13
Abr 21

O que se diz por aí

Prove

 

      «O que eu estou a dizer é que, para mim, e para os dicionários também, se quiser, nostalgia tem um espectro mais alargado [do que saudade]», afirmou, com toda a convicção, Júlio Machado Vaz na última emissão do programa O Amor É... Então, a teoria de Júlio Machado Vaz — que afirmou, como se vê, ver corroborada nos dicionários, só não disse quais — é a de que a nostalgia tanto é em relação ao passado como ao futuro. Assim, eu tanto posso sentir nostalgia das tardes que passava com a minha namorada Ana Sofia, como das sessões telepáticas com pessoas de todo o mundo, graças a chips implantados no cérebro, que terei no ano 2065. Está bem, está...

 

[Texto 14 942]

Helder Guégués às 10:00 | favorito
31
Mar 21

«Gastroculinário»?

Malcozinhado

 

      Outra novidade, esta anómala: «É tempo de Páscoa, é tempo de primavera, e é tempo de primícias. Mesmo confinados, é espiritualmente a altura em que a família alargada toca a reunir em torno da mesa farta em doçaria e em primor, animada que costuma ser pelos inefáveis cabrito e borrego. Um e outro assumem à vez o trono gastroculinário da época, consoante a região onde nos encontramos e o que não pode mesmo falhar são os doces» («Páscoa, passagem e conventualidades», Fernando Melo, Diário de Notícias, 29.03.2021, p. 30).

 

[Texto 14 887]

Helder Guégués às 09:00 | favorito
26
Mar 21

Inventar quando é necessário

Não é o caso

 

      «No fundo, a Central acrescenta valor à produção que sai do pomar, o que permite uma melhor retribuição aos “pericultores”. É uma sociedade anónima sui generis porque o objectivo não é obter lucros chorudos para distribuir dividendos, mas valorizar o produto em abono dos sócios-produtores» («A República da Pêra-Rocha resiste ao “Brexit” e à pandemia», Carlos Cipriano, Público, 20.03.2021, p. 37).

      São melhores a inventar palavras desnecessárias do que a descobrir as que existem e de que precisam. Aquele que se dedica à cultura de árvores de fruto em pomares é o pomicultor.

 

[Texto 14 868]

Helder Guégués às 09:30 | favorito

«Tipar»?

Passamos

 

      De quando em quando, convém falar de casos estranhos, como este: «Acontece que o seu físico rotundo e a sua cara bolachuda têm-no tipado quase sempre para papéis de totó, daqueles de quem nos rimos, mas esquecemos logo a seguir» («Os grandes ausentes. Paul Walter Hauser», J. L. R., «Revista E»/Expresso, 8.02.2020, p. 4).

 

[Texto 14 865]

Helder Guégués às 08:00 | favorito
25
Mar 21

Linguagem: «vacinódromo»

É só esperar

 

      Eu não disse que estas não iam ter fim? «Em declarações ao canal BFMTV, a ministra da Indústria, Agnès Pannier-Runacher, afirmou que a França vai abrir 35 grandes centros de vacinação "nos próximos dias". Isto depois de o governo ter recusado criar esse tipo de infrastrutura [sic], os chamados ‘vacinódromos’, depois do fracasso deste tipo de centros para vacinação em massa durante a pandemia de H1N1, em 2009» («Emanuel Macron não dá férias às vacinas. França vai abrir 35 vacinódromos», Rita Costa, TSF, 23.03.2021, 13h45).

 

[Texto 14 859]

Helder Guégués às 08:00 | ver comentários (1) | favorito
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