23
Jul 20

A caixa de Pandora deturpada

Ide à Casa Sonotone

 

      Isto são erros só para correspondentes das nossas televisões e rádios: em 2008, Daniel Ribeiro, correspondente da Antena 1 em França, falava, a propósito de uma greve, de se ter aberto a «caixa de Pandôrra»; ontem, foi a vez de Henrique Cymerman, o correspondente da SIC em Israel, que se referiu à «caixa de Pandôra». Atenção: não têm de deixar de ser correspondentes, apenas têm de ser mais atentos, conhecer melhor a língua e a cultura.

 

[Texto 13 780]

Helder Guégués às 10:30 | comentar | favorito
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06
Jul 20

Monsaraz, Estremoz, Setúbal...

Passam os anos, não a ignorância

 

      Há coisas que nunca mudam. Vinha eu de Cascais na quinta-feira — Ui, um ciclista atropelado! — e, numa rádio, lá estava o locutor a estropiar o topónimo Reguengos de Monsaraz. Não me vou esforçar, basta republicar um texto do Assim Mesmo datado de 2006: «Felizmente, a pronúncia incorrecta, e tão vulgar, do topónimo Estremoz não passa para a escrita. Já quanto a Reguengos de Monsaraz, estamos mal. Já várias vezes ouvi jornalistas na televisão e na rádio pronunciarem “Monsarraz”, como se tivesse dois rr. Agora, passou mesmo para a escrita: “O Menir do Barrocal, o maior monumento pré-histórico existente no distrito de Évora, localizado em Reguengos de Monsarraz, está a ser estudado pela primeira vez” (“Maior menir do distrito vai ser estudado”, Diário de Notícias, 15.4.2006, p. 33).» Estremoz e Reguengos de Monsaraz, mas Setúbal também não saem escorreitamente do aparelho fonador de muitos jornalistas. Isto é normal?

 

[Texto 13 659]

Helder Guégués às 08:30 | comentar | favorito
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27
Jun 20

Pronúncia: «exógeno»

Ainda a tempo, certamente

 

    Gostei das intervenções do ex-ministro Miguel Poiares Maduro no programa Fronteiras XXI, na quarta-feira, na RTP3. Só não gostei que não soubesse repetidamente pronunciar a palavra «exógeno». Há sempre um senão. Se algum leitor do Linguagista conhecer o Prof. Poiares Maduro, por favor, avise-o de que aquele x vale zexógeno /z/, lê-se em alguns dicionários. É bem provável que viva mais três a quatro décadas, por isso ainda vai a tempo. Zzzzzzzz — não gzzzzzzz.

 

 [Texto 13 619]

Helder Guégués às 09:00 | comentar | favorito
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09
Mai 20

Silabada ignorante

Desde 1958

 

      Alguém aí conhece pessoalmente o jornalista Victor Bandarra, da TVI? Há menos de uma hora, naquele programa chocarreiro que tem na TVI 24, usou a palavra «léxico» — e pronunciou-a como se o x valesse ch, «léchico», o que até uma criancinha do 1.º ciclo sabe que está errado. Nunca ouviu os outros pronunciarem a palavra? Nunca foi corrigido? Nunca a viu num dicionário — léxico /cs/ — nestes anos todos, desde 1958? Estamos bem, estamos.

 

[Texto 13 306]

Helder Guégués às 22:00 | comentar | favorito
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17
Fev 20

Meu rico latim

Antes permanecesse ignorada

 

      Uma turma, acompanhada do biólogo Miguel Porto, de uma escola foi fazer uma visita ao campo para observar diversas espécies, ali para os lados do Poceirão, Setúbal. Vai daí — tropeçaram com espécimes da Elatine brochonii, planta que não se sabia que existia em Portugal. O que pretendo dizer? Elatine não tinha de estar nos dicionários? Bem, mas não é por isso que escrevo este texto. No programa Código Postal, na rádio Observador, falaram desta descoberta. O jornalista Miguel Viterbo Dias pronunciou várias vezes — desafiado pelos colegas de programa — o nome científico da planta. Até parecia que os outros o consideravam autoridade na matéria. Pois bem, nem uma vez o pronunciou bem. Esta pequenina planta foi descoberta em 1883 numa lagoa de Saucats, em França, pelo advogado — e botânico nos tempos livres, ou ao contrário, não sei ­— Brochon (1833-1896). O nome foi-lhe dado, em homenagem ao seu descobridor, por Clavaud (1828-1890). Vamos ao que interessa: nunca a palavra brochonii, latim científico, se podia pronunciar como aquele jornalista o fez repetidamente, /brocsoni/. Não, não: aquele dígrafo era em latim equivalente ao χ (qui) grego; logo, o h seria aqui consoante ociosa.

 

[Texto 12 824]

Helder Guégués às 08:30 | comentar | favorito
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18
Abr 19

Léxico: «bola/folar»

Avisem-no

 

      Está lá, é da Antena 1? Por favor, digam aí a Rui Gomes, do Vou ali e já Venho, que hoje andou (sempre de fones nos ouvidos?) pelo planalto mirandês e até tentou falar mirandês, que não se diz /bóla/, mas /bôla/. Tratava-se da deliciosa bola doce mirandesa, um dos ex-líbris da região. Faz lembrar, até porque também é mais consumida na Páscoa, os folares de que já aqui falámos. Ou seja, e até se concluiu isso mesmo nos comentários, podemos estar perante doces/bolos iguais em quase tudo e serem chamados folares ou bolas. Pode haver teorias e críticas, mas a realidade é esta.

 

[Texto 11 217]

Helder Guégués às 15:16 | comentar | favorito
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29
Jan 19

Acidente na Rua Brancã...

Antes surdo

 

      Ver agora mesmo a palavra «contextualizado» mal ortografada («comtextualizado») transportou-me de imediato para o que me disseram hoje de manhã: que uma das jornalistas da Antena 1 encarregada da informação de trânsito dissera que havia um acidente na «Rua Brancã», em Lisboa. Enfim, embora cada vez mais, nestas coisas, me fie apenas em mim mesmo, faço fé em quem ouviu. Escrevo-o assim para a mofa ser maior, mas a verdade é que não raras vezes se vê com n e não, como deve ser, com m: Rua Braamcamp. Ainda que a família de Anselmo José Braamcamp (1819-1885) fosse de origem holandesa, ao que parece, o apelido vem, linguisticamente, do baixo-alemão. Em qualquer caso, o p soa. Não bastava estropiarem, na pronúncia, o nome Garrett, agora também já começam a mutilar o apelido Braamcamp. Isto tudo mais o Caixodré e a Rua Duclolé, entre outras, é mortal.

 

[Texto 10 679]

Helder Guégués às 21:27 | comentar | favorito
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18
Out 18

Silabada ou convicção?

Antes surdo

 

      Está a passar agora O Esplendor de Portugal, na Antena 1. Rui Pêgo, o moderador, há minutos falava do caso do jornalista saudita Kashoggi e de «Âncara». Assim mesmo. Só não sei se foi silabada, se convicção. Estou que foi convicção, ou corrigir-se-ia. Talvez um dia venha a saber.

 

[Texto 10 144]

Helder Guégués às 19:58 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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