23
Set 20

Emília-Romanha, Véneto, Toscana, etc.

Os toscos

 

      «Em Janeiro votou-se na Emilia-Romagna e na Calábria, agora 18,6 milhões de eleitores escolhem os governos de sete regiões — para além da Toscana, Veneto, Campânia, Ligúria, As Marcas, Apúlia e Vale d’Aosta (região francófona com o seu próprio sistema partidário)» («Sete regiões votam, mas futuro da direita joga-se na Toscana», Sofia Lorena, Público, 20.09.2020, p. 22).

      Não vimos já mais de uma vez que devemos dizer Emília-Romanha? Como também é Véneto. (Mas, na Infopédia, encontramo-lo com e sem acento é conforme dá na veneta.) Vá lá, escreveu Toscana e não, como fazem muitos toscos, «Toscânia». (Como corrigi na semana passada no texto de um autor português.)

 

[Texto 14 013]

Helder Guégués às 10:30 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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29
Ago 20

Oriente Próximo | Médio Oriente

Sempre o inglês

 

      «No Antigo Oriente Próximo, hoje designado Médio Oriente, os procedimentos funerários variavam de comunidade para comunidade e de indivíduo para indivíduo» («Descoberta a cremação humana mais antiga. Tem nove mil anos», Ana Rita Maciel, Público, 15.08.2020, p. 37).

      Já agora, não se justifica que «antigo» esteja grafado com maiúscula. Mas sim, hoje em dia designa-se por Médio Oriente, mas não é nada raro encontrar na imprensa e em algumas traduções menos cuidadas Oriente Próximo, quando por detrás está o inglês Near East.

 

[Texto 13 878]

Helder Guégués às 09:00 | comentar | ver comentários (4) | favorito
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20
Jul 20

Barém, e por isso baremita

Aprendam com a Apple

 

      À primeira vista, a versão 6.2.8 do watchOS interessa mais aos baremitas com o relógio da Apple. Vendo bem, porém, interessa também aos portugueses que insistem em usar grafias alienígenas: «A aplicação ECG no Apple Watch Series 4 ou posterior passa a estar disponível no Barém, no Brasil e na África do Sul.»

      E até com ponto final! Isto já é um luxo — ia escrever «perluxuoso», mas a Porto Editora não autoriza —, pois até seguidores deste blogue escrevem comentários só com minúsculas e sem ponto final.

 

[Texto 13 744]

Helder Guégués às 08:15 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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08
Abr 20

Topónimos alienígenas

No Porto escrevem assim?

 

      «Numa recente entrevista ao Corrière della Sera, Giorgio Palù, docente emérito de microbiologia em Pádova, professor de neurociência em Philadelphia e presidente cessante da Sociedade Europeia de Virologia, acrescentou outras razões. Antes de mais, a escolha de transferir os doentes de Codogno, primeiro foco do coronavírus, para outros hospitais “foi infeliz” e “emocional”» («Explicações para a hecatombe lombarda», Sandra Ferreira, Jornal de Notícias, 6.04.2020, p. 6). Sandra Ferreira, então agora é assim que se escrevem esses topónimos? Nunca os viu escritos de outra forma?

 

[Texto 13 113]

Helder Guégués às 09:15 | comentar | favorito
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19
Set 19

Cultura clássica de rastos

E os dicionários não ajudam?

 

      «O incêndio que deflagrou no fim-de-semana no Monte Hymettu, a 18 quilómteros [sic] de Atenas, está em recessão, de acordo com a Proteção Civil grega, mas ainda há trabalhos curso para extinguir o fogo» («Incêndio no Monte Hymettus ameaçou Atenas», Rádio Renascença, 12.08.2019, 9h27).

      Os jornalistas e a Antiguidade Clássica! Já sabemos como é. Na verdade, é o monte Himeto, a sudeste de Atenas, na Grécia, conhecido pelo mel sem igual que era lá produzido, graças ao tomilho que cobria as vertentes.

 

[Texto 12 003]

Helder Guégués às 03:30 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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07
Jul 19

Mascate e Cassapo

Isso nos folhetos

 

      «Essa viagem ia começar em Abu-Dhabi, passar por uma ilha de águas azul-turquesa, parar em Omã para duas visitas de médico a Muscat e Khasab (ambas com dedo português na sua história) e por fim demorar-se um pouco mais (na linguagem dos cruzeiros demorar é ficar mais do que umas horas no porto) no Dubai, antes de regressar a Abu Dhabi» («Um mundo no meio do mar», Ângela Marques, Sábado, 30.05.2019, p. 38).

      Dedo português que a jornalista apaga diligentemente ao limitar-se a ler os folhetos da MSC. Para nós, é Mascate e Cassapo (ou Caçapo). Não têm respeito nem orgulho na História e na língua.

 

[Texto 11 703]

Helder Guégués às 10:31 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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05
Jun 19

Cupão, Timor-Leste

Tudo como dantes

 

   Publicado há duas horas: «Air Timor e indonésia Transnusa anunciam para junho voos entre Díli e Kupang» (Observador, 5.06.2019).

      A ignorância é uma coisa muito triste: então agora é Kupang (como podia ser Koepang), quando há séculos dizemos Cupão? Já ocorreu a alguém contratar revisores competentes para a Lusa? E em ler qualquer coisinha, já pensaram? Nos jornais, continuam a colar simplesmente as notícias que recebem das agências, sem nenhum trabalho de edição. Venham cá depois falar-me em edições premium.

 

[Texto 11 482]

Helder Guégués às 14:42 | comentar | favorito
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10
Mai 19

«Boa-Hora | Moel»

E um pouco de memória

 

      «“Um pesado de recolha do lixo da Câmara de Lisboa, quando estava a fazer marcha-atrás, caiu de uma altura superior a quatro metros para a Travessa da Boa-Hora à Ajuda, em circunstâncias ainda por apurar”, disse fonte dos bombeiros, referindo que o alerta foi dado pelas 00h20» («Acidente aparatoso em Lisboa. Camião do lixo cai para a rua e danifica viaturas», Rádio Renascença, 10.05.2019, 7h54).

      São mais as vezes em que se vê sem hífen do que com hífen — mas é com hífen que se escreve. Na placa toponímica da Travessa da Boa-Hora ao Bairro Alto, garanto que o hífen está lá. Os topónimos também são maltratados, essa é a verdade. Já hoje corrigi aqui uma jornalista que escreveu «São Pedro de Muel». Seja verdade ou não que Moel vem de Moer (antiga denominação da ribeira de Moel, situada a norte de São Pedro de Moel), temos de convir que como mnemónica é muito útil.

 

[Texto 11 341]

Helder Guégués às 09:17 | comentar | favorito
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20
Fev 19

Endónimos e exónimos

Para reflexão

 

      É útil conhecer os endónimos, mas devemos usar a nossa ortografia e preferir os aportuguesamentos já consagrados, evitando, ao mesmo tempo, exónimos alheios. Assim, por exemplo, há um livro do inglês Geoff Dyer, com tradução de Maria João Freire de Andrade, que na edição portuguesa (Porto: Civilização, 2009) tem o título Jeff em Veneza, Morte em Varanasi. Será Vārānasī para qualquer indiano; para nós, é Benarés (ou Benares). A normalização dos nomes geográficos pode ser muito útil para as Nações Unidas, um governo, uma embaixada, uma publicação internacional — mas não, de certeza absoluta, para um romance traduzido para português.

 

[Texto 10 828]

Helder Guégués às 08:20 | comentar | favorito