18
Jan 21

«Incumbente»: PERIGO, NÃO USAR

Totalmente dispensável

 

      «Há outros seis candidatos: o incumbente Marcelo Rebelo de Sousa (apoiado oficialmente por PSD e CDS-PP), a diplomata e ex-eurodeputada do PS Ana Gomes (PAN e Livre), o eurodeputado e dirigente comunista, João Ferreira (PCP e “Os Verdes”), a eurodeputada e dirigente do BE, Marisa Matias, o fundador da Iniciativa Liberal Tiago Mayan e o calceteiro e ex-autarca socialista Vitorino Silva (“Tino de Rans”, presidente do RIR - Reagir, Incluir, Reciclar)» («“Lábios negros, de luto.” Ventura responde ao movimento #VermelhoemBelém», TSF, 16.01.2021, 22h36).

      De quatro em quatro anos, pelo menos, a Lusa e as redacções de jornais, rádios e televisões tentam fazer-nos crer que «incumbente» nesta acepção é lidimamente português e que nos faz falta. Nada: nem é português nem faz falta. É um anglicismo semântico totalmente dispensável. Em suma? Não têm dicionários nem olhos na cara.

 

[Texto 14 578]

Helder Guégués às 09:30 | favorito
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13
Jan 21

«Em baixo de forma»

Boa acção do dia

 

      «Deu para perceber que João Ferreira é seguro na cartilha do PCP, que Marisa está abaixo de forma e se afundou, que Ventura é um feirante a vender pechisbeque por prata, que Tiago Mayan se fez político apesar de ter engolido a cassete do Estado mínimo, que a inteligência de Marcelo é ainda uma temível máquina política, que a ortodoxia justicialista de Ana Gomes a afasta do centro-esquerda, que Vitorino Silva disse com pedrinhas o que a esquerda não soube dizer sobre o racismo de Ventura» («Retrato de uma campanha com um elefante na sala», Manuel Carvalho, Público, 12.01.2021, p. 6).

      Tudo mais ou menos como eu o vejo — mas está na hora de Manuel Carvalho aprender que se diz estar em baixo de forma e não como escreveu.

 

[Texto 14 563]

Helder Guégués às 09:30 | favorito
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06
Jan 21

Tradução: «driveway»

Há dificuldades maiores

 

      «A história é simples: um SUV da marca Lexus arranca e no passeio em frente à casa (a tal driveway para a qual não encontro tradução em português), lê-se pintado em giz “we’re all in this together”, o maior clichê publicitário de 2020» («Os riscos de não arriscar», João Coutinho, «Dinheiro Vivo»/Diário de Notícias, 2.01.2021, p. 23).

      Faz lembrar o homem que foi ao médico com queixas de dificuldade em levantar uma perna. «Veja, veja, senhor doutor, não consigo sequer fazer isto» — e levanta a perna com toda a facilidade. Há casos em que essa dificuldade é bem maior. Por exemplo, legacy, que vi já esta semana, no sentido de «candidate for membership in an organization (such as a school or fraternal order) who is given special status because of a familial relationship to a member». O que não se pode é estar sempre à espera de encontrar um só termo em português que corresponda perfeitamente — pois há inúmeros termos que não têm correspondência na nossa língua, porque não encontramos correspondência na nossa realidade. Não é, portanto, uma questão de palavras, mas de conceitos.  

 

[Texto 14 547]

Helder Guégués às 11:00 | ver comentários (3) | favorito
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31
Dez 20

Como se fala na rádio

Apre!

 

      No noticiário das 10 da manhã de domingo, na Antena 1, a jornalista Rita Soares foi dirigindo o repórter Luís Peixoto, que estava a acompanhar o arranque da operação de vacinação contra a covid-19 no Centro Hospitalar de S. João, no Porto. Faz lá isto, faz lá aquilo, vê lá isto, vê lá aquilo. Momento antológico: «Luís, como é que encontraste esta manhã as pessoas com quem te cruzaste aí no Hospital de S. João, qual é a imagem facial dessas pessoas?» A imagem facial... Se fosse apenas isto: a jornalista deu uma boa amostra dos mais comuns chavões da linguagem, dos erros mais vulgares. A linguagem é a ferramenta dos jornalistas, mas, em muitos casos, ferramenta romba e gasta.

 

[Texto 14 534]

Helder Guégués às 09:00 | favorito
25
Dez 20

Mas isso não é castelhano?

É pois

 

      «O parque industrial da Pfizer na localidade belga de Puurs é um dos maiores do mundo na produção de medicamentos e vacinas. É uma gigantesca unidade fabril devidamente vigiada que não é possível visitar. Distingue-se ao longe, da estrada, já que da sua planta despontam duas enormes turbinas eólicas que geram a energia “verde” necessária à produção» («Vacina da Pfizer. A prenda de Puurs para o mundo», Vasco Gandra, Rádio Renascença, 21.12.2020, 10h27).

      Nós dizemos isto assim? Acho que não. Nunca antes vi tal. Em castelhano, sim: «Fábrica central de energía, instalación industrial» (lê-se no DRAE). Quando muito, podia ser uma extensão de sentido.

 

[Texto 14 522]

Helder Guégués às 09:00 | favorito
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17
Dez 20

Léxico: «certidão de óbito | verificação do óbito»

Imagino

 

      Aposto que há por aí confusões à volta disto: «Miguel Guimarães acrescenta, contudo, que aquilo que viu não era — nem podia ser —, uma certidão de óbito, mas apenas um documento do médico do INEM a confirmar que o ucraniano morreu, a chamada verificação do óbito. “Quando o médico que chefia a equipa do INEM não consegue salvar a pessoa apenas faz uma verificação do óbito”, ou seja, escreve, numa folha própria da emergência médica, que a pessoa está morta» («Ordem dos Médicos desmente Eduardo Cabrita. Médico não escreveu “morte por causas naturais”», Nuno Guedes, TSF, 16.12.2020, 17h03).

 

[Texto 14 501]

Helder Guégués às 09:15 | favorito
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15
Dez 20

Desta vez, são os Fahrenkopfs

Ela também sabia

 

      «Os FAHRENKOPFS (fora de cena, enquanto o vento se levanta): Wolf...gaaang! Hilda!» (A Noite da Iguana, Tennessee Williams. Tradução de Idalina S. N. Pina Amaro. Colecção «Os livros das três abelhas». Lisboa: Publicações Europa-América, 1965, p. 70).

 

[Texto 14 484]

Helder Guégués às 09:15 | favorito
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