30
Jul 20

«Bruscamente, no Verão Passado»

Uma nova tradução

 

      Antes, li o livro, uma edição da Editorial Presença de Bruscamente, no Verão Passado, publicada em 1964, com tradução de Rui Guedes da Silva. Tradução, diga-se, sem apuros formais que a recomendem e até com vários erros crassos de pontuação. Tal como tem soluções de tradução que não se podiam usar actualmente, mas isso não é — não era então — defeito. Curiosamente, na versão desta peça, da autoria de Graça P. Corrêa, dois desses problemas foram bem resolvidos. Quais? O leitor que descubra — lendo o livro e assistindo à peça. Devia, isso sim, publicar-se uma nova tradução, até porque este é teatro para ler.

 

[Texto 13 818]

Helder Guégués às 08:00 | comentar | favorito
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28
Jul 20

Léxico: «bem-pensância»

Mas pode usar-se

 

     À vontadinha: «Alexandre O’Neill, outro admirador confesso de Amália e um dos poetas por ela interpretados, fez um depoimento de claro apoio e de condenação aos reticentes e contestatários: “Isolar um génio na sua própria glória torna-lo prisioneiro da sua própria complexidade; matá-lo aos poucos no hospital dos gramáticos ou na sonolência das sessões solenes é prática das sociedades basbaques. A dor, a alegria, o enlevo amoroso, a consideração melancólica do irremediável destino de cada um de nós encontraram em Camões expressão universal. Ninguém tem o exclusivo desses sentimentos e estados de alma nem da sua expressão artística. Por isso eu acho ótimo o encontro de Camões-o-culto com Amália-a-fadista, para escândalo de certa bem-pensância e prazer dos que entendem que um poeta não é para sobreviver em pedra nem uma fadista em navalha de ponta e mola.”» («A voz de Camões», António Valdemar, «Revista E»/Expresso, 20.06.2020, pp. 38-39).

 

[Texto 13 809]

Helder Guégués às 16:00 | comentar | favorito
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27
Jul 20

Léxico: «em espelho»

Trazido pela pandemia

 

      Com a pandemia, começou a ver-se isto: «Outra solução possível no modelo misto será ainda que as turmas possam ser divididas: metade dos alunos em aulas presenciais e a outra metade “em trabalho autónomo”, em casa, funcionando “em regime de espelho”, explicou o secretário de Estado Adjunto e da Educação, João Costa. As escolas terão autonomia para arranjar soluções» («Ensino presencial: alunos mais novos terão prioridade», Andreia Sanches e Samuel Silva, Público, 4.07.2020, p. 6).

 

[Texto 13 799]

Helder Guégués às 09:00 | comentar | favorito
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23
Jul 20

O nome dos partidos: um problema

Chega! Ergue-te!

 

      «O Partido Nacional Renovador (PNR) alterou o nome para “Ergue-te”, justificando a mudança com a necessidade de “refrescar a imagem” ao fim de 20 anos, anunciou esta quarta-feira o partido» («PNR muda nome para “Ergue-te” para “refrescar imagem”», Observador, 22.07.2020, 21h08).

      Depois do Chega, ficou aberto o caminho para o invulgar na designação dos novos partidos, ou dos menos novos, mas que querem refrescar a imagem. (Mas atenção, que o refrescamento pode chegar à constipação, ou até à pneumonia, e perecerem.) Estes nomes trazem sempre vários problemas, e um deles é o seguinte: antes, os que pertenciam ao PNR eram nacionais-renovadores — e agora? Erguedores? Erguistas? Erguetistas? De qualquer maneira, os nacionais-renovadores não chegaram à consagração de estar nos dicionários. Estão, vá lá, no de siglas da Porto Editora.

 

[Texto 13 781]

Helder Guégués às 10:45 | comentar | favorito
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Língua e ciência

O caminho

 

      «Do ponto de vista científico, Portugal desenvolveu-se enormemente nas três últimas décadas, ou seja, os portugueses passaram a produzir ciência nas mais diferentes áreas. Hoje já não surpreende ver equipas e cientistas portugueses envolvidos ou a liderar grandes projetos internacionais, ou premiados pela excelência do seu trabalho. Ora, se uma língua reflete e se adapta à sociedade que a fala, seria de esperar que este desenvolvimento científico se observasse na mesma proporção nos registos especializados da língua e em particular das suas terminologias científicas e técnicas. Porém, a proporcionalidade entre o desenvolvimento da produção científica e a língua portuguesa não tem ocorrido» («O inglês, o português e a ciência», Margarita Correia, Diário de Notícias, 20.07.2020, 20h47).

      Vamos, pois, Porto Editora, queridos leitores, dar o nosso pequenino contributo, não fazendo ciência (falo por mim), mas registando TUDO o que se vai mostrando solidificado por um uso que se mostre suficiente. Não podemos é exigir que os tempos sejam os de antigamente, agora o mundo anda incomparavelmente mais depressa.

 

[Texto 13 779]

Helder Guégués às 10:15 | comentar | favorito
22
Jul 20

Uma estranha acepção de «tesoureiro»

Nunca tal vi

 

      No Bloco de Notas de segunda-feira, na Antena 1, Rui Tavares veio falar, no âmbito da disciplina de História da Cultura e das Artes, no Marquês de Pombal e no teatro de Molière. A propósito da política de educação de Pombal, referiu-se a um tesoureiro — não, enfatizou, alguém que tivesse a seu cargo o tesouro, mas o artesão que fabrica tesouras. Nunca tal ouvi. Lexicógrafos, tendes alguma informação?

 

[Texto 13 762]

Helder Guégués às 08:15 | comentar | favorito
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17
Jul 20

Léxico: «parklet»

Só para ficarmos a saber

 

      «Com a pandemia, as cidades exigem mudanças. São Francisco, nos Estados Unidos, voltou a investir nos parklets, uma forma de aproveitar os passeios de estacionamento automóvel para a dinamização do comércio local ou mesmo para o reforço da necessidade de distanciamento. Mas a cidade californiana não está sozinha. Em Paris, Anne Hidalgo, presidente da câmara, está a promover a extensão dos cafés e restaurantes através da ocupação dos espaços de estacionamento. [...] A ideia remonta aos anos 70 do século XX. Bonnie Ora Sherk, arquitecta e artista internacional, criava instalações nas ruas da Califórnia que sugeriam uma nova forma de aproveitamento do passeio. Mas foi em 2005, quando os três principais membros do colectivo Rebar (John Bela, Matthew Passmore e Blaine Merker) se juntaram para ocupar um parque nas ruas de São Francisco, que tudo mudou» («E se partilhar o estacionamento com os peões fosse o futuro?», Ana da Cunha, Público, 12.07.2020, p. 16).

 

[Texto 13 732]

Helder Guégués às 08:15 | comentar | favorito
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16
Jul 20

Léxico: «reestilização»

É escolher

 

      «A primeira reestilização veio em 1976, com mudanças na dianteira e nas lanternas. O motor passou a ser o 1600 de 58 cv» («Kombi faz 70 anos e continua na ativa», Hairton Ponciano, O Estado de S. Paulo, 22.04.2020, p. D1). «No habitáculo saltam à vista as alterações produzidas neste P400e, até porque se assume como o restyling do Range Rover. Se do lado de fora as diferenças não são assim tão acentuadas, lá dentro o caso muda de figura» («TESTE – Range Rover P400E – Fortaleza sustentável», Ricardo Carvalho, Motor 24, 22.06.2020).

 

[Texto 13 723]

Helder Guégués às 08:00 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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