22
Jan 21

Como se escreve nos jornais

Olha se fosse um livro

 

      A meio de um texto com trinta linhas, esquecem-se das opções que tomaram no início. Impressionante. «O representante republicano eleito pelo Luisiana Luke Letlow, de 41 anos, morreu de covid-19 a cinco dias de se estrear no Congresso. [...] Os representantes democratas Cedric Richmond (Louisiana), Marcia Fudge (Ohio) e Deb Haaland (Novo México) são chamados para o governo, pelo que estarão no cargo durante pouco mais de duas semanas. Eleições especiais serão convocadas» («Novo Congresso: recorde de mulheres e horas extra por causa da pandemia», César Avó, Diário de Notícias, 2.01.2021, p. 20).

 

[Texto 14 598]

Helder Guégués às 09:00 | favorito
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18
Dez 20

Como se escreve por aí

Só na escola primária

 

      Parece que não são apenas meios humanos que faltam na redacção do Diário de Notícias: «E numa vedação separada lá está ela. A Urtiga. “Já não vai para nova”, brinca a dona, antes de acrescentar, com uma gargalhada, “não vamos as duas”. Urtiga é branca como muitos lusitanos vão ficando à medida que envelhecem. “Nascem quase sempre castanhos-escuros e o pelo vai ficando mais claro, vão ficando russos”, explica Barbara» («Os suíços que vieram para o Alentejo criar cavalos lusitanos», Helena Tecedeiro, Diário de Notícias, 22.08.2020, 00h58).

 

[Texto 14 508]

Helder Guégués às 09:00 | favorito
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27
Nov 20

Como se escreve por aí

Prossegue a suinização

 

      «Eu vi em directo, com os olhos que esta terra há-de comer, os cinco minutos mais famosos da história do futebol mundial» («Maradona ou a maldição de ter nascido um génio», João Miguel Tavares, Público, 26.11.2020, p. 48).

      Qual esta terra, João Miguel Tavares? O mal, porém, começa logo no título — lá está a suinização da língua, de que já tenho falado.

 

[Texto 14 396]

Helder Guégués às 09:45 | ver comentários (2) | favorito
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28
Out 20

Como se escreve por aí

Uma desgraça sem fim

 

      «Outra opção: um passeio de bicicleta às hortas do mar e da mar, localizadas na Colónia Agrícola da Gafanha. Na primeira; será possível observar a produção de plantas e de flores comestíveis; na segunda, conhecer o processo de «cultivo» de ostras, instalada nas águas da ria» («Gastronomia de bordo para saborear em Ílhavo», António Catarino, TSF, 27.10.2020, 00h01).

      O uso destrambelhado que boa parte dos jornalistas faz das aspas é caso para pasmar. Vamos lá usar a cabeça, se faz favor: se à criação de ostras se dá o nome de ostricultura, para quê usar aspas neste caso?

 

[Texto 14 233]

Helder Guégués às 08:30 | favorito
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20
Out 20

Como se escreve por aí

Em Angola, na verdade

 

      «Segundo a Angop, do material consta bacia, álcool em gel, sabão, luvas, tesoura, bisturi, algodão, detergente, gases, entre outros instrumentos, para prevenir a propagação da Covid-19 naquela circunscrição» («Parteiras tradicionais beneficiam de material de biossegurança», Jornal de Angola, 18.10.2020, p. 8).

      É claro que as «parteiras tradicionais» (como eles escrevem, mas ninguém dirá: são curiosas ou comadres — comadronas em castelhano) precisam, pelo menos de vez em quando, de gases, mas diária há-de ser a necessidade de gazes, tecido esterilizado. Precisam e muito, de metros e metros.

 

[Texto 14 182]

Helder Guégués às 09:15 | favorito
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04
Set 20

Como se escreve por aí

É o que sai

 

      «São Pedro das Águias — Situa-se junto à pequena aldeia de Granjinha, 10 km a sul de Tabuaço pela N323, direção Moimenta da Beira. O templo românico está alpendurado junto a uma ravina, num profundo vale onde corre o rio Távora» («Dez igrejas (quase) desconhecidas», Rui Cardoso, «Revista E»/Expresso, 8.08.2020, p. 81).

      Isto é saber de outiva, e até de quem ouve mal. Não existe. A palavra é alcandorado, ou seja, colocado a grande altura.

 

[Texto 13 896]

Helder Guégués às 09:30 | favorito
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