04
Ago 20

Confusão: «jurado | júri»

O homem plural

 

      «Estive há uma semana em Évora a participar como júri no concurso promovido pela Confraria dos Enófilos do Alentejo» («Nós e os outros», João Paulo Martins, «Revista E»/Expresso, 13.06.2020, p. 84).

 

 

[Texto 13 850]

Helder Guégués às 09:30 | comentar | favorito
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24
Jul 20

Léxico: «taipa | taipalada»

Nada disso

 

      Ainda não está tudo dito ou corrigido sobre a taipa. Até suspeito que o principal ainda não foi dito. Na definição do dicionário da Porto Editora, taipa é a «parede feita com terra argilosa aplicada sobre taipal (molde de construção)». Será mesmo terra argilosa? Terra argilosa... mas quão argilosa? É certo que a presença de argila garante coesão e resistência à acção da água, mas o excesso de argila provoca fendas, por causa do efeito de retracção. A propósito da taipa preta, já vimos que a taipa boa não pode ter material orgânico. Deve, isso sim, ser arenosa, rica em pedras miúdas e pouco argilosa. Para aumentar a resistência mecânica à tracção da taipa, adicionavam-se, por vezes, fibras vegetais como palha. Quem já viu paredes de taipa sabe que é assim. E a taipa não é feita por blocos? A cada bloco de taipa dá-se o nome de taipalada.

 

[Texto 13 791]

Helder Guégués às 10:00 | comentar | ver comentários (2) | favorito

Definição: «cobalto»

Agora não é só para isso

 

      «O Grupo BMW anunciou que contratou com a companhia de mineração marroquina Managem Group o fornecimento de “cobalto sustentável”, isto é, “extraído e processado ​​em condições eticamente responsáveis”, no valor de 100 milhões de euros, para o período de 2020 a 2025. O aprovisionamento, avança o conglomerado alemão, suprirá apenas “cerca de um quinto das suas necessidades” dessa matéria-prima. [...] “O cobalto é uma matéria-prima essencial para a mobilidade eléctrica”, realçou o membro do conselho de administração da BMW AG, responsável pela rede de compras e fornecedores, Andreas Wendt» («BMW compra 100 milhões em cobalto. Mas não chega», Simone Carvalho, Observador, 21.07.2020, 13h04).

      O dicionário da Porto Editora só refere que o cobalto se emprega no fabrico de certos tipos de aços e de corantes, e na radioterapia e na radiografia. Pois, mas estamos no século XXI e agora tudo anda à volta das baterias para dispositivos electrónicos ou para automóveis eléctricos.

 

 [Texto 13 784]

Helder Guégués às 08:15 | comentar | ver comentários (1) | favorito
23
Jul 20

Menos vago

Que imprecisão...

 

      No programa Radicais Livres, na Antena 1, estavam ontem a falar de Amália Rodrigues. Inevitavelmente, Alain Oulman veio à baila. Na Infopédia, sobre Alain Oulman, blá-blá-blá e isto: «Foi assim criado num ambiente conservador, tendo frequentado o liceu francês.» Seria então «um liceu francês». Mas isso seria, a meu ver, estúpido tributo à detestável vagueza. Não: Oulman com certeza frequentou — havia outro? — o Liceu Francês Charles Lepierre, Lycée Français Charles Lepierre. À bientôt!

 

[Texto 13 782]

Helder Guégués às 11:00 | comentar | ver comentários (1) | favorito

Como se escreve nos jornais

Não digam isso (porra!)

 

      «A China anunciou esta quarta-feira que foi forçada pelos Estados Unidos a encerrar o seu consulado na cidade norte-americana de Houston, numa medida descrita por Pequim como uma “provocação”. Porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, afirma que o consulado foi fechado “para proteger a propriedade intelectual e as informações privadas dos norte-americanos”. [...] O país chinês advertiu que vai haver “retaliação”. “A China condena veementemente esta ação ultrajante e injustificada”, disse o porta-voz da diplomacia chinesa Wang Wenbin, em conferência de imprensa» («EUA encerram consulado da China para proteger propriedade intelectual e informações privadas», Observador, 22.07.2020, 10h05).

      Apetece dar um piparote nestes crânios e perguntar se mora lá alguém. Epígonos do Correio da Manhã.

 

[Texto 13 778]

Helder Guégués às 10:00 | comentar | favorito
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22
Jul 20

Léxico: «commodity»

Mas não devia acontecer

 

      Acontece a todos: «Depois já faço.» Dá nisto, por exemplo: no verbete de commodity, no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, a indicação fonética, sempre útil, ficou desta linda maneira: «knullnullmnulldnulltnull». Isto de os dicionários não terem revisão é simplesmente inacreditável.

 

[Texto 13 765]

Helder Guégués às 09:00 | comentar | ver comentários (1) | favorito
20
Jul 20

De novo: «mandado | mandato»

Eles dizem que sabem

 

      «Os deputados municipais do PSD em Lisboa defendem o uso obrigatório de máscaras em qualquer espaço público, interior ou exterior, propondo que a autarquia avance com um mandato. “Recomendações e meias medidas não estão a funcionar”, alegam» («PSD quer máscaras na rua», Público, 17.07.2020, p. 13). Mas que mandato? No editorial, o mesmo: «Rio concorda com Costa que a resposta à pandemia “não é momento” para avaliar a democraticidade da União Europeia; o PSD defende um mandato municipal para obrigar ao uso de máscara nas ruas de Lisboa, a ADSE pagou por um tratamento enganador para a covid-19 e a PJ deteve cinco pessoas por burla qualicada; e o coordenador do combate ao novo coronavírus no Norte do país, o secretário de Estado da Mobilidade, não se apercebeu da concentração despreocupada dos adeptos do FC Porto nas ruas da cidade» («A covid fez do mundo uma bizarria», Amílcar Correia, Público, 17.07.2020, p. 6). Na véspera, num artigo de Maria Lopes, o mesmo. No Observador também ninguém teve mais cabeça para pensar. Nem todos, porém, abdicaram de pensar: «A bancada do PSD da Assembleia Municipal de Lisboa defendeu, esta quinta-feira, o uso obrigatório de máscaras na rua e propõe que o Executivo avance com um mandado municipal nesse sentido» («Assembleia Municipal de Lisboa. PSD defende uso obrigatório da [sic] máscaras na rua», Sol, 16.07.2020).

      Bem ou mal definido que esteja nos nossos dicionários, só pode ser mandado: «DIREITO determinação escrita emanada de autoridade judicial ou administrativa» (in Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora).

 

[Texto 13 743]

Helder Guégués às 08:00 | comentar | favorito
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17
Jul 20

Definição: «clinómetro»

A mais comum, afinal

 

      «Será que é possível medirmos a altura de uma árvore muito alta?», perguntava a monitora do programa «Pedalada de Ciência», organizado pelo Exploratório de Coimbra e que se realiza no Parque Verde do Mondego. A resposta é sim, claro. «Para isso vamos ter de construir um clinómetro.»

      Só é pena que a definição de clinómetro no dicionário da Porto Editora não mencione essa utilidade: «designação genérica dos instrumentos que servem para medir inclinações, espessura de camadas, a obliquidade da quilha dos navios, etc.». Afinal, é a que está mais próxima de nós.

 

[Texto 13 740]

Helder Guégués às 10:15 | comentar | ver comentários (1) | favorito