08
Abr 18

Léxico: «geresiano»

Dos poucos casos

 

      «É a Adega do Ramalho, cujo nome é tributo ao escritor e ao local que frequentava. Trata-se de uma casa aberta por Lino Ribeiro, um geresiano de nascimento, descendente da primeira família, oriunda de Rio Caldo, que se fixou, no ano de 1860, em permanência nas termas» («Banco histórico do Gerês deu nome a casa tradicional», TSF, 5.04.2018, 19h11).

      Deve ser dos poucos casos com tantas variantes: geresano, geresão, geresiano, geresino. E todas elas estão registadas no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora.

 

[Texto 9016]

Helder Guégués às 06:00 | comentar | favorito | partilhar
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28
Jan 18

Cidade Luz/Cidade das Luzes

Há escolha

 

      «Foram igualmente fechadas estradas nas margens do rio, bem como sete estações de comboio ao longo do seu curso, mas tais medidas não causaram perturbações de maior na Cidade das Luzes» («França. Água continua a subir em Paris», Rádio Renascença, 28.01.2018, 17h46).

      É um dos dois prosónimos de Paris, mas o meu preferido é Cidade Luz, talvez porque em francês é Ville Lumière. Há quem, porém, troque os fios e escreva «Cidade da Luz», como Estádio da Luz. Enfim.

 

[Texto 8630]

Helder Guégués às 22:13 | comentar | ver comentários (2) | favorito | partilhar
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16
Jan 18

«Cheché» ou «xexé»

O mundo não quer saber

 

      A magna questão do Jogo da Língua Portuguesa de hoje era sobre ortografia: «cheché» ou «xexé»? Estava o País à espera da solução, e ela veio: «A resposta correcta é a alínea b). A palavra “xexé” escreve-se com x. Esta palavra é de origem onomatopeica.» O ouvinte, claramente afastado da escrita e da leitura, propendia de início para a primeira, mas, depois, acabou por mudar de ideias. Justamente por ser de origem onomatopeica, seria mais ou menos indiferente escrever-se assim ou assado — e, de facto, sabia a «nossa especialista em língua portuguesa» que há dicionários que registam ambas as variantes e, sobretudo, que antes se escrevia apenas com ch, sabia? Escolha melhores exemplos, caramba. Que imaginação tão débil.

 

[Texto 8589]

Helder Guégués às 22:24 | comentar | ver comentários (3) | favorito | partilhar
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02
Dez 17

Léxico: «Antropoceno/Antropocénico»

Pensemos

 

      «A expressão “Antropoceno” é atribuída ao químico e prémio Nobel Paul Crutzen, que a propôs durante uma conferência em 2000, ao mesmo tempo que anunciou o fim do Holoceno — a época geológica em que os seres humanos se encontram há cerca de 12 mil anos, segundo a União Internacional das Ciências Geológicas (UICG), a entidade que define as unidades de tempo geológicas» («E se formos os últimos seres vivos a alterar a Terra? Antropoceno», Raquel Dias da Silva, Público, 2.12.2017, p. 28).

      Peguemos primeiro em Holoceno, se não se importam. No Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, de Holoceno remete-se para Holocénico, e há quem afirme que esta forma é mais correcta. Em Plistocénico, porém, já remete para Plistoceno, por onde se prova que estas remissões não obedecem a nenhuma lógica. Estamos, agora, em condições de tratar do termo Antropoceno, o que se resolve com uma pergunta. Porque não regista aquele dicionário a variante Antropocénico?

 

[Texto 8425] 

Helder Guégués às 21:03 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
27
Nov 17

Léxico: «edelvais»

Vamos às variantes

 

       «Uma pessoa nascida em Dezembro num qualquer país europeu nunca verá desabrochar os jacintos, os lírios, os ásteres, os cíclames e os edelvais, nunca verá as folhas do plátano tornarem-se vermelhas e douradas, nunca ouvirá os grilos ou os pássaros» (Os Sonhos de Einstein, Alan Lightman. Tradução de Ana Maria Chaves. Alfragide: Edições Asa, 10.ª ed., 2010, p. 67).

      Neste caso, o erro é do Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, que não regista esta variante de edelvaisse. Os bons dicionários acolhem todas as variantes. Ali atrás, eu registaria não apenas cetogénico, mas também cetogénio. Como é que os falantes sabem se determinada grafia de uma palavra é a correcta?

 

[Texto 8401]

Helder Guégués às 14:57 | comentar | favorito | partilhar
11
Nov 17

Léxico: «muxama»

Imita os bons, e serás como eles

 

      «É aqui [Café Castelo de Silves] que os visitantes podem saborear pratos feitos com produtos da região. Entre as sugestões está a muxama de atum (uma espécie de presunto do mar) com espuma de coentros, gotas de azeite e amêndoas torradas ou os figos gratinados com queijo de ovelha e presunto, regados com mel aromatizado com alecrim» («Tapas mediterrânicas para provar dentro de muralhas», Rui Pando Gomes, «Sexta», Correio da Manhã, 27.10 a 2.11.2017, p. 41).

      Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, sim, é contigo que estou a falar: o velho Morais regista ambas as grafias, muxama e moxama. Imita os bons, regista ambos. Ou imita os maus, e serás pior do que eles.

 

[Texto 8323]

Helder Guégués às 19:13 | comentar | ver comentários (2) | favorito | partilhar
22
Out 17

«Chachachá/chá-chá-chá»

A alguém interessa

 

      «– O Georgie adorava chachachá. Estava sempe a tentar que eu dançasse com ele» (Pintar o Futuro — Uma História de Amor e de Esperança, Louise L. Hay e Lynn Lauber. Tradução de Duarte Sousa Tavares. Lisboa: Pergaminho, 2012, p. 91). Prefiro a grafia chá-chá-chá (como blá-blá-blá). Claro que não têm nada que ver com isso, mas a Porto Editora pode ter: o Dicionário da Língua Portuguesa só acolhe a grafia chachachá, mas o Dicionário de Português-Inglês apresenta ambas, chachachá e chá-chá-chá.

 

[Texto 8248]

Helder Guégués às 15:54 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
02
Set 17

Léxico: «javista»

Amputado

 

      O Pentateuco, segundo os estudiosos, é o resultado de quatro fontes ou tradições: javista, eloísta, sacerdotal e deuteronomista. O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora não regista javista, mas apenas a variante jeovista.

 

[Texto 8113]

Helder Guégués às 06:45 | comentar | favorito | partilhar
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