07
Jan 19

Léxico: «Soajo/Suajo»

Não matem as variantes!

 

      «Serra da região minhota, situada junto à fronteira com a Espanha, na margem direita do rio Lima. Tem a altitude máxima de 1415 metros», ensina-nos sobre a serra do Soajo a Infopédia. Para já, são 1420 metros, medidos por mim. Estou a brincar. O que há para dizer, a respeito disto, é que a Porto Editora devia mencionar que se escreve Soajo ou Suajo, são variantes, é in-di-fe-ren-te. Se não o disser aqui, onde o vai dizer? Bem, di-lo a propósito de um termo comum, soajo/suajo, uma planta herbácea. «Serra do Suajo», leio numa velhinha edição de Portugal: Breviário da Pátria para os Portugueses Ausentes, publicada pelas Edições SNI em 1946. (A continuar a citar edições do SNI, ainda sou convidado para ir ao programa de Manuel Luís Goucha... Vou emendar-me.) 

 

[Texto 10 556]

Helder Guégués às 17:19 | comentar | favorito | partilhar
30
Out 18

Léxico: «chamuça/samosa»

Grande desafio...

 

      «Logo aqui, a primeira diferença: a aplicação do UberEATS dava a opção de escolher entre uma chamuça de carne, de vegetais e de frango, enquanto a Glovo dizia que havia as três, mas não deixava optar. Outra diferença: a Glovo chama-lhe “chamussa”, num claro desafio à língua portuguesa» («Qual o melhor serviço de entrega de comida? Pusemos o UberEATS à prova contra os concorrentes», Manuel Pestana Machado, Observador, 5.12.2017).

      Grande desafio à língua portuguesa, realmente... Sabia o jornalista que há dicionários — não é o caso do Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora — que registam a variante «samosa»? (E não seria melhor, em vez de «dava a opção de escolher entre», «permitia escolher entre»?)

 

[Texto 10 221]

Helder Guégués às 10:18 | comentar | ver comentários (2) | favorito | partilhar
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25
Set 18

Léxico: «jarmelista»

Do Jarmelo

 

      A Antena 1 estava há momentos a entrevistar o Professor Fernando Carvalho Rodrigues, que vive agora em Casal de Cinza, a 12 quilómetros da Guarda. Claro, hoje em dia já não põe satélites em órbita, mas tem um projecto para criar vacas jarmelistas. Jarmelista o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora regista, mas esquece-se das variantes: a primeira, jermela, podemos vê-la em Aquilino Ribeiro, e ainda há outra, jarmeleira.

 

[Texto 9988]

Helder Guégués às 10:53 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
09
Set 18

Léxico: «comparência/comparecência»

Mais breve

 

      «A sua comparecência em jantares literários, nos quais se reunia com outros autores e editores, era frequente, tal como frequente era também a sua presença à mesa do próprio Graham» (Poe, Uma Vida Abreviada, Peter Ackroyd. Tradução de Alberto Simões e revisão de Idalina Morgado. Parede: Edições Saída de Emergência, 2009, p. 87).

      Todas têm direito a existir, mas por algum motivo temos a variante, mais breve e vinda directamente do latim, comparência.

 

[Texto 9883]

Helder Guégués às 08:31 | comentar | favorito | partilhar
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25
Ago 18

«Biólogo/biologista»

Conhece-nos muito mal

 

      «A proposta mais estranha virá talvez da Rejuvenate Bio, uma startup norte-americana com investimento da Harvard Medical School que quer, segundo o biologista George Church, fazer as pessoas viverem até aos 130 anos num corpo de 22» («Está preparado para viver até aos 100 anos?», João Valente, Montepio, Verão de 2018, p. 10).

      João Valente foi atrás do inglês biologist, mas, desta vez, sem consequências indesejáveis: também temos «biologista». Devo, porém, dizer que nunca antes eu vira a palavra fora dos dicionários. O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora de biologista remete simplesmente para biólogo, como de paleontologista remete para paleontólogo. No Facebook, esse grande repositório de desinformação e outras coisas piores, leio na página Nomes Científicos, de Rafael Rigolon, que «biólogo está tão correto quanto biologista», mas que é preciso atentar em alguns matizes: «O sufixo ‘-logista’ é uma influência da língua inglesa, que usa o sufixo ‘-logist’ (‘biologist, aracnologist’). Há uma preferência regional pelos sufixos. Em Portugal e outros países usam-se muito o ‘-logista’ (biologista, primatologista) e no Brasil o ‘-ólogo’ (biólogo, primatólogo).» Rafael Rigolon, só lhe digo que teve azar com o exemplo das «preferências» em Portugal.

 

[Texto 9829]

Helder Guégués às 19:00 | comentar | ver comentários (7) | favorito | partilhar
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19
Jul 18

Monte Ararate

É claro que se atrevem

 

      «Viajámos de comboio até Istambul e, depois, para Erzurum, no leste da Turquia, perto do monte Ararate» (A Minha Breve História, Stephen Hawking. Tradução de Pedro Elói Duarte. Lisboa: Gradiva, 2014, p. 39).

      Talvez o tradutor pensasse: «Só “Ararat” é que não tem cura. Com este ninguém se atreve.» Eu sabia desta tripla ortografia — Arará, Ararat, Ararate —, mas ver outra que não Ararat é que é mais raro. (Entretanto, a edição é de 2014, espero que tradutor e revisor já saibam que é «Leste da Turquia». Ainda mais estranho: só numa citação (!) grafam «Universo» com maiúscula — mas, como a obra tem revisão científica de Carlos Fiolhais, deve ser imperativo científico.)

 

[Texto 9657]

Helder Guégués às 08:51 | comentar | favorito | partilhar
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08
Abr 18

Léxico: «geresiano»

Dos poucos casos

 

      «É a Adega do Ramalho, cujo nome é tributo ao escritor e ao local que frequentava. Trata-se de uma casa aberta por Lino Ribeiro, um geresiano de nascimento, descendente da primeira família, oriunda de Rio Caldo, que se fixou, no ano de 1860, em permanência nas termas» («Banco histórico do Gerês deu nome a casa tradicional», TSF, 5.04.2018, 19h11).

      Deve ser dos poucos casos com tantas variantes: geresano, geresão, geresiano, geresino. E todas elas estão registadas no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora.

 

[Texto 9016]

Helder Guégués às 06:00 | comentar | favorito | partilhar
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