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Linguagista

«Divisivo», já nacionalizado

Era escusado

 

      Mais escusada é esta, e os nossos dicionários já a sancionaram, o que também há-de acabar por acontecer com «tóxico» naquele sentido que por aí se usa cada vez mais (até mais, aposto, do que «divisivo»): «Parlamento autoriza viagem presidencial ao Qatar, a mais divisiva deslocação de Marcelo» (Susete Francisco, Diário de Notícias, 23.11.2022, p. 6). Há outras formas de expressar a ideia. Assim, por exemplo: «A deslocação de Marcelo Rebelo de Sousa ao Qatar para assistir ao jogo de estreia da selecção portuguesa de futebol no Mundial 2022 foi ontem aprovada, mas não sem provocar divisões na bancada do PS e do PSD» («Viagem de Marcelo ao Qatar confirmada no Parlamento (com divisões no PS e PSD)», Liliana Borges e Marta Moitinho Oliveira, Público, 23.11.2022, p. 9).

 

[Texto 17 286]

Tradução: «l’ombre au tableau»

Uma sombra

 

      «Para se medir o benefício de que Diogo do Couto passava a fruir, convém lembrar que os papéis de Salsete e Bardês se encontravam até então em poder dos vigários das freguesias, e os livros de chancelaria em mãos do próprio governador do Estado. A provisão especifica que, mesmo que os párocos se mostrassem renitentes, fossem obrigados pelo arcebispo de Goa a entregar os papéis ao guarda-mor. Única sombra no quadro: o guarda-mor não passará certidões de despachos sem autorização do vice-rei» (Em Torno de Diogo do Couto, António Coimbra Martins. Coimbra: Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, 1985, p. 74).

      Quem não percebe logo, de tão sugestivo? Senão: vem do francês. O problema é, nas traduções, as tentativas canhestras de o verter. Qual o maior pecado — o decalque do original ou não se perceber nada?

 

[Texto 17 263]