14
Mar 19

Ortografia: «tintim por tintim»

Antes do incomum

 

      «Os sons que produzimos de forma espontânea para exprimir sentimentos como tristeza, raiva, vergonha, dúvida, surpresa, alegria ou calma são muito mais do que sons e dizem muito mais sobre aquilo que estamos a sentir. É como se não fosse necessário contar tudo ‘tim-tim por tim-tim’ porque, tal como o olhar, também as nossas expressões vocais são um espelho da alma» («A voz consegue transmitir pelo menos 24 emoções não verbais», André Rodrigues, Rádio Renascença, 14.03.2019).

      Ó André Rodrigues, já percebemos que é proclive a factos invulgares, exóticos, quando não inócuos. Para dizer tudo, ficava-lhe bem, à sua rubrica, o chamadoiro «Informação (In)útil», só que a ágil TSF apropriou-se dele. Agora vejamos: antes de tentar dominar o incomum, convém dominar a ortografia. Escreve-se, anote para sempre, tintim por tintim. E esqueça a porcaria das aspas.

 

[Texto 10 963]

Helder Guégués às 07:05 | comentar | favorito
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13
Mar 19

Ortografia: «palatabilidade»

O que se diz e o que se escreve

 

      «“Vamos tentar diminuir o fosforo [sic] o máximo possível sem tirar a palatibilidade[,] que é extremamente importante num produto como este”, conclui [a nutricionista Flora Correia]» («Uma alheira para doentes e atletas? Mirandela tem», Olímpia Mairos, Rádio Renascença, 13.03.2019, 11h00).

      De onde vem aquele primeiro i, podem explicar-nos? Pode ter sido a nutricionista a dizê-la assim, mas foi a jornalista que a escreveu — e devia ter corrigido o erro. Ou a nutricionista também usou a palavra «fósforo» sem acento?

 

[Texto 10 956]

Helder Guégués às 11:28 | comentar | favorito
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12
Mar 19

Ortografia: «preestabelecido»

Como se fosse novidade

 

      Há quem saiba: «Uma das consequências da liberalização dos costumes que ocorreu nos anos sessenta foi desaparecerem os modelos preestabelecidos para as relações humanas» (Tudo Tem o Seu Tempo, Ana Maria Magalhães. Alfragide: Editorial Caminho, 2012, p. 266). E há quem não saiba (quase sempre os mesmos): «Os sociais-democratas defendem que o protecionismo está a prejudicar o setor e dizem que os operadores beneficiariam de um regime aberto, sem limites territoriais e preços pré-estabelecidos, onde a lógica de mercado funcionasse» («PSD quer acabar com contingentes e uniformização no setor do táxi», Destak, 12.03.2019, p. 4).

 

[Texto 10 950]

Helder Guégués às 18:55 | comentar | favorito
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Ortografia: «minifrigorífico»

Como sempre

 

      Há quem saiba: «Em frente da cama, na parede, havia um grande LCD e, ao lado de uma escrivaninha com tampo de correr e de um minifrigorífico, uma mesa de jantar com quatro cadeiras» (Sozinhos na Ilha, Tracey Garvis Graves. Tradução de Mário Dias Correia. Alfragide: Edições Asa II, 2013, p. 33). E há quem não saiba: «Além dos aparelhos de refrigeração com função de venda direta, os novos rótulos vão aplicar-se a cinco grupos de produtos domésticos, cada um com a sua versão. É o caso das máquinas de lavar loiça; máquinas de lavar roupa e máquinas de lavar e secar roupa; frigoríficos, incluindo os mini-frigoríficos para vinho; lâmpadas; e ecrãs eletrónicos, incluindo televisores» («Nova rotulagem daqui a dois anos», João Moniz, Destak, 12.03.2019, p. 4).

