Regência de «ajudar»

Os factos como eles são

 

      Alberto Gonçalves é a nova aquisição, salvo seja, do Observador. Apresentou-se ontem aos leitores deste jornal digital, e não desilude. Ou não desilude mais, vá. Analisemos, para já, antes de chegar a primeira crónica, prometida para cada sábado, apenas uma frase. «Sonho escrever crónicas que saltitem de júbilo pelo facto de partidos estalinistas ajudarem ao governo do país.» «Saltitar pelo facto»... Está bem, está. E a regência do verbo «ajudar» estará correcta? Alberto Gonçalves pode ajudar, bitransitivamente, o Observador a ter mais leitores (ou não). Ajudar alguém a. Os partidos estalinistas, por sua vez, podem ajudar no governo do país. Ajudar em. Ou até, mais directa e transitivamente, e com resultados menos maus, podem ajudar o Governo do país. Para ajudar à missa, porém, vem Luft dizer-nos que conseguiu desencantar uma frase em que o verbo aparece assim preposicionado, e logo de Herculano: «Presume, e parece-nos que com razão, um dos nossos mais judiciosos historiadores que o conde aproveitaria para a sua passagem a armada genovesa que em 1104 ajudou Balduíno à conquista da Ptolemaida» (in História de Portugal). Também encontrei um exemplo em Eça de Queiroz e em mais meia dúzia de autores absolutamente não citáveis. Os grandes também erram e tresvariam.

 

[Texto 7460]

Helder Guégués às 10:19 | comentar | favorito