20
Fev 19

Endónimos e exónimos

Para reflexão

 

      É útil conhecer os endónimos, mas devemos usar a nossa ortografia e preferir os aportuguesamentos já consagrados, evitando, ao mesmo tempo, exónimos alheios. Assim, por exemplo, há um livro do inglês Geoff Dyer, com tradução de Maria João Freire de Andrade, que na edição portuguesa (Porto: Civilização, 2009) tem o título Jeff em Veneza, Morte em Varanasi. Será Vārānasī para qualquer indiano; para nós, é Benarés (ou Benares). A normalização dos nomes geográficos pode ser muito útil para as Nações Unidas, um governo, uma embaixada, uma publicação internacional — mas não, de certeza absoluta, para um romance traduzido para português.

 

[Texto 10 828]

Helder Guégués às 08:20 | comentar | favorito
11
Fev 19

Nova Zembla

Já agora, em russo

 

      Assim? «“As pessoas estão assustadas e têm medo de sair de casa. Os pais têm medo de deixar os filhos irem à escola ou ao jardim-de-infância”, afirmou à CNN, Alexander Minayev, administrador de Novaya Zemlya, um remoto arquipélago russo no oceano Ártico» («Pânico em ilha russa. Ursos polares esfomeados assustam população», Sandra Xavier, TSF, 11.02.2019, 14h55). Ou assim? «O arquipélago russo de Nova Zembla foi invadido por dezenas de ursos polares, obrigados a alterar as normais rotas de migração e trilho de caça devido às alterações climáticas e degelo dos glaciares» («Arquipélago russo invadido por ursos polares declara estado de emergência», Joana Gonçalves, Rádio Renascença, 22h40).

      Há sempre quem, com a mesma informação, faça melhor. Nova Zembla, pois claro, ou ainda escrevem em russo, com caracteres cirílicos, Нoвая Зeмля.

 

[Texto 10 770]

Helder Guégués às 23:53 | comentar | favorito
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No Redondo

Já andámos por aqui

 

      «São só 20,5 quilómetros, mas é o início da construção da famosa Linha Évora–Elvas que vai completar o corredor Sines­–Badajoz, um eixo essencial para o transporte ferroviário de mercadorias entre Portugal e Espanha. Trata-se do troço Évora Norte–Freixo, cuja cerimónia de adjudicação da empreitada de construção — no valor de 46,6 milhões de euros — é presidida hoje, no Redondo, pelo primeiro-ministro, António Costa» («Alentejo vai ter 3000 trabalhadores na construção da linha Évora–Elvas», Carlos Cipriano, Público, 11.02.2019, p. 23).

      É como sempre ouvi, com o artigo definido, até porque também temos um nome comum «redondo». Decerto, decerto, estes nem sempre mantêm o artigo definido, mas são excepções. Argumentar-se que, de maneira mais formal, se diz «concelho de Redondo» não colhe inteiramente, tanto mais que por vezes são adventícios que procedem assim. O que interessa mesmo é como as pessoas, e em especial os moradores, se exprimem. Uma coisa é certa: se não for apenas como eu digo, também é como eu digo.

 

[Texto 10 764]

Helder Guégués às 17:12 | comentar | favorito
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08
Fev 19

Centro-Oeste

Também acontece

 

      «Na última semana, os Estados Unidos foram assolados por um vórtice de frio polar, que atingiu sobretudo a região do Centro-Oeste. As temperaturas chegaram a baixar aos 53 graus negativos. Pelo menos, 21 pessoas morreram devido à vaga de frio extremo» («Gata “Fluffy” congelou durante vaga de frio polar, mas sobreviveu para contar», Rádio Renascença, 7.02.2019, 20h48).

      De quando em quando, lá se enganam — e escrevem correctamente. Mid-West, Centro-Oeste.

 

[Texto 10 740]

Helder Guégués às 08:27 | comentar | favorito
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04
Fev 19

Terceiro pólo

Quanto a topónimos, é para esquecer

 

      «Dois terços dos glaciares das montanhas do Hindu-Kush-Himalaias poderão derreter até ao fim do século se o planeta continuar a aquecer por causa dos gases de efeito de estufa, segundo um estudo científico publicado esta segunda-feira. O chamado “terceiro polo”, por causa da quantidade de gelo ali concentrada, estende-se por 3.500 quilómetros, entre o Afeganistão e a Birmânia, e a continuação do aquecimento global ameaça desestabilizar os grandes rios da Ásia, concluíram os investigadores do Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado da Montanha, uma organização sedeada em Katmandu, no Nepal» («Dois terços dos glaciares dos Himalaias podem derreter até 2100», TSF, 4.02.2019, 13h36).

      Na verdade, Indocuche (ou Indo-Cuche), «sediada», Catmandu, entre outros pormenores.

 

[Texto 10 710]

Helder Guégués às 14:44 | comentar | favorito
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16
Jan 19

Gidá, Arábia Saudita, tantos do tal

Não, só assim

 

      «Cristiano Ronaldo foi o autor do único golo que decidiu a Supertaça Italiana entre Juventus e AC Milan. A “Vecchia Signora” venceu por 1-0 e ergueu o primeiro troféu da temporada. [...] A partida foi disputada na Arábia Saudita, no Estádio Rei Abdullah, em Jidá, com cerca de 62 mil espectadores nas bancadas» («Juventus vence Supertaça Italiana com golo de Ronaldo», Eduardo Soares da Silva, Rádio Renascença, 16.01.2019, 19h28).

      O que o plumitivo renascentista não sabe é que não se deve escrever com jota, mas assim: «Gidá, top. Forma vernácula que pretere o estrangeirismo Djeddah», como nos diz Rebelo Gonçalves no Vocabulário da Língua Portuguesa (p. 497).

 

[Texto 10 600]

Helder Guégués às 23:08 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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15
Dez 18

Médio-Oeste

É português

 

      «Como Kelly era dono de parte da terceira maior empresa de transportes do Médio-Oeste e Oeste, deve ter sido uma réstia de génio que me levou a tentar conquistar a filha naquele lugar» (Um Sonho Americano, Norman Mailer. Tradução de Eduardo Saló. Lisboa: Livros do Brasil, 1988, p. 7).

      Em quantas traduções não se optou por deixar no original, Midwest? Decerto, ainda há opções mais descabeladas.

 

            [Texto 10 460]

Helder Guégués às 16:02 | comentar | favorito
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30
Nov 18

Bacu

Muito bem

 

      «No Estádio Olímpico de Bacu, levou quatro minutos a marcar o primeiro e fez mais cinco nos restantes 86, construindo aquela que foi a maior goleada da época» («O Sporting de Keizer está a crescer depressa e bem», Marco Vaza, Público, 30.11.2018, p. 44).            

      É muito para espantar — e aplaudir, pois claro — que tenham decidido escrever assim este topónimo. Se estendessem a tudo o resto esta coerência, seria excelente.

 

            [Texto 10 383]

Helder Guégués às 19:35 | comentar | favorito