14
Nov 18

Argélia, Argélia, Argélia

Com resipiscência

 

      «Os portugueses estão no “top 5” dos povos com maior liberdade para voar no mundo. Segundo um novo relatório do Índice de Passaportes da Henley, publicado em outubro, Portugal partilha o quinto lugar da lista com os Estados Unidos, Reino Unido, Noruega Áustria, Luxemburgo e Holanda. [...] Entre os países que os portugueses ainda não podem visitar sem visto estão a Rússia, a China, a Índia, a Algéria ou a Líbia» («Portugal está no “top 5” dos passaportes mais poderosos do mundo», Rádio Renascença, 14.11.2018, 9h50).

      Não digas mais nada, Rádio Renascença: já percebemos que nunca tinhas reparado que em português se diz Argélia e não Algéria, como se diz argelino e não algeriano. Mais vale tarde, e com alguma resipiscência.

 

[Texto 10 287]

Helder Guégués às 11:12 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
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03
Nov 18

Porto Sudão

Excepto isso...

 

      Hoje, mal entrei na Bertrand do La Vie, na Guarda, o livro que me veio parar às mãos foi Porto-Sudão, de Olivier Rolin, publicado pelos Livros do Brasil. Antes de o folhear, a pergunta: porquê o hífen? Desde quando? Ora, não será porque em francês se diz Port-Soudan e os tradutores muitas vezes não conseguem descolar do original? Aliás, a capa apresenta logo outro erro: «Coleção Miniaturas». Ah, está bem, segue o Acordo Ortográfico de 1990...

 

[Texto 10 229]

Helder Guégués às 21:17 | comentar | favorito | partilhar
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18
Out 18

Catânia

Pior do que nos jornais?

 

      «O flanco sudeste do monte Etna, o vulcão mais ativo da Europa, está a deslizar para o mar, diz um estudo publicado na semana passada na revista Science Advances. [...] O Etna situa-se na parte oriental da Sicília, entre as províncias de Messina e Catânia» («Monte Etna está a deslizar para o mar e pode causar tsunami no Mediterrâneo», Patrícia Jesus, Diário de Notícias, 17.10.2018, 10h21).

      Catânia. Parece-me bem. Ora, num texto de apoio da Infopédia sobre este vulcão, a opção foi outra: «Vulcão localizado na Sicília, Itália, perto de Catania, o Etna é um dos vulcões mais ativos do Mundo e o maior da Europa. Ergue-se a uma altitude de 3350 m e a sua base ronda os 2400 km.»

 

[Texto 10 137]

Helder Guégués às 08:44 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
12
Set 18

Hokkaido/Hocaido

Não queremos mais, obrigado

 

      «Compete pelo Japão, mas tem tido aulas para melhorar o domínio da língua materna. E ao que parece a história de amor dos pais foi complicada pelas diferenças culturais: os avós japoneses de Naomi estiveram anos sem falar com a filha por causa da relação. Dentro de dias, a tenista vai ao Japão, a Tóquio. O avô, que vive em Hokaido, a ilha mais setentrional das quatro grandes japonesas, está orgulhoso do feito da neta e já disse que assistirá ao Toray Pan Pacific Open» («E elogiar a japonesa Naomi em vez de só se falar da birra de Serena?», Leonídio Paulo Ferreira, Diário de Notícias, 11.09.2018, 13h51).

    Uma alma mais benevolente (e desatenta) dirá que é uma tentativa de aportuguesamento. Será — mas canhestra e extemporânea. Já temos Hocaido. Lá porque o Acordo Ortográfico de 1990 readmitiu, em má hora, as tais três letrinhas antes proscritas, não quer dizer que se possa proceder assim. Com um k apenas, é erro, não aportuguesamento. «Na Ásia os exemplos mais característicos de paisagem geométrica encontramo-los na Sibéria, e até no Extremo Oriente, nomeadamente em Hocaido e na Manchúria» (Geografia: Aspectos de Portugal e do Mundo Contemporâneo, Odete Sousa Martins. Lisboa: Emp. Lit. Fluminense, 1977, p. 72).

