Tradução: «biofilm»

Má opção

 

      «Já em fevereiro de 2017, um outro estudo feito na Estação Espacial Internacional alcançou um resultado importante: duas espécies de algas verdes conseguiram sobreviver mais de dois anos no espaço. De mais de 500 amostras de espécies de algas provenientes de zonas extremas do globo, recolhidas por Thomas Leya, do Instituto de pesquisa alemão Fraunhofer-Gesellschaft, as duas sobreviventes foram a blue-green, uma cianobactéria, e a biofilme» («As algas podem ser a solução para criar condições de vida em Marte», Rui Frias, Diário de Notícias, 25.02.2019, 12h25).

      Só surpreendia se estivesse correcto. O itálico em «biofilme» é para quê? Se pretende ser o aportuguesamento do inglês biofilm, não precisa do itálico. Seja como for, é má opção. Biofilms, explica aqui a investigadora Brigitte Kempter-Regel, são «symbiotic communities of bacteria, fungi or algae that adhere to surfaces and grow there». Ora, tal tem sido referido na nossa língua pelo termo biopelícula — que, logo por acaso, não está nos nossos dicionários. Omeletes sem ovos e ciência sem palavras.

 

[Texto 10 878]

Helder Guégués às 17:18 | favorito
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