18
Abr 19

Léxico: «bola/folar»

Avisem-no

 

      Está lá, é da Antena 1? Por favor, digam aí a Rui Gomes, do Vou ali e já Venho, que hoje andou (sempre de fones nos ouvidos?) pelo planalto mirandês e até tentou falar mirandês, que não se diz /bóla/, mas /bôla/. Tratava-se da deliciosa bola doce mirandesa, um dos ex-líbris da região. Faz lembrar, até porque também é mais consumida na Páscoa, os folares de que já aqui falámos. Ou seja, e até se concluiu isso mesmo nos comentários, podemos estar perante doces/bolos iguais em quase tudo e serem chamados folares ou bolas. Pode haver teorias e críticas, mas a realidade é esta.

 

[Texto 11 217]

Helder Guégués às 15:16 | comentar | favorito
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29
Jan 19

Acidente na Rua Brancã...

Antes surdo

 

      Ver agora mesmo a palavra «contextualizado» mal ortografada («comtextualizado») transportou-me de imediato para o que me disseram hoje de manhã: que uma das jornalistas da Antena 1 encarregada da informação de trânsito dissera que havia um acidente na «Rua Brancã», em Lisboa. Enfim, embora cada vez mais, nestas coisas, me fie apenas em mim mesmo, faço fé em quem ouviu. Escrevo-o assim para a mofa ser maior, mas a verdade é que não raras vezes se vê com n e não, como deve ser, com m: Rua Braamcamp. Ainda que a família de Anselmo José Braamcamp (1819-1885) fosse de origem holandesa, ao que parece, o apelido vem, linguisticamente, do baixo-alemão. Em qualquer caso, o p soa. Não bastava estropiarem, na pronúncia, o nome Garrett, agora também já começam a mutilar o apelido Braamcamp. Isto tudo mais o Caixodré e a Rua Duclolé, entre outras, é mortal.

 

[Texto 10 679]

Helder Guégués às 21:27 | comentar | favorito
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18
Out 18

Silabada ou convicção?

Antes surdo

 

      Está a passar agora O Esplendor de Portugal, na Antena 1. Rui Pêgo, o moderador, há minutos falava do caso do jornalista saudita Kashoggi e de «Âncara». Assim mesmo. Só não sei se foi silabada, se convicção. Estou que foi convicção, ou corrigir-se-ia. Talvez um dia venha a saber.

 

[Texto 10 144]

Helder Guégués às 19:58 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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30
Abr 18

Como se fala por aí

Antes surdo

 

      Na secção de lácteos do supermercado, um velhote de olhos písceos diz para outro: «A patroa disse para levar só os que não têm “làtose”.»

 

[Texto 9125]

Helder Guégués às 15:57 | comentar | favorito
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16
Mar 18

Pronúncia: «vacinação»

Prescrição: ouvir muito

 

      «A Ordem dos Enfermeiros recusa admitir qualquer requisito de entrada na profissão que passe pelo esquema vacinal, mas diz-se disponível para campanhas alargadas de vacinação e para discutir o investimento nos cuidados primários de saúde» («Enfermeiros recusam vacinação obrigatória como requisito para exercer profissão», Rádio Renascença, 16.03.2018, 12h15).

      Hum, os enfermeiros não acreditam nas vacinas... Bela mensagem deixam a todos nós, sim senhor. Bem, problema deles. Problema nosso é o bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, pronunciar a palavra «vacinação» como se lhe estivessem a espetar uma agulha enferrujada nas veias: abre o a de uma forma desmesurada — «vàcinação». Nada, não é assim, senhor doutor médico: essa vogalzinha é semiaberta.

 

[Texto 8933]

Helder Guégués às 12:59 | comentar | ver comentários (8) | favorito
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30
Out 17

Rajoy, Carles Puigdemont...

Chinês é mais fácil

 

      Puigdemont lá levou aquele corte de cabelo inenarrável para fora da Península Ibérica. Numa coisa, porém, tem mais sorte do que o chefe do Governo espanhol: toda a gente, fora de Espanha, lhe sabe pronunciar o nome. Mas Rajoy... Ontem, na sua rubrica na SIC, foi a vez de Marques Mendes tentar pronunciá-lo: Ragoy. Está bem, pronto, desde que não o diga à frente do próprio. Toda a gente lhe sabe pronunciar o nome, comecei por afirmar. Pode haver excepções: Marques Mendes guardou-se bem de pronunciar o nome Puigdemont. E nem é bom pensar como pronunciaria Carles Puigdemont.

 

[Texto 8280]

Helder Guégués às 22:36 | comentar | ver comentários (4) | favorito
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07
Set 17

Para dar o tom

Cala-te, melher

 

      E a propósito dos laivos de pronúncia lá da terra, anteontem Herman José comentou a fotografia de Madonna: «Essas raízes estão uma desgraça, melher.» Ora, isto lê-se até em traduções, por exemplo, para imitar deturpações no original: «Perguntem a quem quiserem, a sôra Porter é uma melher respeitável» (Anjos Rebeldes, Libba Bray. Tradução de Susana Serrão. Alfragide: Edições Asa II, 2014). «You ask anybody and they’ll tell you, Missus Po’er’s a respec’able toiype.»

 

[Texto 8133]

Helder Guégués às 08:48 | comentar | ver comentários (4) | favorito
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