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Linguagista

Sobre «parricídio»

Desunião ibérica

 

      Um homem, em Almería, Espanha, matou as duas filhas, de 2 e 4 anos de idade: «Un fallo en cadena permitió el doble parricidio de Almería» (ABC, 19.03.2024, p. 1).

      Só com o Código Penal espanhol de 1994 o parricídio deixou de estar tipificado como tal, mas o conceito permanece: parricídio é o crime de assassinar pai, mãe, filho ou qualquer ascendente ou descendente ou o próprio cônjuge. Isto porque, etimologicamente, parricīdium era o acto de matar um parente ou igual, isto é, um semelhante. Mas é assim em Espanha, porque, para nós, parricídio é o assassínio do próprio pai ou ascendente próximo. Ao assassínio do próprio filho dá-se o nome (também em castelhano) de filicídio.

 

[Texto 19 554]

Tradução: «retribution»

Os falsos amigos de sempre

 

      Assisti à representação de Electra, de Eugene O’Neill, pelo Teatro Experimental de Cascais. Às tantas (a peça arrasta-se um bocado), a personagem Orin diz à irmã: «Esperavas escapar à retribuição?» Apesar das várias mortes em cena e das mortes narradas, felizmente no original só há um retribution. «Were you hoping you could escape retribution? You can’t! Confess and atone to the full extent of the law! That’s the only way to wash the guilt of our mother’s blood from our souls!» Julgam poder prescindir (saberão sequer que existe tal profissional?) de revisor, e depois acontece isto. Castigo divino? Que alguém avise a responsável pela dramaturgia e adaptação, Graça P. Corrêa, pois ainda estão muito a tempo de corrigir o erro nas restantes representações.

 

[Texto 19 063]