Tradução: «incrinatura dialettale»

Fábulas

 

      «Os grandes livros de contos populares italianos, como se sabe, nasceram antes dos outros. Já em meados do século XVI, em Veneza, nas Piacevoli Notti de Straparola, a novela cede o lugar à sua irmã mais velha e rústica, a história de maravilhas e de encantos, com o retorno a uma imaginação entre gótica e oriental à maneira de Carpaccio, e uma pecha dialectal nos moldes da prosa boccaccesca» (Sobre o Conto de Fadas, Italo Calvino. Tradução de José Colaço Barreiros. Lisboa: Editorial Teorema, 2010, 2.ª ed., p. 15).

      «Pecha dialectal»? Hum, parece-me que não faz nenhum sentido. No original, está incrinatura dialettale. O termo aqui só pode estar a ser usado em sentido figurado. Na tradução brasileira, de Nilson Moulin (Fábulas Italianas, Italo Calvino. São Paulo: Companhia de Bolso, 2006, 3.ª reimpressão), lê-se isto: «É sabido que os grandes livros de fábulas italianas nasceram antes dos outros. Já em meados do século XVI, em Veneza, nas Piacevoli notti  de Straparola, a novela cede espaço à sua mais antiga e rústica irmã, a fábula de maravilhas e de encantos, com um retorno de imaginação entre gótico e oriental, à maneira de Carpaccio, e uma pequena contribuição dialetal na linha da prosa boccaciana.» E «boccaccesca» é italiano; em português diz-se «boccacciana».

 

[Texto 4106]

Helder Guégués às 08:17 | favorito
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