30
Abr 18

Como se fala por aí

Antes surdo

 

      Na secção de lácteos do supermercado, um velhote de olhos písceos diz para outro: «A patroa disse para levar só os que não têm “làtose”.»

 

[Texto 9125]

Helder Guégués às 15:57 | comentar | favorito | partilhar
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16
Mar 18

Pronúncia: «vacinação»

Prescrição: ouvir muito

 

      «A Ordem dos Enfermeiros recusa admitir qualquer requisito de entrada na profissão que passe pelo esquema vacinal, mas diz-se disponível para campanhas alargadas de vacinação e para discutir o investimento nos cuidados primários de saúde» («Enfermeiros recusam vacinação obrigatória como requisito para exercer profissão», Rádio Renascença, 16.03.2018, 12h15).

      Hum, os enfermeiros não acreditam nas vacinas... Bela mensagem deixam a todos nós, sim senhor. Bem, problema deles. Problema nosso é o bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, pronunciar a palavra «vacinação» como se lhe estivessem a espetar uma agulha enferrujada nas veias: abre o a de uma forma desmesurada — «vàcinação». Nada, não é assim, senhor doutor médico: essa vogalzinha é semiaberta.

 

[Texto 8933]

Helder Guégués às 12:59 | comentar | ver comentários (8) | favorito | partilhar
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30
Out 17

Rajoy, Carles Puigdemont...

Chinês é mais fácil

 

      Puigdemont lá levou aquele corte de cabelo inenarrável para fora da Península Ibérica. Numa coisa, porém, tem mais sorte do que o chefe do Governo espanhol: toda a gente, fora de Espanha, lhe sabe pronunciar o nome. Mas Rajoy... Ontem, na sua rubrica na SIC, foi a vez de Marques Mendes tentar pronunciá-lo: Ragoy. Está bem, pronto, desde que não o diga à frente do próprio. Toda a gente lhe sabe pronunciar o nome, comecei por afirmar. Pode haver excepções: Marques Mendes guardou-se bem de pronunciar o nome Puigdemont. E nem é bom pensar como pronunciaria Carles Puigdemont.

 

[Texto 8280]

Helder Guégués às 22:36 | comentar | ver comentários (4) | favorito | partilhar
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07
Set 17

Para dar o tom

Cala-te, melher

 

      E a propósito dos laivos de pronúncia lá da terra, anteontem Herman José comentou a fotografia de Madonna: «Essas raízes estão uma desgraça, melher.» Ora, isto lê-se até em traduções, por exemplo, para imitar deturpações no original: «Perguntem a quem quiserem, a sôra Porter é uma melher respeitável» (Anjos Rebeldes, Libba Bray. Tradução de Susana Serrão. Alfragide: Edições Asa II, 2014). «You ask anybody and they’ll tell you, Missus Po’er’s a respec’able toiype.»

 

[Texto 8133]

Helder Guégués às 08:48 | comentar | ver comentários (4) | favorito | partilhar
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06
Set 17

Como falam os polícias

Talvez na mesma galáxia

 

      Paulo Rodrigues, da Associação Sindical dos Profissionais de Polícia (ASPP), a propósito do não descongelamento da carreira dos polícias: «Esperemos que não tênhamos de desenvolver nenhuma acção de protesto.»

 

[Texto 8129]

Helder Guégués às 08:11 | comentar | favorito | partilhar
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Como falam os políticos

Noutra galáxia

 

      Cavaco Silva, na «Universidade» de Verão da JSD: «Ele [Emmanuel Macron] afirmou testualmente: “Contrariamente a outros políticos, não farei dos jornalistas os meus confessores”.»

 

[Texto 8128]

Helder Guégués às 08:08 | comentar | ver comentários (4) | favorito | partilhar
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27
Jun 17

«Brexit»: como se pronuncia?

Boa desculpa

 

      Há meses que ando a reparar que nem toda a gente pronuncia a palavra brexit da mesma maneira. David Shariatmadari, jornalista do jornal The Guardian, reparou no mesmo e escreveu um artigo sobre a questão. Por cá, a palavra até já foi para alguns dicionários gerais da língua. O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, por exemplo, regista a pronúncia /ˈbrɛɡzit/, que por acaso não é a que eu uso. E digo sempre /'brɛk.sɪt/. Bem sei que «um homem só deve falar, com impecável segurança e pureza, a língua da sua terra: todas as outras as deve falar mal, orgulhosamente mal, com aquele acento chato e falso que denuncia logo o estrangeiro», mas se a palavra já está nos nossos dicionários...

 

[Texto 7953]

Helder Guégués às 16:23 | comentar | favorito | partilhar
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06
Mar 17

«Fêmea», pronúncia

A mão direita

 

      «A tartaruga marinha fémea, que ganhou a alcunha de “Banco”, estava a morrer de uma infeção causada pela rotura da sua carapaça ventral, causada pelos cinco quilos de peso das moedas» («Equipa médica retira 915 moedas do estômago de tartaruga», Lusa/TSF, 6.03.2017, 15h53).

      É precisamente a pronúncia que vou ouvindo cada vez mais, mas na escrita é uma estreia. Mas que abéculas! E são jornalistas... A pronúncia é com e tónico fechado, que na grafia, neste caso, é representado por acento circunflexo. Já sei que há pelo menos um «gramático» brasileiro que defende que é tudo igual. A única vingança que nos ocorre é não lhe mencionar o nome. (Decepar-lhe a mão direita, como estão aqui a sugerir-me, podia não ser a melhor opção. E se for esquerdino? E a língua?)

 

[Texto 7533]

Helder Guégués às 18:30 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
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