20
Set 18

Os Francos

Ainda há esperança

 

      «“Houve uma extorsão, um roubo”, diz ao Público Antón Sánchez, porta-voz do En Marea, sobre as posses dos Francos. “Esta é mais uma demonstração da impunidade de que ainda goza a família Franco”» («O património dos Francos é multimilionário. “Foi extorsão e roubo”», Manuel Louro, Público, 20.09.2018, p. 22).

      Infelizmente, agora escrever de forma correcta também é notícia. Seja como for, ainda há esperança, sobretudo se continuarmos a denunciar, sem desfalecer, todos os erros que formos vendo.

 

[Texto 9951]

Helder Guégués às 11:41 | comentar | favorito | partilhar
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Como falam os políticos

Ou seja, pouco português

 

      «A Aliança vai agora arrancar com a comissão instaladora que vai preparar o congresso para “Dezembro ou Janeiro”. Santana Lopes reitera que será um partido que não apostará nas sedes físicas, mas que será mais digital e “low cost” [baixo custo]. E será low profile também? “Não, é low cost, high profile, mas desmaterializado e paper-free.”» («Santana quer uma Aliança “low cost” mas “high profile”. E digital», Sofia Rodrigues, Público, 20.09.2018, p. 4).

 

[Texto 9950]

Helder Guégués às 11:22 | comentar | favorito | partilhar
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18
Set 18

D. R. — no Brasil

E pronto, é isto

 

      António (ou devo escrever Antônio?) Fagundes esteve hoje na Prova Oral, na Antena 3. A propósito da comédia Baixa Terapia, que vai estar em cena no Teatro Tivoli no fim do mês, Fagundes estava a falar do enredo e, logo depois de dizer que a terapeuta, ausente da sessão, deixara instruções para os três casais fazerem eles próprios a terapia, mas não deviam interferir na D. R. dos outros casais, perguntou se em Portugal se dizia D. R. Fernando Alvim precipitou-se e respondeu que sim. Não, não se diz. Mais: tive dificuldade – porque a abreviatura só se usa no Brasil – em apurar o que significa ao certo. É a abreviatura de «discussão de relação/relacionamento». Em suma, era preciso um polícia da língua atrás de cada falante. E lá vinha então o dilema: quis custodiet ipsos custodes?

 

[Texto 9941]

Helder Guégués às 20:40 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar

Léxico: «jejum oral»

Muito bem

 

      «Segundo o hospital, o ex-capitão do Exército [Jair Bolsonaro] continua em jejum oral, recebendo alimentação apenas pela veia, e sem sinais de infecção ou disfunções orgânicas» («Quadro clínico é estável», Metro São Paulo, 18.09.2018, p. 4).

      Jejum oral. Nunca tinha pensado nisto, mas faz sentido e é uma boa forma de o dizer. Imagino que até haja discussões sobre isto. «Ah, ele não está em jejum, ou já teria morrido.»

 

[Texto 9940]

Helder Guégués às 18:32 | comentar | favorito | partilhar
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13
Set 18

Como se fala por aí

É como se vê

 

      «“A alegação que a TAP tem tarifas pornográficas é inaceitável”, disse [Antonoaldo Neves, presidente executivo da TAP] em resposta ao deputado do PSD Paulo Neves» («TAP rejeita discriminação e tarifas “pornográficas” para a Madeira», Judith Menezes e Sousa, TSF, 13.09.2018, 18h19).

      Se eu já torço o nariz ao uso que se faz do adjectivo «obsceno» em casos semelhantes, quanto mais ao «pornográfico». Pobre língua nestas bocas.

 

[Texto 9913]

Helder Guégués às 19:00 | comentar | ver comentários (1) | favorito (1) | partilhar
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Os novos migrantes

Depois falamos

 

      Migrante: «pessoa que migra, que muda de uma região ou de um país para outro, para aí se estabelecer, geralmente por motivos económicos ou sociais» (in Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora). Não tardará muito que se possa dizer que é geralmente por motivos climáticos. «As alterações climáticas podem forçar a deslocação de 120 milhões de pessoas em idade ativa e suas famílias, num total de 200 milhões, ao longo do século XXI, mas menos de 20% serão migrações internacionais» («“Migrantes climáticos” podem ser 200 milhões no século XXI», Rádio Renascença, 13.09.2018, 7h39).

 

[Texto 9911]

Helder Guégués às 14:44 | comentar | favorito | partilhar
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Léxico: «triar»

É muito menos frequente

 

      «Sobre este caso, o Centro Hospitalar [do Tâmega e Sousa], em resposta à ERS[,] indicou que o doente, na primeira ida à urgência, foi medicado, tendo melhorado e tido alta. No dia seguinte, foi triado com a cor laranja “por agravamento clínico”, tendo sido verificado o óbito, situação que o hospital diz lamentar» («Urgências. Quase 200 reclamações recebidas por falhas do acompanhamento de doentes», Rádio Renascença, 13.09.2018, 12h31).

      Encontramos frequentemente o substantivo, triagem, mas o verbo verbo, triar, é de uso mais muito menos frequente. Está tudo bem, existe, use-se.

 

[Texto 9910]

Helder Guégués às 13:42 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
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11
Set 18

Depois da saudade, o facilitar?

Não facilitemos

 

      «Não conheço equivalente noutras línguas[,] mas é um dos verbos mais úteis e polivalentes da língua portuguesa. Usam-no os arrumadores (o amigo não me facilita uns trocos?), um cliente que queira fiado (ó dona Lurdes, eu até levava uns bifes, mas só se facilitar...) ou qualquer utente de um serviço público quando tenta acelerar um processo (veja lá se me facilita isso, é que amanhã tenho consulta)» («A vida é difícil mas a gente facilita», Nuno Camarneiro, Diário de Notícias, 11.09.2018, 6h21).

      Há-de haver verbos equivalentes noutras línguas, não é? Não contribuamos nós para mais um mito de intraduzibilidade (Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, também te esqueceste desta) como em relação a «saudade».

 

[Texto 9898]

Helder Guégués às 09:28 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
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