17
Jan 20

Definição: «frenologia | craniologia»

Como as sinapses

 

      Porto Editora, dizes que a frenologia/frenologismo é a «antiga e desacreditada teoria científica que considerava a conformação e as protuberâncias do crânio como indicativas das faculdades ou aptidões mentais do indivíduo; frenologismo». Esta pseudociência, porém, não pretendia conhecer, pela forma do crânio, apenas as aptidões ou faculdades dos indivíduos — mas também o próprio carácter. (Assim, a título de exemplo, a fidelidade conjugal era revelada pela forma do crânio atrás das orelhas...) Mais uma vez, não fazes as remissões necessárias, como, por exemplo, para craniologia, que defines como o «estudo dos crânios [sic], em correlação com a ocorrência de aptidões e instintos dos indivíduos». Faltam aqui umas palavrinhas: mais uma pseudociência. As remissões nos dicionários — toma nota — são como que as sinapses no nosso cérebro.

 

[Texto 12 653]

Helder Guégués às 09:00 | comentar | ver comentários (2) | favorito
16
Jan 20

Léxico: «recessivo»

O monge Gregor não ia gostar

 

      Mendel, ervilhas... É aqui: a Porto Editora diz-nos que recessivo significa, em biologia, o «(carácter) que fica oculto, não se manifestando em presença do outro que prevalece (o dominante)». Até parece que os nossos irmãos da Real Academia Galega copiaram a estrutura, mas a definição é muito melhor, mais correcta: «Bioloxía [Carácter] que non se manifesta no híbrido ou heterocigoto da primeira xeración, pero que permanece latente e pode aparecer nas seguintes xeracións.»

 

[Texto 12 648]

Helder Guégués às 09:45 | comentar | ver comentários (1) | favorito

Léxico: «peridoto | olivina»

Não é o que diz quem sabe

 

      De peridoto, o dicionário da Porto Editora remete para olivina (mas não, como já é pecha antiga, vice-versa) e já está: «MINERALOGIA mineral (um nesossilicato) que é, quimicamente, um silicato de magnésio e ferro, cristaliza no sistema ortorrômbico e tem cor esverdeada ou castanha». Não é, todavia, bem assim: olivina é o mineral, que, quando polido e engastado numa peça, se chama peridoto. É diferente. Mais: as cores variam, mais precisamente, entre verde-oliva, amarelo-claro e avermelhada, por causa da oxidação do ferro.

 

 [Texto 12 647]

Helder Guégués às 09:30 | comentar | ver comentários (1) | favorito

Léxico: «géiser»

Nada clara

 

      Outro vocábulo que me parece muito mal definido é géiser/gêiser: «GEOLOGIA fonte quente cuja actividade se caracteriza pela projecção no espaço, com intervalos regulares, de jactos de água e vapor». Muito pouco informativo, e até ambíguo. «Tipo di sorgente termale caratteristica di regioni vulcaniche quiescenti, da cui a intermittenza fuoriesce, in forma di getti violenti e, talora, altissimi, acqua (di origine per lo più freatica e surriscaldata da gas iuvenili) contenente in genere sostanze varie (come silice, idrogeno solforato), che, ricadendo al suolo, lascia spesso un deposito opalino biancastro di geyserite» (in Treccani).

 

 [Texto 12 646]

Helder Guégués às 09:15 | comentar | ver comentários (1) | favorito

De Macintosh a Mac

Não é assim

 

      MacOS, pode ler-se num texto de apoio da Infopédia, é o «nome oficial do sistema operativo da Macintosh». Será mesmo? A empresa chama-se Apple (fundada como Apple Computer Inc. a 1 de Abril de 1976), e não Macintosh. Tudo ligado às maçãs, isso sim. O nome Macintosh, que Steve Jobs quis usar para o seu primeiro computador, pertencia a uma empresa de som profissional. Jobs, audiófilo, con$eguiu convencer a empresa a ceder-lhe o nome, e o resto já conhecemos. Pelo menos alguns de nós. Entretanto, porém, perto da passagem do milénio, a empresa abandonou quase totalmente o nome, passando a designar o seu computador pela redução vocabular (já usada também para a variedade de maçãs que esteve na sua origem) Mac, a ponto de actualmente só haver um vestígio quase oculto do nome anterior: os discos rígidos são designados Macintosh HD.

 

 [Texto 12 645]

Helder Guégués às 09:00 | comentar | ver comentários (1) | favorito

Léxico: «sextilião»

É muito mais

 

     «Segundo os cientistas, a temperatura média dos oceanos aumentou no ano passado em cerca de 0,075 graus centígrados [sic] face à média de 1981-2010. Para atingir essa temperatura o oceano terá absorvido 228 sextiliões (228 seguido de 21 zeros) de joules de calor» («Oceanos atingem temperaturas mais altas na história da Humanidade», Rádio Renascença, 13.01.2020, 21h52).

      Isso é no Brasil, que usa a escala curta na nomenclatura de números grandes. Em Portugal, um sextilião é um milhão de quintiliões, ou seja, a unidade seguida de trinta e seis zeros. Sim, leram bem, trinta e seis zeros: 1 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000.

 

[Texto 12 644]

Helder Guégués às 08:45 | comentar | favorito
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Léxico: «zoroastrismo»

Uns pequenos acertos

 

      Sobre o zoroastrismo, lê-se no dicionário da Porto Editora que é a «religião fundada no século VII a.C. por Zoroastro (ou Zaratustra), que se caracteriza pelo culto a Ahura-Mazda (considerado o deus supremo), pela divinização das forças naturais e pela crença em dois princípios antagónicos – o Bem (Ormuzd) e o Mal (Ariman) – que se combaterão até ao fim dos tempos; mazdeísmo». Já por aqui andámos. Começava por separar o nome: Ahura Mazda. Não pretendo que num dicionário se diga que gostava de cães, mas não de gatos, isso não, mas não era pedir muito que se situasse o espaço em que tudo decorreu: apesar de se ter estendido da Grécia à Índia, o zoroastrismo nasceu na Pérsia, e creio que no século VI a. C., e não século VII. Também seria útil e adequado dizer-se que era uma religião monoteísta (que muito influenciou as três grandes religiões do Ocidente, cristianismo, judaísmo e islamismo) e que ainda sobrevive actualmente na Índia — e aqui remetia-se para os Parses.

 

[Texto 12 641]

Helder Guégués às 08:00 | comentar | ver comentários (1) | favorito
15
Jan 20

O explosivo verbo «implodir»

Fica para a próxima

 

      «O médico lamenta a saída de profissionais para o sector privado e a dificuldade de contratação por parte do SNS. “Tenho algum receio de que se não forem contratados mais recursos humanos o SNS imploda» («Radiologia: “Tenho algum receio de que se não forem contratados mais recursos humanos o SNS imploda”», Ana Maia, Público, 13.01.2020, p. 13).

      Ai que vergonha, Ana Maia, que vergonha... Mas talvez tudo se explique pela numerologia: na página 13 da edição do dia 13 (mas felizmente não era sexta-feira), alguém se ia espalhar, e tinha de ser Ana Maia porque o resto da página é publicidade. Confunde — sempre as confusões — com o verbo explodir, que, segundo alguns (pouquíssimos, não é consensual), admite, no presente do conjuntivo, as formas expluda/exploda. Até sentimos o coração aos trancos.

 

[Texto 12 637]

Helder Guégués às 09:00 | comentar | favorito
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