Tradução: «podestà»
Não é indiferente
«O Palácio Bembo-Boldù é hoje um hotel boutique de seis quartos, mas conserva na fachada um nicho do séc. XVI que escapa aos mais incautos. Uma escultura de Cronos, i.e., Saturno, segurando um disco solar. Mandado colocar por Gianmatteo Bembo com a seguinte inscrição em latim: “Enquanto este girar (o Sol), Zara, Cattaro, Capodistria, Verona, Chipre e Creta serão testemunhas dos meus atos.” Assim imortalizou os seus feitos como podesta (presidente de câmara) nas referidas cidades. Riva del Carbon, 4793» («A Veneza de Corto Maltese também é nossa», Ana Pina, O Jornal Económico, 18.07.2025, p. 45).
Talvez valha a pena dizer alguma coisa sobre a tradução de podestà, com que me debati para uma revisão (no caso, porém, era no contexto do fascismo). A tradução da jornalista é funcional para o leitor comum, mas claramente anacrónica. O cargo de podestà nessa época combinava competências judiciais, militares e administrativas, e não tem correspondência directa com o presidente de câmara moderno.
[Texto 21 598]