07
Jul 19

Mascate e Cassapo

Isso nos folhetos

 

      «Essa viagem ia começar em Abu-Dhabi, passar por uma ilha de águas azul-turquesa, parar em Omã para duas visitas de médico a Muscat e Khasab (ambas com dedo português na sua história) e por fim demorar-se um pouco mais (na linguagem dos cruzeiros demorar é ficar mais do que umas horas no porto) no Dubai, antes de regressar a Abu Dhabi» («Um mundo no meio do mar», Ângela Marques, Sábado, 30.05.2019, p. 38).

      Dedo português que a jornalista apaga diligentemente ao limitar-se a ler os folhetos da MSC. Para nós, é Mascate e Cassapo (ou Caçapo). Não têm respeito nem orgulho na História e na língua.

 

[Texto 11 703]

Helder Guégués às 10:31 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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05
Jun 19

Cupão, Timor-Leste

Tudo como dantes

 

   Publicado há duas horas: «Air Timor e indonésia Transnusa anunciam para junho voos entre Díli e Kupang» (Observador, 5.06.2019).

      A ignorância é uma coisa muito triste: então agora é Kupang (como podia ser Koepang), quando há séculos dizemos Cupão? Já ocorreu a alguém contratar revisores competentes para a Lusa? E em ler qualquer coisinha, já pensaram? Nos jornais, continuam a colar simplesmente as notícias que recebem das agências, sem nenhum trabalho de edição. Venham cá depois falar-me em edições premium.

 

[Texto 11 482]

Helder Guégués às 14:42 | comentar | favorito
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10
Mai 19

«Boa-Hora | Moel»

E um pouco de memória

 

      «“Um pesado de recolha do lixo da Câmara de Lisboa, quando estava a fazer marcha-atrás, caiu de uma altura superior a quatro metros para a Travessa da Boa-Hora à Ajuda, em circunstâncias ainda por apurar”, disse fonte dos bombeiros, referindo que o alerta foi dado pelas 00h20» («Acidente aparatoso em Lisboa. Camião do lixo cai para a rua e danifica viaturas», Rádio Renascença, 10.05.2019, 7h54).

      São mais as vezes em que se vê sem hífen do que com hífen — mas é com hífen que se escreve. Na placa toponímica da Travessa da Boa-Hora ao Bairro Alto, garanto que o hífen está lá. Os topónimos também são maltratados, essa é a verdade. Já hoje corrigi aqui uma jornalista que escreveu «São Pedro de Muel». Seja verdade ou não que Moel vem de Moer (antiga denominação da ribeira de Moel, situada a norte de São Pedro de Moel), temos de convir que como mnemónica é muito útil.

 

[Texto 11 341]

Helder Guégués às 09:17 | comentar | favorito
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20
Fev 19

Endónimos e exónimos

Para reflexão

 

      É útil conhecer os endónimos, mas devemos usar a nossa ortografia e preferir os aportuguesamentos já consagrados, evitando, ao mesmo tempo, exónimos alheios. Assim, por exemplo, há um livro do inglês Geoff Dyer, com tradução de Maria João Freire de Andrade, que na edição portuguesa (Porto: Civilização, 2009) tem o título Jeff em Veneza, Morte em Varanasi. Será Vārānasī para qualquer indiano; para nós, é Benarés (ou Benares). A normalização dos nomes geográficos pode ser muito útil para as Nações Unidas, um governo, uma embaixada, uma publicação internacional — mas não, de certeza absoluta, para um romance traduzido para português.

 

[Texto 10 828]

Helder Guégués às 08:20 | comentar | favorito
11
Fev 19

Nova Zembla

Já agora, em russo

 

      Assim? «“As pessoas estão assustadas e têm medo de sair de casa. Os pais têm medo de deixar os filhos irem à escola ou ao jardim-de-infância”, afirmou à CNN, Alexander Minayev, administrador de Novaya Zemlya, um remoto arquipélago russo no oceano Ártico» («Pânico em ilha russa. Ursos polares esfomeados assustam população», Sandra Xavier, TSF, 11.02.2019, 14h55). Ou assim? «O arquipélago russo de Nova Zembla foi invadido por dezenas de ursos polares, obrigados a alterar as normais rotas de migração e trilho de caça devido às alterações climáticas e degelo dos glaciares» («Arquipélago russo invadido por ursos polares declara estado de emergência», Joana Gonçalves, Rádio Renascença, 22h40).

      Há sempre quem, com a mesma informação, faça melhor. Nova Zembla, pois claro, ou ainda escrevem em russo, com caracteres cirílicos, Нoвая Зeмля.

 

[Texto 10 770]

Helder Guégués às 23:53 | comentar | favorito
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No Redondo

Já andámos por aqui

 

      «São só 20,5 quilómetros, mas é o início da construção da famosa Linha Évora–Elvas que vai completar o corredor Sines­–Badajoz, um eixo essencial para o transporte ferroviário de mercadorias entre Portugal e Espanha. Trata-se do troço Évora Norte–Freixo, cuja cerimónia de adjudicação da empreitada de construção — no valor de 46,6 milhões de euros — é presidida hoje, no Redondo, pelo primeiro-ministro, António Costa» («Alentejo vai ter 3000 trabalhadores na construção da linha Évora–Elvas», Carlos Cipriano, Público, 11.02.2019, p. 23).

      É como sempre ouvi, com o artigo definido, até porque também temos um nome comum «redondo». Decerto, decerto, estes nem sempre mantêm o artigo definido, mas são excepções. Argumentar-se que, de maneira mais formal, se diz «concelho de Redondo» não colhe inteiramente, tanto mais que por vezes são adventícios que procedem assim. O que interessa mesmo é como as pessoas, e em especial os moradores, se exprimem. Uma coisa é certa: se não for apenas como eu digo, também é como eu digo.

 

[Texto 10 764]

Helder Guégués às 17:12 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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