09
Jul 18

Os Romanovs, finalmente

Um exemplo louvável

 

      É apenas um título, mas revisores, tradutores, editores e demais jornalistas deviam pôr aqui os olhos: «Mansão que acolheu cativeiro dos Romanovs é agora museu» (Nuno Galopim, Expresso, n.º 2384, 7.07.2018).

 

[Texto 9584]

Helder Guégués às 21:44 | comentar | favorito | partilhar
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03
Jul 18

Plural dos apelidos, de novo

Afinal, singular ou plural?

 

      O autor até pode ter dúvidas ou não ligar nada à questão, mas no revisor é imperdoável. Tudo exemplos da obra Cidade Proibida, de Eduardo Pitta (Lisboa: Quidnovi, 2007): «Gozava por antecipação com as previsíveis reacções dos convidados dos Ravaras, sabendo que a Matilde e o Ernâni se esforçariam por amortecer eventuais choques» (pp. 34-35). «Renata e Ilídio Mousaco desembarcaram na Portela no dia em que uma horda de trabalhadores da construção civil cercou a Assembleia Constituinte. [...] Gostou dos Mousacos assim que os viu, tratando pessoalmente de os instalar num andar confortável da Haddock Lobo onde ficaram enquanto não puderam escolher outra morada» (p. 48). «Foi no dia do funeral do Alfredo que os Ravara se aproximaram» (p. 50). «Os Ravaras todos deste mundo, mais os Lemos Fortunato e os Moncada, e outros como eles, nunca pisavam o risco» (p. 61). «Acharia que o deslumbrava com a exibição da riqueza dos Ravara?» (p. 62) «Farta da superioridade moral dos Lemos Fortunato, dos maricas pretensiosos que frequentavam a casa de Nora (e que se via obrigada a aturar em certas datas), da empáfia dos doutorecos que enchiam três andares da empresa, do director financeiro que não lavava os dentes, das mulherzinhas obcecadas com ginástica para caberem em fatos MaxMara, e quanto mais MaxMara mais vulgares, da cambada que vivia para o Range Rover e as propinas do Valsassina» (pp. 115-16). «Era vê-los nas festas dos Lemos Fortunatos a filar os empregados do catering» (p. 116). «Cismou que queria ir ao Rio, ocorrera-lhe no hospital que não voltara lá depois de 1967, ano em que os Barrozo do Amaral lhe abriram as portas do céu» (p. 119). «Os Ravara também foram avisados» (p. 129).

 

[Texto 9543]

Helder Guégués às 13:33 | comentar | ver comentários (3) | favorito | partilhar
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05
Jun 18

A magna questão do plural

E um dicionário ajudava?

 

      «Até há bem pouco tempo, os portugueses tinham tendência para esconder o interesse nos produtos das Sex Shop. Ora por vergonha, ora por pudor, a maioria das vendas destas lojas era feita a partir [sic] da internet» («Artigos sexuais», Francisca Genésio, Correio da Manhã, 5.06.2018, p. 40).

      Sofre há muito desse problema de não saber pluralizar uma palavra, Francisca Genésio? E para que são as maiúsculas, pode saber-se? As melhoras.

 

[Texto 9347] 

Helder Guégués às 09:20 | comentar | favorito | partilhar
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10
Mai 18

Como se escreve nos jornais

De nos envergonhar

 

      «Modelou-se assim a diversidade genética antiga e actual da Ásia Central através de grupos ancestrais, como os hunos ou os xiongnu (povo nómada criador de gado dessa região). E traçaram ainda os principais eventos migratórios dos pastores das estepes desde 3000 a.C. até ao presente» («Há milhares de anos o vírus da hepatite B alastrava-se pela Eurásia», Teresa Serafim, Público, 10.05.2018, p. 29).

      Eu só não sei como os jornalistas não se envergonham de escrever desta maneira. «Os hunos ou os xiongnu»! Teresa Serafim, é como se dissesse «as melancias ou os melão». Tal qual. Raciocínio.

