03
Nov 18

Porto Sudão

Excepto isso...

 

      Hoje, mal entrei na Bertrand do La Vie, na Guarda, o livro que me veio parar às mãos foi Porto-Sudão, de Olivier Rolin, publicado pelos Livros do Brasil. Antes de o folhear, a pergunta: porquê o hífen? Desde quando? Ora, não será porque em francês se diz Port-Soudan e os tradutores muitas vezes não conseguem descolar do original? Aliás, a capa apresenta logo outro erro: «Coleção Miniaturas». Ah, está bem, segue o Acordo Ortográfico de 1990...

 

[Texto 10 229]

Helder Guégués às 21:17 | comentar | favorito | partilhar
Etiquetas: ,
30
Out 18

Ortografia: «açoriano»

Pior do que o nome inglês

 

       «O Taste Azores está de volta à Praça Central do Centro Colombo (Lisboa), entre 31 de outubro e 4 de novembro, apresentando 25 empresas representantes da melhor gastronomia açoreana» (Destak, 30.10.2018, p. 2). Não é a primeira vez — e não pode ser a última — que este erro passa por aqui. É açoriano, senhores jornalistas. Açoreana, só a companhia de seguros, mas os nomes próprios não obedecem às mesmas regras, e daí Guégués com dois acentos, Mello como dois ll, e por aí fora. Não entremos na discussão de que sufixo se trata, pois os próprios gramáticos não se entendem, com alguns a afirmarem que é o sufixo nominal -ano, e outros a jurarem que é -iano. ¯\_(ツ)_/¯

 

[Texto 10 220] 

Helder Guégués às 09:59 | comentar | ver comentários (4) | favorito | partilhar
25
Out 18

Errados, até no nome

ASPIG? ASIG!

 

      «A posição da Associação Sócio-Profissional Independente da Guarda (ASPIG) foi tomada em comunicado a propósito da divulgação — nas redes sociais e em alguns órgãos de comunicação social — das fotografias da detenção dos suspeitos que tinham fugido do Tribunal de Instrução Criminal do Porto, na semana passada. Uma divulgação que suscitou enorme polémica, foi condenada pelo Governo e por várias organizações e está a ser investigada pela Inspecção-Geral da Administração Interna, a pedido do ministro Eduardo Cabrita» («Criminosos não merecem respeito? Bastonário diz que sindicato foi populista», Margarida David Cardoso, Público, 25.10.2018, p. 15).

      Esta gente está profundamente errada. Aliás, não está o próprio nome da associação errado? Não se escreve «socioprofissional»? Então, é Associação Socioprofissional Independente da Guarda — e, com isto, e de uma penada, lá se vai o acrónimo. É a ASIG.

 

[Texto 10 193] 

Helder Guégués às 20:19 | comentar | ver comentários (4) | favorito | partilhar
Etiquetas: ,
19
Set 18

Só se fosse em inglês

Mais choferes e mais erros

 

      «Os taxistas manifestam-se em Lisboa, Porto e Faro contra a entrada em vigor, em novembro, da lei que regula as quatro plataformas eletrónicas de transporte que operam em Portugal – Uber, Taxify, Cabify e Chaffeur Privé» («#Somos Táxi. ANTRAL admite prolongar protesto e deixa apelo aos partidos», Rádio Renascença, 19.08.2018, 8h43).

      Graças a Deus, # Não Somos Táxi. Adiante. Eu não sabia que já tínhamos outro concorrente. Não admira, é novo — tão novo que os jornalistas ainda nem atinam com a grafia correcta. É Chauffeur Privé.

 

[Texto 9944]

Helder Guégués às 10:30 | comentar | favorito | partilhar
Etiquetas: ,
13
Set 18

Léxico: «papel-bíblia»

O catálogo é mais vasto

 

      «Para Lobo Antunes[,] esta publicação numa coleção tão especial, desde a encadernação ao papel bíblia, tem um valor comparável ao prémio da Academia Sueca: “Estar na Pléiade é como receber um Nobel.” Acrescenta: “É uma biblioteca onde se encontram vários Nobel da Literatura.”» («António Lobo Antunes: “Estar na Pléiade é como receber o Nobel”», João Céu e Silva, Diário de Notícias, 12.09.2018, 18h26).

      É papel-bíblia. O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora tem um escasso catálogo: papel-alumínio e papel-carbono. Dêem uma olhadela no VOLP da Academia Brasileira de Letras.

