Um retroactivo substantivo

Paulo contra Paulo

 

      «P.G. concede-me, e à língua portuguesa, que haja dois significados para a palavra “retroativo” e sabe, mas omite, que o sentido em que utilizo o adjetivo é o que vem em todos os dicionários: “Que tem efeitos sobre factos passados, que modifica o que já foi feito” (Dicionário da Língua Portuguesa, Porto Editora, 2010)» («O umbigo de Paulo Guinote», Paulo Pereira Trigo, Público, 5.12.2018, p. 54).

      Evidentemente, o deputado não soube exprimir-se, ou, o que é incomparavelmente pior, quis deturpar os factos, pois a sua declaração de voto, na redacção que foi divulgada em vários jornais, diz assim: «Importa sublinhar que os sindicatos reivindicam retroativos relativamente a todos os anos que as carreiras estiveram congeladas. Em nosso entender, o descongelamento já é um progresso, sendo que a verdade é que a questão dos retroativos não consta do programa do PS ou do programa do Governo, sendo algo injusto relativamente a outras carreiras atendendo, designadamente, ao facto de a progressão dos professores ser mais rápida que a existente no plano das carreiras gerais.» Paulo Guinote não pôde deixar passar sem apontar semelhante erro ou lapso ou trapalhada intencional: «Comecemos pela acepção mais corrente e “popular” do termo “retroactivos”. Consultando a Infopédia, como nome comum, um “retroactivo” corresponde a “montante que corresponde a pagamentos devidos e que estão em atraso”, sendo mais usado na forma plural (como o faz P.T.P.). Ora, isto é completamente falso. Em nenhum momento, mesmo de mais intenso conflito, professores ou sindicatos exigiram ou sequer sugeriram receber qualquer montante pelos anos em que a sua carreira esteve “congelada”» («Os “factos alternativos” à portuguesa», Paulo Guinote, Público, 4.12.2018, p. 45).

 

            [Texto 10 407]

Helder Guégués às 23:09 | comentar | favorito | partilhar
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