15
Dez 20

Sobre Omã

Cansaram-se

 

      «O Omã tem cerca de cinco milhões de habitantes, mas quase 40% são estrangeiros. No total já morreram no país perto de 1.500 pessoas. Este postal é escrito por uma portuguesa que resistiu à tentação de abandonar o país onde vive há oito anos com o seu marido e filhos» («“Para muitos a pandemia significou o fim da sua história em Omã”», Maria João Trindade, 15.12.2020, 6h33).

      Omã não aceita artigo, tal como, entre outros, Chipre, erro com que deparamos com demasiada frequência, até em obras revistas. Sim, a população passa actualmente um pouco os 5 milhões, mas a Infopédia parou a contagem (a «contabilidade», diriam muitos jornalistas) logo ali pouco depois dos 2,5 milhões.

 

[Texto 14 487]

Helder Guégués às 11:36 | ver comentários (1) | favorito
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16
Nov 20

Topónimo: «Islamabade»

Ou possam entrar

 

      «Zaavan, um elefante residente num jardim zoológico paquistanês, tornou-se um símbolo para os ativistas de direitos animais espalhados pelo mundo, quando, em 2012, perdeu o parceiro. Após 35 anos de confinamento nas instalações do zoológico de Islamabade, onde o seu estado de saúde se foi agravando, o mamífero encontra-se em condições médicas consideradas adequadas para abandonar o local» («A aventura de Kaavan. Elefante mais solitário do mundo volta ao meio natural 35 anos depois», Catarina Maldonado Vasconcelos, TSF, 7.09.2020, 12h26). Na Infopédia, creio que apenas num dicionário bilingue se encontra esta grafia — que devíamos preferir. Ora, até no texto do Acordo Ortográfico de 1990 se lê isto: «Recomenda-se que os topónimos/topônimos de línguas estrangeiras se substituam, tanto quanto possível, por formas vernáculas, quando estas sejam antigas e ainda vivas em português ou quando entrem, ou possam entrar, no uso corrente. Exemplo: Anvers, substituído por Antuérpia; Cherbourg, por Cherburgo; Garonne, por Garona; Genève, por Genebra; Jutland, por Jutlândia; Milano, por Milão; München, por Muniche; Torino, por Turim; Zürich, por Zurique, etc.»

 

[Texto 14 335]

Helder Guégués às 09:00 | favorito
14
Nov 20

Topónimo: «Melburne»

Raramente

 

      «O paciente, que está a ser tratado numa sala isolada de um hospital de Melburne, tinha chegado à Austrália no dia 19 de janeiro vindo de Wuhan, cidade chinesa epicentro do surto» («Austrália anuncia primeiro caso de coronavírus no país», Expresso, 25.01.2020, 9h50).

      É relativamente raro ver esta grafia do topónimo. Nem sequer ocorre nos textos de apoio da Infopédia. Contudo, é a grafia recomendada por Ivo Xavier Fernandes na sua obra Topónimos e Gentílicos (Editora Educação Nacional, 1941).

 

[Texto 14 330]

Helder Guégués às 09:00 | ver comentários (2) | favorito
23
Set 20

Emília-Romanha, Véneto, Toscana, etc.

Os toscos

 

      «Em Janeiro votou-se na Emilia-Romagna e na Calábria, agora 18,6 milhões de eleitores escolhem os governos de sete regiões — para além da Toscana, Veneto, Campânia, Ligúria, As Marcas, Apúlia e Vale d’Aosta (região francófona com o seu próprio sistema partidário)» («Sete regiões votam, mas futuro da direita joga-se na Toscana», Sofia Lorena, Público, 20.09.2020, p. 22).

      Não vimos já mais de uma vez que devemos dizer Emília-Romanha? Como também é Véneto. (Mas, na Infopédia, encontramo-lo com e sem acento é conforme dá na veneta.) Vá lá, escreveu Toscana e não, como fazem muitos toscos, «Toscânia». (Como corrigi na semana passada no texto de um autor português.)

 

[Texto 14 013]

Helder Guégués às 10:30 | ver comentários (1) | favorito
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29
Ago 20

Oriente Próximo | Médio Oriente

Sempre o inglês

 

      «No Antigo Oriente Próximo, hoje designado Médio Oriente, os procedimentos funerários variavam de comunidade para comunidade e de indivíduo para indivíduo» («Descoberta a cremação humana mais antiga. Tem nove mil anos», Ana Rita Maciel, Público, 15.08.2020, p. 37).

      Já agora, não se justifica que «antigo» esteja grafado com maiúscula. Mas sim, hoje em dia designa-se por Médio Oriente, mas não é nada raro encontrar na imprensa e em algumas traduções menos cuidadas Oriente Próximo, quando por detrás está o inglês Near East.

 

[Texto 13 878]

Helder Guégués às 09:00 | ver comentários (4) | favorito
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20
Jul 20

Barém, e por isso baremita

Aprendam com a Apple

 

      À primeira vista, a versão 6.2.8 do watchOS interessa mais aos baremitas com o relógio da Apple. Vendo bem, porém, interessa também aos portugueses que insistem em usar grafias alienígenas: «A aplicação ECG no Apple Watch Series 4 ou posterior passa a estar disponível no Barém, no Brasil e na África do Sul.»

      E até com ponto final! Isto já é um luxo — ia escrever «perluxuoso», mas a Porto Editora não autoriza —, pois até seguidores deste blogue escrevem comentários só com minúsculas e sem ponto final.

 

[Texto 13 744]

Helder Guégués às 08:15 | ver comentários (1) | favorito
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