13
Mar 20

Um «malvisto» mal visto

A padeira e o juiz

 

      «Conheci mal o ex-juiz Rui Rangel. Quando cheguei à carreira, no princípio dos anos 90, estava ele a sair muito mal visto e chamuscado do cargo de secretário-geral da Associação Sindical dos Juízes Portugueses (ASJP)» («O “menino bonito”», Manuel Soares, presidente da Direcção da Associação Sindical dos Juízes Portugueses, Público, 12.03.2020, p. 15).

      Vamos ensinar o Sr. Juiz Manuel Soares a escrever? Vamos a isso: «Pena é que os ingleses sejam tão malvistos por aqui» (Padeira de Aljubarrota, Maria João Lopo de Carvalho. Alfragide: Oficina do Livro, 2013, p. 185).

 

[Texto 12 950]

Helder Guégués às 09:15 | comentar | favorito
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06
Mar 20

Como se escreve por aí

Já é o pão de cada dia

 

      «CORONAVÍRUS. O Covid-19 é um vírus com as costas largas, Tão cedo não vai abrir mão do lugar de que ocupa nos notíciários de todo o mundo. Mas à medida que os dias passam as pessoas deixam de ter nome e passam a ser números. É preciso actualizar as estatísticas. Em Portugal já há seis casos confirmados. O sexto infetado é uma mulher, de Lisboa. Há registos de três mil mortos e 93 mil infectados no mundo. De acordo com as previsões da Diretora Geral de Saúde a procissão ainda vai no nosso adro» («É lá que moram as nuvens», Jorge Araújo, editor da E, Expresso Curto, 5.03.2020).

      Isto é que é rigor... Vamos tentar fazer melhor, o que nem chega a ter mérito algum: «CORONAVÍRUS. A covid-19 é uma doença com as costas largas. Tão cedo não vai abrir mão do lugar que ocupa nos noticiários de todo o mundo. Mas, conforme os dias passam, as pessoas deixam de ter nome e passam a ser números. É preciso atualizar as estatísticas. Em Portugal, já há seis casos confirmados. O sexto infetado é uma mulher, de Lisboa. Há registos de três mil mortos e 93 mil infetados no mundo. De acordo com as previsões da diretora-geral da Saúde, a procissão ainda vai no nosso adro.»

 

[Texto 12 906]

Helder Guégués às 08:45 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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19
Fev 20

Como se escreve por aí

De qualquer maneira

 

      E desta vez foi assim: «A China decidiu mudar a maneira como estava a contabilizar o número de infectados com Coronavírus (aka Covid-19) e assim somou de um momento para o outro mais de 15 mil novos casos aos quase 50 mil já identificados. Começa a entrar-se em território perigoso a nível político, com os EUA a acusarem Pequim de “falta de transparência” e a porem em causa a “honestidade” das autoridades chinesas» («Tão amigos que nós éramos», Cristina Figueiredo, editora de Política da SIC, Expresso Curto, 14.02.2020).

 

[Texto 12 844]

Helder Guégués às 09:45 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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14
Fev 20

Como se escreve por aí

É assim

 

      «O Fine Gael (FG, Família Irlandesa, liberal) de Varadkar ficou em terceiro (22%, 35 lugares), o que deve ditar a queda daquele que foi o primeiro chefe de Governo irlandês de origem imigrante (o pai é indiano) e homossexual, num país tendencialmente conservador e católico. “Parece que agora temos um sistema de três partidos... e isso vi dificultar bastante a formação do Governo”, admitiu Varadkar, no poder desde 2017. Vale a pena ler este artigo de Fintan O’Toole, um dos melhores colunistas irlandeses, no “Irish Times”» («Eles próprios, mas quem são eles?», Pedro Cordeiro, editor da Secção Internacional, Expresso Curto, 11.02.2020).

 

[Texto 12 814]

Helder Guégués às 08:45 | comentar | favorito
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13
Fev 20

Confusões: «suprir | suprimir»

É só mais uma confusão

 

      «Mais de 50 mil docentes vão reformar-se nos próximos dez anos e são cada vez menos os jovens a querer dedicar a vida ao ensino. Já há escolas onde a média de idades dos professores está próxima dos 60 anos. Ainda não é conhecido um plano para suprimir as saídas» («Falta de professores está à porta», Isabel Leiria e Raquel Albuquerque, Expresso, 9.02.2020, 17h36).

