Trabalho e suplício

Triga-te

 

      «O fôlego de Olga manifesta-se primeiro através de uma prédica sobre a etimologia da palavra “trabalho”, clarificando a sua origem na ideia de tortura. O vocábulo latino tripalium daria origem tanto à designação de um popular instrumento de tortura romano (tripálio), quanto à noção que hoje temos da ocupação profissional de cada um» («A Olga de Tchékhov como um hamster numa roda», Gonçalo Frota, Público, 20.06.2016, p. 26).

      É bem conhecido isso, só é estranho é que o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora não acolha o vocábulo tripálio. (Sim, o trabalho é um suplício — e, nos últimos tempos, a falta de trabalho também. Nietzsche dizia que toda e qualquer profissão lança um céu de chumbo sobre a cabeça de quem a pratica, forjando-lhe um visão do mundo em miniatura.) É também daquele étimo que provém o verbo trigar-se, que significa «impor-se um esforço, fazer violência sobre si mesmo»; ou, como se lê naquele dicionário e noutros (Morais, por exemplo), «apressar-se, azafamar-se».

 

[Texto 6893]

Helder Guégués às 11:47 | comentar | favorito