26
Fev 21

Definição: «trinca»

Moçambicano?

 

      «As pessoas podem ajudar com “um simples saquinho de comida ou um saquinho de areão, que custa 1,90 euros, uma garrafa de lixívia, que custa 60 cêntimos ou um saquinho de trinca de arroz que custa 50 cêntimos”, diz Maria do Céu Sampaio, afirmando que “tudo isto é muito bem-vindo para estas associações”» («Morte de donos por covid-19 está a deixar muitos animais “órfãos”», Sábado, 20.02.2021).

      A Porto Editora até o regista, sim, mas afirma que é termo coloquial moçambicano. Nem moçambicano nem coloquial.

 

[Texto 14 745]

Helder Guégués às 10:00 | favorito
25
Fev 21

Ortografia: «lucioperca»

Um lúcio, uma perca, um lucioperca

 

      «Depois da dificuldade sentida em anos mais recentes, que levaram mesmo a encurtar os períodos de pesca, tendo surgido algumas centenas de peixes mortos nos meses mais quentes — devido à seca e à propagação de parasitas —, agora João Maria Grilo [presidente da Câmara Municipal de Alandroal] quer aproveitar a oportunidade proporcionada por um ano abundante em água que vai enriquecer a qualidade do barbo, lúcio-perca, da carpa e do achigã» («Alqueva a três metros da cota máxima anima turismo, agricultura e pesca», Roberto Dores, Diário de Notícias, 18.02.2021, p. 17).

      Se pegássemos num lúcio e numa perca, Roberto Dores, talvez fosse, teratologicamente, isso, mas não — a grafia é mesmo lucioperca. Não podemos retroagir, mas que aprenda para o futuro.

 

[Texto 14 739]

Helder Guégués às 11:30 | favorito
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24
Fev 21

Como se escreve por aí

Ora bolas

 

      «Produto do Iluminismo inglês, Turner sabia que a cor é uma qualidade da luz e que esta é sinónimo de conhecimento. [...] Habituados, por hábito cultural, a pensar que o impressionismo nasceu em França em 1872 com a “Impressão, Nascer do Sol”, de Claude Monet, esquecemo-nos que meio século antes Turner já se revelara um impressionista (sem ninguém o ter notado)» («A luz é Deus. A pintura de J. M. W. Turner», Jorge Calado, Expresso, 19.02.2021, 13h18).

      Também eu peço: «Mehr Licht!» Então, que raio de critério leva alguém a escrever aqui «Iluminismo» e, cinco linhas à frente, «impressionismo»? Sejamos exigentes com os bons, pois que os maus não têm conserto.

 

[Texto 14 728]

Helder Guégués às 08:00 | favorito
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23
Fev 21

Como se escreve por aí

Só vejo um erro

 

      «Voltamos à relação bilateral e percebe-se como Portugal é tão especial para o diplomata, que fala com gosto das Descobertas, nota que Juan de Fuca, que navegou na costa ocidental do Canadá ao serviço de Filipe II, era um grego, tal como havia gregos na frota de Magalhães, um deles, de Chios, um dos 18 que regressaram com Elcano a Espanha, fazendo a circum-navegação. Também a língua portuguesa lhe é querida, notando que talvez 30% das palavras tenham origem grega, e nem sempre as óbvias, mas também, por exemplo, “assintomáticos”, que até pronunciamos igual» («“Um alentejano combateu na guerra da independência grega”», Leonídio Paulo Ferreira, Diário de Notícias, 20.02.2021, 00h26).

      Só é pena o nome da ilha, que é Quios. Chios é coisa de ratos, Leonídio Paulo Ferreira.

 

[Texto 14 723]

Helder Guégués às 08:00 | favorito
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15
Fev 21

Definição: «colaboracionismo»

Pois é...

 

      «Na verdade, Mega é um mestre a disfarçar-se atrás de lugares comuns [sic] e de frases de salão destinados à fácil missão de convencer os convencidos. Mas, também, e sobretudo, a convencer-se e a iludir-se (nomeadamente, de que o seu colaboracionismo nunca existiu)» («25 de Abril: um apóstolo do socialismo», João Pedro George, Sábado, 11-17.02.2021, p. 78).

      Desconhecia — desconhecíamos todos, pelos vistos — o verdadeiro currículo de António Mega Ferreira. Muito interessante... Bem, mas agora é tarde de mais. Depois de uma vida (ou duas) entre mordomias proporcionadas pela proximidade ao poder, nada se pode fazer. Façamos nós algo pela língua. Colaboracionismo, diz o dicionário da Porto Editora (e nenhum diz coisa diferente), é «1. política de colaboração com forças ocupantes de um determinado país; 2. atitude dos apoiantes dessa colaboração». Bem, não se aplica ao caso. A solução vai o leitor menos desprevenido encontrá-la na segunda acepção de colaboracionista do mesmo dicionário: «que ou pessoa que colabora com uma determinada situação política». Ah, afinal não é apenas a atitude do que colabora com forças ocupantes de um determinado país. No caso, era com o regime salazarista-marcelista. Recordar, como se sabe, é uma actividade perigosa.

 

[Texto 14 692]

Helder Guégués às 09:00 | ver comentários (1) | favorito

As confusões habituais

Como se não houvesse dicionários

 

      Erro que se vê muito: «A enfermeira Margarida Rodrigues diz à SÁBADO que os “atropelos” eram espectáveis» («Como falhou o plano de vacinação», Marco Alves, Lucília Galha e Margarida Davim, Sábado, 11-17.02.2021, p. 32). Um dos três podia ter comprovado que não é assim. Temos espectável e expectável. No contexto, o que se esperava era expectável — que se pode esperar; provável. Já espectável é o digno de ser visto; notável.

 

[Texto 14 691]

Helder Guégués às 08:30 | favorito
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