 

[Texto 9907]

Helder Guégués às 08:35 | comentar | ver comentários (4) | favorito | partilhar
12
Set 18

«Cônjuge», uma palavra amaldiçoada

Há poucas assim

 

      «Atualmente, a Constituição romena diz que um casamento é uma união entre “conjugues”, não definindo sexo nem orientação sexual» («Roménia vai referendar definição constitucional de “família”», Rádio Renascença, 12.09.2018, 14h53).

      Pobres Romenos, e pobres jornalistas, leitores e ouvintes. Então não é cônjuge, caramba? E conseguirão articular a palavra sem umas sessões de terapia da fala? E escrevê-la sem um professor ou revisor ao lado? Há poucas palavras tão maltratadas como «cônjuge»: estropiam-na na oralidade e na escrita, e aqui de várias maneiras. E, para cúmulo, deram em falar de «o» cônjuge e «a» cônjuge. A palavra é do género masculino!

 

[Texto 9906]

Helder Guégués às 16:58 | comentar | ver comentários (2) | favorito | partilhar
Etiquetas: ,
11
Set 18

Ortografia: «sopinha-de-massa»

Houve uma troca

 

      «Jorge Dias conhece Carlos desde os tempos em que era juiz-de-linha. O primeiro não britânico a dirigir a final de Wimbledon (em 2001) reconheceu-lhe, desde logo, algumas qualidades para ser um bom árbitro: boa apresentação e educação, sabia comunicar bem, tinha bom espírito de equipa, sabia ouvir e gostava de aprender, mas era “sopinha de massa” e quando falasse poderia ser alvo de gozo. “Certo é que resolveu ser operado e lembro-me que teve que aprender a falar de novo. Isto só para demonstrar a força de vontade e a personalidade que ele tinha em querer mudar para ter futuro na arbitragem”, recorda Dias, que, em 2007, viu Ramos suceder-lhe numa final de Wimbledon, aquela em que Roger Federer conquistou o quinto título consecutivo no torneio» («Inflexibilidade faz de Carlos Ramos um dos melhores do mundo», Pedro Keul, Público, 11.09.2018, p. 40).

      Pedro Keul, é sopinha-de-massa (e esqueça as aspas). Não é consensual, mas eu escrevo juiz de linha. Se quiser fugir à polémica e à dúvida, escrevo juiz auxiliar.

 

[Texto 9897]

Helder Guégués às 09:11 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
Etiquetas: ,
09
Set 18

Ortografia: «beneficente»

Para quê, não é?

 

      «Este ano Sadie Bristow já tinha vencido mais de 40 jogos de ténis no segmento da liga inglesa para a sua idade: 9 anos. Mas a jovem tenista britânica não resistiu a um choque anafilático durante as férias com a família na região de Kent. Ainda foi aerotransportada para o Hospital São Jorge em Londres[,] mas não sobreviveu. [...] O pai anunciou que pretende criar uma organização beneficiente com o seu nome para pessoas com a mesma doença: “Ela foi uma inspiração e queremos que isso continue”» («Jovem tenista inglesa morre aos 9 anos», Diário de Notícias, 7.09.2018, 21h00).

      Como é que ainda há jornalistas que erram em coisa tão comezinha? É beneficente, como é beneficência, outra vítima frequente da insciência dos torcionários da língua. No caso, o mais revoltante é que a edição é digital e ninguém corrige nada — mas não deixam de receber o preço da edição premium. Passam minutos, horas e dias e é como se tivesse sido escrito na pedra. Tinha de haver aqui, na falta de revisores, uma revisão cruzada feita pelos próprios jornalistas: se foi escrito por A, é relido/revisto por B.

 

[Texto 9884]

Helder Guégués às 09:20 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
Etiquetas: ,
05
Set 18

Léxico: «cherem»

Ah, isso é que não é

 

      «Espinosa nasceu e viveu em Amesterdão, mas foi banido da Sinagoga Portuguesa em 1656, tendo de abandonar a cidade. O chérem que sofreu é a punição máxima da religião judaica, mas, de início, nada fazia prever a heresia» («Nos Países Baixos», Carlos Fiolhais, Público, 5.09.2018, p. 39).

      Também não se compreende esta ortografia. O acento agudo representa alguma espécie de aportuguesamento? Então, não se escreve em itálico. Mais e muito mais importante: o cherem, uma espécie de anátema (e não de excomunhão, como se lê aqui e ali), não é a punição máxima da religião judaica.

 

[Texto 9864]

Helder Guégués às 11:01 | comentar | favorito | partilhar
Etiquetas: ,