Trapalhadas nos jornais

Sem revisão, não admira

 

      «Em Bordéus está em curso um projeto-piloto de produção de bioetanol feito a partir dos [sic] desperdícios da cultura do vinho para alimentar autocarros. [...] O mosto, o resíduo resultante do processo de produção de vinho, está a ser aproveitado para fazer biocombustível. É chamado ED945, estando a ser aplicado como alternativa ao Diesel [sic]» («O combustível para estes autocarros vem... do vinho», Paulo Marmé/Watts On, Motor 24, 7.10.2018).

      O mosto é um resíduo resultante do processo de produção do vinho, Paulo Marmé? Tem a certeza? Na imagem de um autocarro que usa este biocombustível, está escrito: «Je roule au bioéthanol issu du marc de raisin.» Não foi suficiente. Uns parágrafos mais à frente, porém, fica uma pista: «O produtor de bioetanol Raisinor France Alcools reuniu as cooperativas de vinhos francesas, bem como a Union Coopératives Vinicoles d’Aquitaine (UCVA), produzindo 100.000 toneladas de bagaço de uva por ano em Coutras, em Gironde, na região vinícola de Bordéus.» Nunca acham necessário reler o que escrevem — com as consequências que estão à vista.

 

[Texto 10 060]

Helder Guégués às 08:48 | favorito
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