02
Jun 20

A lógica e a tradição

Quim e Will, ou a lógica jornalística

 

      «O príncipe Joaquim, sobrinho do rei Filipe da Bélgica, testou positivo para covid-19 depois de ter quebrado a quarentena e ter sido o anfitrião de uma festa em Córdova, Espanha» («Príncipe Joaquim da Bélgica com covid-19 depois de ter dado festa ilegal», Diário de Notícias, 30.05.2020, 20h08). O príncipe Joaquim da Bélgica e o príncipe William da Grã-Bretanha, não é assim, senhores jornalistas?

 

[Texto 13 484]

Helder Guégués às 09:45 | comentar | favorito
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O que se sabe (pouco) e diz (muito)

Dantes é que era

 

      Creio que foi à saída da missa na Sé Catedral da Guarda. Estavam lá repórteres da televisão, pois claro. Uma senhora — dessas de antigamente, com uma 4.ª classe sólida que, aposto, não trocaria por um mestrado de hoje em dia — falou no «coravírus ou lá o que é» que para aí anda.

 

[Texto 13 481]

Helder Guégués às 09:00 | comentar | favorito
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12
Mai 20

Como se escreve por aí

Grandes inventores

 

      «Contam pelos dedos das mãos as noites que o corpo de Valentina Fonseca ficou naquele eucaliptal. Vão pegando e atirando para o chão, gesto contínuo, os ramos partidos usados para tapar o cadáver da criança de nove anos que ainda lá ficaram — como se eles próprios quisessem reconstituir o crime» («Valentina foi vestida depois de morta? Madrasta ajudou o pai a esconder corpo? Os mistérios da morte da criança que a PJ tenta desvendar», Carolina Branco, Observador, 11.05.2020, 2h16). Não vale a pena esforçar-se tanto a inventar o que já foi inventado, Carolina Branco: diz-se acto contínuo.

 

[Texto 13 324]

Helder Guégués às 09:30 | comentar | favorito
03
Mai 20

Como se fala por aí

Não se esperava melhor

 

      «Assintomático. Paciente que é portador de uma doença ou infecção, mas não exibe sintomas. Segundo um recente estudo publicado na revista Science, pessoas assintomáticas de todo o mundo foram, em meados de Março, responsáveis por dois terços das infecções. É também uma palavra que “engasga” muitos portugueses que prestam declarações às televisões e rádios. “Assimático” e “assuntumático” foram duas das versões já ouvidas» («Dicionário da covid-19, as palavras que queremos deixar de dizer», Luciano Alvarez, Público, 3.05.2020, p. 6).

      O que é que os falantes não deturpam? Então eu não ouvi, na TVI 24, um idoso dizer «crise epidérmica»? (Muito me apraz verificar que nesta edição do Público se escreve sessenta e seis vezes a palavra covid-19 — assim, não com maiúsculas.)

 

[Texto 13 268]

Helder Guégués às 20:00 | comentar | favorito
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28
Abr 20

Cadê o português, gente?

Neste caso, no Brasil

 

      «“Hoje não temos mais o gargalo dos insumos; nosso gargalo é a logística da coleta e o processamento”, diz ele. “Também sabemos que há dificuldade hoje de achar no mercado swab [cotonete nasal] para testagem massiva”, afirma» («Capacidade de coleta e de análise de testes é entrave, diz Fiocruz», Natália Cancian, Folha de S. Paulo, 21.04.2020, p. B2). E depois temos destas falhas ridículas, sim, porque é uma falha. É preciso recorrerem a uma palavra inglesa, ó seus infelizes?

 

[Texto 13 235]

Helder Guégués às 08:30 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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14
Abr 20

«Trovejar a potes»!

Outro disparate antológico

 

      Grandes comunicadores... Disseram-me que, há momentos, Tânia Ribas de Oliveira, com quem embirro como nem se imagina (mas ela não tem culpa, é assim apenas porque é quase sósia de outra pessoa com quem embirro por motivos sérios), dizia lá no seu programinha da RTP1 que «troveja a potes em Lisboa». Ainda assim, sendo disparate antológico, não supera, a meu ver, o «bramindo o estandarte» (que podem rememorar aqui) do político bissexto Pedro Lomba.

 

[Texto 13 144]

Helder Guégués às 17:45 | comentar | favorito
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02
Abr 20

Como se escreve (e pensa) por aí

Em várias modalidades

 

      O Correio da Manhã não é apenas campeão de vendas — com mais frequência do que é normal, também é campeão da parvoíce: «Até hoje, a pandemia de Covid-19 já infetou mais de 4000 pessoas e matou pelo menos 117 no país brasileiro. “Está preparado para o pior cenário, com camiões do Exército a transportar corpos (de vítimas do Coronavírus [sic]) pelas ruas? Com transmissão ao vivo na Internet e na televisão?”, perguntou Luiz Hnerique [sic] Mandetta, em tom de desafio a Bolsonaro» («Bolsonaro ignora conselhos de ministro da saúde e cumprimenta comerciantes em Brasília», Correio da Manhã, 29.03.2020, 18h01).

 

[Texto 13 077]

Helder Guégués às 13:45 | comentar | ver comentários (1) | favorito
12
Mar 20

Léxico: «martemoto»

Invencionice inútil

 

      «Através dos instrumentos da InSight, detectaram-se 174 sismos até 30 de Setembro de 2019 e muitos eram pequenos sismos. Verificou-se que 24 deles tinham uma magnitude entre os três e quatro graus. “Detectámos sinais de martemotos [marsquakes] com menos de dois e mais de quatro”, indica Bruce Banerdt, clarificando que a escala usada em Marte é semelhante à da Terra» («Os “martemotos” mostram-nos que Marte é geologicamente activo», Teresa Sofia Serafim, Público, 25.02.2020, p. 36).

      Claro que não precisamos de um termo específico para designar o que não difere em nada do que conhecemos, mas nunca se sabe, pode pegar.

 

[Texto 12 944]

Helder Guégués às 09:45 | comentar | favorito