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Abr 21

A lei e o juiz

Em que se fala do Acordo Ortográfico

 

      Eu até lia as 6728 páginas da decisão instrutória da Operação Marquês — se não tivesse mais nada que fazer. Ainda assim, guardei aqui o documento no computador. Para já, não precisei de passar da primeira página para perceber isto: as regras do Acordo Ortográfico de 1990 não foram aplicadas. Vá, obriguem lá o juiz a cumprir, se forem capazes. (Ignorantes.)

 

[Texto 14 936]

Helder Guégués às 10:00 | favorito
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25
Fev 21

Ortografia: «lucioperca»

Um lúcio, uma perca, um lucioperca

 

      «Depois da dificuldade sentida em anos mais recentes, que levaram mesmo a encurtar os períodos de pesca, tendo surgido algumas centenas de peixes mortos nos meses mais quentes — devido à seca e à propagação de parasitas —, agora João Maria Grilo [presidente da Câmara Municipal de Alandroal] quer aproveitar a oportunidade proporcionada por um ano abundante em água que vai enriquecer a qualidade do barbo, lúcio-perca, da carpa e do achigã» («Alqueva a três metros da cota máxima anima turismo, agricultura e pesca», Roberto Dores, Diário de Notícias, 18.02.2021, p. 17).

      Se pegássemos num lúcio e numa perca, Roberto Dores, talvez fosse, teratologicamente, isso, mas não — a grafia é mesmo lucioperca. Não podemos retroagir, mas que aprenda para o futuro.

 

[Texto 14 739]

Helder Guégués às 11:30 | favorito
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26
Dez 20

É «dalton», com o símbolo Da

Julgam que sabem

 

      Então, leio no contra-rótulo, o xarope pediátrico Grintuss é «titulado em polissacáridos (peso molecular >20.000 Dalton) ≥ 20%». Está errado: é dalton que se escreve. O símbolo é que, por derivar de um nome próprio, se escreve com maiúscula, Da. A excepção é para litro, cujo símbolo tanto é l como L.

 

[Texto 14 525]

Helder Guégués às 11:00 | favorito
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20
Jul 20

Barém, e por isso baremita

Aprendam com a Apple

 

      À primeira vista, a versão 6.2.8 do watchOS interessa mais aos baremitas com o relógio da Apple. Vendo bem, porém, interessa também aos portugueses que insistem em usar grafias alienígenas: «A aplicação ECG no Apple Watch Series 4 ou posterior passa a estar disponível no Barém, no Brasil e na África do Sul.»

      E até com ponto final! Isto já é um luxo — ia escrever «perluxuoso», mas a Porto Editora não autoriza —, pois até seguidores deste blogue escrevem comentários só com minúsculas e sem ponto final.

 

[Texto 13 744]

Helder Guégués às 08:15 | ver comentários (1) | favorito
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24
Jun 20

Lenine sempre

Para sempre

 

      «A escritora Lídia Jorge, li no Diário de Notícias, ficou contente quando viu as estátuas de Lénine derrubadas em Budapeste nos anos da queda do bloco soviético. Mas não ficou nada satisfeita com a vandalização feita, há dias, à estatua em Lisboa do Padre António Vieira» («Agora erguem-se estátuas a Lénine?», Pedro Tadeu, TSF, 22.06.2020, 6h35, itálico meu).

       De facto, vê-se algumas vezes transliterado desta forma, mas, ainda que seja a mais correcta, o que não está totalmente demonstrado, já iríamos tarde para endireitar o que quer que seja. Será, deste lado do Atlântico, Lenine a grafia que prevalece.

 

[Texto 13 610]

Helder Guégués às 08:30 | favorito
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17
Jun 20

Ortografia: «pós-pandemia»

Mais importante?

 

      «Nove em cada dez empresas inquiridas não diversificou os mercados com que trabalhava, mas mais de 80% das que o fizeram, pretendem mantê-los na fase pós pandemia» («Dois terços das empresas que diversificaram produtos e serviços durante a pandemia mantêm decisão para o futuro», Ana Carrilho, Rádio Renascença, 15.06.2020, 20h32).

      A jornalista Ana Carrilho acha que é assim que se escreve — confundindo preposição com prefixo, ou ignorando o elementar. Vê-se muito este erro na imprensa, como se os jornalistas, de súbito, tivessem alguma coisa mais importante para fazer e não relessem os artigos que escreveram. Lamentável.

 

[Texto 13 558]

Helder Guégués às 08:00 | favorito
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