17
Jan 19

«Whistleblower», de novo

Lançador de alertas...

 

      «A justiça portuguesa já emitiu um pedido de extradição para Rui Pinto, que foi detido na Hungria. Os advogados anunciaram que se vão opôr ao pedido e apontam para os critérios de proteção dos lançadores de alertas, “whistleblowers”, presentes na legislação europeia» («Rui Pinto admite ser denunciante no caso “Football Leaks”», Rádio Renascença, 19.01.2019, 17h17).

      Na notícia, o verbo «opor» aparece duas vezes mal escrito, o que, para jornalistas, é lamentável. Não sei onde esta gente aprendeu a escrever. Então e whistleblower, que já nos ocupou aqui, agora traduz-se por «lançador de alertas»? Isso é o quê, eufemismo ou parolismo?

 

[Texto 10 609]

Helder Guégués às 19:31 | comentar | ver comentários (3) | favorito | partilhar

Como se escreve por aí

Aos pares é sempre pior

 

      «Esta semente de algodão, assim como outras (da planta de colza, da planta Arabidopsis ou de batata, bem como ovos de mosca da fruta e algumas leveduras), foram transportadas até à Lua pela sonda Chang’e 4 (curiosamente, é o nome da deusa chinesa da Lua), a primeira a aterrar no lado oculto da Lua, com o intuito de criar uma “mini biosfera simples”, segundo explicou a agência oficial Xinhua» («Morreu a planta de algodão que a China fez brotar na Lua», Tiago Palma e Joana Gonçalves, Rádio Renascença, 19.01.2019, 16h43).

      Aos pares ainda é pior. Bem, copiem, mas não sempre nem tudo. Se em inglês é mini biosphere, em português não é nem podia ser como o escreveram. Pensem.

 

[Texto 10 608]

Helder Guégués às 19:16 | comentar | favorito | partilhar
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16
Jan 19

Gidá, Arábia Saudita, tantos do tal

Não, só assim

 

      «Cristiano Ronaldo foi o autor do único golo que decidiu a Supertaça Italiana entre Juventus e AC Milan. A “Vecchia Signora” venceu por 1-0 e ergueu o primeiro troféu da temporada. [...] A partida foi disputada na Arábia Saudita, no Estádio Rei Abdullah, em Jidá, com cerca de 62 mil espectadores nas bancadas» («Juventus vence Supertaça Italiana com golo de Ronaldo», Eduardo Soares da Silva, Rádio Renascença, 16.01.2019, 19h28).

      O que o plumitivo renascentista não sabe é que não se deve escrever com jota, mas assim: «Gidá, top. Forma vernácula que pretere o estrangeirismo Djeddah», como nos diz Rebelo Gonçalves no Vocabulário da Língua Portuguesa (p. 497).

 

[Texto 10 600]

Helder Guégués às 23:08 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
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18
Dez 18

Léxico: «jóquei»

Raramente se vê

 

      «O rosto dela adoptou a expressão dura de um jóquei que evoca uma corrida desagradável» (Um Sonho Americano, Norman Mailer. Tradução de Eduardo Saló. Lisboa: Livros do Brasil, 1988, p. 125).

 

            [Texto 10 467]

Helder Guégués às 09:26 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
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12
Dez 18

Ortografia: «neonatologia»

As melhoras

 

      «Agora existe o Pedipedia, a enciclopédia pediátrica online. Trata-se de um site em “português de Portugal”, com artigos escritos por médicos portugueses. [...] Os artigos são por um vasto grupo de médicos especialistas, com uma linguagem simples» («Esqueça o Dr. Google. Agora existe a Pedipedia», Cristina Nascimento, Rádio Renascença, 12.12.2018, itálicos meus).

      Por um vasto grupo de médicos especialistas — mas sem um simples enfermeiro da língua, um revisor. Dei uma olhadela e vi logo que não sabem escrever «subespecialidade» (acontece aos melhores, mas sobretudo aos piores) e, mais grave, escrevem mais de cinquenta vezes «neonatalogia» — convicção arreigadíssima. Estão errados, mas do lado — errado — de José Neves Henriques. Vem a calhar, porque até parece a ciência sobre os novos Natais. Desenganem-se: é sobre os neonatos. Neonatologia.

 

            [Texto 10 447]

Helder Guégués às 20:22 | comentar | favorito | partilhar
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09
Dez 18

Ortografia: «Estado-Maior-General»

Segunda chamada

 

      «O ministro da Defesa, o chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, almirante Silva Ribeiro, e o chefe do Estado-Maior do Exército, general Nunes da Fonseca, estiveram este domingo, numa curta visita, com os militares portugueses nas missões da ONU [MINUSCA] e da União Europeia na RCA, em Bangui» («Portugal tem papel imprescindível na República Centro-Africana, diz ministro», Rádio Renascença, 9.12.2018, 15h22).

      Exactamente — tal como eu escrevo e advogo que se escreva, e como vemos na página da Internet do próprio Estado-Maior-General das Forças Armadas. É pena os dicionários não nos acompanharem.

 

            [Texto 10 427]

Helder Guégués às 21:49 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
03
Nov 18

Porto Sudão

Excepto isso...

 

      Hoje, mal entrei na Bertrand do La Vie, na Guarda, o livro que me veio parar às mãos foi Porto-Sudão, de Olivier Rolin, publicado pelos Livros do Brasil. Antes de o folhear, a pergunta: porquê o hífen? Desde quando? Ora, não será porque em francês se diz Port-Soudan e os tradutores muitas vezes não conseguem descolar do original? Aliás, a capa apresenta logo outro erro: «Coleção Miniaturas». Ah, está bem, segue o Acordo Ortográfico de 1990...

 

[Texto 10 229]

Helder Guégués às 21:17 | comentar | favorito | partilhar
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