18
Jun 18

Como se escreve por aí

O Céu e o Inferno

 

      «CEO da Audi detido devido a escândalo de emissões» (TSF, 18.06.2018, 11h15). «Esta segunda-feira, durante o romper do sol em Munique, a polícia deteve Rupert Stadler, o presidente executivo da Audi, uma marca do universo Volkswagen (99,5%)» («Uma decisão inesperada: protagonista da Audi sofre punição severa», Abílio Ferreira, Expresso Diário, n.º 1200, 18.06.2018).

 

[Texto 9442]

Helder Guégués às 20:17 | comentar | favorito | partilhar
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24
Abr 18

«Contabilização» por «contagem»

As melhoras

 

      «A contabilização do tempo de serviço militar obrigatório (que acabou definitivamente em 2004) passará a ter efeitos mais abrangentes do que até aqui, facilitando o acesso à reforma no regime geral de Segurança Social» («Serviço militar obrigatório facilita acesso à pensão», Raquel Martins, Público, 24.04.2018, p. 18).

      É o psitacismo jornalístico: um lembrou-se de dizer de forma diferente — e só por acaso errada —, e pouco depois já era uma legião. Que tristeza! Sempre se disse, e até as melhores cabeças concordavam que não havia nada para melhorar, «contagem de tempo de serviço», e agora, isto.

 

[Texto 9103]

Helder Guégués às 20:43 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
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05
Mar 18

Verbo «pôr», a segunda morte

E o vencedor é...

 

      Gostei do resultado do Festival da Canção. Cláudia Pascoal, com O Jardim, mereceu vencer. Quando não fosse por outra razão, percebe-se claramente a letra, o que não se pode dizer nem de metade dos participantes. Curioso, cantam, mas não percebemos patavina do que estão a dizer, tirando uma ou outra palavra. Quem também esteve mal foi o apresentador Pedro Fernandes quando disse para Filomena Cautela: «Mete a mão na anca, mete a mão na anca!» Ele é que, assim, mete os pés pelas mãos. Filomena Cautela podia meter a mão em alguns sítios, mas não de certeza na anca, uma proeminência. E pronto, agora vamos ver como será no Alta e Serena. Perdão, Altice Arena.

 

[Texto 8858]

Helder Guégués às 15:04 | comentar | ver comentários (4) | favorito | partilhar
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03
Fev 18

«Colocar perguntas»

A língua (mal) reinventada

 

      «Mas talvez por andarmos todos tão divertidos com isto, penso que os jornalistas se terão esquecido de colocar a João Correia uma pergunta muito importante, e que é de longe aquela que mais me interessa ver respondida: de quem é ele advogado, afinal?» («João Correia é advogado de quem, afinal?», João Miguel Tavares, Público, 3.02.2018, p. 52).

      Agora — e provavelmente para sempre — já não se fazem perguntas nem se pergunta, simplesmente: «colocam-se perguntas». De evolução em evolução até à extinção. É por isso que, gente próvida e sábia, nos propinam diariamente doses de inglês.

 

[Texto 8672]

Helder Guégués às 17:56 | comentar | favorito | partilhar
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13
Nov 17

Campos de futebol como medida

Alguma coisa mudou

 

      «Mais de dois mil operacionais estiveram envolvidos no combate às chamas, que consumiram 53 mil hectares de floresta, o equivalente a cerca de 75 mil campos de futebol» («Ajuda pós-fogos. “Prontamente é o que se faz na Galiza. Em Portugal é estudos”», Rádio Renascença, 13.11.2017, 10h45).

      Ah, os famigerados campos de futebol, a medida de todas as coisas para os jornalistas portugueses. Mas esperem! Alguma coisa mudou: não faziam equivaler um campo de futebol a um hectare? Eu sei, eu sei, os campos de futebol não têm todos as mesmas dimensões. Mas insisto: o que mudou? Qual é agora o padrão?

 

[Texto 8333]

Helder Guégués às 19:15 | comentar | ver comentários (2) | favorito | partilhar
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07
Out 17

A futebolização da realidade

Preferimos hectares

 

      Na TSF não gostam de abstracções. As crianças também são assim, mas nestas é uma fase. Ontem, disseram que a área ardida este ano em Portugal equivale a 215 mil campos de futebol. Estão a ver: dizer que era 250 mil hectares não é compreensível por toda a gente. Mas para os milhões, como eu (e vivo junto de dois dos maiores), que nunca puseram os pés num estádio de futebol, essa também não deixa de ser uma abstracção, e um pouco estranha.

 

[Texto 8196]

Helder Guégués às 14:15 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
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04
Out 17

«Pôr água na fervura»

Que lêem, que ouvem?

 

      Ontem apanhei um grande susto: ao fim da tarde, num noticiário na Antena 3, avisaram que o rei Filipe II ia falar à nação. Eu já não sabia de que terra era nem em que tempo estava. E hoje também já me arrepiei com uma frase do jornalista Tiago Pimentel no Público: «Julen Lopetegui, ex-treinador do FC Porto e actual seleccionador espanhol, sentiu necessidade de colocar água na fervura» («Gerard Piqué, o futebolista no centro da tempestade», p. 14). Um jornalista... «Esse sentimento era particularmente agudo no núcleo que habitava na capital checa, o que levou Cunhal a tentar pôr água na fervura numa reunião com os comunistas portugueses de Praga convocada para novembro do mesmo ano, e onde Cândida Ventura também estava» (Álvaro Cunhal. O Homem e o Mito, Joaquim Vieira. Carnaxide: Objectiva, 2013, p. 190).

 

[Texto 8188]

Helder Guégués às 09:51 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
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01
Out 17

Mais colocações

Nada literárias

 

      Com que então, ia ganhar as eleições... Até a Madonna, isto é, João Ferreira, vai ficar à frente. Ah, mas esperem, este blogue é de questões linguísticas. Corta!

      Duas colocações nada literárias: «Sempre que o seu caprichoso dono se embrenhava nos mais intrincados raciocínios matemáticos, Diamond, o cão do génio, tratava de passar despercebido, evitando ladrar, latir ou uivar, só para não desencadear uma manifestação de cólera que poderia mesmo colocar a sua canina existência em perigo» (Amados Cães, José Jorge Letria. Revisão de Henrique Tavares e Castro. Cruz Quebrada: Oficina do Livro, 3.ª ed., 2008, p. 49). «E é natural que isso tenha acontecido, já que se estava em presença de um drama simples e tocante, que coloca em cena temas como a velhice e a solidão» (idem, ibidem, p. 173).

 

[Texto 8182] 

Helder Guégués às 21:44 | comentar | ver comentários (8) | favorito | partilhar
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21
Jun 17

Como falam os jornalistas

Nas suas sete quintas

 

      Na cobertura dos vários incêndios que estão a devastar o País, os jornalistas já apanharam outro tique: agora falam muito — mas ainda não o vi escrito — do «carrossel» de «meios aéreos». Parece que, entretanto, e em compensação, se esqueceram um pouco das «ignições». E ontem alguns jornalistas presentes no anunciado «briefing» (também se pelam por usar esta) suspeitaram que os responsáveis da Protecção Civil não estivessem muito «confortáveis» para anunciar a queda (a «caída», dizia uma jornalista) de uma aeronave. O que é natural, diga-se, porque afinal não caiu nenhuma.

 

[Texto 7936]

Helder Guégués às 22:23 | comentar | favorito | partilhar
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