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Linguagista

Confusões

Falhou na terminação

 

      «“Os concursos são abertos uma vez por ano e no princípio do ano. Já as licenciaturas terminam no ano anterior e as pessoas têm de esperar. Os concursos são muito difíceis e a taxa de aprovação é muito baixa (80% de insucesso nas provas) e isso pode afastar algumas pessoas. Além disso, a lei do CEJ exige que se tenha licenciatura em direito e mestrado na área do direito, mestrado feito após a licenciatura. Para a advocacia não é necessário isso. Outro motivo que pesa é a taxa de 210 euros para a candidatura, o que não é despiciente numa altura de carência de recursos dos candidatos” [afirma o juiz conselheiro João Miguel, director do Centro de Estudos Judiciários]» («Bolsa de 1.200 euros não cativa candidatos à magistratura», Liliana Monteiro, Rádio Renascença, 25.01.2022, 7h51).

      Despiciente? Está errado. O senhor juiz queria dizer despiciendo, «que merece desprezo»; despiciente, que também existe, significa «que despreza ou desdenha».

 

[Texto 17 311]

Obrigado, obrigada

Ela aprendeu

 

      «‘La Noche de Anoche’, sedutora colaboração com Bad Bunny, foi apresentada bem juntinho do público e em dueto com quem se quis juntar a ela, entre bandeiras portuguesas e espanholas, num momento de comovente partilha ibérica. ‘Diablo’ chegou com Rosalía sentada numa cadeira de barbeiro, enquanto recebia alguns retoques no cabelo e na maquilhagem, seguindo depois, sozinha ao piano, pela intensidade minimalista de ‘Hentai’. “Obrigado por serem tão carinhosos comigo”, agradeceu, antes de nova viagem ao passado para ‘Pienso En Tu Mirá’ e uma versão de ‘Perdóname’, clássico do reggaeton das panamenses La Factoría» («Rosalía incansável, até ao ‘olé’ final, na Altice Arena: houve duetos com os fãs, sentiu-se o flamenco e até lágrimas lhe caíram», Mário Rui Vieira, Blitz/Expresso, 28.11.2022, 3h14).

      Mentira: eu estava lá (Balcão 1, F-26), pude ouvir e Rosalía sempre disse «obrigada» — demonstrando assim que aprendeu, ao contrário do jornalista do Blitz. É triste, mas é assim. E até pensei, quando a ouvia: «Quantos portugueses — jornalistas, professores, tradutores, etc. — não erram nisto?»

 

[Texto 17 310]