17
Set 20

Género: «iguana»

É dos dois géneros

 

      «HANNAH (surgindo na varanda): Estive ali a ver a iguana mais de perto» (A Noite da Iguana, Tennessee Williams. Tradução de Idalina S. N. Pina Amaro. Colecção «Os livros das três abelhas». Lisboa: Publicações Europa-América, 1965, p. 110).

      Para a Academia Brasileira de Letras, iguana é do género masculino; para a Porto Editora, é do género feminino. Podiam entender-se.

 

[Texto 13 981]

Helder Guégués às 10:45 | comentar | favorito
Etiquetas: ,
29
Abr 20

O género de «ênfase»

Nem daqui a trezentos anos

 

      «Sabe-se pouco do projeto britânico. O ênfase das declarações públicas centrou-se na mobilização de 500 voluntários, com idades entre os 18 e os 55 anos, que serão divididos em dois grupos: metade recebe a nova vacina contra a Covid-19, a outra parte será inoculada com uma vacina contra a meningite» («Reino Unido testa vacina», João Vaz, Correio da Manhã, 23.04.2020, p. 18).

      São as tais certezas — consultarem um dicionário é que acham que não vale a pena.

 

[Texto 13 254]

Helder Guégués às 11:00 | comentar | favorito
Etiquetas: ,
14
Mar 20

Género: «entorse»

Ainda não aprenderam

 

      «Algumas câmaras comunistas da margem sul [sic], como o Seixal e a Moita, já vieram dizer que são contra o aeroporto do Montijo. De acordo com a lei, o seu parecer é vinculativo. O Governo sugeriu uma alteração à lei para contornar este impedimento. O PSD veio ontem dizer, por David Justino, que nem pensar, por ser um entorse ao Estado de direito, apesar de reconhecer que a lei é estúpida. E a seguir, para quem tivesse dúvidas, Salvador Malheiro disse o mesmo numa conferência de imprensa» («Discutir eternamente onde fica o aeroporto. Eis o desporto favorito dos portugueses», Martim Silva, director-adjunto, Expresso Curto, 27.02.2020).

      Entorse, Martim Silva, senhores jornalistas, é do género feminino, «uma entorse». Não parece difícil.

 

[Texto 12 953]

Helder Guégués às 16:30 | comentar | favorito
Etiquetas: ,
06
Jan 20

É esta igualdade que querem?

Capitã, juíza, procuradora, poetisa...

 

       «A Capitão Edna Almeida tem 29 anos e a adjunta, a Alferes Sandra Pacheco, 24. Estão, desde o início de dezembro (do ano passado 2019) à frente do Destacamento Territorial de Moncorvo que comporta ainda os concelhos de Freixo de Espada à Cinta e Alfândega da Fé. As duas comandam 90 homens. [...]  A capitão e não capitã (é a designação para este posto da GNR, tanto para homens com para mulheres) Edna Almeida já este noutros comandos na zona de Lisboa, e agora aos 29 anos pediu para vir para perto da terra onde nasceu (Macedo de Cavaleiros)» («As mulheres que comandam 90 homens na GNR de Moncorvo», Afonso de Sousa, TSF, 1.01.2020, 15h23).

     As mulheres têm lutado muito, ao longo dos tempos, pela igualdade — e, neste caso, os homens anuem ou concedem de boamente: é sempre, homem ou mulher, «capitão». Irónico, não é? Se eu fosse mulher, queria ser capitã.

 

[Texto 12 577]

Helder Guégués às 09:15 | comentar | ver comentários (2) | favorito
Etiquetas: ,
17
Jun 19

O género de «ênfase», de novo

Só quatro segundos

 

      «Luís Montenegro vai participar na edição de julho do “Advanced Management Programme”, o programa de gestão avançada para executivos do Instituto Europeu para Administração de Empresas — INSEAD, sediado em Fontainebleau, França. [...] Questionado pelo Expresso, o ex-líder parlamentar do PSD confirma a informação, mas é parco em considerações. “Vou com o objetivo firme de me qualificar mais para o futuro, em todas as suas dimensões”, é o único comentário que profere. Para o caso, o ênfase na expressão “em todas as suas dimensões” equivale a uma reafirmação da sua candidatura» («Luís Montenegro vai estudar... para suceder a Rio e Costa», Filipe Santos Costa, Expresso, 16.06.2019, 13h00, itálico meu).