 

[Texto 9902]

Helder Guégués às 11:17 | comentar | favorito | partilhar
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10
Set 18

Mompilher

Com o rabo de fora

 

      É verdade, o tradutor verteu também o topónimo: a Montpellier preferiu Mompilher. Sim, é verdade que a edição é de 1948, e isso diz quase tudo. Mompilher encontra-se em dicionários, vocabulários, certas obras com algumas décadas, mas desapareceu do dia-a-dia. E, contudo, temos aqui um gato escondido com o rabo de fora: dá-se o nome de escamónea-de-mompilher a uma planta (Cynanchum acutum) existente em Portugal, de que se extraía uma substância purgante utilizada em produtos farmacêuticos, e que em língua francesa se conhece por scammonée de Montpellier.

 

[Texto 9891]

Helder Guégués às 15:32 | comentar | ver comentários (4) | favorito | partilhar
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06
Set 18

Léxico: «Guzerate»

Andam lá perto

 

      «A estátua é uma homenagem a Sardar Vallabhbhai Patel, herói indiano que lutou pela independência do país na década de 1940 e primeiro vice-ministro do país depois da independência, além de outros cargos durante a formação do Estado da Índia. Patel, também chamado “homem de ferro da Índia”, nasceu no estado de Gujarate a 31 de outubro de 1875, pelo que a estátua foi construída no mesmo estado e será inaugurada nesse dia de 2018» («Estátua mais alta do mundo está na Índia», Rádio Renascença, 6.09.2018, 8h15).

      Não: em português, é Guzarate ou Guzerate, opção também de Rebelo Gonçalves. No verbete do gentílico, também o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora acolhe guzarate e guzerate, mas a definição tem de ser corrigida. Veja-se: «natural ou habitante da região indiana de Guzerate». Estado, não região.

 

[Texto 9871]

Helder Guégués às 09:24 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
23
Ago 18

Topónimo: «Catar»

É assim tão difícil?

 

      «Para os espectadores da emissora de televisão jornalística do Catar a série começa, após uma breve introdução, com o tráfico de escravos português e com o historiador G. Ugo Nwokeji a declarar o seguinte: “no começo, (a escravatura) foi um projecto português. Os portugueses acabavam de sair das Cruzadas, durante as quais tinham levado a cabo uma guerra terrível contra os muçulmanos. Uma parte da aventura (portuguesa) em África visava, aliás, protegê-los dos muçulmanos e manter uma vantagem sobre estes.”» («Falsificando a história: da Al Jazira para os ingénuos deste mundo», João Pedro Marques, Público, 21.08.2018, p. 38).

 

[Texto 9819]

Helder Guégués às 07:08 | comentar | favorito | partilhar
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16
Ago 18

Ligúria

Gente problemática

 

      «O primeiro-ministro italiano declarou 12 meses de estado de emergência na região da Liguria, onde se desmoronou a ponte de Génova» («Estado de emergência na região de Liguria», Rádio Renascença, 15.08.2018, 17h07).

      Hum, problemas também com os acentos? Tantas dificuldades... «Para dar uma ilustração da compleição dos recrutas, num pequeno cantão da costa da Ligúria, 72% dos recrutas em 1792-99 tinham menos de um metro e meio de altura» (Este É o Reino de Portugal, José Brandão. S. Pedro do Estoril: Saída de Emergência, 2015). A redacção não tem um vocabulário? «Ligúria, top. f.», pode ler-se na página 609 do Vocabulário da Língua Portuguesa de Rebelo Gonçalves. 

 

[Texto 9794]

Helder Guégués às 08:01 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
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27
Jul 18

Ilha de Siquino

Surpreendia era se estivesse certo

 

      «Uma equipa de arqueólogos gregos descobriu recentemente um túmulo intacto de uma mulher aristocrata que terá sido sepultada há 1800 anos, na ilha de Sikinos, Grécia. [...] Os arqueólogos acreditam que o mausoléu na pequena ilha que faz parte das Cíclades – um grupo de ilhas no norte do mar Egeu – terá sido construído para abrigar o túmulo de “Neko”, ou “Νεικώ”, segundo o alfabeto grego [sic]» («Descoberto túmulo de “Neko”, a aristocrata sepultada no meio de jóias», Paula Freitas Ferreira, Diário de Notícias, 23.07.2018, 17h46).

      São demasiadas ilhas para dizer aqui o nome em português das principais. Diga-se então o que importa neste momento: em português é Siquino.

 

[Texto 9696]

Helder Guégués às 07:56 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
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