboa: Terramar, 2007, p. 33).

    Isto só serve para alguém, talvez um tenente-coronel, exclamar: «Caramba [ou foda-se], desde 1965 que eu pensava que “abatis” era do género feminino. Porra! Porra!» Pronto, acalme-se, homem, agora já sabe.

 

[Texto 8099]

Helder Guégués às 06:00 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
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09
Jul 17

A senhora capitã

É insistir

 

      «Ao DN, a capitã Megan Couto ­– cujos avós eram de São Miguel, nos Açores ­– disse que a sua função, enquanto segunda figura hierárquica do seu regimento, é a de assegurar o comando “apenas caso o major fique doente ou não tenha possibilidade de liderar [sic] a companhia”» («Primeira mulher a comandar a guarda da rainha Isabel II é neta de açorianos», Emanuel Nunes, Diário de Notícias, 2.07.2017, p. 41).

      Vão lá para o Colégio Militar, por exemplo, falar assim. Mas está bem, pouco a pouco entrará nos hábitos, tal como árbitra, que vimos recentemente.

 

[Texto 7995]

Helder Guégués às 14:19 | comentar | favorito | partilhar
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06
Dez 16

O género de «ênfase» (e de «epítome»)

É menina

 

      Santana Castilho, «especialista na área da Educação», no noticiário das 5 da tarde na Antena 1, a propósito dos resultados do PISA: «Por exemplo, o ênfase terrível de Nuno Crato em tudo querer medir, tudo querer avaliar, e achar que com exames se aprendia mais, se isso não tivesse sido feito, eu não sei se os resultados não seriam ainda melhores.»

      A pedido de muitos especialistas, qualquer dia «ênfase» é do género masculino. Entretanto, porém, é do género feminino, e por isso temos ali um erro. Ultimamente, ando a ver muito, em traduções, outro erro, que é atribuir o género feminino a «epítome». Tudo trocado.

 

[Texto 7305]

Helder Guégués às 20:13 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
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15
Set 16

Género: «Torá»

O argueiro e a trave

 

      «A Câmara da Covilhã [CMC] vai revelar hoje, numa conferência de imprensa, a descoberta de um Torá (pergaminho judaico) com cerca de 400 anos e escrito em hebraico. O achado esteve dez anos embrulhado num lençol em casa de um construtor civil que, quando o encontrou no meio do entulho de uma casa devoluta, não sabia do que se tratava» («Empreiteiro descobre Torá com 400 anos ao demolir casa devoluta», Rosa Ramos, Jornal de Notícias, 15.09.2016, p. 32).

      O empreiteiro não sabia — e a jornalista, que nem acerta no género de «Torá»? Na edição em papel, é verdade que há uma caixa de texto em que se explica o que é (mas também com erros), mas a explicação entre parêntesis é simplesmente para rir.

 

[Texto 7086]

Helder Guégués às 11:17 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
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01
Abr 16

«A polme»?

Reduzidos a isto

 

      Na emissão de ontem do programa O Mapa de Receitas de James Martin, no 24 Kitchen, o chefe estava à beira do Loch Fyne, na costa oeste da Escócia e um dos pratos que preparou foi precisamente lagostins ali pescados, passados por um polme (segredo, que eu já conhecia: juntar água tónica) e fritos. Para Rita Amado, a tradutora, porém, não era um polme — mas, repetidas vezes, «uma polme». Parece que há um — um! — dicionário que o regista como feminino. Infelizmente, é seguido por vários chefes, como Henrique Sá Pessoa, Vítor Sobral, entre outros. Mas uma tradutora... Onde foram buscar isto? Ora, como se vê escrito muitas vezes «reduzido a polme», hão-de achar que se trata do artigo... Não? Então expliquem-nos, porque, desde 1585, numa obra do P.e Fernão Cardim, até hoje o termo sempre foi considerado do género masculino.

 

[Texto 6721]

Helder Guégués às 14:24 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
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