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Linguagista

Léxico: «contar de»

Mais uma que levou sumiço

 

      «Os bracarenses que, em 1687, contavam de setenta anos além, lembravam-se de ter visto os magníficos festejos com que o arcebispo, primaz das Espanhas, D. Rodrigo da Cunha, tinha sido recebido, em 1627, às portas e nos paços da cidade querida de tantíssimos príncipes santos da igreja, desde S. Pedro de Rates até frei Bartolomeu dos Mártires» (O Santo da Montanha, Camilo Castelo Branco. Lisboa: Parceria A. M. Pereira, 1972, p. 57). Ora cá está uma regência que desapareceu de todos os dicionários, e, contudo, vemo-la também em Gil Vicente.

 

[Texto 15 817]

«Cumprir com»

Neste caso, não a usaria

 

      «A questão é que para saber sair da União Europeia é preciso conhecê-la muito bem, e conhecer muito bem para onde se vai, e a elite brexiteira do Reino Unido nunca se esforçou por cumprir com nenhum desses desideratos. [...] Continua o mito do “Brexit” pela ideia de que, desamarrado da Europa, o Reino Unido pode cumprir com um “destino global”. Mas esse destino global tem um problema: depende da soberania dos outros» («Estranha forma de assumir controlo», Rui Tavares, Público, 16.01.2019, p. 48).

      Um leitor descontente pergunta-me se esta regência do verbo «cumprir» está correcta. Está. Foi consagrada por vários autores e encontramo-la nos dicionários de regências verbais e até em alguns dicionários gerais. No sentido de levar a efeito, executar cabal e pontualmente, é indiferente usar uma ou outra regência: Cumprir (com) a palavra. Ainda assim, diga-se que, neste caso concreto, eu não usaria esta regência.

 

[Texto 10 596]