04
Ago 20

«Tratar-se de», mais uma vez

Mostrem que aprendem

 

      «No mesmo sentido se pronunciou o Comando Territorial da GNR de Braga, já que se tratam de factos alegadamente ocorridos no concelho de Barcelos, naquele distrito. “Iremos efetuar diligências para apurar as circunstâncias da gravação. Caso se trate efetivamente de um guarda[,] haverá lugar a processo disciplinar, uma vez que a GNR não autorizou tal participação”, disse» («GNR investiga uso de farda de militar em vídeo de “rapper” minhoto», Joaquim Gomes, Jornal de Notícias, 31.07.2020, 19h55).

      Joaquim Gomes, não aprendeu isto, pelos vistos não lê nem relê, enfim. O mais estranho é não o corrigirem aí no jornal.

 

[Texto 13 844]

Helder Guégués às 08:00 | comentar | favorito
Etiquetas: ,
11
Jul 20

O pobre verbo «faltar»

Simplesmente indocíveis

 

      «Faltam distribuir 560 ventiladores» (Francisca Genésio, Correio da Manhã, 27.06.2020, p. 19). A especialidade deles é mais sangue e crime, não gramática e língua.

 

[Texto 13 694]

Helder Guégués às 09:00 | comentar | favorito
Etiquetas: ,
23
Jun 20

«Tratar-se de», milésima vez

De cortar os pulsos

 

      «Luís Gaiba justificou ainda que os códigos “papéis” ou “papelada” que o MP diz serem utilizados entre si e o principal vendedor das armas, António Laranginha, tratavam-se realmente de papéis de que necessitava para o batismo da enteada. [...] “Carregadores” era outro suposto código, que o arguido disse tratarem-se de carregadores de telemóvel» («Compra de Audi trama polícia em furto e tráfico de armas», Rogério Matos, Jornal de Notícias, 19.06.2020, p. 16). É escusado, não aprendem.

 

[Texto 13 597]

Helder Guégués às 08:15 | comentar | favorito
Etiquetas: ,
02
Jun 20

«Tratar-se de», mais uma vez

Aos pares é sempre pior

 

      «Quando o suspeito, que é cunhado das vítimas, foi localizado, no sábado, não admitiu os homicídios, nem ofereceu resistência. Foram-lhe apreendidas algumas armas, que a investigação acabou por concluir não se tratarem das usadas para tirar a vida ao casal» («Caçadeira encontrada no campo», Patrícia Moura Pinto e Tânia Laranjo, Correio da Manhã, 1.06.2020, p. 8).

      Não tarda, Portugal inteiro sabe como se escreve isto. Portugal inteiro, salvo os jornalistas, que não têm tempo, coitados. E quando são dois, já se sabe que aumenta a probabilidade de haver erros crassos.

 

[Texto 13 482]

Helder Guégués às 09:15 | comentar | favorito
Etiquetas: ,
21
Mai 20

«Receamos infectar-nos»

A dificuldadezinha com os verbos

 

      Antes de fechar a loja, vamos ajudar Pedro Tadeu, pode ser que ele agradeça. Uns agradecem, outros escoicinham, depende da natureza de cada um. «Estamos todos com medo de que a saída de casa, a ida à escola, ao trabalho, às compras, ao convívio com colegas de trabalho, com amigos, com familiares, com estranhos, possam ser um perigo. Receamos infetarmo-nos. Receamos infetar os outros. Receamos pelos nossos filhos, pelos nossos pais. Receamos uma segunda vaga da COVID-19 e achamos que a primeira ainda não passou» («É preciso salvar a Livraria Barata?», Pedro Tadeu, TSF, 18.05.2020, 7h09).

      Não, não, não, Pedro Tadeu: a marca da pessoa, no caso, a primeira pessoa do plural, já está na primeira forma verbal. Logo, escreve-se «receamos infectar-nos». Repare como escreveu a frase seguinte; essa está certa.

 

[Texto 13 402]

Helder Guégués às 10:00 | comentar | favorito
Etiquetas: ,
06
Mar 20

Verbo «presidir»

Só para relembrar

 

       «Na leitura do acórdão, a juíza que presidiu o julgamento referiu que, “dada a compleição física” de Rosa Grilo, carregar o corpo do marido não seria “impossível”. Aliás, para o tribunal, a arguida terá usado o édredon onde embrulhou o corpo para o arrastar até ao carro e então transportá-lo até ao local onde o abandonou, a cerca de 160km de casa onde viviam, nas Cachoeiras» («Rosa Grilo condenada a 25 anos de prisão pelo homicídio do marido. António Joaquim absolvido», Sónia Trigueirão, Público, 4.03.2020, p. 20).

      O verbo presidir, como se sabe, constrói-se com objecto directo («presidir o julgamento»), como na frase acima, ou com objecto indirecto («presidir ao julgamento»), que é a forma mais comum e a que prefiro.

 

[Texto 12 909]

Helder Guégués às 09:30 | comentar | favorito
Etiquetas: ,
15
Jan 20

O explosivo verbo «implodir»

Fica para a próxima

 

      «O médico lamenta a saída de profissionais para o sector privado e a dificuldade de contratação por parte do SNS. “Tenho algum receio de que se não forem contratados mais recursos humanos o SNS imploda» («Radiologia: “Tenho algum receio de que se não forem contratados mais recursos humanos o SNS imploda”», Ana Maia, Público, 13.01.2020, p. 13).

      Ai que vergonha, Ana Maia, que vergonha... Mas talvez tudo se explique pela numerologia: na página 13 da edição do dia 13 (mas felizmente não era sexta-feira), alguém se ia espalhar, e tinha de ser Ana Maia porque o resto da página é publicidade. Confunde — sempre as confusões — com o verbo explodir, que, segundo alguns (pouquíssimos, não é consensual), admite, no presente do conjuntivo, as formas expluda/exploda. Até sentimos o coração aos trancos.

 

[Texto 12 637]

Helder Guégués às 09:00 | comentar | favorito
Etiquetas: ,
29
Nov 19

O pobre verbo «haver»

E os pobres leitores

 

      «Hajam fundos, já agora. Em Bruxelas, depois de ter visto a sua equipa confirmada pelo Parlamento Europeu, a nova presidente da Comissão Europeia esteve com a Susana Frexes, fugindo à pergunta para muitos milhões de euros: haverá mais fundos europeus, ou é inevitável o corte que António Costa anda a tentar contrariar?» («Quando ouvir dizer mal dos partidos, pense nisto», David Dinis, Expresso Curto, 28.11.2019).

      Este formato do Expresso só é curto no nome, que, no que toca (e não escrevo «tange» para não haver ambiguidades) a erros, é bem grosso. Com que então, David Dinis, é «hajam fundos» que se diz?

 

[Texto 12 378]

Helder Guégués às 08:45 | comentar | favorito
Etiquetas: ,