08
Out 19

Boletim de voto — a discriminação

Bem visto. Porquê?

 

      De quando em quando, já o escrevi aqui uma vez, convém dar uma olhadela às cartas dos leitores nos jornais. «Já reparara nesta “incongruência” nas anteriores eleições europeias e mantém-se. O boletim de voto protege os partidos PAN (principalmente), Livre e Chega, os quais têm os seus nomes todos em maiúsculas, enquanto os demais aparecem com maiúsculas apenas na primeira letra de cada palavra. Por exemplo: Partido Socialista ou Bloco de Esquerda, por um lado; PESSOAS - ANIMAIS - NATUREZA, por outro. Nos dois outros partidos beneficiados, nota-se menos, pois têm apenas uma palavra e curta: CHEGA e LIVRE. Porquê esta diferença de tratamento?» («Cartas ao Director», Manuel Arons Carvalho, Alfornelos, Público, 7.10.2019, p. 24).

      De facto, não se percebe a discriminação ou incoerência. Em rigor, contudo, o nome do PAN aparece grafado assim: PESSOAS-ANIMAIS-NATUREZA.

 

[Texto 12 124]

Helder Guégués às 07:00 | comentar | favorito
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26
Fev 19

Léxico: «Hino Nacional»

Só a premissa está errada

 

      Está evidentemente errado afirmar que Hino Nacional é nome próprio e por isso se escreve com iniciais maiúsculas. Deve escrever-se com maiúsculas iniciais em certas circunstâncias, sim, mas não é nome próprio. A letra inicial maiúscula é utilizada nos substantivos que exprimem conceitos políticos ou religiosos de particular elevação, e daí Bandeira Nacional, Hino Nacional, República, Administração Pública, Igreja (a Igreja Católica, por exemplo, que, vá-se lá saber porquê, vemos demasiadas vezes no próprio dicionário da Porto Editora grafada «Igreja católica»), Deus, etc. No verbete hino, devia chamar-se a atenção para esta particularidade de uso.

 

[Texto 10 889]

Helder Guégués às 10:20 | comentar | favorito
08
Fev 19

Centro-Oeste

Também acontece

 

      «Na última semana, os Estados Unidos foram assolados por um vórtice de frio polar, que atingiu sobretudo a região do Centro-Oeste. As temperaturas chegaram a baixar aos 53 graus negativos. Pelo menos, 21 pessoas morreram devido à vaga de frio extremo» («Gata “Fluffy” congelou durante vaga de frio polar, mas sobreviveu para contar», Rádio Renascença, 7.02.2019, 20h48).

      De quando em quando, lá se enganam — e escrevem correctamente. Mid-West, Centro-Oeste.

 

[Texto 10 740]

Helder Guégués às 08:27 | comentar | favorito
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18
Nov 17

Gentílicos com maiúscula inicial

Aleluia

 

      «Entre o ano 1000 a. C. e o ano 500 a. C., chegou à Península Ibérica um conjunto de povos do mar Mediterrâneo, atraídos pela riqueza em metais (ouro, prata e cobre). Nas regiões do litoral sul e sudeste, os Fenícios, os Gregos e os Cartagineses fundaram colónias e feitorias para realizarem trocas comerciais com as populações ibéricas» (HGP em Ação 5 — História e Geografia de Portugal, Eliseu Alves e Elisabete Jesus. Porto: Porto Editora, 2017, p. 65).

      Reparem que segue, naturalmente, o Acordo Ortográfico de 1990 — e o nome dos povos está grafado com maiúsculas. E também grafarão da mesma maneira o nome de outros povos? Sim, ou, pelo menos, encontrei mais exemplos, como este: «Assim, compreendemos melhor a grande e corajosa aventura dos Portugueses!» (p. 157).

 

[Texto 8353]

Helder Guégués às 19:38 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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25
Out 17

Com minúscula, hein?

Olhe que não

 

      «Actualmente, esta vila do distrito de Lisboa já disponibiliza bicicletas para uso dos turistas e residentes, com modalidades que vão desde o uso gratuito (mais circunscrito ao centro de Cascais) até à utilização paga, englobada num conceito de mobilidade mais alargado, com estacionamento e/ou comboio (o MobiCascais). [...] No caso da ofo (a grafia é mesmo assim, para se parecer com o desenho de uma bicicleta), que se apresenta como a plataforma líder mundial no mercado de bicicletas partilhadas sem estações fixas de estacionamento (station-free bike-sharing), esta deverá cobrar um euro por cada meia hora de utilização, prevendo-se que as bicicletas estejam operacionais dentro de algumas semanas» («Empresa chinesa de partilha de bicicletas entra por Cascais», Luís Villalobos, Público, 25.10.2017, p. 16).

      Isso é assim, eles querem que se escreva «ofo» e nós obedecemos? O tal escritor também queria que lhe escrevessem o nome com minúsculas, e, como sempre, pelo menos os jornalistas obedeceram. Obedecem menos à gramática e à lógica. Coisas mais substanciais? As bicicletas gratuitas em Cascais, afirma-se, têm um uso «mais circunscrito ao centro de Cascais». Não é verdade. Pode-se usar uma dessas bicicletas (uma vez percorri 40 quilómetros numa, e andei entre o Guincho e o Estoril) por todo o território do concelho. O limite é o horário; no Inverno, das 9h00 às 17h00. As outras, as pagas, foram muito mal escolhidas.

 

[Texto 8265]

Helder Guégués às 21:41 | comentar | favorito
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29
Jul 17

Nomenclatura científica

Mostrem lá que aprenderam

 

   «Os olivicultores alentejanos estão preocupados com a rápida propagação da “xylella fastidiosa”, uma bactéria que já tem como alcunha de “ébola das oliveiras” e que ataca especialmente o café e árvores como a oliveira, a amendoeira, o pessegueiro, a laranjeira e o limoeiro. Quando uma destas árvores é infectada, a bactéria impede a circulação da seiva e provoca a sua morte» («A “ébola das oliveiras” está a assustar os produtores alentejanos», Rádio Renascença, 28.07.2017, 15h40).

      Será que alguma vez estes jornalistas ouviram falar em nomenclatura científica? Com certeza que não. No sistema binomial, já o lembrei aqui várias vezes, a primeira palavra deve ser escrita com letra inicial maiúscula; a segunda, com letra inicial minúscula, e tudo em itálico (ou, como no caso, entre aspas). Logo, Xylella fastidiosa. Difícil?

 

[Texto 8066]

Helder Guégués às 20:15 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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