15
Nov 19

Como se fala por aí

Vá-se lá saber

 

    Diz Luís Montenegro: «Eu não tentei nada, houve pessoas que tentaram. Seria uma tragédia política se o futuro do PSD, numa situação tão grave, [sic] como aquela em que se encontra fosse decidida por questões administrativas e de intendência» («Luís Montenegro responde a Rui Rio: “Vigarices? Se calhar isso faz ricochete”», Paula Caeiro Varela (Renascença) e Sofia Rodrigues (Público), 14.11.2019, 00h00). Ah, não me perguntem o que quer Luís Montenegro dizer com «questões de intendência». Usa a palavra duas vezes. Já temos sorte que não diga, como o chefe Passos, «pra futuro».

 

[Texto 12 294]

Helder Guégués às 10:00 | comentar | ver comentários (2) | favorito
13
Nov 19

X is the Herman Feshbach Professor

A quem interessar

 

   «Frank Wilczek is the Herman Feshbach Professor at the Massachusetts Institute of Technology (MIT), etc.» Isto traduz-se (e a tradutora acertou), é claro (mas não para toda a gente, pelos vistos, que errou em casos em tudo iguais), assim: «Frank Wilczek detém a cátedra Herman Feshbach do Instituto de Tecnologia do Massachusetts (MIT), etc.» Alguém ficará agora a saber.

 

[Texto 12 279]

Helder Guégués às 19:00 | comentar | favorito
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08
Nov 19

Léxico: «impatriota»

Nem queremos acreditar

 

      No dia 29 de Outubro, ouvi na Antena 1 uma entrevista à deputada Joacine Katar Moreira. Foi constrangedor e irritante, porque as perguntas iniciais se centraram ofensivamente na gaguez e na raça da deputada. Também logo no início, a jornalista aludiu ao episódio da bandeira da Guiné-Bissau exibida no momento em que se soube que fora eleita, e, mostrando quão pouco conhece a sua língua, lembrou que houve quem acusasse Joacine Katar Moreira de impatriota — e pediu que os ouvintes traduzissem (?!) livremente o termo, que ela não conhecia. Isto é normal?

 

[Texto 12 252]

Helder Guégués às 09:00 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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01
Nov 19

Vinténio e centenário

O raro e o dispensável

 

      Os jornalistas, e sobretudo os do desporto, são pródigos em parvoíces, como se sabe. Ultimamente andam a falar do «golo centenário» de não sei quem. Golo centenário... Não fosse a igual impossibilidade, só um galo centenário. Não se enxergam, é só isso. A propósito de centenário, há dias vi pela primeira vez fora dos dicionários a palavra vinténio: «De vinténio para vinténio, cada geração reage contra a geração antecedente, e pela leitura das revistas mais novas poderemos inferir quais os escritores que efectivamente exerceram preceptorado ou mestrado» (A Literatura de José Régio, Álvaro Ribeiro. Lisboa: Sociedade de Expansão Cultural, 1969, p. 91).

 

[Texto 12 232]

Helder Guégués às 09:00 | comentar | favorito
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08
Out 19

Como se fala na TVI24

Quando se pode tirar o som

 

      Embora estivesse perto, a centenas de metros, assisti pela televisão, na TVI24, à chegada do corpo do Prof. Freitas do Amaral ao Cemitério da Guia, em Cascais. Péssima opção. Os disparates e as parvoíces saíam em catadupa da boca da jornalista. Logo no início, disse que a urna (mas também chegou a falar em «fêretro») repousava num altar. Desliguei o som. Para ouvir as salvas de artilharia, bastou abrir a janela.

 

[Texto 12 119]

Helder Guégués às 02:00 | comentar | favorito
20
Ago 19

Disparates na CMTV

Outro nível

 

       «José Pedro, de 21 anos, estava internado no Hospital Psiquiátrico de Viseu e foi pedir ajuda à prima Cristina Ferreira, que o acolheu em sua casa. Sofreu um ataque de fúria e proferiu vários golpes de faca contra a familiar, matando-a sem piedade. Depois atirou-se da varanda do apartamento para a rua, sofrendo ferimentos muito graves» («O jovem de 21 anos foi presente a um juiz do Tribunal de Viseu, a quem acabaria por confessar o crime», Luís Oliveira, CMTV, 29.07.2019, 11h59).

      Proferir golpes de faca! Estes repórteres da CMTV estão noutro nível. Um nível, diga-se, que já em 2011, no tempo da PàF, Pedro Lomba atingira com o seu inenarrável «bramindo o estandarte», que nunca esqueceremos. Conhecem as palavras, sim, mas de outiva.

 

[Texto 11 880]

Helder Guégués às 00:30 | comentar | ver comentários (3) | favorito
19
Jul 19

Léxico: «capitã»

É assim que as coisas se apresentam

 

      «Capitã do “Sea Watch 3” foi ouvida no âmbito de acusação ao auxílio à imigração ilegal» («Carola disse que não fez nada e foi mandada em paz», Ivete Carneiro, Jornal de Notícias, 19.07.2019, p. 29).

      Desde que se começou, por bons motivos, a subverter certas regras dicionarísticas, esperamos sempre mais. Assim, será que se justifica dicionarizar o feminino juíza, mas não capitã? Porque não?

  

[Texto 11 811]

Helder Guégués às 15:55 | comentar | favorito
07
Jul 19

Como se escreve por aí

Enxerguem-se

 

      Tenho um agregador de notícias que, como qualquer rede lançada ao mar, traz peixe, mas também, enredado, vem muito lixo. As mais ridículas — estão a ouvir? — são da Selfie by TVI e, para minha higiene mental, acabei de as bloquear. Um exemplo, repetido diariamente: «Maria Cerqueira Gomes partilha foto rara e comovente com o filho», assinada por um tal Igor Pires. Foto rara... é como se se referisse a uma foto de Anastásia Nikolaevna Romanov. Se o ridículo matasse...

 

[Texto 11 705]

Helder Guégués às 11:04 | comentar | favorito
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28
Jun 19

«Trabalhos de desconstrução»

Desconstrução civil

 

      De quando em quando, cai uma palavra ou expressão no goto dos jornalistas, e depois é até à exaustão: «Começaram esta manhã, os trabalhos de desconstrução do Prédio Coutinho. No interior ainda estão nove moradores que recusam a entregar seis habitações» («Prédio Coutinho começa a ser desmantelado», Rádio Renascença, 28.06.2019, 8h57). Agora é esperar, que já vem outra monomania que substituirá esta.

 

[Texto 11 634]

Helder Guégués às 09:09 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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