      Luís Montenegro, com um curso de quatro semanas, fica apto para ser primeiro-ministro. (Ou quase: também precisa de uma plástica para remover aquele sorrisinho embirrante.) Filipe Santos Costa — licenciado em Ciências da Comunicação! — precisa de uma ensaboadela de quatro segundos para ficar a saber que «ênfase» é do género feminino. Se eu fosse responsável por um dicionário, no verbete de ênfase punha uma chamada de atenção para o género do vocábulo, em que tantos erram.

 

[Texto 11 549]

Helder Guégués às 08:06 | comentar | ver comentários (1) | favorito
Etiquetas: ,
20
Jun 18

«Os milhares de pessoas»

Regresso ao básico

 

      «No “relvado” do Terreiro do Paço está sentado Ricardo Gomes, filho de pais portugueses que nasceu na Alemanha, a cerca de 50 quilómetros do local onde vivia Cédric, internacional português. Neste momento está de férias em Portugal e resolveu juntar-se às milhares de pessoas presentes no palco lisboeta» («Da tatuagem à promessa de uma viagem à final. As emoções na Arena Portugal», Inês André de Figueiredo, TSF, 20.06.2018, 13h42).

      De quando em quando, temos de regressar a estas coisas básicas, ou ainda se começa a pensar que o problema está todo nos dicionários. Inês, Inês, então «milhar» não é do género masculino? Então? Escreva «e resolveu juntar-se aos milhares de pessoas presentes no palco lisboeta». Isso costuma passar rapidamente, basta usar-se a cabeça.

 

[Texto 9458]

Helder Guégués às 13:54 | comentar | favorito
Etiquetas: ,
28
Mai 18

«Ênfase» é feminino

Nem doze anos

 

      «“Houve uma grande insistência na formação científica e técnica, mas o mesmo ênfase não foi colocado nas competências relacionais, e nomeadamente nestas competências éticas e morais”, acrescenta [António Lourenço, aluno do 6.º ano da Faculdade de Ciências Médicas de Lisboa]» («Estudantes de medicina: “Fala-se pouco disto durante o curso”», Ângela Roque, Rádio Renascença, 28.05.2018, 6h59).

      Já quase concluiu a formação médica pré-graduada e pouco sabe sobre eutanásia — e da língua portuguesa pouco melhor: ênfase, António Lourenço, é do género feminino.

 

[Texto 9290]

Helder Guégués às 08:17 | comentar | ver comentários (1) | favorito
Etiquetas: ,
24
Mar 18

Um bebé é sempre um bebé

Ou é como o autor quiser?

 

      «Corria o ano de 1910 quando no dia 26 [de Agosto] ao final da tarde, nascia uma bebé pequena e frágil» (Madre Teresa de Calcutá – A Mãe dos Pobres, Cândida Santos Silva. Lisboa: Alêtheia Editores, 2017, p. 4). Na página seguinte, porém, já é um bebé: «Agnes tornou-se em poucos meses num bebé rechonchudo e de faces rosadas.» A revisora, Cinderela Bastos, é que não ajudou nada, e o livro tem escassas páginas.

 

[Texto 8964]

Helder Guégués às 18:11 | comentar | ver comentários (10) | favorito
Etiquetas: ,
18
Dez 17

Bispa de Londres

Temos de nos habituar

 

      No Jornal da Noite, da SIC Notícias, vi há momentos que Sarah Mullally foi nomeada, esta segunda-feira, bispa de Londres. Assim mesmo, dito e escrito, a primeira bispa de Londres, um dos cargos mais importantes na Igreja Anglicana.

 

[Texto 8484]

Helder Guégués às 20:30 | comentar | favorito
Etiquetas: ,