19
Jul 18

Léxico: «benefício»

Vinho do Porto

 

      «A decisão saiu da reunião do conselho interprofissional do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto (IVDP), que fixou o número de pipas (550 litros cada) a beneficiar. O benefício é a quantidade de mosto que cada vitivinicultor pode destinar à produção de vinho do Porto» («Vindima de 2018 vai dar 116 mil pipas de vinho do Porto», Olímpia Mairos, Rádio Renascença, 18.07.2018, 10h55).

      Pois é, o benefício consiste nisso, pelo que a definição do Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora está errada: «tratamento do vinho com aguardente». Ou melhor: precisa de outra acepção.

 

[Texto 9653]

Helder Guégués às 08:37 | comentar | favorito | partilhar
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Léxico: «Bagandas/baganda»

Mais importante do que o rinoceronte

 

      «A pertença à família nas diversas comunidades africanas inclui os filhos adoptados e os acolhidos, os servos, os escravos e os seus filhos, como entre os Bagandas no Uganda» («A família na África», Philomena N. Mwaura, L’Osservatore Romano, 1.10.2015).

      Pois, Gandas ou Bagandas, povo do Centro do Uganda, constituído por cerca de 6 milhões de indivíduos, que falam uma língua banta. O reino dos Gandas surgiu por volta do século XVI e, mais tarde, em 1900, foi englobado nas colónias britânicas. Vamos encontrar baganda no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, mas para significar a «pessoa ordinária e desordeira», como também ali vemos ganda, «nome dado ao rinoceronte, na Índia», mas não o nome do povo. Ora, há vários textos em língua portuguesa, entre artigos de jornais e livros, em que foi usado.

 

[Texto 9652]

Helder Guégués às 08:34 | comentar | favorito | partilhar
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18
Jul 18

Léxico: «trólebus»

País irmão...

 

      «Só 1,5% da frota de ônibus da cidade é abastecida por combustíveis não fósseis. Segundo a Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes, dos 14.447 ônibus em operação, 201 são trólebus (elétricos), 10 são movidos a etanol e um a bateria, em teste» («Só 1,5% da frota não é a diesel», Metro São Paulo, 18.07.2018, p. 2).

      E eu que pensava que o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora registava todos os brasileirismos.

 

[Texto 9651]

Helder Guégués às 10:19 | comentar | favorito | partilhar
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Léxico: «geraseno»

Tão católicos...

 

      «Não percebo por que tinham esses porcos que morrer, está bem que jesus tenha feito o milagre de expulsar os espíritos imundos do corpo do geraseno, mas consentir que eles entrassem nuns pobres porcos que nada tinham que ver com o caso, nunca me pareceu uma boa maneira de acabar o trabalho, tanto mais que, sendo os demónios imortais, porque se não o fossem deus ter-lhes-ia acabado com a raça logo à nascença, o que eu quero dizer é que antes que os porcos tivessem caído à água já os demónios se haviam escapado, em minha opinião jesus não pensou bem» (A Viagem do Elefante, José Saramago. Lisboa: Editorial Caminho, 2008, 3.ª ed., p. 80).

      Geraseno. No Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora: ✘. No VOLP da Academia Brasileira de Letras: ✔. Ah, e mais duas ✘ ✘ para o dicionário da Porto Editora: gergeseno, gadareno.

 

[Texto 9650]

Helder Guégués às 09:33 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
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Tradução: «cherry picker»

É como se não existisse

 

      Os bombeiros foram chamados para salvarem um cachorrinho que estava num telhado. Isto foi em Plymouth, e por isso «the rescuers used a cherry picker to rescue the tiny pooch, which appears to be a breed of spaniel». A questão é como traduzir cherry picker, «a hydraulic crane, esp one mounted on a lorry, that has an elbow joint or telescopic arm supporting a basket-like platform enabling a person to service high power lines or to carry out similar operations above the ground» (in Collins). Como era de prever, não se encontra nos dicionários bilingues — e o equivalente em português não está nos nossos dicionários. Costuma usar-se a designação descritiva plataforma de cesto.

 

[Texto 9649]

Helder Guégués às 08:59 | comentar | favorito | partilhar
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Léxico: «mosca»

Acertei na muche

 

      «Bullseye» — era a solução da 18 horizontal: «dartboard’s red centre». Isso de ser vermelho é que não é bem assim. O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, que desconhece esta acepção de mosca, acolhe alegremente mouche, que remete para muche: «zona central de um alvo de tiro». No Michaelis: «Sinal preto colocado no centro de um alvo, que serve de ponto de referência para o atirador.»

 

[Texto 9647]

Helder Guégués às 08:53 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
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Léxico: «rezo»

Familiar, o m. q. reza

 

      «O rei, se estiver presente, fará de conta que não ouviu, e o secretário de estado, o mesmo pêro de alcáçova carneiro que já conhecemos, embora não seja pessoa de rezos, baste recordar o que disse da inquisição e sobretudo o que achou prudente calar, lançará uma súplica muda aos céus para que cubram o elefante com um espesso manto de olvido que lhe modifique as formas e o confunda, nas imaginações preguiçosas, com um dromedário qualquer, bicho também de raro aspecto, ou com um qualquer camelo, a quem a fatalidade de carregar com duas bossas realmente não favorece, e muito menos lisonjeia a memória de quem se interesse por estas insignificantes histórias» (A Viagem do Elefante, José Saramago. Lisboa: Editorial Caminho, 2008, 3.ª ed., p. 35).

      Rezo. No Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora: ✘. No VOLP da Academia Brasileira de Letras: ✔.

 

[Texto 9646]

Helder Guégués às 08:52 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
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17
Jul 18

Léxico: «escorpião-amarelo»

Uma questão de saúde pública

 

      «Há quatro espécies perigosas de escorpiões no Brasil, mas a principal preocupação é com o Tityus serrulatus, ou escorpião amarelo, que vive tradicionalmente em habitats de savana, mas conseguiu adaptar-se a viver em esgotos e entre lixo nas áreas urbanas» («Escorpiões adaptaram-se à vida urbana no Brasil e já matam mais do que as cobras», Visão, 16.07.2018, 12h53).

      Os nossos dicionários não registam escorpião-amarelo. Felizmente não os há em Portugal, porque para o soro antiescorpiónico precisávamos do adjectivo, que os nossos dicionários também desconhecem.

 

[Texto 9642]

Helder Guégués às 10:24 | comentar | ver comentários (2) | favorito | partilhar
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Léxico: «soberanismo/soberanista»

Q’rida, encolhi os dicionários

 

      «O ex-presidente independentista catalão Carles Puigdemont lançou, esta segunda-feira, o “movimento político” Crida (Chamamento) Nacional para a República, através da apresentação de um manifesto em que apela à unidade do soberanismo. [...] O texto também defende a criação de um “movimento soberanista de amplo espetro transversal” que “se cristaliza num instrumento político organizado” com todos aqueles que “partilham o objetivo de proclamar a República catalã exclusivamente por meios pacíficos e democráticos”» («Puigdemont apela à unidade dos soberanistas para fundar movimento político», TSF, 16.07.2018, 20h32).

      Soberanismo e soberanista. É vê-los em livros de História em língua portuguesa, e nos dicionários, nada. Crida, hum? Aqui, é mais q’rida, encolhi os dicionários.

 

[Texto 9640]

Helder Guégués às 08:58 | comentar | ver comentários (2) | favorito | partilhar
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