01
Fev 21

Como se escreve nos jornais

Inventa-se

 

      «O Benfica revelou que Jorge Jesus se encontra com uma infeção pulmonária e pode mesmo falhar o jogo dos encarnados com o BSAD desta quinta-feira, para a Taça de Portugal (acompanhe-o na Tribuna Expresso, leia as crónicas e assine a nossa newsletter)» («Na saúde e na doença, até que a morte nos separe», Pedro Candeias, Expresso Curto, 28.01.2021). Será que, passados todos estes dias, Pedro Candeias já se deu conta de que errou?

 

[Texto 14 635]

Helder Guégués às 09:30 | favorito
31
Dez 20

Como se fala na rádio

Apre!

 

      No noticiário das 10 da manhã de domingo, na Antena 1, a jornalista Rita Soares foi dirigindo o repórter Luís Peixoto, que estava a acompanhar o arranque da operação de vacinação contra a covid-19 no Centro Hospitalar de S. João, no Porto. Faz lá isto, faz lá aquilo, vê lá isto, vê lá aquilo. Momento antológico: «Luís, como é que encontraste esta manhã as pessoas com quem te cruzaste aí no Hospital de S. João, qual é a imagem facial dessas pessoas?» A imagem facial... Se fosse apenas isto: a jornalista deu uma boa amostra dos mais comuns chavões da linguagem, dos erros mais vulgares. A linguagem é a ferramenta dos jornalistas, mas, em muitos casos, ferramenta romba e gasta.

 

[Texto 14 534]

Helder Guégués às 09:00 | favorito
10
Out 20

«Inobstante»? Não se esforce

Não pode passar tudo

 

      «A importância dos vice-presidentes é o futuro: tanto Kamala Harris, 55 anos, centro-esquerda, humanista, progressista e negra, como Mike Pence, 61 anos, branco, “católico, conservador e republicano” (por esta ordem) de Direita, estão, inobstante o resultado de 3 de novembro, já lançados na corrida presidencial de 2024 – Trump não pode ir a um 3.º mandato e Biden faz 78 anos dia 20» («Debate com luvas: Kamala consistente, Pence joga à defesa», José Miguel Gaspar, Jornal de Notícias, 9.10.2020, p. 30).

      José Miguel Gaspar conseguiu desencantar uma preposição que nem o dicionário da Porto Editora regista — e ainda bem. Sacconi classificou-a de tolice. Para quê inventar mostrengos quando temos «não obstante», José Miguel Gaspar?

 

[Texto 14 121]

Helder Guégués às 09:00 | favorito
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04
Out 20

«Linguagem inclusiva»

Uma baboseira

 

      «A diretiva do Ministério da Defesa sobre a “utilização de linguagem não discriminatória” pelas Forças Armadas está a causar mal-estar entre os militares, e a associação que representa os oficiais afirma que a orientação da Secretaria-Geral “é ofensiva e um disparate”. Até porque existem “problemas gravíssimos, a nível de saúde e remunerações”, que carecem de soluções, lembra a estrutura associativa» («Militares em guerra com regras de língua», Ana Correia Costa, Jornal de Notícias, 1.10.2020, p. 8).

      Decerto, mas a melhor descrição desta iniciativa do Ministério da Defesa já foi feita numa só palavra pelo Conselho Nacional da Associação de Oficiais das Forças Armadas: «baboseira». Não chegou o que fizeram com o Acordo Ortográfico, infelizes?

 

[Texto 14 082]

Helder Guégués às 09:00 | favorito
10
Set 20

Como se escreve e pensa por aí

Mais diligência

 

      «As cargas mais leves são transportadas em alforges colocados sobre burros, caso raro no monte. O meio de transporte mais importante é o carro de vara, com esta ligada à canga metálica que assenta nos mulins» (Memórias de Um Desertor, Sérgio Palma Brito. Lisboa: Edições Colibri, 2020, p. 34).

      Em «mulins», remete para uma nota de rodapé de quatro linhas em que se lamenta que o termo não esteja no Dicionário da Academia. Num livro publicado em 2020, é esta a referência do autor, o Dicionário da Academia. Se o livro tivesse revisão, eliminariam a nota, pois a ortografia consagrada é molim — que está em todos os dicionários. Mas abundam nele erros crassos e gralhas, o que é pena, já que não lhe falta interesse. Em alguns trechos, é quase certo que nem sequer foi relido pelo autor, quanto mais revisto. Mas lá figura o nome do editor: Fernando Mão de Ferro.

 

[Texto 13 931]

Helder Guégués às 10:30 | favorito
02
Jun 20

A lógica e a tradição

Quim e Will, ou a lógica jornalística

 

      «O príncipe Joaquim, sobrinho do rei Filipe da Bélgica, testou positivo para covid-19 depois de ter quebrado a quarentena e ter sido o anfitrião de uma festa em Córdova, Espanha» («Príncipe Joaquim da Bélgica com covid-19 depois de ter dado festa ilegal», Diário de Notícias, 30.05.2020, 20h08). O príncipe Joaquim da Bélgica e o príncipe William da Grã-Bretanha, não é assim, senhores jornalistas?

 

[Texto 13 484]

Helder Guégués às 09:45 | favorito
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