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Linguagista

Tradução: «vide-grenier(s)»

Pensar mal

 

      Não, a tradutora não tem razão: vide-greniers traduz-se mais correctamente por feira da ladra do que por venda de garagem, como ela fez. Vejamos a definição do Larousse: «Manifestation commerciale, généralement organisée par une municipalité, au cours de laquelle des particuliers vendent de vieux objets.» E ainda temos um terceiro conceito, feira da bagageira. E, se formos ao dicionário do L’Internaute, ficamos com menos dúvidas, pois é definido aí como a «manifestation qui regroupe des particuliers souhaitant vendre des objets de toutes sortes de façon occasionnelle». Ora, isto não acontece numa venda de garagem. Como sempre, basta pensar um pouco.

 

[Texto 15 577]

Vale dos Cinco Leões

Não assentam numa forma

 

      «A Frente Nacional de Resistência do Afeganistão (NRF) que combate contra os talibãs na província afegã do Panshir negou o controlo da região pelas forças do Emirado Islâmico e assegura que os combates continuam» («Vale do Panshir. Frente Nacional da Resistência nega derrota face aos talibãs», Rádio Renascença, 6.09.2021, 9h25). Aqui, Panshir, como sempre tenho visto, mas na chamada para o artigo, lê-se isto: «Vale do Panchir. Frente Nacional da Resistência nega derrota face aos talibãs». Ainda pensei que fosse algum aportuguesamento, mas é apenas desmazelo. Transliterado, será qualquer coisa como Dare-ye Panjšēr, que literalmente significa Vale dos Cinco Leões. Ora, não tem Ken Follett uma obra com o título em português O Vale dos Cinco Leões? É isso, é o mesmo vale. Também se vê a grafia Panjshir, como aqui: «Caiu o Vale do Panjshir, região montanhosa considerada inexpugnável em 40 anos de guerra e única bolsa ainda não tomada pelos talibãs» («“Quero dizer aos canalhas que eu nunca serei preso”», Cristina Peres, Expresso Curto, 8.09.2021).

 

[Texto 15 444]