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Linguagista

«Cumprir com»

Neste caso, não a usaria

 

      «A questão é que para saber sair da União Europeia é preciso conhecê-la muito bem, e conhecer muito bem para onde se vai, e a elite brexiteira do Reino Unido nunca se esforçou por cumprir com nenhum desses desideratos. [...] Continua o mito do “Brexit” pela ideia de que, desamarrado da Europa, o Reino Unido pode cumprir com um “destino global”. Mas esse destino global tem um problema: depende da soberania dos outros» («Estranha forma de assumir controlo», Rui Tavares, Público, 16.01.2019, p. 48).

      Um leitor descontente pergunta-me se esta regência do verbo «cumprir» está correcta. Está. Foi consagrada por vários autores e encontramo-la nos dicionários de regências verbais e até em alguns dicionários gerais. No sentido de levar a efeito, executar cabal e pontualmente, é indiferente usar uma ou outra regência: Cumprir (com) a palavra. Ainda assim, diga-se que, neste caso concreto, eu não usaria esta regência.

 

[Texto 10 596]

«Consistir em», de novo

Como usar o verbo

 

      «Tanto Michell como Laplace consideravam que a luz consistia de partículas, como balas de canhão, que podiam ser abrandadas pela gravidade e obrigadas a voltarem para a estrela» (A Minha Breve História, Stephen Hawking. Tradução de Pedro Elói Duarte. Lisboa: Gradiva, 2014, p. 64).

      Saberão os tradutores e os revisores que o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora tem, ainda não para todos, evidentemente, notas sobre a regência dos verbos? Em certa medida, já substitui, pelo menos nestes casos mais básicos, um mais completo e específico verbo de regências.

 

[Texto 9659]