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Linguagista

«O grupo capitaneado por...»

Já se sabe o que escreveriam

 

      Por vezes, em algumas coisas, os jornalistas brasileiros mostram ter mais trambelho do que os portugueses (jornalistas ou não): «Pesquisadores americanos e europeus conseguiram usar um método bem conhecido para identificar com precisão a presença de anticorpos contra o novo coronavírus no sangue humano. [...] O grupo capitaneado por Florian Krammer, da Escola de Medicina Icahn, no Hospital Mount Sinai (Nova York), divulgou os dados no site Medrxiv (www.medrxive.org), que é dedicado ao armazenamento dos chamados “pré-prints”, ou seja, versões iniciais de estudos que ainda não passaram pelo crivo de outros pesquisadores antes de serem aceitos para publicação em revista científica» («Método identifica anticorpos contra vírus», Reinaldo José Lopes, Folha de S. Paulo, 24.03.2020, p. B6).

 

[Texto 13 025]

Como se escreve por aí

Um surto?

 

      «Ao dia de hoje parece inevitável que vamos ter de aprender a viver com o Covid-19. A infeção por este novo coronavírus registou os primeiros casos em Portugal. Para o ajudar a estar informado, o Expresso lançou esta newsletter exclusiva com as últimas novidades, sugestões de leituras e informação úteis, que lhe enviaremos sempre que seja oportuno» («Nova Newsletter Expresso — Tudo que precisa de saber sobre o novo coronavírus», Expresso, 3.03.2020). Está a alastrar, pois já vimos aqui recentemente: «Aos dias de hoje a população de Nisa não sabe quem eram as despenadeiras que entre os séculos XVIII e XIX terão abreviado a agonia a doentes terminais lá da terra, como constatou a TSF entre populares de várias idades. Mas à boleia do livro de Teófilo Braga é revelado que as despenadeiras acreditavam estar a praticar um ato de caridade poupando o moribundo ao sofrimento» («Quem eram as despenadeiras de Nisa? As mulheres que ajudavam a morrer», TSF, 20.02.2020, 10h47).

      Bem sei que o que está na moda é afirmar, garantir, que tudo está correcto, o que, evidentemente, é uma mentira irresponsável, mas eu não sigo por aí. Nunca antes vi esta expressão, que me parece mero decalque do castelhano, também não recomendável, a día de hoy/al día de hoy.

 

[Texto 12 890]