11
Dez 19

Léxico: «hiperintensidade»

Como esta

 

      «O tabaco, a hipertensão e a idade avançada estão entre os factores de risco que podem causar lesões no cérebro designadas “hiperintensidades da substância branca”, conhecidas como cicatrizes brancas. A substância branca faz parte do sistema nervoso central e localiza-se por baixo do córtex. “A enxaqueca também está associada às hiperintensidades da substância branca”, assinala Asta Håberg, investigadora da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia e a coordenadora do trabalho publicado na revista científica NeuroImage» («Como o tabaco pode deixar “cicatrizes brancas” no cérebro», Teresa Sofia Serafim, Público, 10.12.2019, p. 35).

     Há palavras que estão destinadas a não aparecer em nenhum dicionário e, contudo, são empregadas diariamente.

 

[Texto 12 451]

Helder Guégués às 09:30 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «subespera»

Teremos de ser nós

 

      Desta vez, foi presencial: ontem estive num hospital da CUF e lá estava numa parede: «Sub-Espera Adultos | Standby Adults». Sim, uma sala de subespera. Nos dicionários, nada. Ora, eu já aqui tinha falado disto em 2013. A diferença é, naquela altura, tinha visto na televisão e desta vez vi ao vivo. Se não ajudarmos esta gente a escrever — gente claramente incapaz, pelo menos incapaz de pensar —, quem o fará?

 

[Texto 12 450]

Helder Guégués às 09:15 | comentar | favorito
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Léxico: «árboreo-arbustivo»

Talvez prefiram «shrubby-arboreal»

 

      «No Estudo de Impacte Ambiental do prolongamento da CRIL entre a Buraca e a Pontinha — um projecto altamente polémico, que se arrastou durante anos — ficou definido que as encostas da estrada deviam ter “vegetação densa e barreiras arbóreo-arbustivas”. Mas elas não estão lá. O mesmo se definiu para as zonas circundantes à IC16 no Plano Estratégico de Arborização, aprovado pela Câmara da Amadora em 2013 com o horizonte temporal de 2020. Mas também ali não há árvores» («Alfornelos, uma “ilha de poluição” à espera de árvores», João Pedro Pincha, Público, 9.12.2019, p. 22).

 

[Texto 12 449]

Helder Guégués às 09:00 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «clorófito | hera-do-diabo»

Deixem-nas trabalhar

 

      Já que 2020 é Ano Internacional da Fitossanidade, Porto Editora, ofereço-te duas plantas para purificares o ar aí do escritório: clorófito (Chlorophytum comosum) e hera-do-diabo (Epipremnum aureum). A primeira, que vemos em muitas casas portuguesas, devemos usá-la para combater toxinas como o xileno, um solvente usado nas indústrias da borracha, assim como o monóxido de carbono. A segunda também ajuda na redução de xileno, monóxido de carbono, tolueno e benzeno.

 

[Texto 12 448]

Helder Guégués às 08:45 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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10
Dez 19

Léxico: «cosmogénico»

Outra ausente dos dicionários

 

      «Para os beneficiários, a JT [justiça de transição] é, então, um projeto cosmogénico que limpa o passado e através do qual eles se tornam, sem quaisquer condições, pós-coloniais e já não colonizadores» (O Pluriverso dos Direitos Humanos: a diversidade das lutas pela dignidade, Boaventura de Sousa Santos, ‎Bruno Sena Martins (orgs.). Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2019, p. 301). Nos dicionários, nada. E não se fala também em técnicas de datação por isótopos cosmogénicos?

 

[Texto 12 444]

Helder Guégués às 09:45 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «colaborante»

Quase grego

 

      «Eu sou partidário de um regime jurídico que permita a delação premiada com garantias da dignificação do próprio processo, da própria justiça. Quero dizer, o delator é colaborante com a justiça. É evidente que o faz em interesse próprio, mas a justiça recolhe o benefício maior da delação. Por outro lado, a delação tem que ser enquadrada por exigências que façam com que tenha, de facto, substância fundamental para o processo em causa» («João Cravinho: “Espanta-me que a principal preocupação do MP seja castigar Rui Pinto e não investigar o que ele revelou”», Pedro Mesquita, Rádio Renascença, 9.12.2019, 17h21).

      Para o dicionário da Porto Editora, isto é quase grego, não é assim?

 

[Texto 12 443]

Helder Guégués às 09:30 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «sequestrante»

Por outras palavras

 

      Ora aqui temos um magnífico queijo curado alentejano. Mas não posso comer queijo... Entre outros ingredientes, contém sequestrante (cloreto de cálcio). Podemos, claro, traduzi-lo por um E, que, no senso comum (e ignorante), é sempre prejudicial: E 509. No portal da ASAE, lê-se isto sobre este aditivo: «E 509 — Cloreto de cálcio; utiliza-se como sequestrante (complexante de metais) e para dar firmeza; não tem efeitos adversos.» No dicionário da Porto Editora não vamos encontrar o termo sequestrante — é coisa apenas para um (um!) dicionário bilingue.

 

[Texto 12 442]

Helder Guégués às 09:15 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «abelha-carpinteira»

Também é nossa

 

      A autora fala nas carpenter bees e, é claro, a tradutora verteu para abelha-carpinteira (Xylocopa violacea), que é grande — mede entre 20 mm e 30 mm — e completamente preta com reflexos azul-púrpura. É linda. Já vi carros com pinturas semelhantes. Está-se a ver a razão do nome: constrói o seu ninho em madeira morta.

 

[Texto 12 441]

Helder Guégués às 09:00 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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