Uma estranheza

Liberdade, sim, mas...

 

      «Bruno recordou, ou percebeu sem saber bem como, que era de tarde. Embora as cortinas estivessem bem fechadas, vigorava nos rebordos uma claridade fria e avermelhada» (O Sonho de Bruno, Iris Murdoch. Tradução de Vasco Gato. Lisboa: Relógio D’Água, 2018, p. 9).

      Escrever é sempre uma escolha de palavras e maneiras de dizer, mas na tradução essa liberdade está muito mais condicionada. Aquele «vigorava» provoca-me logo muita estranheza, que, confrontando com o original, aumenta: «The curtains were tightly pulled, but there was a cold reddish glow about the edges.» Aliás, edge traduzido, neste contexto, por «rebordo» não me deixa menos dúvidas.

 

[Texto 9313]

Helder Guégués às 16:42 | comentar | favorito | partilhar
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