    Seria bom suprimir as saídas. Bem, pelo menos algumas, não poderiam impedir os professores de se reformarem, quando atingem a idade e tempo de serviço. Isso seria atacar a raiz do problema. Mas não: supomos que as jornalistas queriam dizer «suprir», isto é, colmatar, preencher essas saídas, essas faltas. Aos pares é sempre pior.

 

 [Texto 12 804]

Helder Guégués às 11:00 | comentar | favorito
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09
Fev 20

Agora em gaélico

Já foi pior

 

      «Numa sondagem da Ipsos MRBI para o Irish Times, publicada na passada segunda-feira, o antigo braço político do grupo armado Exército Republicano Irlandês (IRA) agregava 25% das intenções de voto para as legislativas, seguido de Fianna Fáil (23%), do ex-ministro Micheál Martin, e do Fine Gael (20%), do actual taoiseach (primeiro-ministro) e líder do Governo, Leo Varadkar. [...] Pelos cargos que ocupam, Leo Varadkar e o vice-primeiro-ministro e ministro dos Negócios Estrangeiros, Simon Coveney, desempenharam papéis de destaque na caminhada que antecedeu o “Brexit”, e querem continuar a fazê-lo, uma vez que, nas palavras do taoiseach, “o jogo ainda vai no intervalo”» («A Irlanda vai a votos e o Sinn Féin faz contas para ser mainstream», António Saraiva Lima, Público, 8.02.2020, pp. 30-31).

      Lá temos de aprender um pouco (e desnecessário) gaélico. Pelo menos estão a afastar-se daquele terrível vezo, tão comum até recentemente, de usarem palavras incomuns ou estrangeiras sem as explicarem. Nem tudo piora.

 

[Texto 12 796]

Helder Guégués às 09:00 | comentar | favorito
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06
Fev 20

Mestrado ou doutoramento?

Ainda não sabem

 

      «O professor da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, suspeito de ter ajudado José Sócrates na tese de doutoramento que o ex-primeiro-ministro fez em Paris, foi acusado pelo Ministério Público de vários crimes: burla qualificada, abuso de poder e falsificação de documento (crime do qual a sua mulher também é acusada), devido a “colaboração académica”, tendo alegadamente enganado a faculdade em mais de 10.500 euros» («Domingos Farinho», J. J. M., Público, 5.02.2020, p. 7). Na página 18, o mesmo: «Domingos Farinho, o professor da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa suspeito de ter ajudado o ex-primeiro-ministro José Sócrates na tese de doutoramento de Ciência Política que o antigo governante fez em Paris, foi acusado pelo Ministério Público de vários crimes» («Professor suspeito de ajudar Sócrates na tese acusado de burlar faculdade», Ana Henriques).

      Afinal, trata-se de uma dissertação de mestrado ou de uma tese de doutoramento? Em que ficamos? É que no Público, como noutros jornais, ora se afirma uma coisa, ora outra. E ainda há a clássica confusão entre dissertação e tese. As duas confusões juntas são excelente pábulo para a ignorância. Não é assim que se informa.

 

[Texto 12 776]

Helder Guégués às 08:15 | comentar | favorito
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03
Fev 20

Descolonizar a língua

«Detalham» e retalham a língua

 

      «Sem detalhar as listagens já feitas — “são conhecidos alguns dos objectos”, diz apenas, por referência às machadinhas polidas do Neolítico ou à arte tchokwe à guarda do MNA —, o secretário de Estado garante estarem identicadas várias peças em colecções públicas e privadas portuguesas que Angola gostaria de ver regressadas» («Um inventário para pôr Portugal a pensar sobre a colonização», Lucinda Canelas, Público, 1.02.2020, p. 41).

      Deve ter sido a deputada Joacine Katar Moreira que persuadiu a jornalista a respeitar a grafia africana da palavra. Não, Lucinda Canelas, não é assim que se escreve a palavra — é chocué. Mas é como se diz, quem não sabe é como quem não vê. Em duas linhas, «detalhar», «listagens», «tchokwe»... Livra!

 

[Texto 12 756]

Helder Guégués às 09:30 | comentar | favorito
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