Um novo dicionário

Vamos comprová-lo

 

      «O dicionário de Morais e Silva regista, apenas, a palavra “obrigado” como particípio passado de obrigar, mas o dicionário da Língua Portuguesa, saído já em 2018, regista a palavra como adjetivo, interjeição ou como tempo verbal. Registos que atestam que os “próprios dicionários, enquanto elementos de estabilização da língua, mostram a forma como o conjunto da comunidade vai reconhecendo aquilo que é o uso reconhecido”, explica Maria Antónia Coutinho [investigadora do Centro de Linguística da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa]» («Já disse “obrigado” hoje? Aprenda a saborear o agradecimento», Sandra Xavier e Fernando Alves, TSF, 11.01.2019, 12h14).

      Então, é «o dicionário da Língua Portuguesa» e não se diz mais nada? Tive de ouvir a entrevista para saber que se trata do Dicionário da Língua Portuguesa — Léxico, Gramática, Prontuário, de Aldina Vaza e Emília Amor (Alfragide: Texto Editora, 2018). Da entrevista que as autoras deram a Rita Pimenta, do Público («Dicionários em papel para quê? (e para quem?)», 30.12.2018, 7h41), extraio este trecho, que, se não serve para os dicionaristas já falecidos, serve para os outros, aspecto para o qual estou frequentemente a chamar a atenção: «A lista definitiva [dos vocábulos incluídos neste dicionário] teve ainda de incluir, posteriormente, todas as palavras que foram usadas na redação dos artigos (como nas definições e nos exemplos), mas que não constavam na nomenclatura criada.» Não conheço nenhum dicionário que cumpra este critério — e agora falta comprová-lo neste.

 

[Texto 10 578]

Helder Guégués às 17:50 | comentar | favorito | partilhar