26
Jun 19

Léxico: «canhono»

Parece que não

 

    «De acordo com o disposto no n.º 2 do anexo I do Despacho Normativo n.º 47/97, de 11 de Agosto, faço público que a Associação Nacional de Criadores de Ovinos da Raça Churra Galega Mirandesa requereu o registo e protecção de Mirandês como Denominação de Origem Protegida para cordeiro ou carne de cordeiro ou carne de borrego ou canhono.» É o que se lê logo no primeiro ponto do Aviso n.º 5555/2007, do Instituto de Desenvolvimento Rural e Hidráulica, agora os lexicógrafos vejam bem se têm tudo anotado.

 

[Texto 11 626]

Helder Guégués às 20:46 | comentar | favorito
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Léxico: «facultatividade»

Pois é verdade

 

      «E esquece também o ror de vezes que, no Acordo actual, são invocadas a perspectiva etimológica, a história das palavras, as consagrações pelo uso e as nefastas facultatividades, numa salada de critérios contraditórios que a parte brasileira teria feito um ponto de honra em não aceitar em 1945» (Acordo Ortográfico: a Perspectiva do Desastre, Vasco Graça Moura. Lisboa: Alêtheia Editores, 2008, p. 50).

     Nem por se falar tantos delas — a própria negação de uma pretendida unificação, tal o número — as encontramos no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora. Acontece muito, não é?

 

[Texto 11 625]

Helder Guégués às 18:05 | comentar | favorito
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Léxico: «mesa-tenista»

Agora também é nossa

 

      «Fu Yu conquistou, esta quarta-feira, a medalha de ouro de ténis de mesa dos II Jogos Europeus, que decorrem em Minsk, na Bielorrússia. A mesa-tenista portuguesa, de 40 anos, derrotou a alemã Ying Han, de 55, por 4-2 (11-5, 11-8, 9-11, 9-11, 11-6 e 11-7)» («Fu Yu conquista medalha de ouro dos Europeus em ténis de mesa», Rádio Renascença, 26.06.2019, 16h51).

      A palavra veio mesmo do Brasil? Bem, não interessa, está a ser usada entre nós cada vez com maior frequência. (No Observador, a jornalista Mariana Fernandes ainda não encontrou, no caos da redacção, o dicionário certo.)

 

[Texto 11 624]

Helder Guégués às 17:34 | comentar | favorito
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Léxico: «tartaruga-de-orelha-vermelha»

Também não

 

    Como faltam estas: «Mais de 5 mil tartarugas-de-orelha-vermelha bebés foram encontradas numa mala no aeroporto de Kuala Lumpur, na Malásia. As tartarugas estavam a ser transportadas para serem vendidas como animais de estimação na Índia» («Mais de 5 mil tartarugas bebés descobertas em mala num aeroporto», Rita Carvalho Pereira, TSF, 26.06.2019, 13h13).

     Pois, a tartaruga-de-orelha-vermelha (Trachemys scripta elegans) também não habita o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, e isto é muito mais inocente que um marzapo, ou não?

 

[Texto 11 623]

Helder Guégués às 16:08 | comentar | favorito
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Léxico: «marzapo»

Deixa-te disso

 

      «As orgulhosas Arriscados, uma foi para o Carvalhal Benfeito, a cevadíssima Isolda a queixar-se que o Zequinha não lhe chegou com o marzapo, mas agora, a recolher-se ao ninho, grávida até aos olhos» (Sou Toda Sua, Meu Guapo Cavaleiro, Alexandre Pinheiro Torres. Lisboa: Editorial Caminho, 1994, p. 252).

      O pudico Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora não o acolhe, mas já a respeitabilíssima Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira o regista. Além de que é abundantemente usado na nossa literatura.

 

[Texto 11 622]

Helder Guégués às 15:57 | comentar | favorito
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Léxico: «terrincho»

Entre outros

 

      «Também pode refugiar-se em pratos cuja composição conhece, como o cordeiro bragançano e lentilhas no forno, ou deixar-se tentar por combinações novas e surpreendentes, como o salmonete, cuscuz de Vinhais e camarão-tigre. Há surpresa, aliás, em cada prato: na bola de Berlim recheada com queijo terrincho e no Ferrero Rocher de alheira, castanha e amêndoa, que fazem parte das “saudações” (couvert); no carabineiro do Algarve, massa fresca e cogumelos; no bacalhau e feijão bragançano; no pombo-torcaz com estufado do mesmo; no café, chocolate e caramelo, que é a última tentação» («Tudo no ponto no restaurante G Pousada, em Bragança», Manuel Gonçalves da Silva, Visão, 24.09.2018, 15h13).

      Queijo terrincho: no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora não lhe pomos o dente. No entanto, tem, por exemplo, rabaçal.

 

[Texto 11 621]

Helder Guégués às 15:14 | comentar | favorito
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Léxico: «tokenização»

Agora já é tarde

 

      «De acordo com a empresa, o Mastercard Digital Enablement Service (MDES), dispõe de tecnologias de pagamento — EMV, tokenização e criptografia — que asseguram a integridade da informação do cartão. Além de Portugal, a Apple Pay vai estar também disponível para quem tiver cartão Mastercard na Bulgária, Croácia, Chipre, Estónia, Grécia, Letónia, Liechtenstein, Lituânia, Malta, Roménia, Eslováquia e Eslovénia» («Apple Pay chega a Portugal. Mas só em alguns bancos», Rita Carvalho Pereira, TSF, 26.06.2019, 12h05).

      Não é, isso é certo, o melhor aportuguesamento, mas é o que por aí já corre e enveredar por outro caminho é utópico.

 

[Texto 11 620]

Helder Guégués às 12:25 | comentar | favorito
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Léxico: «catinona»

Eles é que sabem

 

      «Das Novas Substâncias Psicoativas (NSP) faz parte o consumo de canabinóides sintéticos (1,9%), catinonas sintéticas (1,5%) e plantas ou outras NSP (1,8%)» («Sobe o consumo de álcool e droga entre os jovens de 18 anos», Rádio Renascença, 26.06.2019, 9h40).

      Não deixa de ser frustrante, para não dizer mais, que qualquer dicionário de inglês registe cathinone e os nossos não acolham catinona.

 

[Texto 11 619]

Helder Guégués às 11:46 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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