15
Jun 19

Plural dos apelidos, mais uma vez

Vá lá

 

      «Mas já alguma vez aqueles que hoje falam das elites incluíram a Associação Industrial, ou a Confederação da Indústria, os Amorins e os Pereiras Coutinhos, ou os Soares dos Santos, ou os Melos, etc.? Mas certamente que incluiriam a Fenprof e a CGTP» («A nostalgia das causas», José Pacheco Pereira, Público, 15.06.2019, p. 12).

 

[Texto 11 540]

Helder Guégués às 19:41 | comentar | favorito
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07
Jun 19

Os Obamas no Spotify

Ainda há esperança

 

      «A produtora do ex-Presidente dos Estados Unidos Barack Obama e da sua mulher Michelle assinou um acordo com a plataforma Spotify para produzir ‘podcasts’ exclusivos» («Obamas vão produzir ‘podcasts’ exclusivos para o Spotify», Rádio Renascença, 7.06.2019, 2h10).

      Querem ver que isto ainda se endireita? Está bem que o mérito neste caso é relativo — pois se o jornalista tinha escarrapachado à frente do nariz «Obamas», foi apenas deixar-se ir, e nisto eles são bons.

 

[Texto 11 499]

Helder Guégués às 12:58 | comentar | favorito
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06
Jun 19

Plural: «social-democrata | sociais-democratas»

Tem de ser explícito

 

      «Na sequência de depurações ao mais alto nível, os partidos sociais-democratas de Leste, tal como outros, aceitaram o estatuto de meros instrumentos dos partidos comunistas» (Socialismo sem Dogma, Sottomayor Cardia. Lisboa: Publicações Europa-América, 1982, p. 116).

      Há coisas que não podem ficar na sombra: bem sei que a opção da Porto Editora é a de pluralizar — como eu faço e defendo — em sociais-democratas tanto o adjectivo como o substantivo, mas tem de o fazer, para se tornar verdadeiramente útil, como decerto será o seu escopo, explicitamente. Dúvidas já os falantes têm, e não são poucas, agravadas por aqueles que vêm deliberadamente, a coberto do anonimato, sugerir o contrário do que eles próprios fazem.

 

[Texto 11 492]

Helder Guégués às 10:42 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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05
Jun 19

Vanzeleres

À altura dos olhos

 

      Um amigo meu, poeta e, logo, atento a estas questões da língua, esteve recentemente no Porto e ali nas imediações da Casa da Música não resistiu a fotografar uma placa toponímica: Rua dos Vanzeleres. Afinal, era por ali que existia uma extensa quinta que pertenceu a um holandês de apelido Van Zeller, que se estabelecera no Porto no século XVII e deu origem a uma família que se tornaria preponderante no comércio do vinho do Porto. Conclusão? Nas paredes de editoras e redacções devia estar pendurada, à altura dos olhos de jornalistas e editores, uma réplica ampliada daquela placa. Evitaria muitos erros estúpidos.

 

[Texto 11 483]

Helder Guégués às 15:09 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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11
Mai 19

«A não ser | a não serem»

Ficam a saber hoje

 

      «A não ser os seguranças e os guarda-costas, mais ninguém sabia que era esta a derradeira vez que o primeiro-ministro discursava no Parlamento.» Está certo, mas, como também afirmei em relação à locução por si só, que tanta polémica por aqui deu, prefiro não a usar como expressão invariável, sinónima de partícula de exclusão como «excepto» ou «salvo», e estou bem acompanhado, pois vamos encontrar em Machado de Assis, entre outros grandes escritores, frases como esta: «As dissipações não produzem nada, a não serem dívidas e desgostos» (in Contos Fluminenses, 1870). Portanto, saibam os insipientes e os intolerantes que, ainda que a generalidade das vezes se use como locução invariável, é igualmente correcto usá-la flexionada.

