Tradução: «écume blanche»

Despoetizado, mas certo?

 

      Aloïs fumait... Não, talvez fosse Pierre fumait une belle pipe en écume blanche... O tradutor quis despoetizar isto ao máximo, e, assim, verteu por «cachimbo de sepiolite». Por vezes, aparecem cachimbos de espuma-do-mar em leilões, e é desta maneira que aparecem descritos. Mas podemos ter outro problema: o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora regista espuma-do-mar, mas remete para «magnesite». Será o mesmo, sepiolite e magnesite? No Dicionário de Inglês-Português da Porto Editora, ao verbete meerschaum (originalmente um termo alemão) fazem corresponder isto: «1. Mineralogia sepiolite, magnesite 2. Cachimbo com boquilha de sepiolite». Boquilha de sepiolite? Na verdade, mais habitualmente é o fornilho.

   «E há tais casos que se tornam depois internacionais, como por exemplo, os cachimbos de espuma do mar. Encontramos esta denominação em tôdas as línguas modernas e nunca se pôde compreender como é que de espuma do mar se pudesse fazer cachimbo» (Estudos de Filologia Portuguêsa, Francisco Silveira Bueno. São Paulo: Saraiva, 1959, vol. 1, p. 228).

 

[Texto 6851] 

Helder Guégués às 19:49 | comentar | favorito