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Linguagista

Como se pensa e escreve por aí

Se é alienígena, obedecem logo

 

      «A OMS, recorde-se, decidiu mudar o nome da doença para “mpox” para evitar conotações racistas. Os dois nomes podem ser usados em simultâneo durante um ano» («OMS regista mais 1696 casos e cinco mortes por “mpox”», Alexandra Inácio, Jornal de Notícias, 2.12.2022, p. 44).

      E nós, obedientes, cordatos, corremos logo a escrever dessa forma, não é, Alexandra Inácio? Isso não interessa! O que interessa é respeitar a nossa língua, não mostrarmo-nos cordeirinhos e acríticos.

 

[Texto 17 328]

Obrigado, obrigada

Ela aprendeu

 

      «‘La Noche de Anoche’, sedutora colaboração com Bad Bunny, foi apresentada bem juntinho do público e em dueto com quem se quis juntar a ela, entre bandeiras portuguesas e espanholas, num momento de comovente partilha ibérica. ‘Diablo’ chegou com Rosalía sentada numa cadeira de barbeiro, enquanto recebia alguns retoques no cabelo e na maquilhagem, seguindo depois, sozinha ao piano, pela intensidade minimalista de ‘Hentai’. “Obrigado por serem tão carinhosos comigo”, agradeceu, antes de nova viagem ao passado para ‘Pienso En Tu Mirá’ e uma versão de ‘Perdóname’, clássico do reggaeton das panamenses La Factoría» («Rosalía incansável, até ao ‘olé’ final, na Altice Arena: houve duetos com os fãs, sentiu-se o flamenco e até lágrimas lhe caíram», Mário Rui Vieira, Blitz/Expresso, 28.11.2022, 3h14).

      Mentira: eu estava lá (Balcão 1, F-26), pude ouvir e Rosalía sempre disse «obrigada» — demonstrando assim que aprendeu, ao contrário do jornalista do Blitz. É triste, mas é assim. E até pensei, quando a ouvia: «Quantos portugueses — jornalistas, professores, tradutores, etc. — não erram nisto?»

 

[Texto 17 310]