Um estranho Führer

Grandes enganos

 

      «“Este é um acto cheio de simbolismo”, disse ao diário espanhol El Mundo o ministro das Antiguidades egípcio, Khaled al Anani, evocando o aniversário e o facto de esta gruta — que os romanos usavam para armazenar cereais e que hoje guarda artefactos militares e objectos pessoais do homem que o Führer nomeou marechal de campo [sic] e depois forçou ao suicídio — ter estado fechada boa parte da última década. O material exposto, esclareceu Al Anani, “foi cedido pela família, pela polícia local e pelo Ministério das Antiguidades”» («Egipto reabre museu dedicado a um dos favoritos de Hitler», Lucinda Canelas, Público, 30.08.2017, p. 30).

      Führer, pois claro, mas vejam: «As pessoas importantes do regime nazi, casos de Goering, Goebbels ou Himmler, sempre me trataram com carinho e respeito, pois sabiam que eu era a cadela do Fuehrer, e que qualquer desconsideração que me fosse feita seria entendida por ele como um insulto pessoal, o que podia até corresponder a uma pena de morte» (Amados Cães, José Jorge Letria. Revisão de Henrique Tavares e Castro. Cruz Quebrada: Oficina do Livro, 3.ª ed., 2008, p. 142). Uma coisa é escrever, por exemplo, Messkirch em vez de Meßkirch (mesmo que eu prefira esta última); outra, bem diferente, é optar por um estranho «Fuehrer». Bem, não é o pior erro deste livro. Quanto a marechal-de-campo — que o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora ignora —, Lucinda Canelas não sabe que se escreve com hífen.

 

[Texto 8126]

Helder Guégués às 10:00 | favorito
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