19
Jul 18

Frases começadas por «E»

Serve de exemplo ou não?

 

      «Antes de regressarmos, lemos todo o Génesis e parte do Êxodo. Uma das principais coisas que aprendi com este exercício foi não iniciar uma frase com “E”. Quando observei que a maioria das frases da Bíblia começava com “E”, o tutor disse-me que o inglês tinha mudado desde a época do rei Jaime. Nesse caso, repliquei, porque nos obrigava a ler a Bíblia? (A Minha Breve História, Stephen Hawking. Tradução de Pedro Elói Duarte. Lisboa: Gradiva, 2014, p. 23).

 

[Texto 9655]

Helder Guégués às 08:40 | comentar | favorito | partilhar
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17
Jul 18

«Quasinho»

Para os grandes e para os outros

 

      «Leio, numa velhinha Ilustração Portugueza: a 17 de julho de 1916, uma data quasinho centenária, caiu um “grande nevão” em Portugal. E outra velhinha Ilustração Portugueza, ligeiramente mais nova, lembra-me que há mais exatos cem anos, a 6 de maio de 1918, caiu outra vez “um grande nevão na Covilhã”. E ontem os jornais assinalavam: “Serra da Estrela pintada de branco em pleno julho”...» («Trump, Putin, o czar e o frio na Covilhã», Ferreira Fernandes, Diário de Notícias, 17.07.2018, 7h00).

      Aqui, convenhamos, não fica nada bem, talvez porque a seguir vem um adjectivo na forma feminina, e a estranheza ainda é maior. Mas sim, pode escrever-se, ou, pelo menos, grandes escritores, como Guimarães Rosa, fizeram-no: quase, quasinho, quasezinho.

 

[Texto 9643]

Helder Guégués às 14:34 | comentar | ver comentários (2) | favorito | partilhar
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15
Jul 18

Abaixo a «turné/tournée» — viva a «digressão»

Más escolhas

 

      «Papa pediu este domingo aos peregrinos católicos que tenham uma postura simples e não sejam “divas em turné”. Na habitual mensagem do Angelus, no Vaticano, Francisco apelou aos missionários que adotem um estilo que “consiste na pobreza de meios”, um recado que também parece dirigido para dentro da própria Igreja» («Papa: peregrinos não devem ser “divas em turné”», Diário de Notícias, 15.07.2018, 15h11).

      Já não é mau que se use a forma aportuguesada e não o termo francês — mas não havia necessidade. Temos, por exemplo, e até, a meu ver, mais bonita, a palavra «digressão».

 

[Texto 9631]

Helder Guégués às 16:51 | comentar | ver comentários (2) | favorito | partilhar
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14
Jul 18

Tradução: «food court»

Se houvesse multas, isso sim

 

       «A Sonae Sierra é uma das empresas apostadas em dar cada vez mais destaque às zonas de restauração. Além do Cascais Shopping e do seu Cascais Kitchen, a empresa também criou um novo conceito de food court no ParkLake, um centro comercial novo que inaugurou recentemente em Bucareste, na Roménia» («A moda da comida está a mudar os centros comerciais», A. B., Expresso, n.º 2385, 14.07.2018).

      Qual a necessidade de usar termos ingleses para o que tem nome português? Para mais, apenas uma linha mais à frente. Mais vale estarem quietos.

 

[Texto 9625]

Helder Guégués às 18:57 | comentar | ver comentários (3) | favorito | partilhar
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13
Jul 18

A Antárctida e a... e o...

Essa é nova

 

      «Um icebergue com seis quilómetros de largura soltou-se de um glaciar no leste da Gronelândia, o maior em mais de uma década naquele lugar. [...] Holland [David Holland, da Universidade de Nova Iorque] destacou que “a preocupação real é com a Antárctida, onde é tudo tão grande que os riscos são muito mais altos”» («Icebergue de 6 km solta-se e obriga à retirada de 170 pessoas na Gronelândia», Rádio Renascença, 13.07.2018, 16h44).

      No já longínquo ano 2000, escrevia F. V. P. da Fonseca no Ciberdúvidas (aqui): «Antárctida é a grafia correcta para designar o grande continente onde se situa o Pólo Sul. Antárctica é o feminino do adjectivo correspondente, antárctico. Quanto a Árctida (é esta a ortografia) é a região oposta, ou seja[,] o oceano onde se situa o Pólo Norte, constituído só por água e gelo. Árctica é o feminino do adjectivo árctico, relativo à Árctida. Em Portugal, pelo menos, é assim.» Em que parte de Portugal? Nunca vi a palavra «Árctida» mais gorda.

 

[Texto 9620]

Helder Guégués às 17:25 | comentar | ver comentários (6) | favorito | partilhar
12
Jul 18

Tradução: «NEET»

Nem tentam

 

      «O número de jovens que não trabalham nem estudam na União Europeia atingiu o valor mais baixo dos últimos dez anos. No primeiro trimestre deste ano, a 10,6% dos jovens europeus entre os 15 e os 24 anos que não tinham ocupação laboral nem estudavam. [...] Os dados sobre os chamados NEET (Not in Education, Employment or Training) – ou jovens “nem-nem” – foram divulgados esta quinta-feira pelo Eurostat» («Número de jovens “nem-nem” é o mais baixo da última década», Rádio Renascença, 12.07.2018, 12h37).

      Em Espanha, são os jóvenes ninis. Aliás, como vimos com a sigla LGBT, que não pára de crescer, também já se fala do joven ninini, «ni estudia, ni trabaja, ni lo intenta».

 

[Texto 9605]

Helder Guégués às 13:13 | comentar | favorito | partilhar
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09
Jul 18

Os Romanovs, finalmente

Um exemplo louvável

 

      É apenas um título, mas revisores, tradutores, editores e demais jornalistas deviam pôr aqui os olhos: «Mansão que acolheu cativeiro dos Romanovs é agora museu» (Nuno Galopim, Expresso, n.º 2384, 7.07.2018).

 

[Texto 9584]

Helder Guégués às 21:44 | comentar | favorito | partilhar
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Léxico: «cardsharing»

Uma pena acrescentada à pena

 

      «“No decurso das buscas realizadas foram recolhidas informações e apreendidos documentos e outros objetos relacionados com a prática de factos, que consistiam na distribuição e receção ilícita de sinal de internet e pacotes de televisão, através de equipamentos adulterados, fenómeno criminal conhecido por ‘cardsharing’”, lê-se no comunicado» («Detidas 16 pessoas em flagrante delito por “piratearem” sinal de televisão e internet», Rádio Renascença, 6.07.2018, 12h22).

      Agora, o pobre cidadão já não tem contra si apenas o hermetismo jurídico, mas também a própria língua em que o acusam. Se todos os acusados fossem culpados, estaria muito bem, era mais uma pena acrescentada à pena, mas não é assim.

 

[Texto 9576]

Helder Guégués às 11:14 | comentar | favorito | partilhar
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07
Jul 18

«Síndrome de burnout»

E não podia ser em português?

 

      «A exaustão emocional é uma das três dimensões que servem para avaliar a síndrome de burnout. Literalmente, a palavra significa “queimado” e, apesar de ser um termo em inglês, este é o termo médico correcto» («O que é a exaustão emocional?», Público, 6.07.2018, p. 10).

      Apesar de ser em inglês, é o termo médico correcto... É isso mesmo, talvez seja esse o seu grande defeito.

 

[Texto 9573]

Helder Guégués às 18:00 | comentar | ver comentários (3) | favorito | partilhar
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