24
Abr 18

Sobre «nacho»

E não acaba

 

      No Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, já não falta muito da cozinha tex-mex: temos os nachos, os tacos e os burritos. Depois de aqui ter falado de tacos e nachos, incluíram estas palavras, mas, no caso dos nachos, não concordo com a definição: «CULINÁRIA plural petisco de origem mexicana composto por pequenos pedaços de massa crocante, geralmente triangulares e feitos com farinha de milho, que se comem cobertos com queijo e/ou outros recheios». Dada a forma do nacho, não pode levar recheio — mas somente cobertura. E quanto ao mais, bem, fico a aguardar pelos termos jalapenho e pimenta-jalapenho, que, afinal, vejo por todo o lado, de lojas a livros. A última vez foi na obra As Delícias de Ella, de Ella Woodward (Alfragide: Lua de Papel, 2015), que já aqui citei a propósito do aportuguesamento «taíne».

 

[Texto 9105]

Helder Guégués às 23:19 | comentar | favorito
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Nome das doenças

Um erro persistente

 

      «Um novo estudo, publicado no Journal of American Medical Association, confirmou um tratamento que prolonga vida das crianças com Síndrome de Hutchinson-Gilford ou Progeria, uma doença rara que provoca envelhecimento precoce e morte prematura por doença cardíaca. [...] A acumulação de progerina no interior de uma célula é tipicamente observada no envelhecimento normal, mas a taxa de acumulação é altamente acelerada na Progeria, causando danos celulares progressivos, o que tem como resultado doença cardíaca aterosclerótica» («Estudo confirma tratamento que prolonga vida das crianças com Progeria», Carolina Rico, TSF, 24.04.2018, 16h40).

      Quando é que os jornalistas aprendem que o nome das doenças se grafa com minúscula? Só os nomes próprios que contenham é que se grafam com maiúscula: no caso, síndrome de Hutchinson-Gilford e progeria. Difícil? O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora regista progeria e — para mim, escusadamente — até a forma acentuada brasileira, progéria. O que não regista é o nome da proteína associada, progerina.

 

[Texto 9102]

Helder Guégués às 18:53 | comentar | favorito
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Léxico: «passionista»

S. Paulo da Cruz não vai gostar

 

      Ontem, nas minhas leituras, vi referências a um monge trapista. Muito bem, já contribuímos, em Outubro de 2017, para que a sua definição no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora fosse substancialmente melhorada. Agora, é de um padre passionista que se fala. Desta vez, passionista nem sequer está no dicionário da Porto Editora. Ora, a Congregação da Paixão de Jesus Cristo é um instituto religioso internacional fundado em 1720 e já está em Portugal desde 7 de Outubro de 1931.

 

[Texto 9101]

Helder Guégués às 16:46 | comentar | favorito
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Léxico: «espurco» e «lanfranhudo»

Boa safra

 

      Na emissão de ontem do programa A Tarde É Sua, na TVI, Joaquim Letria falou de algumas «palavras que desapareceram da língua portuguesa». Meteu um pouco os pés pelas mãos na definição de algumas, revelando assim que as não conhecia muito bem, deu uma ou outra silabada, mas o balanço é positivo: de todas as que referiu, há duas desconhecidas do Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, a saber, espurco, porco, sórdido, imundo, e lanfranhudo (ou lafranhudo), desajeitado, mal-amanhado. Estão ambas em certo vocabulário brasileiro aqui muito citado...

 

[Texto 9100]

Helder Guégués às 15:29 | comentar | favorito
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Léxico: «bicho-pau»

Qual bicho-papão

 

      «Um mosquito gigante com 11,15 centímetros de envergadura foi descoberto por entomólogos na província chinesa de Sichuan, noticiou esta terça-feira a agência oficial chinesa Xinhua. [...] O mosquito pertence à espécie “holorusia mikado”, descoberta em 1876 pelo entomólogo britânico John Obadiah Westwood [1805–1893] durante uma investigação no Japão e que não excede oito centímetros de envergadura. [...] A mesma zona é também o habitat do maior inseto do mundo, o bicho-pau, um inseto pegajoso de 62,4 centímetros de comprimento que foi encontrado em 2014 e também pode ser visto no Museu dos Insetos da China Ocidental» («Foi descoberto o maior mosquito do mundo. Tem 11,15 centímetros», Rádio Renascença, 24.04.2018, 12h56).

      Quanto ao Holorusia mikado, pouco sabemos, mas já no que respeita ao bicho-pau, o que se pode dizer é que o encontramos em vários dicionários e vocabulários (entre os quais o VOLP da Academia Brasileira de Letras), mas não no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora.

 

[Texto 9099]

Helder Guégués às 13:42 | comentar | favorito
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23
Abr 18

Léxico: «visuoespacial»

Não me perguntem a mim

 

      «O seu filho tem oito inteligências», escreve Vanda Oliveira na revista Prevenir (p. 94 e ss.). Uma delas é a inteligência visuoespacial, que o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora – vimo-lo aqui – se recusa a reconhecer. Não percebo.

 

[Texto 9096]

Helder Guégués às 23:05 | comentar | favorito
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Léxico: «alterador endócrino»

Depois será tarde

 

    «De acordo com o relatório Linhas de Orientação sobre a Contaminação de Alimentos, da Direção-Geral da Saúde (DGS), os alteradores endócrinos “são compostos estranhos ao organismo, mas que ‘imitam’ as nossas hormonas, interferindo em diversas vias de atuação das mesmas, como seja na sua síntese, degradação e excreção ou mesmo, ligando-se ao(s) seu(s) recetor(es) e levando a uma ativação ou inibição das vias de sinalização celular”» («Isto “mexe” com as suas hormonas», Rita Alves, Prevenir, Maio de 2018, p. 31).

      Não está nos dicionários, e por isso não se surpreendam se um dia destes alguém achar que tem de dizer endocrine disruptor para se fazer entender.

 

[Texto 9095] 

Helder Guégués às 22:51 | comentar | favorito
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