      «Uma das razões pelas quais nómadas pastoris armados como os xiongnus, os hunos e os mongóis se tornaram poderosos militares foi a sua capacidade de mobilizar quase 100% da sua população masculina apta» (As Origens da Ordem Política – Dos Tempos Pré-Históricos à Revolução Francesa, Francis Fukuyama. Tradução de Ricardo Noronha e revisão de Rita Almeida Simões. Alfragide: Publicações Dom Quixote, 2012, p. 264). Aqui, só é lamentável que a revisora (e o tradutor, pois claro, mas a última responsabilidade é a do revisor) grafe o nome deste povo — e está assim em toda a obra — em itálico. Decisões sem pés nem cabeça.

 

[Texto 9201]

Helder Guégués às 13:54 | comentar | ver comentários (2) | favorito | partilhar
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24
Mar 18

«Lúcifer/Lucíferes»

Uns fingidores

 

      Por vezes, os tradutores fingem que são ceguinhos. No original está «Lucifers», mas este verteu para «Lúcifer». Aliás, um contexto mais alargado até mostra melhor o dislate: «todos os Lúcifer». Pois, pois... Já o vimos aqui em algum destes 8964 textinhos em relação a outro vocábulo semelhante: ao pluralizar, algumas palavras esdrúxulas terminadas em r ou n vêem o acento tónico deslocar-se para a segunda ou terceira sílaba a contar do fim. 

 

[Texto 8965]

Helder Guégués às 18:33 | comentar | favorito | partilhar
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10
Mar 18

Léxico: «trânsfer/trânsferes»

Porque é assim que escrevem

 

      Os dicionários registam, e muito bem, que transfer é uma palavra estrangeira, inglesa concretamente. Logo, o plural é transfers. Acontece, porém, que quem mais usa o termo, os agentes de viagens, o aportuguesaram, talvez mal, mas aportuguesaram. A título de exemplo: a revista do ACP deste mês de Março (n.º 765) promove as viagens da ACP Viagens, e lá vem, entre outros, um cruzeiro aos fiordes da Noruega, que inclui «todos os transferes mencionados no programa». Se trânsfer for a forma gráfica portuguesa (com acento), temos o plural em trânsferes. É precisamente o que o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora regista, mas, a meu ver, não da forma mais correcta: remete para transfer, como que a indicar que esta forma é a aconselhável, e sem indicar o plural. Dois bons contributos para haver confusões.

 

[Texto 8893]

Helder Guégués às 12:46 | comentar | ver comentários (3) | favorito | partilhar
05
Fev 18

Plural: «superintendente-chefe»

Demasiado elementar, mas vamos lá

 

      «Vão concretizar-se esta semana algumas mudanças no topo da hierarquia da PSP, todas elas envolvendo superintendentes chefe. [...] Todas estas mudanças foram decididas na sequência da morte do superintendente chefe Bagina da Silva, em Novembro do ano passado. Este oficial era na altura inspetor nacional da PSP» («Semana de mudanças na PSP», Celso Paiva Sol, Rádio Renascença, 4.02.2018, 23h20).

      Com que então é assim — «superintendente chefe/superintendentes chefe» — que Celso Paiva Sol acha que se escreve... Li no seu perfil que está «há quase 30 anos na Renascença, já totalmente tomado pelo bicho da rádio. Embora já tenha feito de tudo um pouco, a sensação é que há ainda muito mais para fazer e descobrir». Efectivamente, a intuição não o engana, uma área por si largamente inexplorada é a gramática. Veja como se grafa e como pluraliza esta palavra composta por dois substantivos ligados por hífen:

 

 

      superintendente-chefe/superintendentes-chefes.

 

[Texto 8686]

Helder Guégués às 09:15 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
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30
Dez 17

Os Cabritas, os Zorrinhos, os Césares...

Simples, mas muitos erram

 

       «É ultrajante para a democracia que na ceia de Natal da família Vieira da Silva não exista uma única lasca de bacalhau, um único copo de vinho, presente, ou fatia de bolo-rei que não tenha sido pago através dos nossos impostos. Mas este, infelizmente, não é caso único: o mesmo acontecerá na casa dos Cabritas, dos Zorrinhos e dos Césares. Mas quantos mais destes exemplos existirão?» («A grande família socialista», João Gomes de Almeida, i, 15.12.2017, p. 32).

      Isso mesmo: simples, mas muitos erram. Infelizmente, estão nas editoras, nos jornais, na rádio, a televisão. Que em 2018 seja melhor, é o nosso desejo.

 

[Texto 8531]

Helder Guégués às 19:05 | comentar | ver comentários (4) | favorito | partilhar
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