12
Nov 18

Os «camarados» do BE

Vejam lá isso

 

      «Depois de tropeçar na linguagem inclusiva e de ter chamado “camaradas e camarados”, o líder parlamentar do BE, Pedro Filipe Soares, terminou o discurso sob um forte aplauso: “Agora, a esquerda, agora um governo de esquerda! Agora o sonho do BE de governar o nosso país!”» («As cinco condições do Bloco para um casamento com o PS», Maria João Lopes, Público, 12.11.2018, p. 5).

      Vejam lá não percam votos com essas tretas. «Camarados», Pedro Filipe Soares... Habitualmente — diga-se sem medo de afrontar o politicamente correcto —, as mulheres são mais proclives do que os homens a estas tentativas canhestras de tornar tudo igual, violentando a língua. Para desmentir tendências imutáveis, veio agora um homem cair no mesmo erro.

                       

[Texto 10 275]

Helder Guégués às 21:15 | comentar | ver comentários (4) | favorito | partilhar
11
Nov 18

Léxico: «balé»

É a normalização

 

      «Até agora, existiam apenas os tradicionais modelos em cor-de-rosa ou bege, que obrigavam os bailarinos com outros tons de pele a aplicar maquilhagem nas sapatilhas de modo a manter a uniformização dos pés à cabeça, que faz parte da prática do balé» («Novas pontas dão cor ao balé», Filomena Abreu, Notícias Magazine, 11.11.2018, p. 8).

      Chegou, finalmente e felizmente, o momento em que se compreende a vantagem de escrever assim. Agora é só continuar e alargar a muitos outros estrangeirismos.

 

[Texto 10 269]

Helder Guégués às 13:11 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
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09
Nov 18

A invenção da língua

Meu prezado amº e colega

 

      Estava aqui a beber um dedal de licor de castanha da serra da Estrela, para me desconstipar. «Cheguei ha pouco do Porto, e visitei sem intermissão de tempo a mª pequena livraria para não demorar a resposta á sua carta, visto q terei de recolher-me á cama para me desconstipar», escreveu Camilo numa carta. Quando é preciso, inventamos uma palavra.

 

[Texto 10 257]

Helder Guégués às 19:41 | comentar | ver comentários (4) | favorito | partilhar
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03
Nov 18

Léxico: «ferrovia»

Está na moda

 

      Nunca como hoje em dia se usou tanto a palavra «ferrovia». Às vezes, até julgo que estou em Espanha, ferrovía. Seja como for, o étimo é italiano. E também nunca deparo com a palavra que não me lembre da incoerência de se escrever «via-férrea», mas «linha férrea».

 

[Texto 10 225]

Helder Guégués às 06:00 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
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29
Out 18

Aprender com o «Portugalex»

Nem pensariam duas vezes

 

      «Concorda com a mudança da hora?», era a pergunta de hoje no Portugalex. E logo depois: «Tempo ainda para ouvir o economista Pedro Arroja, que nos fala do século XIX. Muito bom dia.» Já vi, vimos todos, escritores, tradutores e revisores — para não falar dos jornalistas — com menos conhecimento da língua. Para muitos, e ai se lhes fôssemos à mão, seria logo «que nos fala desde o século XIX». Ou seria «que nos fala a partir do século XIX»?

 

[Texto 10 218]

Helder Guégués às 17:00 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
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25
Out 18

Vêm aí os aliancistas

Vamos estar atentos

 

      «O Tribunal Constitucional (TC) aprovou a formação do novo partido Aliança, fundado por Pedro Santana Lopes, confirmou hoje à agência Lusa fonte do TC. [...] A Aliança torna-se assim a 23.ª formação política portuguesa» («Há um novo partido em Portugal. Constitucional aprova Aliança», TSF, 25.10.2018, 13h17).

      Não se diz que à 23.ª é de vez? Quem sabe se não vai conhecido por Partido da Trotineta. Não tarda, vamos ter em circulação o termo aliancista: «POLÍTICA relativo ou pertencente à Aliança, partido político português fundado em 2018.» Vamos estar atentos.

 

[Texto 10 191] 

Helder Guégués às 13:42 | comentar | favorito | partilhar
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«Espiar/espionar»

O mesmo vale para nós

 

      «“Os assessores de Trump já o alertaram repetidas vezes de que suas chamadas não são seguras e disseram-lhe que espiões russos também costumam espionar as chamadas”, apontou a mesma publicação [o New York Times]» («China e Rússia terão telemóvel pessoal de Trump sob escuta», TSF, 25.10.2018, 6h35).

      Sim, pois, também temos espionar, mas... «El verbo espionar», escreveu Juan Mir y Noguera no seu Prontuario de Hispanismo y Barbarismo (Sáenz de Jubera hermanos, 1908, p. 732), «bastaría por sí para descubrir la poca gracia de los galicistas modernos.» Ao longo do século XX, foi sempre assim, com os autores de gramáticas, vocabulários e dicionários a reputarem esta forma por incorrecta, condenável, inexistente no castelhano. O mesmo se aplica à nossa língua.

 

[Texto 10 189]

Helder Guégués às 10:06 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
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24
Out 18

Tradução: «sanseacabó»

Ponto final

 

      «La Sección Cuarta de la Sala de lo Penal de la Audiencia Nacional ha rechazado suspender la entrada en prisión del expresidente de Caja Madrid y Bankia, Rodrigo Rato, que tiene hasta este jueves al final del día para elegir en qué centro penitenciario quiere ingresar. “Mañana entro en prisión y sanseacabó”, ha dicho Rato, sin revelar la cárcel que escogerá, en declaraciones al periodista de la Sexta Noticias, Alfonso Medina, en la tarde de este miércoles. El exvicepresidente del Gobierno ha afirmado que, si bien va a entrar en prisión, seguirá recurriendo» («La Audiencia Nacional da de plazo hasta el jueves a Rato para entrar en prisión», eldiario.es, 24.10.2018, 11h31).

      Sempre achei muito engraçada esta interjeição castelhana. Como traduzi-la com a mesma graça? O Dicionário de Espanhol-Português da Porto Editora propõe «e ponto final!; e pronto!». Porque não «e adeus!», ou «e até ao meu regresso»? Aceito sugestões.

 

[Texto 10 184]

Helder Guégués às 21:04 | comentar | ver comentários (4) | favorito | partilhar
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23
Out 18

«Guarda provisório»

Provisoriamente guardas

 

      «As aulas no Centro de Formação de Portalegre da GNR estão suspensas até segunda-feira, na sequência de um alegado surto de gastroenterite, com provável origem viral, que afeta cerca de 200 formandos. [...] Fonte da GNR adiantou à agência Lusa que a situação afeta cerca de 200 dos 600 guardas provisórios que estão a frequentar o 40.º curso de formação de guardas» («Duzentos guardas com gastroenterite em centro de formação da GNR», TSF, 23.10.2018, 19h22).

      Deve ser o sonho de qualquer meliante, apanhar duzentos guardas com as calças na mão. São os Gprov, mas eu não sabia que se chamavam guardas provisórios. Registe-se algures.

 

[Texto 10 175]

Helder Guégués às 21:29 | comentar | ver comentários (2) | favorito | partilhar
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