25
Jul 20

Como se escreve por aí

Mais concretamente em Angola

 

      Vamos lá espreitar aqui umas inépcias dos jornalistas do Jornal de Angola, para servir de estímulo, aguilhão: «Longe das caridades e doacções dos que professam a fé, as empresas e vendedores particulares viram na procura das igrejas por termómetros, lixívia, álcool em gel e pulverizadores um novo “el dourado” para quem os tem em stock» («Corrida aos kits de biossegurança», Jornal de Angola, 23.06.2020, p. 7). Também não conhecem o itálico nem têm dicionários ou vocabulários, os pobres. Os petrodólares não chegaram para estas miudezas.

 

[Texto 13 793]

Helder Guégués às 09:00 | comentar | favorito
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23
Jul 20

Como se escreve nos jornais

Não digam isso (porra!)

 

      «A China anunciou esta quarta-feira que foi forçada pelos Estados Unidos a encerrar o seu consulado na cidade norte-americana de Houston, numa medida descrita por Pequim como uma “provocação”. Porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, afirma que o consulado foi fechado “para proteger a propriedade intelectual e as informações privadas dos norte-americanos”. [...] O país chinês advertiu que vai haver “retaliação”. “A China condena veementemente esta ação ultrajante e injustificada”, disse o porta-voz da diplomacia chinesa Wang Wenbin, em conferência de imprensa» («EUA encerram consulado da China para proteger propriedade intelectual e informações privadas», Observador, 22.07.2020, 10h05).

      Apetece dar um piparote nestes crânios e perguntar se mora lá alguém. Epígonos do Correio da Manhã.

 

[Texto 13 778]

Helder Guégués às 10:00 | comentar | favorito
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14
Jul 20

A negligência dos jornalistas

Inacreditável

 

       «Especialistas defendem que até 57,4% dos doentes que tiveram covid-19 desenvolveram algum tipo de sintoma neurológico, segundo um estudo liderado por um investigador de Albacete, Espanha, e publicado na revista médica Neurology. [...] Segundo o estudo, 57,4% dos pacientes avaliados em Albacete desenvolveram algum sintoma neurológico: 17% mialgia; 14% cefaleia e 6% instabilidade, mais comuns nos estágios iniciais da infeção, enquanto outros tiveram perda de olfato e disgenesia (distúrbios do paladar)» («Estudo admite que 57,4% dos doentes desenvolveram algum sintoma neurológico», Rádio Renascença, 9.07.2020, 18h45, itálico meu).

      Este caso é bem representativo da negligência da nossa imprensa. Em todos os meios, porque dimanou da Lusa, se lê «disgenesia (distúrbios do paladar)». Na RR, TVI, SIC, Público, Visão, Observador, em todos o erro e nenhum corrige nada. Tristeza. Até num jornal médico! A disgenesia diz respeito à função reprodutora. Não se tem vindo a falar na perda do olfacto (anosmia) e do paladar como dois dos sintomas de quem tem covid-19? Pois bem, o termo médico para a perda do paladar é disgeusia. Vagamente semelhante, mas sem nenhuma relação.

      Também há uma lição para os dicionaristas: qual a razão para só um destes termos estar no dicionário geral da Porto Editora?

 

[Texto 13 705]

Helder Guégués às 08:15 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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15
Jun 20

O AO90 no dia-a-dia

Ainda andamos nisto

 

      Alexandra Lopes, ainda andamos a brincar ao acordo ortográfico? Ainda tem dúvidas sobre uma porcaria tão simples? Olhe, os centros de explicações já reabriram. «O fato de ter pago aos lesados, com o apoio da família, já que está detido e não tem rendimentos, foi, aliás, um aspeto evocado pela defesa. “Depois de quatro anos de reclusão, está consciente e arrependido, e já conseguiu licença para fazer um mestrado em Psicologia”, notou a advogada. Valdemar já é formado em Engenharia Civil e terá tirado uma licenciatura em Ciências Sociais durante o tempo em que tem estado preso, na cadeia de Paços de Ferreira» («​Burlão das notas de 50 euros faz mestrado na cadeia», Alexandra Lopes, Jornal da Notícias, 11.06.2020, p. 16).

 

[Texto 13 542]

Helder Guégués às 08:30 | comentar | favorito
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Como se escreve por aí

Disparates é que não

 

      «Partículas de grandes dimensões (>5 m), com passagem breve pelo ar quando a fonte e os hospedeiros se encontram muito próximos, sendo produzidas durante a fala, tosse ou espirro e assentando rapidamente na [sic] superfícies» («Dicionário Covid-19», Correio da Manhã, 10.06.2020, p. 54).

      Realmente, partículas de grandes dimensões — 5 metros! Eh brutos! A fonte é a DGS, que não fala em metros, mas em micrómetros, evidentemente. O símbolo de micrómetro é µm. Se, por qualquer motivo patológico, não conseguiam encontrá-lo, escreviam por extenso. Disparates é que não.

 

[Texto 13 540]

Helder Guégués às 08:00 | comentar | favorito
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03
Jun 20

Mas que disfemia?

Eu não percebo

 

      «Em 1972, Christo Vladimirov Javacheff produziu “Valley Curtain” e provocou bruaá, isto é, ouviu-se o ruído de muitas vozes soltadas simultaneamente ou o ruído de muitos ruídos difusos. Era a sua maior instalação artística de sempre – dizer “maior” é quase disfemia: ele ergueu uma colossal cortina laranja de 14 mil metros e soltou-a gloriosamente distendida em Rifle Gap, o desfiladeiro do Colorado, EUA. Foi esse o bruaá – e houve outro depois: menos de 24 horas após instalar a obra, uma tempestade arrasou-a num repente e dela não ficou nada» («Recusou a permanência, não deixou nada. E para isso é preciso coragem», José Miguel Gaspar, Jornal de Notícias, 2.06.2020, p. 82).

      Por muito que reflicta sobre o uso de «disfemia» neste contexto, não atino com a sua propriedade. Aceito, humildemente, que me expliquem.

 

[Texto 13 493]

Helder Guégués às 09:30 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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02
Jun 20

A lógica e a tradição

Quim e Will, ou a lógica jornalística

 

      «O príncipe Joaquim, sobrinho do rei Filipe da Bélgica, testou positivo para covid-19 depois de ter quebrado a quarentena e ter sido o anfitrião de uma festa em Córdova, Espanha» («Príncipe Joaquim da Bélgica com covid-19 depois de ter dado festa ilegal», Diário de Notícias, 30.05.2020, 20h08). O príncipe Joaquim da Bélgica e o príncipe William da Grã-Bretanha, não é assim, senhores jornalistas?

 

[Texto 13 484]

Helder Guégués às 09:45 | comentar | favorito
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27
Mai 20

Como se escreve por aí

Uma APAV para a língua

 

      «Recorde-se que em Inglaterra já estavam a ser usados testes rápidos, mas não através da saliva. O teste desenvolvido pelo Imperial College de Londres baseava-se num teste de ADN e tem o avale para uso clínico da Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde britânica» («Covid-19. Testes rápidos à saliva com resultado em menos de uma hora estão em produção», Maria João Costa, Rádio Renascença, 25.05.2020, 10h50).

      No perfil da RR, a jornalista, que já conhecemos daqui, fala de uma «história de amor [que] começou em 1997 quando cheguei à Renascença», mas é óbvio que é mais uma daquelas relações em que há amor, sim, mas também violência. Fazia falta uma APAV para a língua.

 

[Texto 13 437]

Helder Guégués às 09:30 | comentar | favorito
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