 

[Texto 11 344]

Helder Guégués às 09:13 | comentar | favorito
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29
Mar 19

Plural: «tóner»

Ao contrário

 

      «A alcatifa, igual às das repartições, fora manchada pela tinta dos tóneres» (O Meu Irmão, Afonso Reis Cabral. Alfragide: Leya, 2014, p. 95). ‎Porto Editora, alguma objecção ou dificuldade quanto à indicação do plural de «tóner»? Deviam, quanto a remissões, fazer exactamente o contrário do que fizeram: em vez de remeterem de tóner para toner, a remissão, a não ser, como sempre recomendo, mútua, devia ser do estrangeirismo para o aportuguesamento.

 

[Texto 11 062]

Helder Guégués às 08:56 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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05
Mar 19

Lengalenga/lengalengas

Em terra de cegos

 

      Ontem de manhã, José Carlos Trindade estava a divulgar um disco Antena 1, Canções de Roda, Lenga Lengas e Outras que Tais, um álbum que junta Ana Bacalhau, Vitorino, Sérgio Godinho e Jorge Benvinda para relembrar as canções da nossa infância. Escrevo-o tal como está na capa — errado. Ora, por duas vezes, e em momentos diferentes, José Carlos Trindade disse «lengas-lengas». Isto, que é lamentável, fez-me lembrar que, no Brasil, está agora a tomar força — incluindo em muitos dicionários — o uso do hífen nestes casos: «tim-tim» («contar tim-tim por tim-tim» — deixem-me enxaguar a boca com uísque velho), «cri-cri», «glu-glu», etc. Até os gurus (ou que o queriam ser) brasileiros da língua afiançam e ensinam que é assim: «Expressões onamotopaicas escrevem-se com o hífen, eis a razão.» Quem o estabeleceu, onde está escrito?

      O que custava os nossos dicionários indicarem de forma explícita o plural de «lengalenga»? Nada, e contribuiriam para que se evitasse mais um erro, e não dos menores nem dos menos frequentes.

 

[Texto 10 924]

Helder Guégués às 10:21 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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24
Jan 19

O plural, área crítica da língua

Isto é preocupante

 

      «Contactada pelo Público, a assessoria do MAI confirmou que a hipótese de as body cam serem usadas nas fardas está a ser estudada: “A proposta de lei de alteração ao regime jurídico que regula a utilização de sistemas de videovigilância pelas forças de segurança está em fase de conclusão no Ministério da Administração Interna. Estas alterações já integram a proposta da PSP relativa ao uso das designadas ‘body cam’ por parte dos efectivos das forças de segurança, cuja utilização é também objecto de regulamentação. A Comissão Nacional de Protecção de Dados será ouvida no âmbito do processo legislativo.”» («Governo avança com câmaras de vídeo nas fardas dos polícias», Alexandra Campos, Público, 24.01.2019, p. 16).

      Alexandra Campos, deixe lá de copiar os erros da assessoria do MAI — ou também acha que se diz «as body cam»? É que isso, diacho, está mal em português e em inglês. Não percebo. Parece-me elementaríssimo: «Boston police to expand use of body cams among force» (Brooks Sutherland, Boston Herald, 2.08.2018, 12h00).

 

[Texto 10 648]

Helder Guégués às 11:03 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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26
Nov 18

Léxico: «taser/taseres»

Já é mais nossa

 

      «Nos Estados Unidos, onde qualquer pessoas pode usar uma arma à cintura, a tecnologia tenta aliar-se à defesa pessoal. A fabricante de armas elétricas Axon modificou os seus taseres de forma a aliar-se a uma tecnologia já existente, por exemplo, em carros. [...] Os taseres usam uma descarga elétrica de alta tensão para imobilizar momentaneamente uma pessoa. Podem causar desde contrações musculares a choque completo, queda e perda de orientação por vários minutos» («Esta arma taser chama a polícia automaticamente quando disparada», Carolina Rico, TSF, 26.11.2018, 13h26).

      Ah, então já vai sendo aportuguesado. Muito bem — mas: sofre do mesmo mal do «basebol». Vamos lá: beisebol e teiser/teiseres. Quem não quiser, paciência, ande desarmado.

 

[Texto 10 360]

Helder Guégués às 17:23 | comentar | favorito