19
Jun 18

Petromax → petromax

Temos de ser uns para os outros

 

      «Mas estou certa [de] que à vítima não compete dar o primeiro passo, enfrentar a burocracia, procurar ajuda ou sequer comprar um Petromax» («As vítimas de Pedrógão», Fernanda Cachão, Correio da Manhã, 19.06.2018, p. 2).

      Fernanda Cachão, é petromax, minúscula, porque ocorreu aqui o mesmo fenómeno (derivação imprópria) que em Gillettegilete, por exemplo. Estou certo de que fica grata. (Também a aconselhava a mudar a fotografia que tem na página da Internet do Correio da Manhã, porque faz lembrar o esgar do busto de Ronaldo que estava no Aeroporto da Madeira, mas não o faço, podia levar a mal.)

 

[Texto 9446]

Helder Guégués às 08:17 | comentar | favorito | partilhar
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18
Jun 18

«Zelo nominal»?

Outro zelo

 

      «Parece que a história de Portugal se tornou um tema da actualidade. Tudo começou com a proposta de criar um Museu dos Descobrimentos em Lisboa. Um impressionante conjunto de historiadores e intelectuais manifestou-se contra o vocábulo “Descobrimentos”, por não ser justo para com os povos “descobertos” pelos portugueses, tanto mais que, no contacto com eles, os portugueses nem sempre foram exemplares. Julgo que há aqui excesso de zelo nominal, tão típico dos dias de hoje, em que as palavras são vistas como essências e não como convenções para comunicar. Nós queremos uma palavra que descreva o conjunto de acções resultantes das viagens dos portugueses a partir do século XV» («Descobrir tudo», Luciano Amaral, Correio da Manhã, 18.06.2018, p. 2).

      É só a mim que aquele «zelo nominal» não convence? Comentem, não se acanhem.

 

[Texto 9434]

Helder Guégués às 10:12 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
14
Jun 18

Como se responde nos EUA

Ai é?

 

      «O ritual da votação da proposta que institui o dia de Portugal no Estado [da Califórnia] seguiu o ritual habitual nos EUA mas mais [sic] muito diferente do português: o secretário da Câmara chama cada um dos 39 senadores, que para indicar a votação positiva responde: “Aye”. Ouviram-se 39» («Aye! Dia de Portugal na Califórnia aprovado por unanimidade e com oração», Hugo Neutel, TSF, 14.06.2018, 18h53).

      Um bom ritual tinha de incluir arcaísmos. Sim, aye é uma interjeição, embora não se saiba exactamente a origem, mas talvez seja variante do pronome pessoal I, ou então uma alteração de yes, ou ainda, e por fim, do advérbio aye, «sempre». Para meu relativo espanto, está no Dicionário de Inglês-Português da Porto Editora.

 

[Texto 9407]

Helder Guégués às 20:15 | comentar | ver comentários (4) | favorito | partilhar
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Como se fala na rádio

O valor das palavras

 

      No Portugal em Directo, da Antena 1, a repórter Cláudia Costa, que está em Pedrógão Grande, falava há minutos no «grandioso incêndio do ano passado» — como se fosse um espectáculo memorável.

 

[Texto 9403]

Helder Guégués às 13:35 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
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11
Jun 18

Como se explica a gramática

O problema da esquerda e da direita

 

      Segundo o Acordo Ortográfico de 1990, escreve-se «infra-estrutura» ou «infraestrutura»? É uma pergunta do Jogo da Língua do passado dia 5. «E a regra é muito simples: sempre que juntamos a uma palavra principal um determinado prefixo — um prefixo é um elemento, um radical, um elemento que juntamos à direita da palavra principal — sempre que esse elemento, sempre que esse prefixo, termina numa vogal diferente da vogal que começa a palavra principal e quando articulamos não há qualquer problema de leitura, então não precisamos de hífen.» Isto de à direita e à esquerda é muito prático — mas apenas na escrita (e se não formos disléxicos). Na oralidade, tem obrigação de o saber quem anda nisto há anos, é um erro crasso recorrer a tal forma de explicação.

 

[Texto 9391]

Helder Guégués às 15:45 | comentar | favorito | partilhar
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10
Jun 18

Como se fala por aí

E não gaguejou

 

      Mário Machado apresentou ontem a sua candidatura à presidência da claque Juventude Leonina. Vamos ver se eu consigo escrever a palavra que ele usou (os jornalistas não foram capazes) na conferência de imprensa: pretende «desganguesterizar a Juventude Leonina, que neste momento é uma associação de malfeitores».

 

[Texto 9384]

Helder Guégués às 15:19 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
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09
Jun 18

Na cozinha ou fora da cozinha, chefe

Sim, chefe

 

      «O chefe norte-americano Anthony Bourdain, de 61 anos, morreu esta sexta-feira em Paris, onde estava a preparar um episódio do seu programa “Parts Unknown”. Quem o encontrou no seu quarto de hotel foi um chefe seu amigo, Éric Ripert. Ao que parece, a causa de morte foi suicídio» («O chefe que tirou confidencialidade à cozinha», Luís M. Faria e Marta Pereira Gonçalves, Expresso Diário, 8.06.2018).

      As coisas chegaram a tal ponto, que temos de fazer uma festa quando alguém escreve o que está correcto. Chefe, pois claro, e não qualquer coisa semelhante e com uma letra a menos.

 

[Texto 9379]

Helder Guégués às 20:08 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
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Léxico: «trigasmo»

Orgasmo triplo

 

      «A presidente do Colégio Norte Americano [sic] de Sexologia, Ava Cadell, defende que a mulher pode obter o trigasmo, estimulando o ponto G, o clitóris e o ânus» («Ava Cadell cria o trigasmo», João Saramago, Correio da Manhã, 8.06.2018, p. 41).

      Ah, grande porca! (Cadella, diriam outros.) Não, esperem, enganei-me no comentário: que bom, queria eu dizer. Ficamos então a conhecer esse «trigasmo», não vá aparecer por aí quando menos se esperar. Na realidade, já anda por aí há anos, desde 2004, na obra Os Cavaleiros de São João Baptista, de Domingos Amaral.

 

[Texto 9377]

Helder Guégués às 12:24 | comentar | favorito | partilhar
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