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Linguagista

Sobre «bufete»

Por pouco

 

 

      «El bufete del abogado Mario Pascual Vives», lia-se na edição de ontem do El País, «que defiende a Urdangarin, ha declinado confirmar si hoy está previsto algún encuentro entre el letrado y el duque.»

      Nesta acepção, é galicismo que não chegou a este extremo da Península Ibérica. Uf, foi por pouco. Chegámos, todavia, muito perto, pois uma das acepções de «bufete», em português, é secretária antiga; papeleira. Ao que parece — e ao contrário da maioria dos galicismos, que, ou foram adoptados nos séculos XIII e XIV ou no século XVIII e depois –, começou a ser usado em castelhano no século XVI. De mesa de escribir con cajones passou, já se percebe por que processo, a designar o estudio o despacho de un abogado e mesmo a própria clientela del abogado.

 

[Texto 983]

Sobre «tácito»

Vogar e ciar

 

 

      Não se diz que o silêncio é de ouro e muitas vezes é resposta? Tácito é, ainda que, no caso da língua portuguesa, seja raríssimo nesta acepção, calado, silencioso. (Na Eneida, navega-se «com os tácitos remos», isto é, voga surda, calada do remo.) Interessante é ver como, deste sentido, passou também a significar o que não é preciso dizer por estar implícito ou subentendido, o que não é expresso abertamente mas que facilmente se pode intuir. A própria lei fazer decorrer efeitos do silêncio. E, claro, também temos o silêncio significativo.

 

[Texto 312]