 

[Texto 10 949]

Helder Guégués às 18:52 | comentar | favorito
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23
Jan 19

«Superlua», de novo

Não liguem

 

      «Um fenómeno astronómico passou do Espaço para as redes sociais quando um meteorito caiu na face visível da lua, durante o eclipse da madrugada desta segunda-feira, a “Super Lua Vermelha”. Não é, certamente, a primeira vez que um meteorito colide com o planeta satélite da Terra, mas é a primeira vez que o episódio é filmado» («Do Espaço para as redes sociais. Colisão de meteorito com a Lua filmada pela primeira vez», Sara Beatriz Monteiro, TSF, 23.01.2019, 8h43).

      Daqui a quantas luas os jornalistas saberão que os elementos de formação de palavras não podem ficar assim soltos à maluca? Quando, Sara Beatriz Monteiro? Há quem defenda que se deve escrever «super-Lua», porque Lua é um nome próprio (do que esta jornalista também se esqueceu ou não sabe), e, dado que não se pode escrever «superLua», o correcto é «super-Lua». Bem, estamos de acordo num ponto: não se pode escrever «superLua». Do que se esquece quem aduz esse argumento — do que se esquece Dad Squarisi, do Correio Braziliense — é que a designação em causa é de um fenómeno, como as próprias fases da Lua, o que se escreve com minúscula, e não o nome do satélite da Terra. Q.E.D.

 

[Texto 10 639]

Helder Guégués às 10:52 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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17
Jan 19

«Whistleblower», de novo

Lançador de alertas...

 

      «A justiça portuguesa já emitiu um pedido de extradição para Rui Pinto, que foi detido na Hungria. Os advogados anunciaram que se vão opôr ao pedido e apontam para os critérios de proteção dos lançadores de alertas, “whistleblowers”, presentes na legislação europeia» («Rui Pinto admite ser denunciante no caso “Football Leaks”», Rádio Renascença, 19.01.2019, 17h17).

      Na notícia, o verbo «opor» aparece duas vezes mal escrito, o que, para jornalistas, é lamentável. Não sei onde esta gente aprendeu a escrever. Então e whistleblower, que já nos ocupou aqui, agora traduz-se por «lançador de alertas»? Isso é o quê, eufemismo ou parolismo?

 

[Texto 10 609]

Helder Guégués às 19:31 | comentar | ver comentários (3) | favorito

Como se escreve por aí

Aos pares é sempre pior

 

      «Esta semente de algodão, assim como outras (da planta de colza, da planta Arabidopsis ou de batata, bem como ovos de mosca da fruta e algumas leveduras), foram transportadas até à Lua pela sonda Chang’e 4 (curiosamente, é o nome da deusa chinesa da Lua), a primeira a aterrar no lado oculto da Lua, com o intuito de criar uma “mini biosfera simples”, segundo explicou a agência oficial Xinhua» («Morreu a planta de algodão que a China fez brotar na Lua», Tiago Palma e Joana Gonçalves, Rádio Renascença, 19.01.2019, 16h43).

      Aos pares ainda é pior. Bem, copiem, mas não sempre nem tudo. Se em inglês é mini biosphere, em português não é nem podia ser como o escreveram. Pensem.

 

[Texto 10 608]

Helder Guégués às 19:16 | comentar | favorito
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16
Jan 19

Gidá, Arábia Saudita, tantos do tal

Não, só assim

 

      «Cristiano Ronaldo foi o autor do único golo que decidiu a Supertaça Italiana entre Juventus e AC Milan. A “Vecchia Signora” venceu por 1-0 e ergueu o primeiro troféu da temporada. [...] A partida foi disputada na Arábia Saudita, no Estádio Rei Abdullah, em Jidá, com cerca de 62 mil espectadores nas bancadas» («Juventus vence Supertaça Italiana com golo de Ronaldo», Eduardo Soares da Silva, Rádio Renascença, 16.01.2019, 19h28).

      O que o plumitivo renascentista não sabe é que não se deve escrever com jota, mas assim: «Gidá, top. Forma vernácula que pretere o estrangeirismo Djeddah», como nos diz Rebelo Gonçalves no Vocabulário da Língua Portuguesa (p. 497).

 

[Texto 10 600]

Helder Guégués às 23:08 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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