19
Jun 18

«Por que motivo/razão/diabo/carga de água...»

Entalados estão os leitores

 

      «O líder parlamentar do PSD quer saber porque razão o governo não vai pagar a totalidade do tempo de serviço dos professores» («Professores entalados», Carlos Rodrigues, Correio da Manhã, 19.06.2018, p. 48). Vá outra vez, nós somos capazes, senhor director executivo: «O líder parlamentar do PSD quer saber por que razão o Governo não vai pagar a totalidade do tempo de serviço dos professores.»

 

[Texto 9449]

Helder Guégués às 09:33 | comentar | favorito | partilhar
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Petromax → petromax

Temos de ser uns para os outros

 

      «Mas estou certa [de] que à vítima não compete dar o primeiro passo, enfrentar a burocracia, procurar ajuda ou sequer comprar um Petromax» («As vítimas de Pedrógão», Fernanda Cachão, Correio da Manhã, 19.06.2018, p. 2).

      Fernanda Cachão, é petromax, minúscula, porque ocorreu aqui o mesmo fenómeno (derivação imprópria) que em Gillettegilete, por exemplo. Estou certo de que fica grata. (Também a aconselhava a mudar a fotografia que tem na página da Internet do Correio da Manhã, porque faz lembrar o esgar do busto de Ronaldo que estava no Aeroporto da Madeira, mas não o faço, podia levar a mal.)

 

[Texto 9446]

Helder Guégués às 08:17 | comentar | favorito | partilhar
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«Mantém» por «mantêm»

Que estranho...

 

      «Os poucos partidos da esquerda extrema que mantém [sic] relações com a Coreia do Norte acabam sempre por relativizar esse aspecto que, na minha perspectiva, é nitidamente o mais determinante da ideologia do país» (Dentro do Segredo: Uma Viagem na Coreia do Norte, José Luís Peixoto. Lisboa: Quetzal, reimpressão de Janeiro de 2017, p. 120).

      E para quê daquela maneira se existe e está consolidado o uso do termo «extrema-esquerda»? Ou um conceito político também já é passível de literatizar desta forma? Bem, o resultado não se recomenda. «Mantém» por «mantêm» é outro erro imperdoável, mais um a revelar que, afinal, o livro precisa mais do que de reimpressões.

 

[Texto 9444]

Helder Guégués às 07:44 | comentar | favorito | partilhar
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18
Jun 18

Como se escreve por aí

O Céu e o Inferno

 

      «CEO da Audi detido devido a escândalo de emissões» (TSF, 18.06.2018, 11h15). «Esta segunda-feira, durante o romper do sol em Munique, a polícia deteve Rupert Stadler, o presidente executivo da Audi, uma marca do universo Volkswagen (99,5%)» («Uma decisão inesperada: protagonista da Audi sofre punição severa», Abílio Ferreira, Expresso Diário, n.º 1200, 18.06.2018).

 

[Texto 9442]

Helder Guégués às 20:17 | comentar | favorito | partilhar
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Cem vezes: «Pirenéus»

Trema!

 

      «Tinha-se apaixonado por um dos críticos, com quem iniciara uma ativa troca de cartas: Joaquim de Vasconcelos, mais velho dois anos, admirador da cultura germânica e que também se deixou arrebatar, dispondo-se a ir ao seu encontro com tanta determinação que, na falta de comboios, parados devido à terceira guerra carlista, atravessou os Pirinéus a cavalo» («Carolina Michaelis [sic], uma alemã apaixonada por Portugal», Anabela Natário, Expresso Diário, n.º 1200, 18.06.2018).

      A meu ver, quem escreve sobre Carolina Michaëlis não devia dar um erro ortográfico daquele calibre. Anabela Natário, é Pirenéus. Há por ali outras gralhas e descuidos, mas, no todo, é interessante. Eu, por exemplo, não sabia isto: «Carolina tinha cinco irmãos, entre os quais Henriette, lexicógrafa, autora dos primeiros dicionários Michaelis, apelido da família pelo qual Carolina ficará conhecida.»

 

[Texto 9441]

Helder Guégués às 20:03 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
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«Trazer a uso»

Olha o rifoneiro português

 

      Como eu ia dizendo, precisada de reedição: «Muitas vezes, tratava-se de armas usadas e pareciam ser um presente prático, para trazer ao uso» (Dentro do Segredo: Uma Viagem na Coreia do Norte, José Luís Peixoto. Lisboa: Quetzal, reimpressão de Janeiro de 2017, p. 211).

      Então não é «a uso» que se diz, que sempre se disse? Vestir a uso e comer a gosto, até se costuma dizer. Alfabeticamente, antes destoutro adágio, sem ligação, mas muito interessante: «Vi um homem que viu outro que viu o mar.» Isto fez-me lembrar a teoria, provavelmente já desmentida e confirmada dezenas de vezes, que diz que cada indivíduo no mundo está a seis graus de qualquer outra pessoa.  

 

[Texto 9440]

Helder Guégués às 17:01 | comentar | favorito | partilhar
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«Debate instrutório»

Um retoque

 

      «Para amanhã está marcado o início do debate de instrução, uma espécie de pré-julgamento em que se avalia se há indícios suficientes para levar o caso à barra ou se, pelo contrário, o processo é arquivado. Foi a defesa do presidente da junta que requereu a abertura da instrução, em Maio, depois de o Ministério Público ter deduzido a acusação» («Autarca de Carnide arrisca pena de prisão no caso dos parquímetros», João Pedro Pincha, Público, 18.06.2018, p. 15).

      Parece-me uma boa explicação do que é o debate instrutório — é este o nome que sempre vi e que a lei, nomeadamente o Código de Processo Penal, usa. No Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, lê-se a seguinte definição: «debate oral realizado perante o juiz, no âmbito de um processo-crime e durante a fase de instrução, com a finalidade de se discutir se subsistem ou não elementos no processo que justifiquem a submissão do arguido a julgamento». Eu diria, porque o diz a lei, «debate oral e contraditório».

 

[Texto 9438]

Helder Guégués às 14:58 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar

Léxico: «sorvete»

Revejam a receita

 

      Finalmente, estamos com temperaturas mais altas do que na Rússia. Por isso é que, como sobremesa, comi sorvete de limão. Só não gosto da receita do sorvete no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora: «doce que se congela, geralmente preparado com água, açúcar e polpa de fruta». Não é o que leio na generalidade dos dicionários e em livros de culinária, nos quais é referido quase sempre o leite.

 

[Texto 9437]

Helder Guégués às 14:01 | comentar | favorito | partilhar