26
Fev 19

Léxico: «Hino Nacional»

Só a premissa está errada

 

      Está evidentemente errado afirmar que Hino Nacional é nome próprio e por isso se escreve com iniciais maiúsculas. Deve escrever-se com maiúsculas iniciais em certas circunstâncias, sim, mas não é nome próprio. A letra inicial maiúscula é utilizada nos substantivos que exprimem conceitos políticos ou religiosos de particular elevação, e daí Bandeira Nacional, Hino Nacional, República, Administração Pública, Igreja (a Igreja Católica, por exemplo, que, vá-se lá saber porquê, vemos demasiadas vezes no próprio dicionário da Porto Editora grafada «Igreja católica»), Deus, etc. No verbete hino, devia chamar-se a atenção para esta particularidade de uso.

 

[Texto 10 889]

Helder Guégués às 10:20 | comentar | favorito
08
Fev 19

Centro-Oeste

Também acontece

 

      «Na última semana, os Estados Unidos foram assolados por um vórtice de frio polar, que atingiu sobretudo a região do Centro-Oeste. As temperaturas chegaram a baixar aos 53 graus negativos. Pelo menos, 21 pessoas morreram devido à vaga de frio extremo» («Gata “Fluffy” congelou durante vaga de frio polar, mas sobreviveu para contar», Rádio Renascença, 7.02.2019, 20h48).

      De quando em quando, lá se enganam — e escrevem correctamente. Mid-West, Centro-Oeste.

 

[Texto 10 740]

Helder Guégués às 08:27 | comentar | favorito
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18
Nov 17

Gentílicos com maiúscula inicial

Aleluia

 

      «Entre o ano 1000 a. C. e o ano 500 a. C., chegou à Península Ibérica um conjunto de povos do mar Mediterrâneo, atraídos pela riqueza em metais (ouro, prata e cobre). Nas regiões do litoral sul e sudeste, os Fenícios, os Gregos e os Cartagineses fundaram colónias e feitorias para realizarem trocas comerciais com as populações ibéricas» (HGP em Ação 5 — História e Geografia de Portugal, Eliseu Alves e Elisabete Jesus. Porto: Porto Editora, 2017, p. 65).

      Reparem que segue, naturalmente, o Acordo Ortográfico de 1990 — e o nome dos povos está grafado com maiúsculas. E também grafarão da mesma maneira o nome de outros povos? Sim, ou, pelo menos, encontrei mais exemplos, como este: «Assim, compreendemos melhor a grande e corajosa aventura dos Portugueses!» (p. 157).

 

[Texto 8353]

Helder Guégués às 19:38 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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25
Out 17

Com minúscula, hein?

Olhe que não

 

      «Actualmente, esta vila do distrito de Lisboa já disponibiliza bicicletas para uso dos turistas e residentes, com modalidades que vão desde o uso gratuito (mais circunscrito ao centro de Cascais) até à utilização paga, englobada num conceito de mobilidade mais alargado, com estacionamento e/ou comboio (o MobiCascais). [...] No caso da ofo (a grafia é mesmo assim, para se parecer com o desenho de uma bicicleta), que se apresenta como a plataforma líder mundial no mercado de bicicletas partilhadas sem estações fixas de estacionamento (station-free bike-sharing), esta deverá cobrar um euro por cada meia hora de utilização, prevendo-se que as bicicletas estejam operacionais dentro de algumas semanas» («Empresa chinesa de partilha de bicicletas entra por Cascais», Luís Villalobos, Público, 25.10.2017, p. 16).

      Isso é assim, eles querem que se escreva «ofo» e nós obedecemos? O tal escritor também queria que lhe escrevessem o nome com minúsculas, e, como sempre, pelo menos os jornalistas obedeceram. Obedecem menos à gramática e à lógica. Coisas mais substanciais? As bicicletas gratuitas em Cascais, afirma-se, têm um uso «mais circunscrito ao centro de Cascais». Não é verdade. Pode-se usar uma dessas bicicletas (uma vez percorri 40 quilómetros numa, e andei entre o Guincho e o Estoril) por todo o território do concelho. O limite é o horário; no Inverno, das 9h00 às 17h00. As outras, as pagas, foram muito mal escolhidas.

 

[Texto 8265]

Helder Guégués às 21:41 | comentar | favorito
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29
Jul 17

Nomenclatura científica

Mostrem lá que aprenderam

 

   «Os olivicultores alentejanos estão preocupados com a rápida propagação da “xylella fastidiosa”, uma bactéria que já tem como alcunha de “ébola das oliveiras” e que ataca especialmente o café e árvores como a oliveira, a amendoeira, o pessegueiro, a laranjeira e o limoeiro. Quando uma destas árvores é infectada, a bactéria impede a circulação da seiva e provoca a sua morte» («A “ébola das oliveiras” está a assustar os produtores alentejanos», Rádio Renascença, 28.07.2017, 15h40).

      Será que alguma vez estes jornalistas ouviram falar em nomenclatura científica? Com certeza que não. No sistema binomial, já o lembrei aqui várias vezes, a primeira palavra deve ser escrita com letra inicial maiúscula; a segunda, com letra inicial minúscula, e tudo em itálico (ou, como no caso, entre aspas). Logo, Xylella fastidiosa. Difícil?

 

[Texto 8066]

Helder Guégués às 20:15 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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10
Jul 17

Espaço/espaço

Universo

 

      «Ensinar como ser um astronauta e estimular negócios inspirados no Espaço são os desafios lançados pela Escola de Astronautas e pelo Coimbra Space Summer School, que decorrem durante esta semana na cidade coimbrã. Durante quatro dias (até quinta-feira), alunos do ensino secundário podem descobrir como é a vida no Espaço. No dia 13, Mikhail Kornienko, que integrou a segunda mais longa estadia de um ser humano no Espaço, dá uma palestra» («Cosmonauta vem a Portugal aguçar o apetite sobre a vida no espaço», Destak, 10.07.2017, p. 13).

      Nem sequer está consagrado nos dicionários nem prontuários, mas, de quando em quando, vê-se a palavra, nesta acepção, grafada com maiúscula inicial. Parece-me bem, e até pode evitar equívocos, como também é útil no par Natureza/natureza, por exemplo.

 

[Texto 7997]

Helder Guégués às 08:51 | comentar | ver comentários (2) | favorito
06
Ago 16

História/história, de novo

A grande e a pequena

 

      «Churchill desmente categoricamente as teses dos historiadores marxistas que veem na história uma mera narrativa de fatores económicos abrangentes e impessoais» (O Fator Churchill, Boris Johnson. Tradução de José Mendonça da Cruz. Alfragide: Publicações D. Quixote, 2015, p. 17).

      Já tenho lamentado que, nesta acepção, não se grafe sempre com maiúscula, História, como convencionalmente se faz. No original está history, ao passo que «narrativa» está a traduzir story. Podia perfeitamente ser História/história, até porque, uns parágrafos à frente, na tradução, está isto: «Em que forjas foram forjadas a sua mente cortante e a sua vontade férrea?» (p. 18). No original, está assim: «In what smithies did they forge that razor mind and iron will?»

 

[Texto 7004]

Helder Guégués às 19:17 | comentar | favorito