12
Mai 20

«Vogalização»?

Primeira vez

 

      Vejo-a pela primeira vez. «Além dessa influência lexical, as línguas angolanas de origem banta também influenciaram de maneira clara e, digamos assim, “perfeitamente audível”, a variante brasileira do português, em termos de pronúncia, da abertura das vogais à própria tendência para a vogalização (por exemplo, “pineu” em vez de “pneu”) ou para omitir o “s” no plural (as línguas bantas também não usam “s” para o fazerem), sendo os dois últimos casos perceptíveis, sobretudo, na linguagem oral» («A influência africana na língua portuguesa», João Melo, Jornal de Angola, 6.05.2020, p. 11).

 

[Texto 13 320]

Helder Guégués às 08:30 | comentar | favorito
Etiquetas:
09
Mai 20

«Tragédia humana» — muito bem

Mas não aprendem

 

      «“Mais que um choque económico, vivemos uma tragédia humana e um desafio à nossa forma de vida”, diz Centeno, adiantando que se pode chamar Marshall ao referido plano de recuperação económica, mas que desta vez este tem de ser financiado pela Europa e não por outros» («Centeno alerta para “tragédia humana” e defende plano poderoso para recuperar Europa», Rádio Renascença, 9.05.2020, 9h18).

      Interessante é ouvir o ministro das Finanças falar assim e, ao mesmo tempo, sabermos que há troca-tintas em muitas editoras e redacções que falam em «tragédias humanitárias». É só pena não aprenderem.

 

[Texto 13 305]

Helder Guégués às 14:00 | comentar | favorito
07
Mai 20

Ainda não a acharam

Ah, infelizes

 

      O Brasil ainda não descobriu — perdão, não achou — a palavra «viseira». Mas já vimos que até preferem face shield, como se diz nos States. «“Delta zero um, código 36. Mulher, 74 primas, possível Covid, QAP? QTH região do Morumbi”, diz uma voz chiada, na frequência de rádio do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência). O chamado é para atender uma idosa de 74 anos, em Paraisópolis (zona sul de SP), com sintomas de Covid-19, como febre, tosse seca e falta de paladar. Uma equipe paramentada especialmente para este tipo de ocorrência, com avental, protetor de rosto, máscara e luvas, se dirige ao lugar» («Samu resgata idoso em série e faxina ambulância», Artur Rodrigues e Lalo de Almeida, Folha de S. Paulo, 3.05.2020, p. B3).

 

[Texto 13 286]

Helder Guégués às 08:00 | comentar | favorito
Etiquetas: ,
29
Abr 20

Falsos amigos — o habitual

Há quantos anos?

 

      «Joe Exotic é um auto-intitulado redneck, o termo derrogatório para os brancos pobres do meio rural norte-americano. Cabelo oxigenado culminando numa mullet, é um amante de armas e o fundador, em Oklahoma, de um jardim zoológico privado inaugurado no final dos anos 1990, especializado em tigres e outros felinos grandes» («Joe Exotic, o rei dos tigres que cativou o mundo», Rodrigo Nogueira, Público, 8.04.2020, p. 31).

      Há quantos anos Rodrigo Nogueira não olha para um dicionário de português? Obrigado a observar a quarentena, tem agora tempo para consultar um qualquer e surpreender-se.

 

[Texto 13 249]

Helder Guégués às 09:45 | comentar | favorito
Etiquetas: ,
28
Abr 20

Como se escreve por aí

Neste caso, em Angola

 

      «Comecemos pela mãe de todos os “covidismos”: Covid-19: palavra ainda não dicionarizada, que, nalguns ambientes, vai criando discussões, por exemplo, quanto ao seu género e a sua escrita. Entretanto, importa começar por referir que covid-19 é o nome da doença provocada pelo vírus que recebeu a designação de SARS-CoV-2 pelo Comité Internacional para a Taxonomia dos Vírus» («Descodificando o léxico e a semântica da Covid-19», Abel Vidente Luemba, Jornal de Angola, 26.04.2020, p. 18).

      Para comprovar essa flutuação, o autor, professor no ISCED – UON, escreve a palavra de duas formas. Quanto à variação em género, há-de ter visto essa incoerência no próprio jornal em que escreve. E também convinha que usasse fontes mais actualizadas, pois recorrer à edição de 2012 do Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora não fica muito bem para o propósito em vista. Dou-lhe 11 valores.

 

[Texto 13 234]

Helder Guégués às 08:15 | comentar | favorito
Etiquetas: ,
24
Abr 20

Custos extras

A lição que vem de Angola

 

      No Jornal de Angola abundam, superabundam os erros, e nem sei onde foram buscar a arrogância (petrodólares?) para criticar Portugal por ter adoptado o Acordo Ortográfico de 1990, mas até nele alguns jornalistas portugueses podem aprender alguma coisa, como esta, básica: «Um dia depois do Comité Olímpico Internacional (COI) ter publicado uma explicação dos procedimentos relativos ao adiamento dos Jogos Olímpicos de 2020, o Governo japonês veio tecer duras críticas. No documento, Thomas Bach anuncia que Shinzo Abe, Primeiro-Ministro japonês, tinha concordado cobrir os custos extras, algo que foi negado» («Japão contraria versão do COI sobre cobertura de custos extras», Jornal de Angola, 23.04.2020, p. 30).

 

[Texto 13 211]

Helder Guégués às 11:00 | comentar | ver comentários (1) | favorito
Etiquetas: ,
22
Abr 20

Léxico: «taparuere»

Avistado de quando em quando

 

      «O professor explica que “o barco telecomandado vai para uma cerca zona de um rio ou de um lago, é comandado com um comando tipo drone, e conseguimos no ponto em que nós queremos fazer a recolha de água, que vem dentro de uma espécie de um taparuere, para nós podermos analisar”» («Ensino experimental à distância? Sim, é possível», Olímpia Mairos, Rádio Renascença, 20.04.2020, 9h45).

 

[Texto 13 189]

Helder Guégués às 08:45 | comentar | favorito
Etiquetas: ,
16
Abr 20

Léxico: «desescalada», de novo

Ora reparem

 

      Falei aqui de desescalada, mas vejam agora isto: «O chefe do governo espanhol, Pedro Sánchez, recordou no domingo que o confinamento obrigatório ainda se encontra em vigor e pediu uma “descalada” da tensão política no país, insistindo para a necessidade de uma grande colaboração de “reconstrução” para enfrentar a crise da pandemia» («Espanha regista nova descida no número de mortes em 24 horas», Sofia Freitas Moreira, Rádio Renascença, 13.04.2020, 10h37).

      Ora, já vimos isto antes, ou uma tentativa de dizer o mesmo: «Gandhi pregava a “descalada” das necessidades. Despojar-se dum objeto era um acontecimento festejado como uma vitória» (O Tempo nas Palavras, António Alçada Baptista. Queluz de Baixo: Editorial Presença, 2012, p. 161). «Esta “descalada” do saber também me fez partir alguns ídolos e darme conta de alguns casos graves de opressão do saber» (Peregrinação Interior, Vol. 1, António Alçada Baptista. Queluz de Baixo: Editorial Presença, 2011, p. 67).

 

[Texto 13 151]

Helder Guégués às 08:00 | comentar | favorito
Etiquetas: ,