08
Mar 18

Léxico: «pontuador»

Olha que dois

 

     «As cinco gravuras desenhadas em rochas que há dias foram encontradas por um ex-militar espanhol junto à ponte de Ajuda, nas margens do Guadiana têm cinco mil anos. A confirmação foi dada, esta quinta-feira, pelo especialista em arte rupestre, António Martinho Batista» («Gravuras encontradas nas margens do Guadiana têm 5 mil anos», Roberto Dores, TSF, 8.03.2018, 13h30).

   Pode juntar-se a outra grande pontuadora, a colega da Rádio Renascença, que vimos aqui. Pois se há pessoas que se ufanam de ter «intuição» para pontuar correctamente... Pois, pois. Nem intuição nem unção, é preciso gramática. Esperem: por que motivo não regista o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora o vocábulo «pontuador»? Intuição ou embirração?

 

[Texto 8883]

Helder Guégués às 14:41 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
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Como se pontua por aí

Não vão presos

 

      «Pedro Dias conhece sentença. “Nem com 25 anos, é passível de ser ressocializado”, diz acusação» (Liliana Carona, Rádio Renascença, 8.03.2018, 6h28).

      «Nem com 25 anos, é passível de ser ressocializado.» Faz lembrar o caçador que tinha um cão e a mãe do caçador era também o pai do cão. No corpo do artigo, a jornalista volta a mostrar que é exímia no desconhecimento da pontuação. Ah, não sabiam que se pode ser exímio na inépcia? E a propósito, dava mesmo jeito que existisse o substantivo eximiedade, «qualidade do que é exímio», não dava? O facto é que, de quando em quando, se usa em todas as línguas novilatinas, eximiedade, eximiedad, esimità... Não se acanhem, se for pontualmente necessário, usem-no, não vão presos. Há coisas piores.

 

[Texto 8880]

Helder Guégués às 08:42 | comentar | favorito | partilhar
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07
Set 17

Como se pontua por aí

Mal, pois claro

 

    E agora dois exemplos singelos de pontuação errada: «Diamond compreendeu, nesse instante, que, em circunstância alguma, deveria regressar a esse tema, pois correria o risco de ser tratado por Newton abaixo de Leibniz, o que, na hierarquia de valores do seu ilustre dono ainda seria pior que “abaixo de cão”» (Amados Cães, José Jorge Letria. Revisão de Henrique Tavares e Castro. Cruz Quebrada: Oficina do Livro, 3.ª ed., 2008, p. 52). «Companheira inseparável de Marilyn, Maf partilhava os seus segredos, incluindo aqueles que envolviam os dois poderosos irmãos Kennedy, a saber John e Robert, cujo trágico fim muito a comoveram» (Idem, ibidem, p. 192). Há, como sabemos, em muitíssimos casos, diversas formas de pontuar correctamente. Diversas, não arbitrárias.

 

[Texto 8136]

Helder Guégués às 11:09 | comentar | favorito | partilhar
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06
Jul 17

Vocativo e pontuação

Não me diga, Elsa

 

      «São cada vez menos as pessoas que usam a vírgula para separar a interjeição do vocativo em emails ou em comentários nas redes sociais. É o que acontece quando escrevemos “*Olá Joana!” ou “*Bom dia Joana!”» (101 Erros de Português Que Acabam com a Sua Credibilidade, Elsa Fernandes. Lisboa: Verso de Kapa, 2017, p. 104).

      Ai é, Elsa Fernandes? E se não se tratar de uma interjeição, já está correcto? A chave está no vocativo: deve aparecer sempre isolado, com uma ou com duas vírgulas, dependendo da frase. Não acha, Elsa Fernandes? Bem, Elsa Fernandes, fica pelo menos assente que não é a interjeição que está em causa. Promete não falhar?

 

[Texto 7985]

Helder Guégués às 20:31 | comentar | ver comentários (2) | favorito | partilhar
24
Jun 17

Como se escreve nos jornais

Dolorosamente chamuscados

 

   Venceu o 89.º Concurso de Quadras do Jornal de Notícias, e reza assim: «Nesta noite tão tripeira,/Um mistério aconteceu:/Tu, pulavas a fogueira,/Quem se queimava, era eu...» O JN também não deixa de sair chamuscado ao publicar tal qual a quadra, assinada com o pseudónimo Dorido. O jornal não tem revisor? Não sei como não se envergonham — e logo na capa.

 

[Texto 7943]

Helder Guégués às 15:59 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
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30
Mai 17

Como se escreve por aí

Uma pouca-vergonha

 

      A minha filha, com 10 anos!, veio mostrar-me esta frase de um livro que começou a ler esta tarde: «— Muito bem, Marta troca com o Ivo. Vamos lá Lobos que temos de terminar esta jangada rapidamente! — incentiva Miguel» (Os Lobos na Descida do Rio, José Carlos Completo e Mónica Cortesão Gonçalves. Lisboa: Grafitexto, 2014, p. 20).

      Então uma criança de 10 anos sabe ver que está errado e os autores não sabem nem viram nada? Folheei o livro rapidamente, para não ficar doente, e posso dizer que, só em vírgulas absolutamente obrigatórias como esta, a isolar o vocativo, faltam centenas. Como estará o resto? Pergunto, mas não quero saber. É claro que já a aconselhei a não ler o livro.

 

[Texto 7885]

Helder Guégués às 22:20 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
09
Mai 17

Pontuação

Entretanto, na Alemanha

 

    «Einige Kommata, deren Fehlen den Leser eher hätte irritieren können, wurden zusätzlich eingefügt.» Ah, estes sabem o que nos irrita. Já boa parte dos jornalistas acha que não vale a pena corrigir os desconchavos das pessoas que ouvem e entrevistam. Eu só não sei é como não se envergonham.

 

[Texto 7814]

Helder Guégués às 21:27 | comentar | favorito | partilhar
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