26
Nov 18

Léxico: «taser/taseres»

Já é mais nossa

 

      «Nos Estados Unidos, onde qualquer pessoas pode usar uma arma à cintura, a tecnologia tenta aliar-se à defesa pessoal. A fabricante de armas elétricas Axon modificou os seus taseres de forma a aliar-se a uma tecnologia já existente, por exemplo, em carros. [...] Os taseres usam uma descarga elétrica de alta tensão para imobilizar momentaneamente uma pessoa. Podem causar desde contrações musculares a choque completo, queda e perda de orientação por vários minutos» («Esta arma taser chama a polícia automaticamente quando disparada», Carolina Rico, TSF, 26.11.2018, 13h26).

      Ah, então já vai sendo aportuguesado. Muito bem — mas: sofre do mesmo mal do «basebol». Vamos lá: beisebol e teiser/teiseres. Quem não quiser, paciência, ande desarmado.

 

[Texto 10 360]

Helder Guégués às 17:23 | comentar | favorito | partilhar
24
Nov 18

O plural, esse monstro

O problema linguístico do século XXI

 

      «Primeiro mostra o cercado onde está o lote de vacas que pariram em Agosto, ainda na companhia das suas crias e dos semental (machos reprodutores). Na ganadaria existem cerca de 200 vacas-mãe, que por ano parem cerca de 160 animais, habitualmente metade fêmeas e outra metade machos. Os machos na herdade rondam os 170» («A “vida privada” do toiro bravo antes dos “20 minutos de fama”», Luciano Alvarez, Público, 24.11.2018, p. 6).

      Problemas com o plural, Luciano Alvarez? Algumas palavras são bravas como toiros de lide, sim, mas, neste caso, veja como ela fica mansa: o semental, os sementais. Acha que é capaz?

 

[Texto 10 346]

Helder Guégués às 19:33 | comentar | favorito | partilhar
Etiquetas: ,
22
Out 18

«Vatu/vatus»

Inacreditável

 

      «A seleção do Vanuatu está à procura do novo selecionador de futebol através das redes sociais. [...] A Federação também não teve problemas em referir o salário disposto a oferecer ao novo selecionador: um mínimo de 3,6 milhões de vatu por ano, o correspondente a algo como 28 mil euros» («Quer ser o novo selecionador do Vanuatu?», Rádio Renascença, 22.10.2018, 16h19).

      Estes jornalistas... Isto é para rir? O plural de «euro» é «euro»? Raciocinemos. Um dos defeitos dos dicionários gerais da língua é não indicarem o plural dos nomes, pelo menos nestes casos em que o falante, coitado, vacila mais. Está, por exemplo, no Vocabulário Ortográfico Português do ILTEC (no qual não faltam, diga-se, erros imperdoáveis).

 

[Texto 10 168]

Helder Guégués às 19:28 | comentar | favorito | partilhar
Etiquetas: ,
07
Out 18

Os Távoras

Ainda entra nos eixos

 

      Querem ver que isto, pelo menos isto, ainda entra nos eixos? «Alfredo é uma das pessoas às quais não deve passar indiferente ao visitar Mogadouro. Para ser o “dono” do Castelo da terra só lhe falta a chave da porta, porque a dos segredos ninguém lha tira. Inspira qualquer um a conhecer a terra que foi em tempos propriedade da família dos Távoras e que deixa transparecer sinais deste domínio» («Morreu o último rio selvagem e deu lugar a lagos de água quente», Liliana Valente, «Fugas»/Público, 29.09.2018, p. 5).

      É aí, na Quinta de Nogueira, que se pode encontrar o Monóptero de S. Gonçalo, um pequeno santuário mandado construir pelos Távoras em honra de S. Gonçalo, que foi recentemente classificado como imóvel de interesse público.

 

[Texto 10 052]

Helder Guégués às 15:00 | comentar | ver comentários (4) | favorito | partilhar
Etiquetas: ,
05
Out 18

Os Trumps, pois então

É tão raro

 

      É tão raro, que temos de o aplaudir cada vez que acontece: «Feitas as contas, os Trumps terão deixado propriedades avaliadas em 900 milhões de dólares (780 milhões de euros) em 2004, quando Donald Trump e os irmãos decidiram vender esse património. Uma década antes, numa declaração de impostos, Fred Trump declarara que as mesmas propriedades valiam 41,4 milhões de dólares (35 milhões de euros)» («Donald Trump, um império assente na fortuna do pai e em suspeitas de fraude fiscal», Alexandre Martins, Público, 4.10.2018, p. 25).

 

[Texto 10 048]

Helder Guégués às 06:00 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
Etiquetas: ,
20
Set 18

Plural de «corrimão»

Plural duplo

 

      «Mas a cidade não conta o seu passado, contém-no como as linhas da mão, escrito nas esquinas das ruas, nas grades das janelas, nos corrimões das escadas, nas antenas dos para-raios, nos postes das bandeiras, cada segmento marcado por sua vez de arranhões, riscos, cortes e entalhes» (As Cidades Invisíveis, Italo Calvino. Tradução de José Colaço Barreiros. Alfragide: Publicações Dom Quixote, 3.ª ed., 2016, p. 19).

      É uma das muitas provas de que a língua não é o que devia ser, mas o que é. Em rigor, o plural de corrimão devia ser apenas corrimãos, mas, a par deste, foi ganhando direitos corrimões. Curiosamente, a palavra usada por Calvino, scorrimano, também não parece ser a mais escorreita em italiano. Boa escolha, a do tradutor...

 

[Texto 9955]

Helder Guégués às 19:57 | comentar | favorito | partilhar
Etiquetas: ,

Os Francos

Ainda há esperança

 

      «“Houve uma extorsão, um roubo”, diz ao Público Antón Sánchez, porta-voz do En Marea, sobre as posses dos Francos. “Esta é mais uma demonstração da impunidade de que ainda goza a família Franco”» («O património dos Francos é multimilionário. “Foi extorsão e roubo”», Manuel Louro, Público, 20.09.2018, p. 22).

      Infelizmente, agora escrever de forma correcta também é notícia. Seja como for, ainda há esperança, sobretudo se continuarmos a denunciar, sem desfalecer, todos os erros que formos vendo.

 

[Texto 9951]

Helder Guégués às 11:41 | comentar | ver comentários (3) | favorito | partilhar
Etiquetas: ,
04
Set 18

Castros Alves e outros: de novo o plural

Era só isto

 

      «Às crianças das escolas do nosso Brasil, deveriam dizer-lhes a verdade pura: e a verdade é que os meninos da região amazónica, por exemplo, não falam como os meninos do Rio-Grande-do-Sul; e sendo a Amazónia, o Rio-Grande-do-Sul, etc., etc., tudo partes constituintes de um mesmo Brasil, torna-se necessária uma língua comum, que é a língua escrita, — a que se lê nas obras dos Castros Alves, dos Josés de Alencar, dos Joaquins Nabucos, dos Machados de Assis, dos Euclides da Cunha: e é essa a língua que se aprenderá na escola, como se aprendem as contas, os animais, as plantas, os elementos da física, a geografia, a história...» (Em tôrno do problema da «língua brasileira» (palavras de um cidadão do mundo, humanista crítico, a um estudante brasileiro seu amigo), António Sérgio. Lisboa: Seara Nova, 1937, p. 24).

 

[Texto 9856]

Helder Guégués às 15:29 | comentar | ver comentários (3) | favorito | partilhar
Etiquetas: ,