28
Jun 17

Léxico: «haxe»

Dez euros de louro

 

      «Traficante preso com 2 mil doses de ‘haxe’» (T. V. P., Correio da Manhã, 28.06.2017, p. 15). Tem de ir, como legítima redução vocabular de haxixe que é, para os dicionários. Poucas vezes passo pelas Portas de Santo Antão que não me venham oferecer, altruístas, haxe (na realidade, louro prensado). E podem dizer a T. V. P. que não precisa de aspas; vá lá, não tenha receio que isso não lhe salta para a boca.

 

[Texto 7959]

Helder Guégués às 17:57 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
Etiquetas: ,
04
Dez 16

Tradução: «déprime», de novo

Mas isso é em Espanha

 

      Lembram-se de aqui ter perguntado qual a melhor tradução de déprime, um termo coloquial francês? Vá lá, não sejam mentirosos. Vejam aqui. Bem, hoje lembrei-me de que em Espanha os mais jovens usam, coloquialmente, a abreviação vocabular depre para significar depressão. Tengo la depre.

 

[Texto 7299]

Helder Guégués às 09:13 | comentar | ver comentários (5) | favorito | partilhar
Etiquetas: ,
25
Out 16

«Poli, peli, boli»...

No caso concreto

 

      Já aqui falei mais de uma vez em redução vocabular, e em como é abundante na língua francesa. Também em castelhano há vários casos, como profe < profesor; boli < bolígrafo; poli < policía; metro < metropolitano; drogata < drogadicto; peli < película... E todas foram acolhidas pelo dicionário da Real Academia Espanhola. Mas a questão é como traduzir cada um desses termos em contexto. Apareceu-me agora mesmo poli, e a opção do tradutor foi verter para «polícia», e a minha seria «bófia».

 

[Texto 7189] 

Helder Guégués às 11:39 | comentar | ver comentários (2) | favorito | partilhar
Etiquetas: ,
16
Set 16

Sobre «básquete»

Agora, o português (I)

 

      Só ontem à noite é que me disseram que Sandra Duarte Tavares tem uma rubrica na RTP, Agora, o português (eles escrevem tudo com minúsculas, mal aconselhados), na qual continua a esbanjar os seus conhecimentos. Assim, à pergunta de José Pedro Vasconcelos sobre se é correcto ou incorrecto dizer-se «básquete», Sandra Duarte Tavares embrulhou-se de tal maneira, e ela teve forçosamente noção disso, que quem não sabia, e muitas seriam, nada ficou a saber. E que havia para saber, afinal? Muito pouco, mas certo: básquete, que está atestado nos dicionários, explica-se pelo fenómeno designado braquissemia, ou redução vocabular, como, já aqui o vimos, «foto» por «fotografia», «pneu» por «pneumático», «otorrino» por «otorrinolaringologista», «logo» por «logótipo», e tantas outras. A forma plena, basquetebol, vem do inglês basketball e é escassamente usada, precisamente por ser mais difícil de proferir e escrever. Tão-só isto.

 

[Texto 7090] 

Helder Guégués às 10:46 | comentar | ver comentários (2) | favorito | partilhar
Etiquetas: ,
08
Mar 16

Léxico: «logo»

Não é advérbio

 

      «É uma bandeira estilizada e arredondada, uma frase e a possibilidade de lhe adicionar módulos que identificam órgãos governativos e organismos dependentes do Governo — como aquele que respondeu às perguntas do PÚBLICO sobre o tema e cujo email é rematado pelo logo “República Portuguesa” e a respectiva identificação do “Gabinete da secretária de Estado adjunta do primeiro-ministro”, Mariana Vieira da Silva» («António Costa troca marca Governo de Portugal por República Portuguesa», Joana Amaral Cardoso e Maria Lopes, Público, 8.03.2016, p. 26).

      É a forma reduzida de logótipo, mais usada na oralidade do que na escrita. Não está registada em muitos dicionários.

 

[Texto 6671]

Helder Guégués às 12:35 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
05
Mai 15

Ortografia: «hétero»

Anda perto

 

     «Atacar o presidente do Instituto Português do Sangue por este 
ter afirmado no Parlamento que está definido como factor de exclusão para a dádiva de sangue “ser um homem que tem sexo com homens” não é lutar contra
 o preconceito — é um reflexo pavloviano que inverte direitos 
(o direito fundamental em causa não é dar sangue mas sim receber o sangue mais seguro possível), apouca questões científicas e saca da pistola só porque se está a falar de um tratamento diferenciado entre gays e heteros» («Sangue, gays e discriminação», João Miguel Tavares, Público, 5.05.2015, p. 48).

    Já vimos algures que esta redução vocabular se grafa com acento agudo, hétero. (E o nome da entidade é Instituto Português do Sangue e da Transplantação, IPST.)

 

[Texto 5820]

Helder Guégués às 11:21 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
Etiquetas: ,
14
Jun 14

Se «químio», então «rádio»

É por eles

 

 

    aqui falámos de químio, forma reduzida da palavra «quimioterapia», registada, por exemplo, no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, que, contudo, não acolhe a forma reduzida de «radioterapia», rádio. Só venho falar da questão por causa dos troca-tintas que escrevem confiantemente (com a confiança dos ignorantes, pois claro) «quimio» e «radio».

 

[Texto 4719]

Helder Guégués às 15:03 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar