14
Dez 19

Desarranjos ortográficos

Prove-o

 

      «A maior alteração na ortografia da língua portuguesa, na variante lusoafricana depois do acordo ortográfico de 1990, foi a supressão das consoantes mudas ou não articuladas, ou seja, que não se pronunciam, tal como já acontece na variante brasileira» (Manual do Bom Português Atual, Lúcia Vaz Pedro. Vila Nova de Gaia: Calendário de Letras, 2016, p. 102).

      Começa logo por estar mal pontuada, mas esqueçamos agora esse pormenor. O bom português actual não é este, obviamente — e nem no português com o Acordo Ortográfico de 1990 se escreve «lusoafricano». Escreve? Prove-o.

 

[Texto 12 472]

Helder Guégués às 18:45 | comentar | favorito
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12
Dez 19

Ortografia: «estertor»

Sempre ao contrário

 

      «O repórter do Expresso já desceu da Escócia para o norte de Inglaterra e escreve: “Não vai haver maioria” Escócia, território “entalado entre o Brexit e a independência”. O último “Mind the vote #21” analisa os extertores finais da campanha que hoje termina com a frase mais repetida por BJ e mais ouvida pelos eleitores nos últimos meses: “Get Brexit done”» («Outras notícias», Cristina Peres, Expresso Curto, 11.12.2019).

      Há coisas que nunca mudarão. Se fosse com x, escreviam-no com s. Sempre ao contrário. E agora, com o Acordo Ortográfico de 1990, a ortografia está a estortorar há anos e assim continuará por cega obstinação dos donos disto tudo. (Os dicionários, para serem mesmo úteis, em estertor deviam indicar que aquele o se lê /ô/, isso sim.)

 

[Texto 12 457]

Helder Guégués às 09:00 | comentar | favorito
05
Dez 19

Ortografia: «bicho-de-sete-cabeças»

E o dicionário, não se consulta?

 

      «Aprender contabilidade pode deixar de ser um “bicho de sete cabeças” para muitos alunos. Isto porque um professor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) desenvolveu um jogo eletrónico (gamificação) para ensinar os estudantes nas unidades curriculares de contabilidade» («Aprender contabilidade através de um jogo eletrónico? Sim, já é possível», Olímpia Mairos, Rádio Renascença, 4.12.2019, 6h46). As aspas... Olímpia Mairos, tire as aspas e ponha hífenes, bicho-de-sete-cabeças. (Quanto a gamificação, vimo-la, entre espanto e riso, aqui.)

 

[Texto 12 415]

Helder Guégués às 09:45 | comentar | favorito
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21
Nov 19

Léxico: «scaleup | startup»

Temos de dizer tudo

 

      «Também frisa que não houve uma redução no volume de negócios promovidos pelo Departamento de Comércio Internacional. Segundo números da agência, o investimento em empresas em fase de crescimento com sede no Reino Unido — as chamadas scale ups”, na gíria do sector — cresceu 61% entre 2017 e 2018» («Com o “Brexit” no horizonte, Reino Unido veio caçar startups a Lisboa», João Pedro Pereira, Público, 7.11.2019, p. 22).

      Então quem escreve startup não devia também escrever scaleup? Claro que sim, mas que querem?

 

 

[Texto 12 327]

Helder Guégués às 09:00 | comentar | favorito
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18
Jul 19

Ortografia e jornais

Henrique, o Inverificador

 

      Vamos agora para coisas mais miúdas. «A este propósito da diversidade, bastaria ver a votação de terça-feira para a detetarmos. Gente de todas as etnias, vestidas de formas que iam do ‘ultraformal’ ao ‘estilo campista’, temos representantes. Até para o mau-gosto piroso, como Berlusconni, que com a mão direita entrapada fazia questão de distribuir sorrisos e apertos de mão (com a esquerda)» («Ursula: a surpresa da normalidade», Henrique Monteiro, Expresso Diário, 17.07.2019).

      Henrique Monteiro, salta à vista, é muito mais cuidadoso na escrita do que muitos outros jornalistas — mas também descura certos aspectos, como, neste caso, o nome de um político. Como jornalista, não é o que devia fazer, verificar? É Berlusconi. E em que dicionário viu Henrique Monteiro a grafia «mau-gosto»? Aqui entram os dicionários: porque é que não registam, no verbete gosto, a subentrada «bom gosto» e «mau gosto»? Sim, há outras: «bom humor»/«mau humor», etc. Diga-se também, vem mesmo a propósito, que não há em Portugal, do que conheço, jornal que, na edição em linha, aplique tão indecorosamente mal as regras do Acordo Ortográfico de 1990 como o Expresso. Se respeitassem, como deviam, os leitores, deixavam hoje mesmo, agora, de aplicar a execrável nova grafia e dedicavam-se a reaprender as regras do Acordo Ortográfico de 1945. Demoraria, mas o progresso seria mais seguro. Teria de haver novo período de transição, agora para trás.

 

[Texto 11 805]

Helder Guégués às 11:52 | comentar | favorito
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06
Jul 19

O drama das maiúsculas e das minúsculas

Impenetrável

 

      «Em Portugal, acompanhados por Dan Graham, estiveram na luxuosa moradia do ex-treinador do Manchester United em Troia, onde aproveitaram para ir à praia e apanhar banhos de Sol» («De Troia até ao Porto», Carolina Pinto Ferreira, Correio da Manhã, 5.07.2019, p. 38).

      Se falham nestas merdices, já dá para adivinhar como será no resto. Os arcanos por detrás de Sol/sol são impenetráveis.

 

[Texto 11 695]

Helder Guégués às 14:51 | comentar | favorito
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