19
Jul 18

Gotinga

Nada de estranho

 

      «Isto porque, durante a Segunda Guerra Mundial, os Alemães se haviam comprometido a não bombardear Oxford e Cambridge; em compensação, os Ingleses não bombardeariam Heidelberga nem Gotinga» (A Minha Breve História, Stephen Hawking. Tradução de Pedro Elói Duarte. Lisboa: Gradiva, 2014, p. 11).

      Gotinga, pois claro. As formas vernáculas dos topónimos estrangeiros só são estranhas se não as usarmos. Até porque Göttingen dá muito mais trabalho a escrever, desde logo pelo trema, que nem todos conseguem obter nos teclados (coitados).

 

[Texto 9654]

Helder Guégués às 08:38 | comentar | favorito | partilhar
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02
Jun 18

Rio... Mississipe

É só falta de hábito

 

      «— Não — disse ele, procurando ser áspero para com ela —. Não sou o dono disto e não sou dono de coisa alguma no Mississipe, deste lado da escarpa» (O Irresistível Big Buck, Erskine Caldwell. Tradução de João Gaspar Simões. Lisboa: Editorial Inquérito, s/d, p. 38).

      Bem visto, pois claro. E está assim na Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira. (Nos volumes iniciais, na verdade, porque nas actualizações já não é assim: o mundo tem vindo insensivelmente a piorar.) Já se está a ver a vantagem desta grafia.

 

[Texto 9327]

Helder Guégués às 21:05 | comentar | ver comentários (3) | favorito | partilhar
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19
Abr 18

Reino de eSwatini?...

E o gentílico?

 

      «O Rei da Suazilândia, Mswati III, anunciou esta quinta-feira que quer mudar o nome do país para Reino de eSwatini. [...] Durante o discurso, o monarca referiu que o país iria regressar ao seu nome original “antes de ser colonizado pelos britânicos” (a Suazilândia é independente desde 1968) para evitar confusões: “Sempre que vamos ao estrangeiro, as pessoas referem-se a nós como Suíça”» («Suazilândia muda de nome para não se confundir “com a Suíça”», Rádio Renascença, 19.04.2018, 19h07).

      Os mais obedientes, porventura em todo o mundo, serão os jornalistas portugueses. Basta ver como até se pelam por dizer «Mumbai». Agora, vão passar a vasculhar notícias sobre esse tal Reino de eSwatini só para se mostrarem informados. Esta é uma mudança que tinha necessariamente de esperar pelo século XXI: vejam aquele e minúsculo. Agora há muita coisa assim, é a electrificação do mundo. Audi e-tron.

 

[Texto 9083]

Helder Guégués às 23:52 | comentar | ver comentários (4) | favorito | partilhar
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11
Abr 18

Topónimo: «Tindufe»

Grande lógica...

 

      Caiu um avião militar na Argélia. «Segundo a agência Reutres [sic]», lê-se no sítio da Rádio Renascença, que actualizou a notícia às 12h10, «entre as vítimas mortais estão 26 membros da Frente Polisário, um movimento político-revolucionário argelino a favor da autonomia do território do Saara Ocidental» («Avião militar cai na Argélia. Cerca de 200 pessoas terão morrido», 11.04.2018, 9h36).

     Pode dizer-se que é um movimento político-revolucionário argelino só por ter o apoio da Argélia? Não me parece. A Argélia, tal como outros Estados, rejeita a administração do Sara Ocidental. A Frente Polisário, exilada no território argelino, representa a República Árabe Sarauí. Em Tindufe (que isto sirva também para fixar a grafia), na Argélia, vivem cerca de cem mil sarauís. Por essa lógica, não tarda e afirmam que o movimento independentista catalão é belga ou alemão.

 

[Texto 9036]

Helder Guégués às 14:24 | comentar | favorito | partilhar
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14
Mar 18

Região das Marcas

Isso é português?

 

      «As autoridades da cidade de Fano, na região de Las Marcas, procederam à retirada de 23 mil habitantes do centro histórico, depois de ser encontrada uma bomba durante umas obras em curso» («Pessoas retiradas de cidade italiana devido a bomba da Segunda Guerra Mundial», TSF, 13.03.2018, 23h13).

      Porquê «Las Marcas»? E, como veio da Lusa, está assim em todos os lados. Na Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, é, sem surpresa, região das Marcas que se lê.

 

[Texto 8916]

Helder Guégués às 11:31 | comentar | favorito | partilhar
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02
Fev 18

Topónimos em português

Muito bem

 

      «Pelo menos cinco pessoas morreram na queda de dois helicópteros do Exército francês. O acidente aconteceu perto do lago Carcès, no sudeste da França. [...] Carcès é uma comuna francesa na região administrativa da Provença-Alpes-Costa Azul, no departamento de Var, no sudeste da França» («Acidente com dois helicópteros faz cinco mortos em França», Rádio Renascença, 2.02.2018, 9h24).

      É só querermos, e tudo fica em português. Sim, Provença-Alpes-Costa Azul, e não, como outros escreverão, Provence-Alpes-Côte d’Azur.

 

[Texto 8665]

Helder Guégués às 09:48 | comentar | favorito | partilhar
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16
Jan 18

Silva Escura

Coisas da selva

 

      «Um homem de 69 anos matou a mulher de 66 anos e tentou cometer suicídio, esta terça-feira de manhã, na residência do casal, em Silva Escura, Sever do Vouga, disse à Lusa fonte da GNR» («Idoso matou a mulher e tentou cometer suicídio», Rádio Renascença, 16.01.2018, 14h05).

      Interessante este topónimo, Silva Escura. Saberão os nossos leitores que «silva», etimologicamente, significa «selva»? Sabiam? Cuidado com o nariz. Sim, há registos de que esta localidade já tinha este nome numa época anterior ao século X, sendo já habitada nessa altura, e era então coberta, precisamente, por cerrada selva — a silva do nome. E há mais Silvas no País.

 

[Texto 8588]

Helder Guégués às 19:26 | comentar | ver comentários (4) | favorito | partilhar
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15
Jan 18

Trebizonda, rapaziada da RR

Eles sabem lá

 

      Já viram as imagens de um avião que falhou a pista e quase caiu na água, na Turquia? Na Rádio Renascença (aqui) escrevem que «o aparelho da Pegasus Airlines tentava aterrar no Aeroporto de Trabzon, na Turquia». Coitados, nunca ouviram falar em Trebizonda. Parece que só já nas agências de viagem sabem que sempre foi este o nome em português desta cidade turca que já teve vários nomes e variantes ortográficas.

 

[Texto 8580]

Helder Guégués às 08:35 | comentar | favorito | partilhar
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08
Nov 17

Ortografia: «Hébron»

Ou não sei nada

 

     Já li alguma coisa da Bíblia, sim, mas não me lembrava nada de Macpela. É o nome de um campo, um terreno, e de uma caverna na vizinhança (Cave of Machpelah, para a legião de anglófonos que nos segue) de Hébron, comprados por Abraão ao hitita Efrom por 400 siclos de prata. A caverna serviu de sepultura para Sara, esposa de Abraão, e pelo menos para mais cinco outras personagens: Abraão, Isaac, Rebeca, Jacob e Lia. Está tudo no Génesis. Isto está tudo muito bem, acho eu, mas porque é que na reputadíssima Bíblia dos Capuchinhos se lê Hebron e não Hébron? Não é assim? Éden, hífen, Hébron, Sídon, Sólon...

 

[Texto 8309]

Helder Guégués às 12:41 | comentar | favorito | partilhar
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