23
Mar 19

Léxico: «copywriter/copyrighter»

All about Liane

 

      Aquela autora que acabei de citar, Liane Moriarty, nascida na Austrália, a Wook diz-nos que «antes de dar início à sua carreira de romancista, desempenhou funções de diretora de marketing numa editora de livros jurídicos e foi copyrighter numa agência de publicidade». Será verdade? Deixemos a autora dizer de sua justiça: «She eventually left her position as marketing manager of a legal publishing company to run her own (not especially successful) business called The Little Ad Agency. After that she worked as (a more successful, thankfully) freelance advertising copywriter, writing everything from websites and TV commercials to the back of the Sultana Bran box.» Então, que acham?

 

[Texto 11 020]

Helder Guégués às 18:18 | comentar | favorito
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20
Mar 19

Com que então inglesa...

Uma simples preposição

 

      «Durante a digressão de estado em estado, Lindbergh perdeu-se duas vezes devido ao mau tempo e, em cada uma delas, decorreram várias horas antes de o contacto via rádio ser restabelecido e ele poder comunicar ao país que estava tudo bem» (A Conspiração contra a América, Philip Roth. Tradução de Fernanda Pinto Rodrigues. Revisão de F. Baptista Coelho, Lisboa: Publicações Dom Quixote, 2005, p. 45). Distracção? Convicção: «Nascera na Carolina do Sul em 1879, filho de um imigrante, negociante de tecidos, e sempre que se dirigia ao seu público judaico, quer do púlpito quer via rádio, o seu cortês sotaque sulista, aliado às suas cadências grandíloquas — e às cadências do seu próprio nome polissilábico —, deixava uma impressão de digna profundidade» (idem, ibidem, pp. 46-47).

      Passaram catorze anos, e agora decerto o revisor já sabe que via é uma preposição portuguesa como qualquer outra — e não grafamos nenhuma em itálico, não é assim?

 

[Texto 10 992]

Helder Guégués às 15:27 | comentar | favorito
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19
Mar 19

Tradução: «bycatch»

Também temos

 

      «Portugal compromete-se ainda a reduzir a poluição marítima através do desenvolvimento de plataformas tecnológicas e ferramentas que promovam a economia circular do mar, a trabalhar a nível regional com a Convenção para a Proteção do Meio Marinho do Atlântico Nordeste para reduzir o lixo no Atlântico, a garantir a criação do Fundo Azul, e a reduzir as capturas acessórias até 17% do total do pescado até 2023» («Portugal vai entregar na ONU dez compromissos voluntários para conservação dos oceanos», Diário de Notícias, 7.06.2017, 7h23).

      Qual a melhor definição de captura acessória? Esta: bycatch — «the portion of a commercial fishing catch that consists of marine animals caught unintentionally» (in Merriam-Webster). Os nossos dicionários não se ralam com estas miudezas.

 

[Texto 10 990]

Helder Guégués às 09:58 | comentar | favorito
12
Mar 19

Os contabilistas e a tradução

Eles lá sabem

 

      «Depending on whether or not *** is counted is with them.» Isto é canja, terá pensado a tradutora: «Dependendo se a *** é ou não contabilizada.» O dinheiro assenhoreou-se do mundo, e cá estão os contabilistas a tratar até das traduções. É assim.

 

[Texto 10 952]

Helder Guégués às 22:08 | comentar | favorito
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06
Mar 19

Tradução: «salt marsh»

Marinha? Salina? Hum...

 

      «A nossa rua, Summit Avenue, ficava, a nordeste da cidade, no cimo da colina local, uma elevação tão alta como qualquer outra de uma cidade portuária, que raramente sobe trinta metros acima do nível da marinha da maré, e a baía funda para leste do aeroporto que curva à volta dos tanques de petróleo da península de Bayonne, onde se junta à baá de Nova Iorque para passar pela Estátua da Liberdade e lançar-se no Atlântico» (A Conspiração contra a América, Philip Roth. Tradução de Fernanda Pinto Rodrigues. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 2005, p. 12).

      A pergunta é: o que significa «marinha da maré»? Alguém sabe? No original, está «above the level of the tidal salt marsh». Se se traduzir salt marsh por «marisma», que é o terreno alagadiço à beira-mar, que tem, portanto, marés, seria então «acima do nível da maré da marisma». Como o traduziram os nossos amigos Espanhóis? Assim: «treinta metros por encima de las salinas» (tradução de Jordi Fibla Feito). Em qualquer caso, se o tradutor não estranhou, o revisor tinha de estranhar.

 

[Texto 10 928]

Helder Guégués às 19:40 | comentar | favorito
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01
Mar 19

Tradução: «bumper stop»

Se pode ser específico, prefiro

 

      «Uma discussão entre dois maquinistas esteve na origem da colisão de uma locomotiva contra uma barreira e subsequente explosão no Cairo. As autoridades registaram a morte de, pelo menos, 25 pessoas» («Egito. Discussão entre maquinistas na origem da colisão no Cairo», Rádio Renascença, 28.02.2019, 7h47).

      Alguma imprensa anglo-saxónica usa a palavra barrier; outra, porém, recorre ao termo bumper stop. Já aqui vimos que, tecnicamente, em português se diz cabeçote. Não deixa de ser uma barreira, sim, mas tem um nome específico.

 

[Texto 10 903]

Helder Guégués às 09:16 | comentar | favorito
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14
Fev 19

Tradução: «billion»

Menos, muito menos

 

      «É mesmo tudo à grande: nos Estados Unidos, o Dia de São Valentim é a segunda data do calendário onde se gasta mais dinheiro em lembranças, a seguir ao Natal. Nos últimos anos, esta data tem movimentado uma média de 15 biliões de dólares» («Dia dos Namorados. Norte-americanos gastam 450 milhões de dólares em doces», André Rodrigues, Rádio Renascença, 14.02.2019).

      Quinze biliões de dólares! Eh brutos! Eh bruto! André Rodrigues anda a confundir um pouco os números. Conselho: procure saber o que se diz sobre a tradução do norte-americano billion. (E «data onde» também é de arrepiar, diga-se e exclame-se.)

 

[Texto 10 789]

Helder Guégués às 09:02 | comentar | favorito
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11
Fev 19

Nova Zembla

Já agora, em russo

 

      Assim? «“As pessoas estão assustadas e têm medo de sair de casa. Os pais têm medo de deixar os filhos irem à escola ou ao jardim-de-infância”, afirmou à CNN, Alexander Minayev, administrador de Novaya Zemlya, um remoto arquipélago russo no oceano Ártico» («Pânico em ilha russa. Ursos polares esfomeados assustam população», Sandra Xavier, TSF, 11.02.2019, 14h55). Ou assim? «O arquipélago russo de Nova Zembla foi invadido por dezenas de ursos polares, obrigados a alterar as normais rotas de migração e trilho de caça devido às alterações climáticas e degelo dos glaciares» («Arquipélago russo invadido por ursos polares declara estado de emergência», Joana Gonçalves, Rádio Renascença, 22h40).

      Há sempre quem, com a mesma informação, faça melhor. Nova Zembla, pois claro, ou ainda escrevem em russo, com caracteres cirílicos, Нoвая Зeмля.

 

[Texto 10 770]

Helder Guégués às 23:53 | comentar | favorito
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